Publicado em Maputo, Moçambique no Jornal Domingo
27 de Março, 2004
antes e depois
Luís David
o grande o dilema
A vida é o que é. Não o que desejamos que seja. Não o que desejamos que fosse. A vida são dualidades, a vida são cumplicidades. Talvez, multiplicidade. A vida, convenhamos e aceitemos, é constituída por contrastes e por contradições. A vida é, em simultâneo, ser e estar,. estar e ser. Sendo que ser é estar e sendo que estar é ser. Não poderá, assim, haver ser sem estar nem estar sem ser. Logo, estar é ser e ser é estar. Mesmo quando estar possa não significar ser ou quando ser possa não significar estar. Porque sendo ser e estar são realidades, talvez valores, presentes, o são, também, passados. Mas, muito mais, futuros. Ser e estar seriam, assim, passado, presente, futuro. Não, objectivamente, uma e a mesma unidade mas, objectivamente, três unidades distintas. Três unidades ou três realidades que, podendo existir em três tempos, talvez em três espaços, diferentes ou comuns, possam não ter existido. A dúvida, está em saber, em definitivo, se aquilo que pensamos saber que existe, existe, ou se aquilo que pensamos saber que não existe, não existe. E, a resposta, não sendo fácil, nunca será conclusiva. A resposta, para ser resposta séria, será, sempre, a dúvida.
Nós, moçambicanos, confrontamo-nos, no presente momento com duas realidades diferentes, talvez opostas, antagónicas. Por um lado, temos conhecimento do que concluiu a comissão de inquérito sobre o desabamento de um prédio de cinco andares, em plena cidade de Maputo. Quando se encontrava em processo de construção. E, aqui, ficámos a saber nada de novo. Ficámos a saber o que todos nós, sem sermos engenheiros, já sabíamos. Que o prédio estava ser construído como estava. Com mais areia do que cimento, com mais água do que o devia, sem... sem. O que não sabemos, o que continua a ser escondido são os nomes dos responsáveis pelo que aconteceu. Porquê, só a Ordem dos Engenheiros de Moçambique, que presidiu ao inquérito, poderá responder. Quer-se dizer, e isso parece provado, aqui temos crime. Mas, temos crime sem criminoso. No outro caso, na outro realidade, no que se tem dito sobre o julgamento do “ caso BCM” temos criminosos sem prova de terem participado em crime provado. Resumindo, num caso temos crime público e comprovado sem criminoso. O nome do, ou dos criminosos, é mantido em sigilo Em outro, em outro caso, no chamado “caso BCM”, temos criminosos, ou dizemos que os temos, mas não conseguimos apresentar prova do crime. Algo está errado. È que num lado escondemos caras e identificações. No outro, mostramos caras e não conseguimos apresentar provas. . No antigamente, eram assim as história dos polícias e ladrões. Aparentemente, estamos a brincar aos polícias e aos ladrões. De um lado estão os maus, do outro os bons. Saber quem são os maus e quem são os bons, eis o grande o dilema.
sábado, março 27, 2004
domingo, março 21, 2004
Publicado em Maputo, Moçambique no Jornal Domingo
21 de Março 2004
antes e depois
Luís David
Descubram quem são esses alguns
Para quem tenha memória de algumas décadas, sabe que assim era. E que pode ser comprovado através dos relatos da Imprensa da época. Sabemos, os que temos memórias desse então, serem relativamente frequentes notícias do desaparecimento de crianças. Notícias de crianças desaparecidas, que se dizia terem sido raptadas ou encontradas mortas. Sem determinados órgãos. Como sabemos, todos nós, todos os que não perderam a memória desse então, que o destino final desses órgãos humanos e dessas mortes raramente era conclusivo. Para uns, destinava-se a servir objectivos ligados à feitiçaria. Para outros, o móbil era poder cumprir ritos iniciáticos. Não raro, o desaparecimento de crianças sem deixarem rasto era atribuído a ismaelitas. Se sim se não, continua, até hoje por esclarecer. O certo, do que parece não haver muitas dúvidas, é que em certas regiões de África, como em certas regiões da Ásia, que em determinadas comunidades dos dois continentes existem, até hoje, este tipo de sacrifícios humanos. E o que se sabe, também, é que perante a necessidade de sacrifício imposto por determinadas tradições, ou se sacrifica um membro da sociedade local ou, em alternativa, se compra um sacrificado. Não admitir, não querer aceitar, como hipótese de trabalho, como hipótese de investigação, que crianças moçambicanas possam estar ser sacrificadas é, no mínimo, ridículo. Em termos de investigação, todas as hipóteses, à partida, são importantes e são válidas. E se há, como parece haver, quem procura fazer investigação, séria e honesta, porquê tentar impedir esse processo. Porquê tentar passar a mensagem de que nada há para investigar. Porquê insinuar, ou afirmar abertamente, que a província de Nampula está a ser prejudicada em termos de investimento. Porquê toda esta fobia em torno da procura da verdade. Que interesses outros, económicos mas talvez não só, estão camuflados por detrás de certos posicionamentos tão contrários a uma investigação completa. E, conclusiva. Afinal, a quem incomoda, tanto, a verdade.
Ao longo dos últimos dias, chegaram às Redacções diferentes posicionamentos sobre o alegado tráfico de menores e de órgãos humanos a partir da província de Nampula. Na generalidade, apontam para a necessidade de serem admitidas todas as hipóteses de investigação e para a necessidade de investigação. È que só fazendo uma investigação séria e honesta será possível saber se estamos perante um boato ou se estamos perante atitudes criminosas. Ter medo da investigação, e dos seus resultados, é ter medo da verdade. Se, como alguns dizem, sem terem conseguido provar, tudo não passa de invenção de mulher adoentada da cabeça, tanto melhor. Afinal, as crianças que se disse terem sido raptadas e mortas estão vivas e de boa saúde. E terá mentido quem se deu ao trabalhos de exumar os seus restos mortais. Porque delas não existem restos mortais. Estando vivas. Da mesma forma que o corpo mutilado do homem encontrado na via férrea não terá passado de montagem fotográfica. Afinal, ele até está vivo e goza de boa saúde. Como vivo está o jovem de Manica, mas talvez não de boa saúde, a quem foi cortado o pénis. Depois, por fim, a que atribuir a tentativa do presidente do Conselho Municipal de Nampula para evitar uma manifestação, pacífica, marcada para hoje, dos católicos locais. Uma manifestação contra o tráfico de órgão humanos. Todos nós, excepto alguns, ao que parece, somos contra o tráfico de crianças e de órgãos humanos. Deixo a dúvida sobre quem são esses alguns. Descubram quem são esses alguns.
21 de Março 2004
antes e depois
Luís David
Descubram quem são esses alguns
Para quem tenha memória de algumas décadas, sabe que assim era. E que pode ser comprovado através dos relatos da Imprensa da época. Sabemos, os que temos memórias desse então, serem relativamente frequentes notícias do desaparecimento de crianças. Notícias de crianças desaparecidas, que se dizia terem sido raptadas ou encontradas mortas. Sem determinados órgãos. Como sabemos, todos nós, todos os que não perderam a memória desse então, que o destino final desses órgãos humanos e dessas mortes raramente era conclusivo. Para uns, destinava-se a servir objectivos ligados à feitiçaria. Para outros, o móbil era poder cumprir ritos iniciáticos. Não raro, o desaparecimento de crianças sem deixarem rasto era atribuído a ismaelitas. Se sim se não, continua, até hoje por esclarecer. O certo, do que parece não haver muitas dúvidas, é que em certas regiões de África, como em certas regiões da Ásia, que em determinadas comunidades dos dois continentes existem, até hoje, este tipo de sacrifícios humanos. E o que se sabe, também, é que perante a necessidade de sacrifício imposto por determinadas tradições, ou se sacrifica um membro da sociedade local ou, em alternativa, se compra um sacrificado. Não admitir, não querer aceitar, como hipótese de trabalho, como hipótese de investigação, que crianças moçambicanas possam estar ser sacrificadas é, no mínimo, ridículo. Em termos de investigação, todas as hipóteses, à partida, são importantes e são válidas. E se há, como parece haver, quem procura fazer investigação, séria e honesta, porquê tentar impedir esse processo. Porquê tentar passar a mensagem de que nada há para investigar. Porquê insinuar, ou afirmar abertamente, que a província de Nampula está a ser prejudicada em termos de investimento. Porquê toda esta fobia em torno da procura da verdade. Que interesses outros, económicos mas talvez não só, estão camuflados por detrás de certos posicionamentos tão contrários a uma investigação completa. E, conclusiva. Afinal, a quem incomoda, tanto, a verdade.
Ao longo dos últimos dias, chegaram às Redacções diferentes posicionamentos sobre o alegado tráfico de menores e de órgãos humanos a partir da província de Nampula. Na generalidade, apontam para a necessidade de serem admitidas todas as hipóteses de investigação e para a necessidade de investigação. È que só fazendo uma investigação séria e honesta será possível saber se estamos perante um boato ou se estamos perante atitudes criminosas. Ter medo da investigação, e dos seus resultados, é ter medo da verdade. Se, como alguns dizem, sem terem conseguido provar, tudo não passa de invenção de mulher adoentada da cabeça, tanto melhor. Afinal, as crianças que se disse terem sido raptadas e mortas estão vivas e de boa saúde. E terá mentido quem se deu ao trabalhos de exumar os seus restos mortais. Porque delas não existem restos mortais. Estando vivas. Da mesma forma que o corpo mutilado do homem encontrado na via férrea não terá passado de montagem fotográfica. Afinal, ele até está vivo e goza de boa saúde. Como vivo está o jovem de Manica, mas talvez não de boa saúde, a quem foi cortado o pénis. Depois, por fim, a que atribuir a tentativa do presidente do Conselho Municipal de Nampula para evitar uma manifestação, pacífica, marcada para hoje, dos católicos locais. Uma manifestação contra o tráfico de órgão humanos. Todos nós, excepto alguns, ao que parece, somos contra o tráfico de crianças e de órgãos humanos. Deixo a dúvida sobre quem são esses alguns. Descubram quem são esses alguns.
domingo, março 14, 2004
Publicado em Maputo, Moçambique no Jornal Domingo
14 de Março 2004
antes e depois
Luís David
Demitam-se
Terá acontecido nas vésperas do Natal de 2003. Aconteceu mesmo. Na realidade, aconteceu. Um prédio, em plena fase de construção, ruiu. Aconteceu na cidade de Maputo, na zona quase central da capital do país. Deveria ter cinco andares e destinava-se à habitação. Quer dizer, caso não tivesse ruído na fase de construção, como aconteceu, poderia ter acontecido bem pior. E, bem pior, teria sido desabar quando já tivesse sido habitado por algumas dezenas de famílias. Porque desabar, haveria sempre de desabar. A questão não está em saber quanto tempo – dias, meses – que seria necessário para desabar. A questão é inversa. Está em saber quando tempo aquela construção (?) poderia manter-se de pé. Não tinha, como a todos foi possível ver, no pós desmoronamento, um mínimo de condições para vir a ser habitação de seres vivos. Evito, com algum propósito e mais razão, dizer de seres humanos. Mas, como o fenómeno de desmoronamento de um prédio destinado a habitação era algo de inédito em Moçambique, pareceu por bem, a alguns, tentar colher dividendos do acontecimento. Aproveitar-se do espectáculo que é a televisão. Afinal, até só houve uma morte. A morte de um guarda. E, convenhamos, a morte de um guarda pouco conta. Sequer conta para a história. Então convinha, como aconteceu, fazer espectáculo. Dizer que já tinha sido nomeada uma comissão de inquérito. Para averiguar. Para averiguar o quê, ainda hoje ninguém sabe.
Passados que são cerca de três meses sobre o início da sua nomeação, a referida, a então criada comissão de inquérito, continua a ter nada a dizer. Ou diz, simplesmente, que o processo é complicado, que está a fazer estudos e análises laboratoriais. Blá, blá, blá. Mais ou menos assim. Para tentar adormecer quem gosta de dormir em serviço. Todos sabemos, é público, que a construção que ruiu havia sido objecto de embargo. E de desembargo, ao que se sabe, por ter sido divulgado na ocasião, por processos menos claros. De desembargo conseguido, muito possivelmente, por artes corruptas. Como por processo menos transparentes terá sido feita a concessão do terreno. Como todos sabemos, também, que não é legal a auto-construção para edifícios que não sejam moradias, para construções de habitação própria. Sabemos, ainda, todos sabemos, sabem os engenheiros deste país, melhor do que ninguém, que o engenheiro que está à frente da dita comissão de inquérito é um engenheiro com créditos firmados. Que é um engenheiro competente e idóneo. Principalmente na área de obras públicas. Por isso mesmo, terá sido nomeado pela recém criada Ordem de que é membro. Ordem que, ao que parece, começa mal a sua actividade, Ordem que começa mal quando é chamada a dar parecer técnico. Puramente técnico. Ao que parece, até prova em contrário, na Ordem dos Engenheiros também há quem tenha medo da verdade. Porquê? Será que verdade também incomoda os engenheiros moçambicanos? Se assim é, se assim for, resta-lhes uma única solução: Demitam-se.
14 de Março 2004
antes e depois
Luís David
Demitam-se
Terá acontecido nas vésperas do Natal de 2003. Aconteceu mesmo. Na realidade, aconteceu. Um prédio, em plena fase de construção, ruiu. Aconteceu na cidade de Maputo, na zona quase central da capital do país. Deveria ter cinco andares e destinava-se à habitação. Quer dizer, caso não tivesse ruído na fase de construção, como aconteceu, poderia ter acontecido bem pior. E, bem pior, teria sido desabar quando já tivesse sido habitado por algumas dezenas de famílias. Porque desabar, haveria sempre de desabar. A questão não está em saber quanto tempo – dias, meses – que seria necessário para desabar. A questão é inversa. Está em saber quando tempo aquela construção (?) poderia manter-se de pé. Não tinha, como a todos foi possível ver, no pós desmoronamento, um mínimo de condições para vir a ser habitação de seres vivos. Evito, com algum propósito e mais razão, dizer de seres humanos. Mas, como o fenómeno de desmoronamento de um prédio destinado a habitação era algo de inédito em Moçambique, pareceu por bem, a alguns, tentar colher dividendos do acontecimento. Aproveitar-se do espectáculo que é a televisão. Afinal, até só houve uma morte. A morte de um guarda. E, convenhamos, a morte de um guarda pouco conta. Sequer conta para a história. Então convinha, como aconteceu, fazer espectáculo. Dizer que já tinha sido nomeada uma comissão de inquérito. Para averiguar. Para averiguar o quê, ainda hoje ninguém sabe.
Passados que são cerca de três meses sobre o início da sua nomeação, a referida, a então criada comissão de inquérito, continua a ter nada a dizer. Ou diz, simplesmente, que o processo é complicado, que está a fazer estudos e análises laboratoriais. Blá, blá, blá. Mais ou menos assim. Para tentar adormecer quem gosta de dormir em serviço. Todos sabemos, é público, que a construção que ruiu havia sido objecto de embargo. E de desembargo, ao que se sabe, por ter sido divulgado na ocasião, por processos menos claros. De desembargo conseguido, muito possivelmente, por artes corruptas. Como por processo menos transparentes terá sido feita a concessão do terreno. Como todos sabemos, também, que não é legal a auto-construção para edifícios que não sejam moradias, para construções de habitação própria. Sabemos, ainda, todos sabemos, sabem os engenheiros deste país, melhor do que ninguém, que o engenheiro que está à frente da dita comissão de inquérito é um engenheiro com créditos firmados. Que é um engenheiro competente e idóneo. Principalmente na área de obras públicas. Por isso mesmo, terá sido nomeado pela recém criada Ordem de que é membro. Ordem que, ao que parece, começa mal a sua actividade, Ordem que começa mal quando é chamada a dar parecer técnico. Puramente técnico. Ao que parece, até prova em contrário, na Ordem dos Engenheiros também há quem tenha medo da verdade. Porquê? Será que verdade também incomoda os engenheiros moçambicanos? Se assim é, se assim for, resta-lhes uma única solução: Demitam-se.
sábado, março 06, 2004
Publicado em Maputo, Moçambique no Jornal Domingo
6 de Março 2004
antes e depois
Luís David
Para ver se dizem menos disparates
Há, efectivamente, várias formas de fazer jornalismo. De estar no jornalismo. De entre essas tantas, uma passa pela investigação, pela pesquisa. Por fazer aquilo a que costuma chamar-se de trabalho de campo. Outra, menos trabalhosa mas menos aliciante, é a do jornalismo preguiçoso. Do jornalismo papagaio. O patrão diz e o papagaio repete, com inaudita fidelidade, o que lhe ordenam dizer. É só perorar. Depois recebe a gorjeta, recebe ração melhorada. E, esta forma de jornalismo, esta forma de estar no jornalismo, parece estar a conquistar alguns adeptos entre nós. É um jornalismo que, como alguém já reconheceu publicamente, foi muito praticado na União Soviética no tempo do Estalinismo. Mas, não só. Também o foi na Alemanha de Hitler. E, por aí em diante. Mesmo hoje, não é difícil de encontrar adeptos desta forma de jornalismo. Não é difícil encontrar quem nada tendo investigado negue as conclusões a que chegou quem se deu ao trabalho de investigar. E, para quê? Para tentar fazer passar os seus desejos por realidade, para tentar transformar o dogma em verdade. Porque à boa maneira de Estaline e de Hitler, acredita que uma mentira muitas vezes repetida pode transformar-se em verdade. Cai, porém, em erro larvar quem assim hoje pensa. Porque nada é, ou volta a ser como foi.
A denúncia de tráfico de órgãos humanos e de crianças na província de Nampula continua a ser notícia. Não só aqui, não só em Moçambique, como em diversos outros países. Acredita-se que não fumo sem fogo. Que não pode haver fumo sem fogo. Mesmo quando os resultados da investigação oficial são tudo menos conclusivos. Mesmo quando esse resultados procurem ser mais tranquilizadores do que realistas. E, talvez por isso, ou em função disso, aí está um comunicado dos religiosos daquela província. Um documento extenso e preocupante que deve merecer a atenção de quem tem por dever procurar a verdade. Um documento com factos, datas e nomes. Um documento que tem a validade que tem. Mas que não pode, de forma nenhuma, ser ignorado. Sobretudo, que não nos permite afirmar que não há vítimas, que não há nomes de vítimas. Que tudo isto de tráfico de órgãos humanos não passa de uma cabala. Como continua a afirmar o papagaio de serviço. A quem foi prometida ração melhorada. Felizmente que o papagaio não sabe ler. Acaso soubesse, a esta hora estaria mudo de vergonha. Por só saber repetir, insistentemente, disparates. Mas, também e principalmente por não saber ler. De facto, a solução parece estar em ensinar os papagaios a ler. Para ver se dizem menos disparates.
6 de Março 2004
antes e depois
Luís David
Para ver se dizem menos disparates
Há, efectivamente, várias formas de fazer jornalismo. De estar no jornalismo. De entre essas tantas, uma passa pela investigação, pela pesquisa. Por fazer aquilo a que costuma chamar-se de trabalho de campo. Outra, menos trabalhosa mas menos aliciante, é a do jornalismo preguiçoso. Do jornalismo papagaio. O patrão diz e o papagaio repete, com inaudita fidelidade, o que lhe ordenam dizer. É só perorar. Depois recebe a gorjeta, recebe ração melhorada. E, esta forma de jornalismo, esta forma de estar no jornalismo, parece estar a conquistar alguns adeptos entre nós. É um jornalismo que, como alguém já reconheceu publicamente, foi muito praticado na União Soviética no tempo do Estalinismo. Mas, não só. Também o foi na Alemanha de Hitler. E, por aí em diante. Mesmo hoje, não é difícil de encontrar adeptos desta forma de jornalismo. Não é difícil encontrar quem nada tendo investigado negue as conclusões a que chegou quem se deu ao trabalho de investigar. E, para quê? Para tentar fazer passar os seus desejos por realidade, para tentar transformar o dogma em verdade. Porque à boa maneira de Estaline e de Hitler, acredita que uma mentira muitas vezes repetida pode transformar-se em verdade. Cai, porém, em erro larvar quem assim hoje pensa. Porque nada é, ou volta a ser como foi.
A denúncia de tráfico de órgãos humanos e de crianças na província de Nampula continua a ser notícia. Não só aqui, não só em Moçambique, como em diversos outros países. Acredita-se que não fumo sem fogo. Que não pode haver fumo sem fogo. Mesmo quando os resultados da investigação oficial são tudo menos conclusivos. Mesmo quando esse resultados procurem ser mais tranquilizadores do que realistas. E, talvez por isso, ou em função disso, aí está um comunicado dos religiosos daquela província. Um documento extenso e preocupante que deve merecer a atenção de quem tem por dever procurar a verdade. Um documento com factos, datas e nomes. Um documento que tem a validade que tem. Mas que não pode, de forma nenhuma, ser ignorado. Sobretudo, que não nos permite afirmar que não há vítimas, que não há nomes de vítimas. Que tudo isto de tráfico de órgãos humanos não passa de uma cabala. Como continua a afirmar o papagaio de serviço. A quem foi prometida ração melhorada. Felizmente que o papagaio não sabe ler. Acaso soubesse, a esta hora estaria mudo de vergonha. Por só saber repetir, insistentemente, disparates. Mas, também e principalmente por não saber ler. De facto, a solução parece estar em ensinar os papagaios a ler. Para ver se dizem menos disparates.
sábado, fevereiro 28, 2004
Publicado em Maputo, Moçambique no Jornal Domingo
29 de Fevereiro 2004
antes e depois
Luís David
Queira o moçambicano, cidadão comum do país Moçambique, obter pedaço de terra para construir casa ou criar projecto agrícola. Seja qual seja o local preferido. Passa mal. Sendo que terra, que é o que há de mais, é sempre difícil de obter. Crédito, sendo moçambicano, é, ainda, um bem mais raro. E bem mais caro. È que, ao moçambicano, crédito bancário só é concedido mediante hipoteca de bem superior ao valor do empréstimo pedido, seguro do bem hipotecado, seguro de vida para o qual é exigido electrocardiograma, raio X ao tórax, análise às urinas e análise ao HIV/SIDA. Depois, depois se verá se o moçambicano terá, ou não, acesso ao empréstimo solicitado. Para trás ficam as despesas, de muitos milhares de contos, com a obtenção de documentos. De dezenas de milhar de contos, que tudo isto custa. Convenhamos que é difícil a vida do moçambicano. Que é difícil ser moçambicano em Moçambique.
O hipotético caso de tráfico de crianças, ou de órgão humanos de crianças, na província e Nampula, trouxe à luz do dia outras questões. Que podendo parecer marginais são, contudo, fundamentais para que nos possamos situar no país real. Na país Moçambique. Então explique lá, quem tem o dever de explicar, e quem tem o dever de explicar publicamente, quais os processos legais seguidos para conceder 300 hectares de terras a um casal de estrangeiros. E que explique, quem tem o dever de explicar, como é que uma instituição ligada ao Estado, no caso o GAPI, financia um projecto de duvidosa rentabilidade. Podemos ir mais longe. E perguntar qual a garantia do retorno. Aparentemente é nenhuma. E, podemos até perguntar, se é necessário que estrangeiros venham investir em aviários. Certamente que não. O moçambicano sabe criar galinhas. Sabe criar patos e coelhos. Em Maputo, como em Nampula.. E pode fazer essa criação, mesmo quando não tem os benefícios do investidor estrangeiro. A questão está em saber o que é isso do investido estrangeiro.
29 de Fevereiro 2004
antes e depois
Luís David
Queira o moçambicano, cidadão comum do país Moçambique, obter pedaço de terra para construir casa ou criar projecto agrícola. Seja qual seja o local preferido. Passa mal. Sendo que terra, que é o que há de mais, é sempre difícil de obter. Crédito, sendo moçambicano, é, ainda, um bem mais raro. E bem mais caro. È que, ao moçambicano, crédito bancário só é concedido mediante hipoteca de bem superior ao valor do empréstimo pedido, seguro do bem hipotecado, seguro de vida para o qual é exigido electrocardiograma, raio X ao tórax, análise às urinas e análise ao HIV/SIDA. Depois, depois se verá se o moçambicano terá, ou não, acesso ao empréstimo solicitado. Para trás ficam as despesas, de muitos milhares de contos, com a obtenção de documentos. De dezenas de milhar de contos, que tudo isto custa. Convenhamos que é difícil a vida do moçambicano. Que é difícil ser moçambicano em Moçambique.
O hipotético caso de tráfico de crianças, ou de órgão humanos de crianças, na província e Nampula, trouxe à luz do dia outras questões. Que podendo parecer marginais são, contudo, fundamentais para que nos possamos situar no país real. Na país Moçambique. Então explique lá, quem tem o dever de explicar, e quem tem o dever de explicar publicamente, quais os processos legais seguidos para conceder 300 hectares de terras a um casal de estrangeiros. E que explique, quem tem o dever de explicar, como é que uma instituição ligada ao Estado, no caso o GAPI, financia um projecto de duvidosa rentabilidade. Podemos ir mais longe. E perguntar qual a garantia do retorno. Aparentemente é nenhuma. E, podemos até perguntar, se é necessário que estrangeiros venham investir em aviários. Certamente que não. O moçambicano sabe criar galinhas. Sabe criar patos e coelhos. Em Maputo, como em Nampula.. E pode fazer essa criação, mesmo quando não tem os benefícios do investidor estrangeiro. A questão está em saber o que é isso do investido estrangeiro.
sábado, fevereiro 21, 2004
Publicado em Maputo, Moçambique no Jornal Domingo
22 de Fevereiro 2004
antes e depois
Luís David
Para que as próximas gerações possam rir
Há, naturalmente, várias formas de governar uma cidade como Maputo. Para não dizer que, no geral, há diferentes e diversas formas de governação. Uma, pode ser estudar processos, efectuar visitas a diferentes locais, escutar preocupações, decidir por consenso. Melhor, decidir com bom senso. Outra, pode ser fingir que se escuta preocupações e, depois, agir em contrário. Ou agir em defesa de interesses outros, de interesses menos claros. Claramente, de interesses que não sendo interesses dos cidadãos nunca serão interesses da cidade. Menos ainda do Município. Outra maneira de governar, entra várias possíveis, é, de vez em quando, atirar poeira para os olhos do cidadão. Para se poder dizer que se fez o que nunca houve intenção de fazer. E, é aqui, precisamente, que começa a história. É aqui, exactamente, que se pode começar a ver a ignorância e a estupidez de quem, devendo governar desgovernou ou, por hipótese, se governou. A si próprio. Bem entendido, tanto a estupidez como a ignorância ou a incompetência pagam impostos ao Fisco. Como impostos não pagam os negócios marginais ou os ganhos ilícitos. Mas, o diz a lei é uma coisa e, outra bem diferente, é a forma como os homens decidem aplicar a lei.
Foi a cidade de Maputo invadida, de forma selvagem, por dezenas, talvez centenas, de painéis publicitários. Dos mais diversos tamanhos e construídos com os mais diversos tipos de materiais. Muitos dos quais nos agridem. Nos insultam. E que estão colocados em locais onde deveria haver relva e espaços verdes, em espaços considerados nobres e de interesse público. Mas, se lá estão, é porque alguém autorizou que lá estejam. Mesmo sabendo que aqui e ali, obras de arte popular, com dimensões apropriadas, em barro, ferro, madeira ou pedra, bem podiam dar outra beleza a Maputo. E incentivar os artistas nativos para serem os artistas da cidade. Reconhecer-lhes o mérito. Mas não o que assistimos é ao ridículo. Ao ridículo de alguém que, tendo autorizado a colocação de todas essas dezenas de painéis publicitários, vem agora dizer que tal já não é permitido. Isto, depois de ter terminado o seu mandato. Não acreditam? Acreditem. Com data de 30 de Janeiro de 2004, o Conselho Municipal fez publicar, em vários jornais, um aviso segundo o qual são avisadas todas as Agências de Publicidade e o público em geral que, por razões de salvaguardar a estética desta urbe, não é permitida a colocação de painéis gigantes no interior desta cidade. Tal decisão, tal anúncio público, tanto pode significar ignorância como uma casca de canana. No mínimo é ridículo. E, tudo o que é ridículo, anedótico, faz rir. E, se como se afirma, rir faz bem à saúde, vamos todos rir. Ou, se considerarmos que não basta rir, façamos registar a decisão no anedótico da estupidez. Para que os hão de vir depois e nós também possam rir. Para que as próximas gerações possam rir.
22 de Fevereiro 2004
antes e depois
Luís David
Para que as próximas gerações possam rir
Há, naturalmente, várias formas de governar uma cidade como Maputo. Para não dizer que, no geral, há diferentes e diversas formas de governação. Uma, pode ser estudar processos, efectuar visitas a diferentes locais, escutar preocupações, decidir por consenso. Melhor, decidir com bom senso. Outra, pode ser fingir que se escuta preocupações e, depois, agir em contrário. Ou agir em defesa de interesses outros, de interesses menos claros. Claramente, de interesses que não sendo interesses dos cidadãos nunca serão interesses da cidade. Menos ainda do Município. Outra maneira de governar, entra várias possíveis, é, de vez em quando, atirar poeira para os olhos do cidadão. Para se poder dizer que se fez o que nunca houve intenção de fazer. E, é aqui, precisamente, que começa a história. É aqui, exactamente, que se pode começar a ver a ignorância e a estupidez de quem, devendo governar desgovernou ou, por hipótese, se governou. A si próprio. Bem entendido, tanto a estupidez como a ignorância ou a incompetência pagam impostos ao Fisco. Como impostos não pagam os negócios marginais ou os ganhos ilícitos. Mas, o diz a lei é uma coisa e, outra bem diferente, é a forma como os homens decidem aplicar a lei.
Foi a cidade de Maputo invadida, de forma selvagem, por dezenas, talvez centenas, de painéis publicitários. Dos mais diversos tamanhos e construídos com os mais diversos tipos de materiais. Muitos dos quais nos agridem. Nos insultam. E que estão colocados em locais onde deveria haver relva e espaços verdes, em espaços considerados nobres e de interesse público. Mas, se lá estão, é porque alguém autorizou que lá estejam. Mesmo sabendo que aqui e ali, obras de arte popular, com dimensões apropriadas, em barro, ferro, madeira ou pedra, bem podiam dar outra beleza a Maputo. E incentivar os artistas nativos para serem os artistas da cidade. Reconhecer-lhes o mérito. Mas não o que assistimos é ao ridículo. Ao ridículo de alguém que, tendo autorizado a colocação de todas essas dezenas de painéis publicitários, vem agora dizer que tal já não é permitido. Isto, depois de ter terminado o seu mandato. Não acreditam? Acreditem. Com data de 30 de Janeiro de 2004, o Conselho Municipal fez publicar, em vários jornais, um aviso segundo o qual são avisadas todas as Agências de Publicidade e o público em geral que, por razões de salvaguardar a estética desta urbe, não é permitida a colocação de painéis gigantes no interior desta cidade. Tal decisão, tal anúncio público, tanto pode significar ignorância como uma casca de canana. No mínimo é ridículo. E, tudo o que é ridículo, anedótico, faz rir. E, se como se afirma, rir faz bem à saúde, vamos todos rir. Ou, se considerarmos que não basta rir, façamos registar a decisão no anedótico da estupidez. Para que os hão de vir depois e nós também possam rir. Para que as próximas gerações possam rir.
sábado, fevereiro 14, 2004
Publicado em Maputo, Moçambique no Jornal Domingo
15 de Fevereiro 2004
antes e depois
Luís David
estamos num período de graça
Os presidentes dos Conselhos Municipais, vencedores das últimas eleições autárquicas, já tomaram posse. Todos. Quase de certeza, reservaram os primeiros dias de actividade para tomar contacto com a realidade que lhes foi deixada. Para encontrar e nomear os seus novos colaboradores mais directos. Os colaboradores com os quais, e só com o apoio dos quais, poderão cumprir o seu manifesto eleitoral. Depois, depois, será aquilo a que se costuma chamar o “arregaçar das mangas”. O mesmo é dizer, avançar para o trabalho. E, neste país, o que não falta é trabalho. Falta, isso sim, emprego. Mas, trabalho e emprego são realidades diferentes. Em termos de economia, são questões absolutamente diferentes. Mas que alguns tecnocratas indígenas parece terem dificuldades em distinguir. Digamos que, no exemplo de uma situação extrema, eu posso ter emprego sem ter trabalho. Posso ter emprego sem ter necessidade de trabalhar. Enquanto muitos outros, muitos de nós outros, tendo trabalho não têm emprego. Logo, coloca-se-lhes a questão, definitiva, de ter de trabalhar para sobreviver. E ter de trabalhar para sobreviver não é crime. O que é crime é roubar. O que é crime é dar pancada a quem está a trabalhar. Sendo que a única e a última alternativa de trabalho, para alguns, para muitos e muitas, possa ser o comércio de manga, de papaia, de batata doce ou de beringela. Também de piri-piri, de alho e de ananás E, de manga, de limão e de salsa, de coentro ou de folha de hortelã . Numa qualquer esquina. E, diga-se, desde já, que comprar, adquirir tudo isto e o mais que se nos ofereça nestes vendedores legais, é uma forma de apoiar o comércio e a produção nacional. O que está errado não é este tipo de comércio. O que está errado é permitir-se a concorrência a este tipo de comércio de produtos nacionais por produtos importados. Sem qualidade comparativa.
Certamente que com a melhor das intenções, munícipes de diferentes municípios, mas especialmente de Maputo têm, nos últimos dias, vindo a manifestar os seus desejos, a sua opinião, sobre os problemas reais que deseja ver resolvidos no imediato. São, sem dúvida, preocupações justas. Possam, embora, as intenções não ser, de todo, correctas. E, isto pelo simples facto de que um conselho municipal, todos os conselhos municipais, que foram eleitos, não deverem ser sujeitos a este tipo de pressões. Os conselhos municipais eleitos, como os governos eleitos, em qualquer país do mundo, têm direito ao chamado período de graça. Um período de graça que tem a duração de cem dias. E, .que visa avaliar se, nesse período, os eleitos estão ou não a cumprir as suas promessas eleitorais. Depois sim, depois dos cem dias de governação coloquemos as questões todas. Para já, e a nível dos 33 municípios, concedamos um período de graça. Concordemos que estamos num período de graça.
15 de Fevereiro 2004
antes e depois
Luís David
estamos num período de graça
Os presidentes dos Conselhos Municipais, vencedores das últimas eleições autárquicas, já tomaram posse. Todos. Quase de certeza, reservaram os primeiros dias de actividade para tomar contacto com a realidade que lhes foi deixada. Para encontrar e nomear os seus novos colaboradores mais directos. Os colaboradores com os quais, e só com o apoio dos quais, poderão cumprir o seu manifesto eleitoral. Depois, depois, será aquilo a que se costuma chamar o “arregaçar das mangas”. O mesmo é dizer, avançar para o trabalho. E, neste país, o que não falta é trabalho. Falta, isso sim, emprego. Mas, trabalho e emprego são realidades diferentes. Em termos de economia, são questões absolutamente diferentes. Mas que alguns tecnocratas indígenas parece terem dificuldades em distinguir. Digamos que, no exemplo de uma situação extrema, eu posso ter emprego sem ter trabalho. Posso ter emprego sem ter necessidade de trabalhar. Enquanto muitos outros, muitos de nós outros, tendo trabalho não têm emprego. Logo, coloca-se-lhes a questão, definitiva, de ter de trabalhar para sobreviver. E ter de trabalhar para sobreviver não é crime. O que é crime é roubar. O que é crime é dar pancada a quem está a trabalhar. Sendo que a única e a última alternativa de trabalho, para alguns, para muitos e muitas, possa ser o comércio de manga, de papaia, de batata doce ou de beringela. Também de piri-piri, de alho e de ananás E, de manga, de limão e de salsa, de coentro ou de folha de hortelã . Numa qualquer esquina. E, diga-se, desde já, que comprar, adquirir tudo isto e o mais que se nos ofereça nestes vendedores legais, é uma forma de apoiar o comércio e a produção nacional. O que está errado não é este tipo de comércio. O que está errado é permitir-se a concorrência a este tipo de comércio de produtos nacionais por produtos importados. Sem qualidade comparativa.
Certamente que com a melhor das intenções, munícipes de diferentes municípios, mas especialmente de Maputo têm, nos últimos dias, vindo a manifestar os seus desejos, a sua opinião, sobre os problemas reais que deseja ver resolvidos no imediato. São, sem dúvida, preocupações justas. Possam, embora, as intenções não ser, de todo, correctas. E, isto pelo simples facto de que um conselho municipal, todos os conselhos municipais, que foram eleitos, não deverem ser sujeitos a este tipo de pressões. Os conselhos municipais eleitos, como os governos eleitos, em qualquer país do mundo, têm direito ao chamado período de graça. Um período de graça que tem a duração de cem dias. E, .que visa avaliar se, nesse período, os eleitos estão ou não a cumprir as suas promessas eleitorais. Depois sim, depois dos cem dias de governação coloquemos as questões todas. Para já, e a nível dos 33 municípios, concedamos um período de graça. Concordemos que estamos num período de graça.
sábado, fevereiro 07, 2004
Publicado em Maputo, Moçambique no Jornal Domingo
8 de Fevereiro de 2004
antes e depois
Luís David
quem cala consente
Partamos do princípio que não há países ideais. Todos sabemos que assim é. Cada país é o que é. É como é. O nosso, em algumas vezes, parecendo ser o que é e como é, resvala. Deriva. Revela tendências para querer ser diferente. Para parecer em vez de ser. Para parecer ser que é o que não é. É desnecessário elaborar mais. Teorizar mais. Reportemo-nos, então, à realidade actual e presente. Falemos do julgamento, em Pemba, do chamado “caso dos carros quentes”. Mais precisamente da sentença. De uma sentença que absolve todos os acusados de terem vendido ao Estado, ao Estado moçambicano, viaturas de proveniência duvidosa, em estado de conservação duvidosa, por processos mais do que duvidosos. Bem dita seja a justiça que assim pensa estar a fazer Justiça. Mal dita seja a forma de aplicar a Justiça que não se poupa a esforços para cavar a sepultura da justiça em Moçambique. Quer dizer, mais uma vez estamos perante um caso de crime sem criminoso. E, permitam-me, vou mais longe: Interrogo se não terá havido, até, alguma maldade, alguma inveja, em fazer sentar no banco dos réus pessoas que, afinal, se dizem defensoras dos interesses do Estado. Tese a que o Tribunal terá sido sensível. E, por esse motivo as terá absolvido. Mesmo quando a sentença possa vir a ser classificada como a mais radical machadada na Justiça moçambicana. Ou tenha, já, conquistado o direito a figurar nos anais da história Justiça em Moçambique, como forma de não se fazer Justiça.
Caso a sentença do julgamento do chamado “caso dos carros quentes”, de Cabo Delgado, venha a transitar em julgado, venha a ser aceite como boa, certamente irá constituir escola. E, ao constituir escola, ao ser tomada como exemplo e como ponto de referência, algumas questões devem ser colocadas. A primeira, está em saber se, a partir de agora, o Estado, qualquer funcionário do Estado, fica autorizado a adquirir bens de proveniência e qualidade duvidosa para esse Estado, de que é funcionário, sem respeitar as normas a que está obrigado. A segunda, está em saber se, a partir de agora, qualquer empresa sem existência legal pode vender, é livre para vender, o que quer que seja ao Estado. Para vender tudo, ou qualquer coisa, que lhe seja solicitada por um funcionário do Estado. Mais, se não tendo essa empresa existência legal, não pagando rendas nem impostos, o Estado comprou o quê e a quem. E, em última análise, o que acontece a quem pretendendo ter sido vendedor de bens ao Estado, ao Estado moçambicano, não existe. Não tem existência legal. Por fim, saber se o Estado é ou não aliado destas mafias do crime económico organizado e, sendo que não, como pessoa de bem, que medidas tomou ou pensa tomar. Quer-se dizer, para além da responsabilidade criminal, que possa ter havido ou não, na compra dos chamados “carros quentes”, terá havido ou não violação das normas sobre a aquisição de bens para o Estado. Parece que sim. Mas, e aí está o mais estranho, o Ministério do Plano e Finanças mantém o mais silencioso silencio. Como se nada estivesse a acontecer, como se nada estivesse a acontecer com o dinheiro do erário público. Com o dinheiro dos impostos que somos obrigados a pagar. Por certo, sabem porquê. Por certo, há uma justificação para tão prolongado silêncio. E, como é costume dizer-se, quem cala consente.
8 de Fevereiro de 2004
antes e depois
Luís David
quem cala consente
Partamos do princípio que não há países ideais. Todos sabemos que assim é. Cada país é o que é. É como é. O nosso, em algumas vezes, parecendo ser o que é e como é, resvala. Deriva. Revela tendências para querer ser diferente. Para parecer em vez de ser. Para parecer ser que é o que não é. É desnecessário elaborar mais. Teorizar mais. Reportemo-nos, então, à realidade actual e presente. Falemos do julgamento, em Pemba, do chamado “caso dos carros quentes”. Mais precisamente da sentença. De uma sentença que absolve todos os acusados de terem vendido ao Estado, ao Estado moçambicano, viaturas de proveniência duvidosa, em estado de conservação duvidosa, por processos mais do que duvidosos. Bem dita seja a justiça que assim pensa estar a fazer Justiça. Mal dita seja a forma de aplicar a Justiça que não se poupa a esforços para cavar a sepultura da justiça em Moçambique. Quer dizer, mais uma vez estamos perante um caso de crime sem criminoso. E, permitam-me, vou mais longe: Interrogo se não terá havido, até, alguma maldade, alguma inveja, em fazer sentar no banco dos réus pessoas que, afinal, se dizem defensoras dos interesses do Estado. Tese a que o Tribunal terá sido sensível. E, por esse motivo as terá absolvido. Mesmo quando a sentença possa vir a ser classificada como a mais radical machadada na Justiça moçambicana. Ou tenha, já, conquistado o direito a figurar nos anais da história Justiça em Moçambique, como forma de não se fazer Justiça.
Caso a sentença do julgamento do chamado “caso dos carros quentes”, de Cabo Delgado, venha a transitar em julgado, venha a ser aceite como boa, certamente irá constituir escola. E, ao constituir escola, ao ser tomada como exemplo e como ponto de referência, algumas questões devem ser colocadas. A primeira, está em saber se, a partir de agora, o Estado, qualquer funcionário do Estado, fica autorizado a adquirir bens de proveniência e qualidade duvidosa para esse Estado, de que é funcionário, sem respeitar as normas a que está obrigado. A segunda, está em saber se, a partir de agora, qualquer empresa sem existência legal pode vender, é livre para vender, o que quer que seja ao Estado. Para vender tudo, ou qualquer coisa, que lhe seja solicitada por um funcionário do Estado. Mais, se não tendo essa empresa existência legal, não pagando rendas nem impostos, o Estado comprou o quê e a quem. E, em última análise, o que acontece a quem pretendendo ter sido vendedor de bens ao Estado, ao Estado moçambicano, não existe. Não tem existência legal. Por fim, saber se o Estado é ou não aliado destas mafias do crime económico organizado e, sendo que não, como pessoa de bem, que medidas tomou ou pensa tomar. Quer-se dizer, para além da responsabilidade criminal, que possa ter havido ou não, na compra dos chamados “carros quentes”, terá havido ou não violação das normas sobre a aquisição de bens para o Estado. Parece que sim. Mas, e aí está o mais estranho, o Ministério do Plano e Finanças mantém o mais silencioso silencio. Como se nada estivesse a acontecer, como se nada estivesse a acontecer com o dinheiro do erário público. Com o dinheiro dos impostos que somos obrigados a pagar. Por certo, sabem porquê. Por certo, há uma justificação para tão prolongado silêncio. E, como é costume dizer-se, quem cala consente.
sábado, janeiro 31, 2004
Publicado em Maputo, Moçambique no Jornal Domingo
Fevereiro 1, 2004
antes e depois
Luís David
ficaremos eternamente gratos
Ciclicamente, digamos que todos ou quase todos os anos, Moçambique enfrenta o problema da cólera. Todos os anos, muitas centenas, mesmo milhares de pessoas acorrem aos hospitais do país quando atingidas pela chamada doença das “mãos sujas”. A maioria, felizmente, resiste. Mas, todos os anos, o número de vítimas mortais situa-se, no mínimo, na casa das dezenas. Anos houve, em que o Ministério da Saúde teve necessidade de apelar ao apoio internacional para evitar a perda de maior número de vidas humanas. Este, neste ano de 2004, o Ministério da Saúde fez saber que estava preparado, a nível nacional, para enfrentar um eventual surto de cólera. Ainda bem que o fez e que o anunciou. Publicamente. Mas, e esta parece ser a questão de fundo, o problema parece não estar em combater a cólera mas, isso sim, em evitar que ela se declare. Que ela surja. E, evitar a cólera podendo ser, também, um problema do Ministério da Saúde não é, exclusivamente, um problema do Ministério da Saúde. Que, uma vez declarada a epidemia, limita-se, como não pode deixar de ser, a actuar como bombeiro. Inverter a situação, definitivamente, passa por saber quanto se investe para salvar a vida de um doente com cólera e quanto teria sido necessário investir para evitar a epidemia e a contaminação. O exercício, podendo parecer matemático, é político. Muito simplesmente político.
A cidade de Maputo conta, neste momento, com certa de duas dezenas de mortos devido à cólera. E, já o número de vítimas havia ultrapassado a dezena quando, vá lá o cidadão comum procurar saber porquê, um comunicado do Conselho Municipal, redigido em termos arrogantes e autoritários, mandava encerrar as chamadas “barracas” que confeccionam refeições. Quer-se dizer, desse dia em diante só era autorizado comer em restaurantes ditos de “luxo”. Por outras palavras, por palavras outras e diferente: Os ricos que comam à fartazana, mesmo quando os restaurantes onde comem não tenham sido objecto de inspecção nenhuma. Os pobres que se lixem, que morram à fome. È que, em termos estatísticos, ou de ajuda internacional, parece ser mais fácil justificar uma morte por falta de alimentos a uma morte motivada por cólera. Só que, e há sempre um que e um mas, os visados pela desastrada medida de mandar encerrar as “barracas” decidiram, e muito bem, fazer a ouvir a sua voz. Decidiram fazer ouvir-se para defenderam os seus direitos. Como cidadãos, como munícipes, como pagadores de impostos e de taxas camarárias. Como comerciantes honestos. Até porque, num curto espaço de tempo, já havia a chamada Polícia Camarária a confiscar tachos, panelas e comida, e o mais que fosse possível. Dizer que tudo isto foi, metodicamente, preparado para atingir certos objectivos pode parecer pura especulação. Mas, é, sem dúvida, cada dia mais pesada a herança que estes senhores pretendem deixar para futuro presidente do Conselho Municipal de Maputo. Se não é pedir muito, se não é pedir demasiado, desapareçam da cena política, sumam, hibernem. Nós outros, todos nós outros, ficaremos eternamente gratos.
Fevereiro 1, 2004
antes e depois
Luís David
ficaremos eternamente gratos
Ciclicamente, digamos que todos ou quase todos os anos, Moçambique enfrenta o problema da cólera. Todos os anos, muitas centenas, mesmo milhares de pessoas acorrem aos hospitais do país quando atingidas pela chamada doença das “mãos sujas”. A maioria, felizmente, resiste. Mas, todos os anos, o número de vítimas mortais situa-se, no mínimo, na casa das dezenas. Anos houve, em que o Ministério da Saúde teve necessidade de apelar ao apoio internacional para evitar a perda de maior número de vidas humanas. Este, neste ano de 2004, o Ministério da Saúde fez saber que estava preparado, a nível nacional, para enfrentar um eventual surto de cólera. Ainda bem que o fez e que o anunciou. Publicamente. Mas, e esta parece ser a questão de fundo, o problema parece não estar em combater a cólera mas, isso sim, em evitar que ela se declare. Que ela surja. E, evitar a cólera podendo ser, também, um problema do Ministério da Saúde não é, exclusivamente, um problema do Ministério da Saúde. Que, uma vez declarada a epidemia, limita-se, como não pode deixar de ser, a actuar como bombeiro. Inverter a situação, definitivamente, passa por saber quanto se investe para salvar a vida de um doente com cólera e quanto teria sido necessário investir para evitar a epidemia e a contaminação. O exercício, podendo parecer matemático, é político. Muito simplesmente político.
A cidade de Maputo conta, neste momento, com certa de duas dezenas de mortos devido à cólera. E, já o número de vítimas havia ultrapassado a dezena quando, vá lá o cidadão comum procurar saber porquê, um comunicado do Conselho Municipal, redigido em termos arrogantes e autoritários, mandava encerrar as chamadas “barracas” que confeccionam refeições. Quer-se dizer, desse dia em diante só era autorizado comer em restaurantes ditos de “luxo”. Por outras palavras, por palavras outras e diferente: Os ricos que comam à fartazana, mesmo quando os restaurantes onde comem não tenham sido objecto de inspecção nenhuma. Os pobres que se lixem, que morram à fome. È que, em termos estatísticos, ou de ajuda internacional, parece ser mais fácil justificar uma morte por falta de alimentos a uma morte motivada por cólera. Só que, e há sempre um que e um mas, os visados pela desastrada medida de mandar encerrar as “barracas” decidiram, e muito bem, fazer a ouvir a sua voz. Decidiram fazer ouvir-se para defenderam os seus direitos. Como cidadãos, como munícipes, como pagadores de impostos e de taxas camarárias. Como comerciantes honestos. Até porque, num curto espaço de tempo, já havia a chamada Polícia Camarária a confiscar tachos, panelas e comida, e o mais que fosse possível. Dizer que tudo isto foi, metodicamente, preparado para atingir certos objectivos pode parecer pura especulação. Mas, é, sem dúvida, cada dia mais pesada a herança que estes senhores pretendem deixar para futuro presidente do Conselho Municipal de Maputo. Se não é pedir muito, se não é pedir demasiado, desapareçam da cena política, sumam, hibernem. Nós outros, todos nós outros, ficaremos eternamente gratos.
domingo, janeiro 25, 2004
Publicado em Maputo, Moçambique no Jornal Domingo
25 de Janeiro 2004
antes e depois
Luís David
Até à próxima a semana
Domingo passado, pouco depois das 18 horas, ocorreu mais um acidente de viação na cidade de Maputo. De que resultou a morte de uma jovem, vários feridos e elevados prejuízos materiais. Foi no cruzamento das Avenidas 24 de Julho e Lenine. Quando ia a passar pelo local, segundos depois da ocorrência, as vítimas estavam a ser socorridas por populares. E, das pessoas com quem falei, e foram várias, recolhi duas opiniões fundamentais: Uma, a de que o “chapa” circulava a alta velocidade, A outra, de que o sinal luminoso estava avariado e havia sido a causa de um, comprovado, corte de prioridade. Não irei tomar posição a favor de uma ou da outra tese. Havia passado, horas antes, pelo mesmo local, e sei como o semáforo estava a funcionar de forma irregular. Como constituía uma armadilha para automobilista mais apressado. Como, infelizmente, acontece com a maioria dos semáforos das artérias de Maputo. Pensei, então, escrever sobre o assunto. Para perguntar se, na realidade, os responsáveis, ainda em exercício, do Conselho Municipal, têm ou não responsabilidades criminais por estas mortes. Mortes que resultam da negligência e da incompetência de quem ainda está à frente da gestão da capital do país. Depois, bem, depois, decidi que não. É que, pensei eu, a perda de mais uma vida, o que é que isso representa para este bando de imbecis. Aparentemente, nada. Aparentemente, a insensibilidade à morte é total. A menos que nos paguem para não sermos insensíveis. Então, pensei, devo escrever sobre coisa outra, diferente. E, da mesma forma que pensei, da mesma forma o faço.
Li, atentamente, o Editorial da última edição do “Zambeze”. E, concordando com o que está escrito, por conhecer os factos, penso que algo está em falta. E, o que falta mencionar, em “País de escândalos”, são as histórias do urânio enriquecido, que apareceu à vendas nas ruas de Maputo, as do um avião que levantou voo, clandestinamente, algures de uma pista da Zambézia, carregado com pedras preciosas, e as circunstâncias, nunca devidamente clarificadas, da morte do General Marcos Mabote. Investigar estas, e muitas outras questões, que permanecem em aberto, na nossa história recente, é um dever. Um dever, de todos e de cada um. De cada um de nós. De todos nós. Não tenhamos medo de mergulhar no passado. Não tenhamos medo, sobretudo, de admitir todas as hipóteses de investigação sobre as mortes de Carlos Cardoso e de Samora Machel, embora mantidas as necessárias distâncias. .Sobretudo, sobre a pista “russa”. Tenhamos a coragem de manter em aberto todas as hipóteses de investigação. È que, tivesse havido coragem para uma investigação isenta e independente, não teria havido espaço para o dogma e para tanta mentira. Os mitos criam-se, como todos nós sabemos que se criam. A partir de algo que desejamos que exista, que pensamos que tenha existido. Sobre o julgamento do chamado “caso BCM”, nada quero acrescentar. Embora algo pudesse dizer. Por aqui me fico. Até à proxima semana.
25 de Janeiro 2004
antes e depois
Luís David
Até à próxima a semana
Domingo passado, pouco depois das 18 horas, ocorreu mais um acidente de viação na cidade de Maputo. De que resultou a morte de uma jovem, vários feridos e elevados prejuízos materiais. Foi no cruzamento das Avenidas 24 de Julho e Lenine. Quando ia a passar pelo local, segundos depois da ocorrência, as vítimas estavam a ser socorridas por populares. E, das pessoas com quem falei, e foram várias, recolhi duas opiniões fundamentais: Uma, a de que o “chapa” circulava a alta velocidade, A outra, de que o sinal luminoso estava avariado e havia sido a causa de um, comprovado, corte de prioridade. Não irei tomar posição a favor de uma ou da outra tese. Havia passado, horas antes, pelo mesmo local, e sei como o semáforo estava a funcionar de forma irregular. Como constituía uma armadilha para automobilista mais apressado. Como, infelizmente, acontece com a maioria dos semáforos das artérias de Maputo. Pensei, então, escrever sobre o assunto. Para perguntar se, na realidade, os responsáveis, ainda em exercício, do Conselho Municipal, têm ou não responsabilidades criminais por estas mortes. Mortes que resultam da negligência e da incompetência de quem ainda está à frente da gestão da capital do país. Depois, bem, depois, decidi que não. É que, pensei eu, a perda de mais uma vida, o que é que isso representa para este bando de imbecis. Aparentemente, nada. Aparentemente, a insensibilidade à morte é total. A menos que nos paguem para não sermos insensíveis. Então, pensei, devo escrever sobre coisa outra, diferente. E, da mesma forma que pensei, da mesma forma o faço.
Li, atentamente, o Editorial da última edição do “Zambeze”. E, concordando com o que está escrito, por conhecer os factos, penso que algo está em falta. E, o que falta mencionar, em “País de escândalos”, são as histórias do urânio enriquecido, que apareceu à vendas nas ruas de Maputo, as do um avião que levantou voo, clandestinamente, algures de uma pista da Zambézia, carregado com pedras preciosas, e as circunstâncias, nunca devidamente clarificadas, da morte do General Marcos Mabote. Investigar estas, e muitas outras questões, que permanecem em aberto, na nossa história recente, é um dever. Um dever, de todos e de cada um. De cada um de nós. De todos nós. Não tenhamos medo de mergulhar no passado. Não tenhamos medo, sobretudo, de admitir todas as hipóteses de investigação sobre as mortes de Carlos Cardoso e de Samora Machel, embora mantidas as necessárias distâncias. .Sobretudo, sobre a pista “russa”. Tenhamos a coragem de manter em aberto todas as hipóteses de investigação. È que, tivesse havido coragem para uma investigação isenta e independente, não teria havido espaço para o dogma e para tanta mentira. Os mitos criam-se, como todos nós sabemos que se criam. A partir de algo que desejamos que exista, que pensamos que tenha existido. Sobre o julgamento do chamado “caso BCM”, nada quero acrescentar. Embora algo pudesse dizer. Por aqui me fico. Até à proxima semana.
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