Publicado em Maputo, Moçambique no Jornal Domingo de Julho 17, 2005
antes e depois
Luís david
uma sátira porca e nojenta
Está a acontecer com demasiada frequência, em vários órgãos de Informação. A gente pega, lê, escuta, vê. Depois, interroga se é possível. Ou, como é possível. Como é possível haver tanta falta de respeito pela Constituição, assim como Lei de Imprensa. Como é possível a Ética e a Deontologia serem tão mal tratadas, serem tratadas com tanta falta de respeito. Como é possível continuar a ler o que se vai lendo. Como é possível que jornalistas, que até se dão ao luxo de citar os nomes dos seus mestres, escrevam o que escrevem. Impunemente. Sem que alguém venha a público dizer algo. No mínimo, que o que estão a dizer, a reportar, a escrever, tem nada a ver com jornalismo. Que jornalismo tem regras. Que jornalismo é outra coisa. Que jornalismo é coisa diferente. E que não é o facto de evocaram nomes de jornalistas consagrados, os tais mestres, que lhes dá o direito de escreverem o que andam por aí a escrever. Por não ter sido isso que ninguém lhes ensino
.
Na sua última edição (pag. 27), o “Zambeze” titula: “BILENE – Governador de Gaza manda destruir estância turística – O “boer” queixou-se à PGR”. Logo nas primeiras linhas do texto, o jornalista escreve que a referida estância pertencia a um cidadão sul-africano, de raça branca. Ora, ao que se sabe, não existem “boers” japoneses, chineses nem portugueses. Como não existem “boers” pretos. Logo, se era “boer”, tinha de ser sul-africano e tinha de ser branco. Daí, o facto de se texto em apreço não é racista, apontar nesse sentido. O que é, em absoluto, contrário à legislação em vigor. Também, na mesma área, parece estar o “Savana” a resvalar e a aplicar a “lei do vale tudo”. Na sua edição da passada sexta-feira, titula “no informal”: Neguinho é o Nestor. O resto é negrão...”. Assim mesmo, com letra minúscula, referindo-se a José Negrão. E, depois, como legenda de foto publicada na mesma página, começa por dizer: “O JOSÉ NEGRÃO AQUI, NO MEIO ENTRE MÚLTIPLOS QUE O ADMIRARAM E ADMIRAM deixou-nos. Para acrescentar, com evidente sadismo, Muita dor, muita saudade. E um pouco de sátira, mas (....). Ora, fica a dúvida se é possível satirizar, se é possível fazer sátira, sobre a forma como amigos e familiares manifestaram a sua dor em relação a um Homem cujas exéquias fúnebres só viriam a ter lugar no dia seguinte à da saída do referido semanário Depois, sátira, parece ser termo pouco apropriado. Talvez deva falar-se em humor. Em humor negro. Mas, admitindo que possa tratar-se de sátira, trata-se de um sátira que ofendeu, profundamente, amigos e familiares. A quem o semanário em questão, através de anúncio necrológico (pag. 29) ,“À família enlutada apresenta as mais sentidas condolências”. Ora, parece haver aqui alguma contradição. E, por certo, haverá, Ora, se de facto a sátira não foi mais do que uma sátira, foi uma sátira porca e nojenta.
domingo, julho 17, 2005
domingo, julho 10, 2005
Publicado em Maputo, Moçambique no Jornal Domingo de Julho 10, 2005
Antes e depois
Luís david
Deus não vai gostar
Parece, ainda hoje, difícil saber quando e onde foi praticado o primeiro acto de terrorismo. E, por outro lado, qual o número de pessoas que já perderam a vida devido a actos de terrorismo. Sem muita margem para erro, a história da Humanidade, a evolução das sociedade, desde há vários séculos caminhou, e parece continuar a caminhar, a par de actos e de acções de terror. Sabemos, hoje, que embora os seres humanos no planeta tenham quadruplicado desde o princípio do século XIX, o número de vítimas do terrorismo multiplicou-se por 24 no século XX. Naturalmente, o terrorismo de hoje, o terrorismo dos nosso dias, é diferente do terrorismo de séculos passados. Do terrorismo praticado há poucas décadas. Mas, diferente nos métodos, diferente, sem dúvida, na forma, continua a ser terrorismo. Hoje, ao que parece e nunca como dantes, o terror mede-se, cada vez mais, pelo número das vítimas que provoca. E, menos pelo mérito da causa que diz servir. Parece não haver, pois, qualquer mérito em tolerar o terror. Menos, ainda, considerar que tolerar o terror seja uma virtude. Não o é. Será, quanto muito, uma fraqueza. Na extrema das hipóteses, falta de coragem para uma leitura nova da História. Sobretudo da história dos conflitos entre religiões. Dos conflitos entre as três principais religiões.
Afigura-se como prematura, uma análise séria, aprofundada e profunda dos verdadeiros motivos dos recentes ataques terroristas registados em Londres. Objectivamente, afigura-se como simples, senão simplista, a tentativa de justificar o motivo das explosões com o momento da reunião do chamado G-8 ou com o facto de a capital britânica haver sido eleita para acolher uma edição dos Jogos Olímpicos. Quer dizer, o momento em que as explosões acorreram pode, e parece não ter, nada a ver com esses acontecimentos em si mesmos. E que se aconteceram nesse dia a nesse momento, foi uma simples questão de táctica. As explosões estavam, estariam quase de certeza, planificadas, desde há muito tempo, e programadas para acontecer em Londres. A questão, residia no quando. E, sendo ou não actos, a todos os títulos condenáveis, de fundamentalistas religiosos, como parece terem sido, a questão de fundo pode continuar a prevalecer. Mesmo quando identificados e presos os seus autores. È que, a questão de fundo, parece assentar numa centenária guerra santa. Se é, se assim é, e parece ser que assim é, os líderes das religiões em conflito, deviam eles próprios assumir, publicamente, um posicionamento de diálogo. Afinal, Judaísmo, Cristianismo e Islão têm uma origem comum. Tora, Bíblia e Corão são, na sua essência, textos referentes a um Deus único. Falta perceber o que impede, neste tempo global, que líderes destas religiões se sentem a uma mesma mesa e que digam, claramente, o que os divide e o que os une. É que, continuar a matar, continuar a assassinar em nome de uma religião, seja ela qual seja, parece um sacrilégio. E, quase de certeza, Deus não vai gostar.
Antes e depois
Luís david
Deus não vai gostar
Parece, ainda hoje, difícil saber quando e onde foi praticado o primeiro acto de terrorismo. E, por outro lado, qual o número de pessoas que já perderam a vida devido a actos de terrorismo. Sem muita margem para erro, a história da Humanidade, a evolução das sociedade, desde há vários séculos caminhou, e parece continuar a caminhar, a par de actos e de acções de terror. Sabemos, hoje, que embora os seres humanos no planeta tenham quadruplicado desde o princípio do século XIX, o número de vítimas do terrorismo multiplicou-se por 24 no século XX. Naturalmente, o terrorismo de hoje, o terrorismo dos nosso dias, é diferente do terrorismo de séculos passados. Do terrorismo praticado há poucas décadas. Mas, diferente nos métodos, diferente, sem dúvida, na forma, continua a ser terrorismo. Hoje, ao que parece e nunca como dantes, o terror mede-se, cada vez mais, pelo número das vítimas que provoca. E, menos pelo mérito da causa que diz servir. Parece não haver, pois, qualquer mérito em tolerar o terror. Menos, ainda, considerar que tolerar o terror seja uma virtude. Não o é. Será, quanto muito, uma fraqueza. Na extrema das hipóteses, falta de coragem para uma leitura nova da História. Sobretudo da história dos conflitos entre religiões. Dos conflitos entre as três principais religiões.
Afigura-se como prematura, uma análise séria, aprofundada e profunda dos verdadeiros motivos dos recentes ataques terroristas registados em Londres. Objectivamente, afigura-se como simples, senão simplista, a tentativa de justificar o motivo das explosões com o momento da reunião do chamado G-8 ou com o facto de a capital britânica haver sido eleita para acolher uma edição dos Jogos Olímpicos. Quer dizer, o momento em que as explosões acorreram pode, e parece não ter, nada a ver com esses acontecimentos em si mesmos. E que se aconteceram nesse dia a nesse momento, foi uma simples questão de táctica. As explosões estavam, estariam quase de certeza, planificadas, desde há muito tempo, e programadas para acontecer em Londres. A questão, residia no quando. E, sendo ou não actos, a todos os títulos condenáveis, de fundamentalistas religiosos, como parece terem sido, a questão de fundo pode continuar a prevalecer. Mesmo quando identificados e presos os seus autores. È que, a questão de fundo, parece assentar numa centenária guerra santa. Se é, se assim é, e parece ser que assim é, os líderes das religiões em conflito, deviam eles próprios assumir, publicamente, um posicionamento de diálogo. Afinal, Judaísmo, Cristianismo e Islão têm uma origem comum. Tora, Bíblia e Corão são, na sua essência, textos referentes a um Deus único. Falta perceber o que impede, neste tempo global, que líderes destas religiões se sentem a uma mesma mesa e que digam, claramente, o que os divide e o que os une. É que, continuar a matar, continuar a assassinar em nome de uma religião, seja ela qual seja, parece um sacrilégio. E, quase de certeza, Deus não vai gostar.
segunda-feira, julho 04, 2005
Publicado em Maputo, Moçambique, no Jornal Domingo de 3 de Julho, 2005
Antes e depois
Luís david
É tempo de acabar com o oportunismo político
Ignoro se é conhecida ou não a data da publicação do primeiro anúncio publicitário. Em jornal, rádio ou televisão, de um qualquer país do mundo. Mas terá sido, certamente, há muitas décadas. Aliás, isso todos sabemos, os primeiros anúncios publicitários tinham uma função meramente informativa. Davam a conhecer, de forma aparentemente inofensiva, a existência de certos produtos disponíveis e a prestação de determinados serviços. Inicialmente, no seio de comunidades restritas. Depois, o âmbito da publicidade foi sendo alargado. A publicidade passou, em determinado momento, a criar necessidades. A ser um estímulo ao consumo. Quando não, a promover a venda daquilo que ainda sequer havia sido produzido. A determinado momento, a publicidade transformou-se, adquiriu o estatuto de indústria. Adquiriu estatuto próprio. E, tornou-se, até, no suporte financeiro dos mais variados órgãos de Informação. A nível mundial. Claro, há publicidade e há publicidade. E, nem tudo o que parece ser publicidade é, em si, publicidade. Nem tudo o que parece ser meio para atingir um fim, o é. Muitas vezes, algumas vezes, o que parece ser meio para atingir um fim é, em si mesmo um fim. Ora, quando a publicidade deixa de ser meio para atingir um fim, estamos perante uma aberração. E, podemos estar perante a destruição de valores éticos e morais. Como podemos estar perante uma forma aberrante de subverter e de violar regras de mercado. Sem sentido nem glória.
A publicidade em Moçambique tem, como não podia deixar de ter, uma longa história. Uma história de algumas décadas, quando se recua da data independência. Passa por um período de decadência, de quase falência. De quase morte lenta. Depois, volta a ressurgir, recebe novo alento, adapta-se e acompanha a renascente economia de mercado. Mas, sendo esta, sendo este modelo, sendo o modelo de economia adoptado o modelo de uma economia selvagem, o modelo de publicidade é, em si próprio, um modelo de publicidade selvagem. Hoje, com novas técnicas, com nova tecnologia. E, como actividade altamente lucrativa, o que tem mal nenhum. E, daí, o não ser a actividade publicitária em si própria a razão de ser do presente texto. A razão do presente texto é muito outra. Também muito simples. Está em saber como é que as duas operadoras de telefonia móvel vão encontrar justificação para as centenas de milhares de contos que estão a gastar em publicidade. Absolutamente inútil e ridícula. Todos os dias. Digamos, perguntemos, por exemplo, qual o objectivo das seis páginas de publicidade redigida publicadas na edição da última quinta-feira do jornal “Notícias”, por uma dessas operadoras de telefone móvel. E perguntemos, também, o que impede que esse dinheiro esbanjado sem qualquer utilidade em papel de jornal não é destinado a apoiar crianças e idosos necessitados de apoio. A crianças e a idosos que carecem de abrigo. O que impede, o que dificulta, que as empresas de telefonia móvel, ambas as duas, publicitem os seus produtos novos e as vantagens que oferecem aos clientes em espaços reduzidos. E que, nesses mesmos espaços publicitários, reduzidos, façam anunciar o que é que essa redução significa em termos de contribuição para a melhoria das condições de vida das crianças e dos idosos necessitados deste país. A Governadora de Maputo e o Presidente da República, como qualquer personalidade política nacional, não necessitam que a divulgação da sua presença em actos públicos sejam divulgados como publicidade paga. Reservem esse dinheiro, utilizem esse dinheiro em obras de assistência social. É tempo de acabar com o oportunismo político.
Antes e depois
Luís david
É tempo de acabar com o oportunismo político
Ignoro se é conhecida ou não a data da publicação do primeiro anúncio publicitário. Em jornal, rádio ou televisão, de um qualquer país do mundo. Mas terá sido, certamente, há muitas décadas. Aliás, isso todos sabemos, os primeiros anúncios publicitários tinham uma função meramente informativa. Davam a conhecer, de forma aparentemente inofensiva, a existência de certos produtos disponíveis e a prestação de determinados serviços. Inicialmente, no seio de comunidades restritas. Depois, o âmbito da publicidade foi sendo alargado. A publicidade passou, em determinado momento, a criar necessidades. A ser um estímulo ao consumo. Quando não, a promover a venda daquilo que ainda sequer havia sido produzido. A determinado momento, a publicidade transformou-se, adquiriu o estatuto de indústria. Adquiriu estatuto próprio. E, tornou-se, até, no suporte financeiro dos mais variados órgãos de Informação. A nível mundial. Claro, há publicidade e há publicidade. E, nem tudo o que parece ser publicidade é, em si, publicidade. Nem tudo o que parece ser meio para atingir um fim, o é. Muitas vezes, algumas vezes, o que parece ser meio para atingir um fim é, em si mesmo um fim. Ora, quando a publicidade deixa de ser meio para atingir um fim, estamos perante uma aberração. E, podemos estar perante a destruição de valores éticos e morais. Como podemos estar perante uma forma aberrante de subverter e de violar regras de mercado. Sem sentido nem glória.
A publicidade em Moçambique tem, como não podia deixar de ter, uma longa história. Uma história de algumas décadas, quando se recua da data independência. Passa por um período de decadência, de quase falência. De quase morte lenta. Depois, volta a ressurgir, recebe novo alento, adapta-se e acompanha a renascente economia de mercado. Mas, sendo esta, sendo este modelo, sendo o modelo de economia adoptado o modelo de uma economia selvagem, o modelo de publicidade é, em si próprio, um modelo de publicidade selvagem. Hoje, com novas técnicas, com nova tecnologia. E, como actividade altamente lucrativa, o que tem mal nenhum. E, daí, o não ser a actividade publicitária em si própria a razão de ser do presente texto. A razão do presente texto é muito outra. Também muito simples. Está em saber como é que as duas operadoras de telefonia móvel vão encontrar justificação para as centenas de milhares de contos que estão a gastar em publicidade. Absolutamente inútil e ridícula. Todos os dias. Digamos, perguntemos, por exemplo, qual o objectivo das seis páginas de publicidade redigida publicadas na edição da última quinta-feira do jornal “Notícias”, por uma dessas operadoras de telefone móvel. E perguntemos, também, o que impede que esse dinheiro esbanjado sem qualquer utilidade em papel de jornal não é destinado a apoiar crianças e idosos necessitados de apoio. A crianças e a idosos que carecem de abrigo. O que impede, o que dificulta, que as empresas de telefonia móvel, ambas as duas, publicitem os seus produtos novos e as vantagens que oferecem aos clientes em espaços reduzidos. E que, nesses mesmos espaços publicitários, reduzidos, façam anunciar o que é que essa redução significa em termos de contribuição para a melhoria das condições de vida das crianças e dos idosos necessitados deste país. A Governadora de Maputo e o Presidente da República, como qualquer personalidade política nacional, não necessitam que a divulgação da sua presença em actos públicos sejam divulgados como publicidade paga. Reservem esse dinheiro, utilizem esse dinheiro em obras de assistência social. É tempo de acabar com o oportunismo político.
domingo, junho 26, 2005
Publicado em Maputo, Moçambique, no Jornal Domingo de Junho 26, 2005
Antes e depois
Luís david
A hipocrisia é uma arma e um truque barato dos imbecis
Moçambique comemorou, ontem, trinta anos como país independente. Há trinta anos, com a independência de Moçambique passava a existir mais um país no seio das nações. Nesse dia, foi feita a despedida de uma bandeira e o içar de uma outra. Nova e diferente. Um momento histórico e sem repetição da história de um povo. Daí, as lágrimas do choro da alegria. As lágrimas ampliadas pela chuva que fez questão de cair. Que caiu, copiosamente, nessa noite, no Estádio da Machava. E, depois, os tiros. Os tiros, as rajadas das armas libertadoras, disparados para o ar. Como afirmação da vitória. Tiros de alegria. Como de alegria eram as expressões faciais de um povo libertado. De um povo liberto. Os abraços e os risos, os sorrisos, eram, afinal o culminar de um sonho lindo. Bonito. Primeiro, de uns poucos. Depois, de muitos. Por fim, de todos. África e o mundo contavam, a partir de 25 de Junho de 1975, com mais uma nação. Portugal, perdia a sua segunda colónia. Depois da independência unilateral, reconhecida pelas Nações Unidas, da Guiné-Bissau. Seria o fim, a derrocada, do Império Colonial Português, com a posterior independência de Angola.
Vista há distância de trinta anos, a independência de Moçambique é um acto inquestionável. E é, constitui, até ao momento presente, a festa maior do povo moçambicano. Vista numa perspectiva de unicidade. Naturalmente, pode e deve questionar-se o que foi e o que não foi feito em trinta anos. Como pode levantar-se a questão de saber pela qual o que foi feito de uma determinada maneira não foi feito de maneira diferente. Questione-se o Governo. Pelo que fez e como fez. Também, pelo que não fez. Mas, tenhamos presente que, o Estado que somos e a nação que estamos a construir, são realidades objectivas para além do pensamento de certas mentes deformadas. De cá e de lá. E, neste contexto, a questão parece simples. É que quando se critica, quando se insinua que Moçambique fez pouco, que poderia ter feito mais em trinta anos de independência, devemos colocar alguns termos de referência. Ora, Portugal, segundo a história, tornou-se independente em 1143. Séculos mais tarde, por motivos que aqui não importa referir, passou a ser domínio de Espanha. Passados sessenta anos, libertou-se do domínio espanhol. Definitivamente. E, caminhou, depois, num sentido mais universal. De acordo com o pensamento e o conhecimento da época. A queda da Monarquia, é sucedida por muitos governos provisórios. E, quando Salazar chega ao poder, na década de trinta, Portugal era um país rural e endividado. Sendo que o ditador equilibrou as finanças públicas, não modernizou o país. Mais de vinte anos depois do seu consulado, água potável era bem raro, energia eléctrica era luxo de minorias. Predominavam a vela de cera e o petróleo de iluminação. Também a lenha e o carvão, como combustíveis, para ter alimentos quentes. Pode, de facto, Moçambique ter feito pouco em benefícios das populações, nestes trinta anos de independência. Mas, fez o que lhe foi permitido fazer. Fez o que lhe deixaram fazer. E, terá feito pouco aos olhos de estrangeiros fazendo, em três décadas, o que os colonialistas não fizeram em séculos. De dominação e de exploração. A hipocrisia não passa de um truque barato da política. A hipocrisia não mata a fome nem ajuda o desenvolvimento. A hipocrisia é uma arma e um truque barato dos imbecis.
Antes e depois
Luís david
A hipocrisia é uma arma e um truque barato dos imbecis
Moçambique comemorou, ontem, trinta anos como país independente. Há trinta anos, com a independência de Moçambique passava a existir mais um país no seio das nações. Nesse dia, foi feita a despedida de uma bandeira e o içar de uma outra. Nova e diferente. Um momento histórico e sem repetição da história de um povo. Daí, as lágrimas do choro da alegria. As lágrimas ampliadas pela chuva que fez questão de cair. Que caiu, copiosamente, nessa noite, no Estádio da Machava. E, depois, os tiros. Os tiros, as rajadas das armas libertadoras, disparados para o ar. Como afirmação da vitória. Tiros de alegria. Como de alegria eram as expressões faciais de um povo libertado. De um povo liberto. Os abraços e os risos, os sorrisos, eram, afinal o culminar de um sonho lindo. Bonito. Primeiro, de uns poucos. Depois, de muitos. Por fim, de todos. África e o mundo contavam, a partir de 25 de Junho de 1975, com mais uma nação. Portugal, perdia a sua segunda colónia. Depois da independência unilateral, reconhecida pelas Nações Unidas, da Guiné-Bissau. Seria o fim, a derrocada, do Império Colonial Português, com a posterior independência de Angola.
Vista há distância de trinta anos, a independência de Moçambique é um acto inquestionável. E é, constitui, até ao momento presente, a festa maior do povo moçambicano. Vista numa perspectiva de unicidade. Naturalmente, pode e deve questionar-se o que foi e o que não foi feito em trinta anos. Como pode levantar-se a questão de saber pela qual o que foi feito de uma determinada maneira não foi feito de maneira diferente. Questione-se o Governo. Pelo que fez e como fez. Também, pelo que não fez. Mas, tenhamos presente que, o Estado que somos e a nação que estamos a construir, são realidades objectivas para além do pensamento de certas mentes deformadas. De cá e de lá. E, neste contexto, a questão parece simples. É que quando se critica, quando se insinua que Moçambique fez pouco, que poderia ter feito mais em trinta anos de independência, devemos colocar alguns termos de referência. Ora, Portugal, segundo a história, tornou-se independente em 1143. Séculos mais tarde, por motivos que aqui não importa referir, passou a ser domínio de Espanha. Passados sessenta anos, libertou-se do domínio espanhol. Definitivamente. E, caminhou, depois, num sentido mais universal. De acordo com o pensamento e o conhecimento da época. A queda da Monarquia, é sucedida por muitos governos provisórios. E, quando Salazar chega ao poder, na década de trinta, Portugal era um país rural e endividado. Sendo que o ditador equilibrou as finanças públicas, não modernizou o país. Mais de vinte anos depois do seu consulado, água potável era bem raro, energia eléctrica era luxo de minorias. Predominavam a vela de cera e o petróleo de iluminação. Também a lenha e o carvão, como combustíveis, para ter alimentos quentes. Pode, de facto, Moçambique ter feito pouco em benefícios das populações, nestes trinta anos de independência. Mas, fez o que lhe foi permitido fazer. Fez o que lhe deixaram fazer. E, terá feito pouco aos olhos de estrangeiros fazendo, em três décadas, o que os colonialistas não fizeram em séculos. De dominação e de exploração. A hipocrisia não passa de um truque barato da política. A hipocrisia não mata a fome nem ajuda o desenvolvimento. A hipocrisia é uma arma e um truque barato dos imbecis.
domingo, junho 19, 2005
Publicado em Maputo, Moçambique, no Jornal Domingo de Junho 19, 2005
Antes e depois
Luís david
é perigoso brincar com a história
Desde há alguns anos, vários historiadores e investigadores, consagrados, publicaram versões diferentes da história que era suposto ser a verdadeira. Vaclav Ravel escreveu a “Arena”, obra que bem poderá ser considerada como pioneira e de referência sobre a matéria e em que, fundamentalmente, faz uma comparação entre os crimes cometidos por Hitler e por Estaline. E, na sua versão, que encontra suporte em estudos posteriores, Estaline mandou matar muitos mais seres humanos do que Hitler. Devendo precisar-se, desde já, que estamos a falar numa escala de milhões e que estes dois grandes criminosos da história recente são responsáveis pelo desaparecimento físico de milhões de seres humanos. Depois, continuando a falar sobre livros, também surgiu “Os Dez Maiores Monstros da História”. Mais recentemente, em Fevereiro do corrente ano foi editado, em língua portuguesa, “Anatomia do Terror”, que tem como subtítulo “Uma história do Terrorismo” . Seu autor é Andrew Sinclair e, pelo verso da contra capa, ficamos a saber que vivemos numa época de terror. (...) Que nunca houve, desde o tempo de Homero à era de Ossana Bin Laden. Logo na abertura do livro, em página ainda sem numeração, o autor cita William Blake: Dizem que este mistério nunca acabará: O sacerdote fomenta a guerra, e o soldado a paz. Estamos perante uma análise profunda sobres as causas das guerras ao longo dos séculos. Fundamentalmente, das suas causas religiosas. É assim que, logo no capítulo 2, com o título “Os textos do terror religioso”, o autor escreve: Das três religiões fundamentais do Próximo Oriente, o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo, só os Judeus fundaram Israel devido a uma forma de genocídio. Moisés afirmou que o Senhor ordenara o aniquilamento e a submissão dos habitantes originais de Cannaã numa guerra santa. E, a seguir, cita que o que foi escrito no Deuteronómio. Parece não existirem muitas dúvidas, no momento presente, que as guerras actuais, todas as guerras dos tempos recentes, são guerras religiosas. São guerras santas. São guerras provocadas, em última análise, por interpretações fundamentalistas da Bíblia, do Corão e da Tora.
A história dos movimentos de libertação africanos é, terá sido, um percurso sinuoso e sangrento. Neste contexto, não é possível excluir ou diferenciar as realidades de, fundamentalmente, Guiné-Bissau, Angola, Moçambique. Porque sendo percursos históricos não simétricos são, todos eles, todos os três, percursos semelhantes. E, são semelhantes pela necessidade de afirmação nacionalista. Como podem não o ser pelas escolhas para essa afirmação. Do pensamento e da acção, situados no seu tempo histórico e num determinado espaço. Falamos de um Eduardo Mondlane, de um Amilcar Cabral, de um Agostinho Neto, de um Samora Machel. Sendo pouco, quase nenhuma, a investigação feita por moçambicanos nesta área, também aqui portugueses se anteciparam. Ana Cabrita publicou, pelo menos, duas obras sobre o tema. Que justificam uma leitura atenta. Enquanto nós, por cá, continuamos, ao que parece, a brincar com a história. E, temos alguma dificuldade em passar do diz-que-diz. Da intriga política de ocasião para o assumir da história. A história, todos o sabemos, não mata a fome, não enche barriga de quem tem fome. Mas, a história, quando volta a ser mal contada, ou contada numa versão que é difícil comprovar, pode alimentar ódios recalcados. Pode, sobretudo, acordar fantasmas que estavam adormecidos. Que estavam acomodados. Esta forma de tentar baralhar a história recente não passa de uma brincadeira. Mesmo quando todos sabemos, ou deveríamos saber, que é perigoso brincar com a história.
Antes e depois
Luís david
é perigoso brincar com a história
Desde há alguns anos, vários historiadores e investigadores, consagrados, publicaram versões diferentes da história que era suposto ser a verdadeira. Vaclav Ravel escreveu a “Arena”, obra que bem poderá ser considerada como pioneira e de referência sobre a matéria e em que, fundamentalmente, faz uma comparação entre os crimes cometidos por Hitler e por Estaline. E, na sua versão, que encontra suporte em estudos posteriores, Estaline mandou matar muitos mais seres humanos do que Hitler. Devendo precisar-se, desde já, que estamos a falar numa escala de milhões e que estes dois grandes criminosos da história recente são responsáveis pelo desaparecimento físico de milhões de seres humanos. Depois, continuando a falar sobre livros, também surgiu “Os Dez Maiores Monstros da História”. Mais recentemente, em Fevereiro do corrente ano foi editado, em língua portuguesa, “Anatomia do Terror”, que tem como subtítulo “Uma história do Terrorismo” . Seu autor é Andrew Sinclair e, pelo verso da contra capa, ficamos a saber que vivemos numa época de terror. (...) Que nunca houve, desde o tempo de Homero à era de Ossana Bin Laden. Logo na abertura do livro, em página ainda sem numeração, o autor cita William Blake: Dizem que este mistério nunca acabará: O sacerdote fomenta a guerra, e o soldado a paz. Estamos perante uma análise profunda sobres as causas das guerras ao longo dos séculos. Fundamentalmente, das suas causas religiosas. É assim que, logo no capítulo 2, com o título “Os textos do terror religioso”, o autor escreve: Das três religiões fundamentais do Próximo Oriente, o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo, só os Judeus fundaram Israel devido a uma forma de genocídio. Moisés afirmou que o Senhor ordenara o aniquilamento e a submissão dos habitantes originais de Cannaã numa guerra santa. E, a seguir, cita que o que foi escrito no Deuteronómio. Parece não existirem muitas dúvidas, no momento presente, que as guerras actuais, todas as guerras dos tempos recentes, são guerras religiosas. São guerras santas. São guerras provocadas, em última análise, por interpretações fundamentalistas da Bíblia, do Corão e da Tora.
A história dos movimentos de libertação africanos é, terá sido, um percurso sinuoso e sangrento. Neste contexto, não é possível excluir ou diferenciar as realidades de, fundamentalmente, Guiné-Bissau, Angola, Moçambique. Porque sendo percursos históricos não simétricos são, todos eles, todos os três, percursos semelhantes. E, são semelhantes pela necessidade de afirmação nacionalista. Como podem não o ser pelas escolhas para essa afirmação. Do pensamento e da acção, situados no seu tempo histórico e num determinado espaço. Falamos de um Eduardo Mondlane, de um Amilcar Cabral, de um Agostinho Neto, de um Samora Machel. Sendo pouco, quase nenhuma, a investigação feita por moçambicanos nesta área, também aqui portugueses se anteciparam. Ana Cabrita publicou, pelo menos, duas obras sobre o tema. Que justificam uma leitura atenta. Enquanto nós, por cá, continuamos, ao que parece, a brincar com a história. E, temos alguma dificuldade em passar do diz-que-diz. Da intriga política de ocasião para o assumir da história. A história, todos o sabemos, não mata a fome, não enche barriga de quem tem fome. Mas, a história, quando volta a ser mal contada, ou contada numa versão que é difícil comprovar, pode alimentar ódios recalcados. Pode, sobretudo, acordar fantasmas que estavam adormecidos. Que estavam acomodados. Esta forma de tentar baralhar a história recente não passa de uma brincadeira. Mesmo quando todos sabemos, ou deveríamos saber, que é perigoso brincar com a história.
terça-feira, junho 14, 2005
Publicado em Mpauto, Moçambique no Jornal Domingo de Junho 12, 2005
Antes e depois
Luís david
Ser coerente não dói nada
Os estudos, as sondagens, as amostragens, têm o valor que têm. No fundamental, têm um valor relativo. Valem o que valem. Mas, valem sempre alguma coisa. Quanto mais não seja quando chamam, quando nos chamam a atenção para algo que não sabíamos. Para algo que não estávamos sensibilizados em saber que existia. Que era realidade. Que era quotidiano. Que era parte da nossa vida, do nosso viver, da nossa vivência. Sem mais ser necessário elaborar, um estudo recente, divulgado esta semana, sobre o consumo de drogas em quatro escolas de Maputo, trouxe a público a realidade nessas escolas. Que pode, muito bem, ser diferente e diversa da realidade do país. Da maioria das escolas do país. Mas, o que nos diz esse estudo é que, dos estudantes inquiridos, e foram mil, cerca de 60 por cento consomem drogas. Entre lícitas e ilícitas. Nas drogas lícitas, os autores do estudo incluem o tabaco e as bebidas alcoólicas. Nas ilícitas, todas as restantes, as chamadas drogas pesadas. Pois bem, pensando seguir o raciocínio dos autores do referido estudo, podemos questionar qual o motivo que impediu que fosse questionado quem consome, em excesso, por exemplo, café, coca-cola ou rebuçados. Temos de aceitar, é necessário aceitar que temos, todos nós, a maioria de nós, muitos vícios. Que somos, a maioria de nós viciados. Pela simples razão de que temos, a maioria de nós, muitos defeitos.
Para além da realidade que o estudo referido revela, para além do que não revela, há, existem, realidades outras. Que são as realidades do país real, as realidades do país que somos. E as realidades do país que somos são, em última análise, aquilo que somos. Nada existe, nada pode existir, para além nem para aquém do somos. E, o país real, o país que somos, é um país onde a cultura do tabaco é uma cultura de rendimento. Onde cultivar tabaco faz parte do combate à pobreza. Onde cultivar, manipular e exportar tabaco é permitido por lei. Mais, é incentivado. Mais ainda, a realidade, a nossa realidade quotidiana é a de um país onde o consumo de tabaco e de bebidas alcoólicas são publicitados publicamente. Ora, a questão que parece pertinente colocar, é a de saber o que impede que se elimine a publicidade a estes produtos nocivos à saúde. Muito possivelmente, o facto de serem negócios milionários. Mais do que milionários. Poderá haver quem argumente perda de receitas. Aceitemos que sim. Mas aqui, também aqui, parece possível pensar diferente. Que se crie e aplique uma taxa sobre o consumo de cigarros e de bebidas alcoólicas. Que pode constituir, sem dúvida, uma inestimável fonte de receita para órgãos de Informação que prestam serviço público. E uma alternativa às chamadas taxas. O que temos de ser, o que devemos ser é, no mínimo, coerentes. O que não podemos é permitir publicidade a marcas de cigarros e de bebidas alcoólicas e, logo a seguir, gastar dinheiro em seminários e em inquéritos para tentar demonstrar que o seu consumo trás perigo para a saúde humana. Afinal, ser coerente não custa dinheiro. Ser coerente não dói nada.
Antes e depois
Luís david
Ser coerente não dói nada
Os estudos, as sondagens, as amostragens, têm o valor que têm. No fundamental, têm um valor relativo. Valem o que valem. Mas, valem sempre alguma coisa. Quanto mais não seja quando chamam, quando nos chamam a atenção para algo que não sabíamos. Para algo que não estávamos sensibilizados em saber que existia. Que era realidade. Que era quotidiano. Que era parte da nossa vida, do nosso viver, da nossa vivência. Sem mais ser necessário elaborar, um estudo recente, divulgado esta semana, sobre o consumo de drogas em quatro escolas de Maputo, trouxe a público a realidade nessas escolas. Que pode, muito bem, ser diferente e diversa da realidade do país. Da maioria das escolas do país. Mas, o que nos diz esse estudo é que, dos estudantes inquiridos, e foram mil, cerca de 60 por cento consomem drogas. Entre lícitas e ilícitas. Nas drogas lícitas, os autores do estudo incluem o tabaco e as bebidas alcoólicas. Nas ilícitas, todas as restantes, as chamadas drogas pesadas. Pois bem, pensando seguir o raciocínio dos autores do referido estudo, podemos questionar qual o motivo que impediu que fosse questionado quem consome, em excesso, por exemplo, café, coca-cola ou rebuçados. Temos de aceitar, é necessário aceitar que temos, todos nós, a maioria de nós, muitos vícios. Que somos, a maioria de nós viciados. Pela simples razão de que temos, a maioria de nós, muitos defeitos.
Para além da realidade que o estudo referido revela, para além do que não revela, há, existem, realidades outras. Que são as realidades do país real, as realidades do país que somos. E as realidades do país que somos são, em última análise, aquilo que somos. Nada existe, nada pode existir, para além nem para aquém do somos. E, o país real, o país que somos, é um país onde a cultura do tabaco é uma cultura de rendimento. Onde cultivar tabaco faz parte do combate à pobreza. Onde cultivar, manipular e exportar tabaco é permitido por lei. Mais, é incentivado. Mais ainda, a realidade, a nossa realidade quotidiana é a de um país onde o consumo de tabaco e de bebidas alcoólicas são publicitados publicamente. Ora, a questão que parece pertinente colocar, é a de saber o que impede que se elimine a publicidade a estes produtos nocivos à saúde. Muito possivelmente, o facto de serem negócios milionários. Mais do que milionários. Poderá haver quem argumente perda de receitas. Aceitemos que sim. Mas aqui, também aqui, parece possível pensar diferente. Que se crie e aplique uma taxa sobre o consumo de cigarros e de bebidas alcoólicas. Que pode constituir, sem dúvida, uma inestimável fonte de receita para órgãos de Informação que prestam serviço público. E uma alternativa às chamadas taxas. O que temos de ser, o que devemos ser é, no mínimo, coerentes. O que não podemos é permitir publicidade a marcas de cigarros e de bebidas alcoólicas e, logo a seguir, gastar dinheiro em seminários e em inquéritos para tentar demonstrar que o seu consumo trás perigo para a saúde humana. Afinal, ser coerente não custa dinheiro. Ser coerente não dói nada.
Publicado em Maputo, Moçambique no Jornal Domingo de Junho 5, 2005
Antes e depois
Luís david
consciências pouco tranquilas
A língua que utilizamos como oficial, é uma língua viva. É uma língua em permanente evolução, em permanente mudança. É uma língua que todos os dias absorve novas palavras. É uma língua aberta à criação e à inovação dos seus falantes. Que somos, afinal, muitos milhões. Enraizados por todo o mundo. E, todos nós, cada um de nós, tem o direito de criar palavra nova. De apadrinhar ou de amadrinhar um neologismo. Ou, se assim se entender, a utilizar com significado diferente do encontrado em dicionários, palavras antigas. A escolha é livre. Depende do critério de cada um. Dizer, neste contexto, que palavra muito utilizada, nos últimos tempos, em certos órgãos de Informação, tem sido a palavra bufo. Mais recentemente, passou, até, a falar-se de bufaria. Ora, se no contexto em que a palavra bufo tem sido empregue parece significar apenas polícia secreta, em termos de calão pode ser aceite como significando delator ou denunciante. Isto, estas dúvidas, terão existido até dias muito recentes em relação a bufo. Mais ainda, repita-se, a bufaria. É que, parece, mais correcto, seria escrever bufoaria. Mas, deixemos os neologismos para quem deles gosta.
As dúvidas sobre o significado de bufo e de bufaria, parece terem começado a desaparecer. Esta semana. Finalmente. Finalmente, houve um esclarecimento. E, ficamos todos a saber que, hoje e agora, bufos não são só os polícias. Que, afinal há mais, que há por aí muito profissional que, como classe, cabe na definição de bufo. Quem o afirma é o “Zambeze”, na sua última edição, com o título “Agitação na bufaria: sem necessidade”. E, o articulista, em texto que parece pretender ser didáctico e pedagógico, também analítico e tranquilizador, para si próprio, procura ser claro: A agitação tomou conta dos bufos, classificados e entendidos aqui como sendo, na generalidade, profissionais que lidam com a informação classificada e sensível do País. ] [ Como se vem notando desde há cerca de três – quatro anos, os bufos não são apenas os gendarmes nem os dos serviços secretos.] [ Bufos, nos tempos que correm, são os investigadores que manejam informação sensível, tais como jornalistas, os próprios da secreta, os polícias, os advogados e procuradores de vários níveis. Quero acreditar que, por esquecimento ou omissão, não terá ficado ninguém de fora na lista, na definição de bufos. O que a acontecer, a ter acontecido, até poderia parecer injustiça. E, grave. Num momento em que parece começarem a revelar-se muitas consciências pouco tranquilas.
Antes e depois
Luís david
consciências pouco tranquilas
A língua que utilizamos como oficial, é uma língua viva. É uma língua em permanente evolução, em permanente mudança. É uma língua que todos os dias absorve novas palavras. É uma língua aberta à criação e à inovação dos seus falantes. Que somos, afinal, muitos milhões. Enraizados por todo o mundo. E, todos nós, cada um de nós, tem o direito de criar palavra nova. De apadrinhar ou de amadrinhar um neologismo. Ou, se assim se entender, a utilizar com significado diferente do encontrado em dicionários, palavras antigas. A escolha é livre. Depende do critério de cada um. Dizer, neste contexto, que palavra muito utilizada, nos últimos tempos, em certos órgãos de Informação, tem sido a palavra bufo. Mais recentemente, passou, até, a falar-se de bufaria. Ora, se no contexto em que a palavra bufo tem sido empregue parece significar apenas polícia secreta, em termos de calão pode ser aceite como significando delator ou denunciante. Isto, estas dúvidas, terão existido até dias muito recentes em relação a bufo. Mais ainda, repita-se, a bufaria. É que, parece, mais correcto, seria escrever bufoaria. Mas, deixemos os neologismos para quem deles gosta.
As dúvidas sobre o significado de bufo e de bufaria, parece terem começado a desaparecer. Esta semana. Finalmente. Finalmente, houve um esclarecimento. E, ficamos todos a saber que, hoje e agora, bufos não são só os polícias. Que, afinal há mais, que há por aí muito profissional que, como classe, cabe na definição de bufo. Quem o afirma é o “Zambeze”, na sua última edição, com o título “Agitação na bufaria: sem necessidade”. E, o articulista, em texto que parece pretender ser didáctico e pedagógico, também analítico e tranquilizador, para si próprio, procura ser claro: A agitação tomou conta dos bufos, classificados e entendidos aqui como sendo, na generalidade, profissionais que lidam com a informação classificada e sensível do País. ] [ Como se vem notando desde há cerca de três – quatro anos, os bufos não são apenas os gendarmes nem os dos serviços secretos.] [ Bufos, nos tempos que correm, são os investigadores que manejam informação sensível, tais como jornalistas, os próprios da secreta, os polícias, os advogados e procuradores de vários níveis. Quero acreditar que, por esquecimento ou omissão, não terá ficado ninguém de fora na lista, na definição de bufos. O que a acontecer, a ter acontecido, até poderia parecer injustiça. E, grave. Num momento em que parece começarem a revelar-se muitas consciências pouco tranquilas.
segunda-feira, maio 30, 2005
Publicado em Maputo, Moçambique no Jornal Domingo de Maio 29, 2005
antes e depois
Luís David
acabar com alguns equívocos
Muitas das vezes, até podemos não nos aperceber disso. Mas, acontece. Acontece sermos surpreendidos por uma palavra, por uma expressão nova. Outras, não sendo nova a palavra, ela é, começa a ser, utilizada para tentar definir realidades e situações diferentes. Diferentes daquelas que, anteriormente, definia. Digamos que as palavras são como o vestuário. Têm as suas épocas, passam por modas. Por vezes, talvez muitas vezes, as palavras que hoje parecem novas nem o são tanto assim. Estavam, porventura, esquecidas, adormecidas. Haviam caído em desuso, digamos. Haviam sido substituídas por outras palavras, digamos que mais modernas, para expressar a mesma realidade. Mas, de quando em quando, de longe em longe, de tempos em tempos, surge quem tem a ideia de trazer essas palavras esquecidas, adormecidas, mas não mortas, para o nosso comunicar de todos os dias. Precisamente, por a palavra, nenhuma palavra, morrer. E, é assim, ao que se pensa, que algumas palavras antigas surgem e parecem ser hoje moda. Bastou que alguém, bastou que um qualquer atrevido pouco respeitador de convenções gramaticais, lhes vestisse nova roupagem, lhes desse novo sentido, diferente utilidade. Acontece, então, vezes sem limite, cada um repetir a palavra nova ou que havia caído no esquecimento, sem saber o que ela significa. Muito menos o motivo pelo qual a está a utilizar.
Em tempos recentes, a nossa falácia, a nossa comunicação, a nossa necessidade de nos comunicarmos, passou a integrar duas novas expressões. Ou que, podendo não ser novas, foram feitas moda. Muito pomposamente, todos falamos de sociedade civil. Também gostamos, sempre que para tal temos oportunidade, de nos referirmos, às comunidades locais. O que uma e outra expressão significam, parece que ninguém está interessado em explicar. Ninguém sabe, exactamente, na nossa realidade concreta, onde começa e onde acaba a dita sociedade civil. Como não menos equívoco pode ser aquilo que se pretende apresentar como comunidades locais. Mas, diferentes actores nos processos, parecem confortados na nebulosa. Sem perceberem, sem se aperceberem, ou mesmo percebendo que, à partida, há o risco de se estar a cair no erro de atribuir conteúdos ideológicos a certas expressões. Quando elas o não possuem. Nem podem possuir. Assim, clarificar o que se entende por sociedade, civil apresenta-se como uma necessidade. Da mesma forma que parece inequívoco que todas as comunidades são locais. Pelo simples motivo de não poder haver comunidade sem lugar, sem local. Mesmo que possa estar a plagiar ideia de Alexandre Melo, quando citou, em “Globalização da Cultura”, que a cultura é sempre a cultura de um lugar e de uma comunidade ligada a esse lugar. Parece, pois, ser tempo de acabar com alguns equívocos.
antes e depois
Luís David
acabar com alguns equívocos
Muitas das vezes, até podemos não nos aperceber disso. Mas, acontece. Acontece sermos surpreendidos por uma palavra, por uma expressão nova. Outras, não sendo nova a palavra, ela é, começa a ser, utilizada para tentar definir realidades e situações diferentes. Diferentes daquelas que, anteriormente, definia. Digamos que as palavras são como o vestuário. Têm as suas épocas, passam por modas. Por vezes, talvez muitas vezes, as palavras que hoje parecem novas nem o são tanto assim. Estavam, porventura, esquecidas, adormecidas. Haviam caído em desuso, digamos. Haviam sido substituídas por outras palavras, digamos que mais modernas, para expressar a mesma realidade. Mas, de quando em quando, de longe em longe, de tempos em tempos, surge quem tem a ideia de trazer essas palavras esquecidas, adormecidas, mas não mortas, para o nosso comunicar de todos os dias. Precisamente, por a palavra, nenhuma palavra, morrer. E, é assim, ao que se pensa, que algumas palavras antigas surgem e parecem ser hoje moda. Bastou que alguém, bastou que um qualquer atrevido pouco respeitador de convenções gramaticais, lhes vestisse nova roupagem, lhes desse novo sentido, diferente utilidade. Acontece, então, vezes sem limite, cada um repetir a palavra nova ou que havia caído no esquecimento, sem saber o que ela significa. Muito menos o motivo pelo qual a está a utilizar.
Em tempos recentes, a nossa falácia, a nossa comunicação, a nossa necessidade de nos comunicarmos, passou a integrar duas novas expressões. Ou que, podendo não ser novas, foram feitas moda. Muito pomposamente, todos falamos de sociedade civil. Também gostamos, sempre que para tal temos oportunidade, de nos referirmos, às comunidades locais. O que uma e outra expressão significam, parece que ninguém está interessado em explicar. Ninguém sabe, exactamente, na nossa realidade concreta, onde começa e onde acaba a dita sociedade civil. Como não menos equívoco pode ser aquilo que se pretende apresentar como comunidades locais. Mas, diferentes actores nos processos, parecem confortados na nebulosa. Sem perceberem, sem se aperceberem, ou mesmo percebendo que, à partida, há o risco de se estar a cair no erro de atribuir conteúdos ideológicos a certas expressões. Quando elas o não possuem. Nem podem possuir. Assim, clarificar o que se entende por sociedade, civil apresenta-se como uma necessidade. Da mesma forma que parece inequívoco que todas as comunidades são locais. Pelo simples motivo de não poder haver comunidade sem lugar, sem local. Mesmo que possa estar a plagiar ideia de Alexandre Melo, quando citou, em “Globalização da Cultura”, que a cultura é sempre a cultura de um lugar e de uma comunidade ligada a esse lugar. Parece, pois, ser tempo de acabar com alguns equívocos.
Publicado em Maputo, Moçambique no Jornal Domingo de Maio 22, 2005
antes e depois
Luís David
Salazar está vivo e vive em Moçambique
Há quem afirme que a história se repete. Podendo ser que não, em Moçambique a história parece repetir-se. Possam os actores, de ontem e de hoje, ser diferentes. Ontem, passam poucas semanas, aconteceu na fronteira do sul, na fronteira com a África do Sul. Eram camiões que transportavam material bélico, classificado como sucata. Hoje, há poucos dias, escrevia o “Notícias”, a toda a largura da sua primeira página, que Simulados de sucata em contentores “Artefactos de guerra descobertos em Nacala”. E, acrescentava tratar-se de granadas, roquetes, bazucas e peças de aviões de combate. Admitamos, para não ficarmos como ingénuos, que para além destas duas tentativas frustradas para fazer sair, ilegalmente, do país material de guerra, outras operações poderão ter tido sucesso. Mas, atenhamo-nos apenas nestas duas últimas. Por serem as mais recentes. E por serem, em quase tudo, iguais. Por a única diferença entre ambas ser a via de saída. Por terra no sul, por mar no norte. De resto, para além disto, nada mais foi dito, nada mais foi divulgado. Não se conhece, nem num nem noutro caso, a quantidade do material que foi tentado fazer sair do país. Logo, não é possível saber o seu valor no mercado negro internacional. Também não se conhece o nome do exportador, como não se conhece o nome do destinatário. Como não se conhecem nomes de, possíveis, intermediários. Como os contentores não têm pés para andar por si próprios, nem cérebro, nem memória artificial, afigura-se como sendo um acto de inteligência divulgar quem os fez chegar aos locais onde foram detectados.
No mesmo jornal “Notícias”, da mesma sexta-feira última, pode ler-se que no bairro Militar, vulgo “Colômbia”, foram “Identificadas 15 residências usadas para o tráfico de droga”. Afinal, e isso parece já ser bom. Ficámos todos a saber o número de residências onde se vende e compra droga. Mas, também aqui, não sabemos quais são as residências. Como não sabemos quem compra mas, fundamentalmente, quem vende a droga. Muito menos as medidas tomadas para acabar com o negócio. Negócio, sem dúvida ilegal. Como continuamos a não saber os nomes dos destinatários da droga, que se diz ter sido transportada em diferentes partes do corpo, aprendida mulheres vindas do Brasil. Podem pensar alguns pensantes, e pensam quase de certeza, que ao permitirem que se diga que aqui, que aqui em Moçambique, há tráfico de drogas e de armas, já podemos dormir todos descansados. Mas, convenhamos que não. Convenhamos que não pode ser assim. Que não pode, nem deve, ser exactamente assim. Convenhamos que, a partir do momento, em que se denunciam crimes públicos é necessário investigar quem são os criminosos. Afinal, todos sabemos, hoje, que o tráfico ilegal de drogas e de material bélico tem bases do país. Mas, os nomes dos traficantes ficam escondidos. Como escondidos permanecem os nomes dos jornalistas ditos corruptos. Aparentemente, até prova em contrário, há por aqui um processo de chantagem psicológica. Parece estar a tentar-se silenciar os jornalistas. Parece que o que se está a dizer, de forma subtil, aos jornalistas, é que se os jornalistas denunciam a corrupção e os corruptos eles também não poderão deixar de ser denunciados como corruptos. No termo da análise, parece pensarem alguns, o ideal é criar uma sociedade de medo, instituir o terror. Longe no tempo, o fascismo agiganta-se perto de nós. O que, em última análise, pode permitir dizer que Salazar está vivo e vive em Moçambique.
antes e depois
Luís David
Salazar está vivo e vive em Moçambique
Há quem afirme que a história se repete. Podendo ser que não, em Moçambique a história parece repetir-se. Possam os actores, de ontem e de hoje, ser diferentes. Ontem, passam poucas semanas, aconteceu na fronteira do sul, na fronteira com a África do Sul. Eram camiões que transportavam material bélico, classificado como sucata. Hoje, há poucos dias, escrevia o “Notícias”, a toda a largura da sua primeira página, que Simulados de sucata em contentores “Artefactos de guerra descobertos em Nacala”. E, acrescentava tratar-se de granadas, roquetes, bazucas e peças de aviões de combate. Admitamos, para não ficarmos como ingénuos, que para além destas duas tentativas frustradas para fazer sair, ilegalmente, do país material de guerra, outras operações poderão ter tido sucesso. Mas, atenhamo-nos apenas nestas duas últimas. Por serem as mais recentes. E por serem, em quase tudo, iguais. Por a única diferença entre ambas ser a via de saída. Por terra no sul, por mar no norte. De resto, para além disto, nada mais foi dito, nada mais foi divulgado. Não se conhece, nem num nem noutro caso, a quantidade do material que foi tentado fazer sair do país. Logo, não é possível saber o seu valor no mercado negro internacional. Também não se conhece o nome do exportador, como não se conhece o nome do destinatário. Como não se conhecem nomes de, possíveis, intermediários. Como os contentores não têm pés para andar por si próprios, nem cérebro, nem memória artificial, afigura-se como sendo um acto de inteligência divulgar quem os fez chegar aos locais onde foram detectados.
No mesmo jornal “Notícias”, da mesma sexta-feira última, pode ler-se que no bairro Militar, vulgo “Colômbia”, foram “Identificadas 15 residências usadas para o tráfico de droga”. Afinal, e isso parece já ser bom. Ficámos todos a saber o número de residências onde se vende e compra droga. Mas, também aqui, não sabemos quais são as residências. Como não sabemos quem compra mas, fundamentalmente, quem vende a droga. Muito menos as medidas tomadas para acabar com o negócio. Negócio, sem dúvida ilegal. Como continuamos a não saber os nomes dos destinatários da droga, que se diz ter sido transportada em diferentes partes do corpo, aprendida mulheres vindas do Brasil. Podem pensar alguns pensantes, e pensam quase de certeza, que ao permitirem que se diga que aqui, que aqui em Moçambique, há tráfico de drogas e de armas, já podemos dormir todos descansados. Mas, convenhamos que não. Convenhamos que não pode ser assim. Que não pode, nem deve, ser exactamente assim. Convenhamos que, a partir do momento, em que se denunciam crimes públicos é necessário investigar quem são os criminosos. Afinal, todos sabemos, hoje, que o tráfico ilegal de drogas e de material bélico tem bases do país. Mas, os nomes dos traficantes ficam escondidos. Como escondidos permanecem os nomes dos jornalistas ditos corruptos. Aparentemente, até prova em contrário, há por aqui um processo de chantagem psicológica. Parece estar a tentar-se silenciar os jornalistas. Parece que o que se está a dizer, de forma subtil, aos jornalistas, é que se os jornalistas denunciam a corrupção e os corruptos eles também não poderão deixar de ser denunciados como corruptos. No termo da análise, parece pensarem alguns, o ideal é criar uma sociedade de medo, instituir o terror. Longe no tempo, o fascismo agiganta-se perto de nós. O que, em última análise, pode permitir dizer que Salazar está vivo e vive em Moçambique.
Publicado em Maputo, Moçambique no Jornal Domingo de Maio 15, 2005
antes e depois
Luís David
retratem-se e peçam desculpas públicas
Começam a surgir alguns sinais de estarmos a viver numa sociedade sem ideias. Sem ideias novas, no mínimo. Talvez, para se ser mais preciso e mais concreto, numa sociedade que alguém classificou de “sociedade normalizada”. Só que a tal “sociedade normalizada” resulta, ou assenta, em consensos. Pode não ser, exactamente, o nosso caso. E, efectivamente, não o é. Basta recordar o que se passou na última sessão do Parlamento. O debate, em torno dos documentos apresentados, produziram pouco mais do que nada. Em termos de ideias, produziram nada. Coisa nenhuma. Quem apresentou os documentos, tinha a certeza que, por ter a maioria, eles seriam aprovados. Quem os criticou, criticou sabendo que, estando em minoria, não tinha a mínima possibilidades de impedir a sua aprovação. De facto, neste sistema e com este sistema parlamentar, sequer é necessário ter ideias. Basta algum dom de oratória, duas mãos para poder bater palmas, que agora se exigem ritmadas, e a qualidade para proferir e aceitar o insulto. Embora insulto seja, assim o entendemos, arma de fracos. Arma dos sem argumento. Venha de que bancada venha. E, ali naquela Casa, no Parlamento, onde é suposto todos estarmos representados, o que não falta é o insulto. Barato, bacoco, despropositado, ofensivo, ridículo. Mas, também não falta o discurso bajulatório a que se podem adicionar os mesmos objectivos. Agora, quanto a ideias, a ideias novas, essas são nenhumas. Bem haja, quem não pode, não quer ou não sabe pensar.
Foi dito por aí, apregoado e titulado, na semana passada, que há Corrupção muito forte na classe jornalística. Claro que sim, claro que há. E, nem era necessário ter esperado por uma sexta-feira 13, nem pelo 13 de Maio, Dia das Aparições em Portugal, como aconteceu, para fazer esta revelação. Todos sabemos que assim é. E, mais do que isso, todos sabemos que pode haver corrupção entre médicos, professores, engenheiros, funcionários, advogados, magistrados. Certamente que haverá. Quase de certeza que há. A corrupção existe entre profissionais de todas as classe e em todos os países. O que não há, o que não existe num único país, é homens completamente bons e homens completamente maus. Todos os homens têm algo de bom e algo de mau. Não existe o homem absolutamente bom, como não existe o homem absolutamente mau. O homem é. E, o Homem é o que é. Mas, deixemos a discussão filosófica a atenhamo-nos na frase é fácil entrar num jornal e pagar a um jornalista para escrever sobre um assunto. Quem assim o disse, segundo o jornal “Savana”, foi Isabel Rupia, directora da Unidade Anti-Corrupção. Alice Mabota, presidente da Liga dos Direitos Humanos, durante o mesmo encontro, organizado por países nórdicos, terá falado em termos semelhantes. Ora, a questão que se coloca às duas ilustres juristas é muito simples: Se sabem que há jornalistas corruptos o que as impede de revelar os seus nomes. Mais, o que impede a senhora que dirige a Unidade Anti-Corrupção de mover um processo, de agir no foro judicial, contra os jornalistas que julga saber serem corruptos. Claramente, há diferentes formas de cada um fazer plasmar o seu nome nos jornais. E, de nos vir dizer que está a combater a corrupção. Esta, é, parece ser, simplesmente ridícula. Caso contrário, caso possam provar o que afirmam, divulguem, publicamente nomes. Caso não, caso não tenham coragem para apresentar nomes de jornalistas corruptos, retratem-se e peçam desculpas públicas.
antes e depois
Luís David
retratem-se e peçam desculpas públicas
Começam a surgir alguns sinais de estarmos a viver numa sociedade sem ideias. Sem ideias novas, no mínimo. Talvez, para se ser mais preciso e mais concreto, numa sociedade que alguém classificou de “sociedade normalizada”. Só que a tal “sociedade normalizada” resulta, ou assenta, em consensos. Pode não ser, exactamente, o nosso caso. E, efectivamente, não o é. Basta recordar o que se passou na última sessão do Parlamento. O debate, em torno dos documentos apresentados, produziram pouco mais do que nada. Em termos de ideias, produziram nada. Coisa nenhuma. Quem apresentou os documentos, tinha a certeza que, por ter a maioria, eles seriam aprovados. Quem os criticou, criticou sabendo que, estando em minoria, não tinha a mínima possibilidades de impedir a sua aprovação. De facto, neste sistema e com este sistema parlamentar, sequer é necessário ter ideias. Basta algum dom de oratória, duas mãos para poder bater palmas, que agora se exigem ritmadas, e a qualidade para proferir e aceitar o insulto. Embora insulto seja, assim o entendemos, arma de fracos. Arma dos sem argumento. Venha de que bancada venha. E, ali naquela Casa, no Parlamento, onde é suposto todos estarmos representados, o que não falta é o insulto. Barato, bacoco, despropositado, ofensivo, ridículo. Mas, também não falta o discurso bajulatório a que se podem adicionar os mesmos objectivos. Agora, quanto a ideias, a ideias novas, essas são nenhumas. Bem haja, quem não pode, não quer ou não sabe pensar.
Foi dito por aí, apregoado e titulado, na semana passada, que há Corrupção muito forte na classe jornalística. Claro que sim, claro que há. E, nem era necessário ter esperado por uma sexta-feira 13, nem pelo 13 de Maio, Dia das Aparições em Portugal, como aconteceu, para fazer esta revelação. Todos sabemos que assim é. E, mais do que isso, todos sabemos que pode haver corrupção entre médicos, professores, engenheiros, funcionários, advogados, magistrados. Certamente que haverá. Quase de certeza que há. A corrupção existe entre profissionais de todas as classe e em todos os países. O que não há, o que não existe num único país, é homens completamente bons e homens completamente maus. Todos os homens têm algo de bom e algo de mau. Não existe o homem absolutamente bom, como não existe o homem absolutamente mau. O homem é. E, o Homem é o que é. Mas, deixemos a discussão filosófica a atenhamo-nos na frase é fácil entrar num jornal e pagar a um jornalista para escrever sobre um assunto. Quem assim o disse, segundo o jornal “Savana”, foi Isabel Rupia, directora da Unidade Anti-Corrupção. Alice Mabota, presidente da Liga dos Direitos Humanos, durante o mesmo encontro, organizado por países nórdicos, terá falado em termos semelhantes. Ora, a questão que se coloca às duas ilustres juristas é muito simples: Se sabem que há jornalistas corruptos o que as impede de revelar os seus nomes. Mais, o que impede a senhora que dirige a Unidade Anti-Corrupção de mover um processo, de agir no foro judicial, contra os jornalistas que julga saber serem corruptos. Claramente, há diferentes formas de cada um fazer plasmar o seu nome nos jornais. E, de nos vir dizer que está a combater a corrupção. Esta, é, parece ser, simplesmente ridícula. Caso contrário, caso possam provar o que afirmam, divulguem, publicamente nomes. Caso não, caso não tenham coragem para apresentar nomes de jornalistas corruptos, retratem-se e peçam desculpas públicas.
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