Publicado em Maputo, Moçambique no Jornal Domingo de Agosto 28, 2005
antes e depois
Luís David
qualquer momento é bom para corrigir um erro
Ouve-se hoje, lê-se, vê-se. Sem necessidades de óculos. Há uma acentuada e progressiva degradação dos imóveis que constituíram o Parque Imobiliário do Estado. Principalmente nas cidades de Nampula, Beira e Maputo. Em tempos passados, houve a expectativa do início de um processo de recuperação. Mas, não passou de promessa nunca cumprida. Dinheiro havia e em mais de uma dezena de condomínios da capital do país foi efectuado o levantamento das necessidades. Por empresas da especialidade. Que apresentaram as suas propostas de cotação em sessão pública. Mas, num repente, tudo mudou. E, com a mudança de ideias, talvez de interesses, desvaneceu-se e ficou por cumprir mais uma promessa. A promessa de que os edifícios só passariam para a administração dos condóminos depois de reabilitados. Naturalmente, e no mínimo, as Comissões de Moradores sentiram-se traídas e enganadas. É que para trás, ficavam, como inúteis, muitas horas de trabalho. Horas de trabalho retiradas ao descanso diário ou semanal. De muitas dezenas de voluntários. Que acreditaram estar a participar num processo sério e honesto. Mas, aparentemente, não. É que não só nunca lhes foi explicada a razão da mudança da política governamental, como ninguém nunca explicou o destino dado ao dinheiro que existia com um fim determinado. Melhor, às perguntas e questões colocadas, publicamente, a resposta foi, sempre e até hoje, o silêncio. Mas, mesmo tendo passado o tempo que passou, não é tarde para um esclarecimento. Nunca é tarde para se dizer a verdade.
A mudança de ministro, veio criar alguma expectativa e trazer alguma esperança. Principalmente na abertura de diálogo. Desde há muito recusado. Digamos, acrescentemos, na abertura de um diálogo, franco, aberto e construtivo, entre as partes. Entre todas as partes. Ademais, se há coisa que não custa dinheiro é o dialogar, é o falar, é o conversar. Como cavalheiros, como pessoas de palavra, como cidadãos. E é, sem dúvida, através do diálogo que podem ser resolvidos alguns dos problemas artificialmente criados. Estamos a falar, no caso concreto, da necessidade de revisão do Regulamento do Regime Jurídico do Condomínio. Que, repetimos neste espaço, nada tem a ver com a realidade moçambicana. Que não é nem pode ser aplicado à realidade moçambicana. Que não passa de trabalho de copista desempregado. E, muito por hipótese, pouco sério e pouco honesto. Também muito por hipótese, quase de certeza, pretendendo deixar em texto legal benefícios que as nacionalizações haviam eliminado Mas, essa é questão secundária. E, de nada importa, por ora, averiguar se o referido regulamento era o texto necessário e que se impunha ou se, como parece, foi texto imposto. Teimosa e arrogantemente imposto. De fora para dentro. Por interesses estranhos a Moçambique, por interesses lesivos a interesses dos moçambicanos .Mas, se foi apenas um erro, e não queremos acreditar que possa ter sido mais do que erro, não há erro sem correcção. E, mais do que isso, qualquer momento é bom para corrigir um erro.
domingo, agosto 28, 2005
sexta-feira, agosto 26, 2005
Publicado em Maputo, Moçambique no Jornal Domingo de Agosto 21, 2005
antes e depois
Luís David
um crescimento que deve ser destacado
A cidade de Brazavile, capital da então República Democrática do Congo, albergava, na época, uma das sedes regionais africanas da Organização Mundial de Saúde. Moçambique, como os restantes países que haviam sido colónias portuguesas, estavam ali representados. Por tal motivo, a língua portuguesa viria a ser adoptada como língua de trabalho. A par das línguas inglesa e francesa. A necessidade de produzir documentos em português e, também, de defender os interesses de cada um dos países falantes de português, ditou a decisão, por parte da OMS, de criar um núcleo português. Constituído, naturalmente, por jovens enviados pelos Governos de cada um dos referidos países. Mas, chefiados por um cidadão português, quadro efectivo da OMS. Profissional incontestável. Excelente, como companheiro e como amigo. E que, em tempo de reuniões ministeriais, era apoiado por tradutores oficiais. Contratados fora dos países ali representados. Que faziam o que era mister ser feito. Aquilo de que eram incumbidos. Mas que nenhum moçambicano ou angolano estava preparado para fazer. Para realizar. Porque, verdade seja dita, não sabia fazer. Não tinha conhecimentos para fazer. Neste tempo, neste tempo ido, de gatinhar e de começar a conquistar postos e lugares em instituições internacionais, era então Ministro da Saúde Pascoal Mocumbi.
Hoje, decorridos, que são tantos anos, talvez mais de duas décadas, parece ser tempo de olhar para trás. Parece ser tempo para reflectir. Para perceber como é difícil enumerar e apontar o número de moçambicanos que ocuparam, ou ocupam, cargos, ou missões, ao mais alto nível, em diferentes organizações internacionais. Desde a ONU e suas agências, ao Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e à SADC. Naturalmente, pode não ser bem interpretado, pode não ser bem acolhido, citar aqui nomes como os de Joaquim Chissano e de Tomaz Salomão. Mas, no seu conjunto, todas estas e outras escolhas, estas nomeações, representam, prestígio para Moçambique. Comprovam a capacidade moçambicana em moderar conflitos internacionais e em gerir interesses regionais. E, neste campo, nesta área, houve um significativo crescimento. Moçambique é escutado, a palavra e a posição de Moçambique é tida em conta. Gostem ou não, uns ou outros, na área diplomática, houve um crescimento que parece mal ignorar. Houve um crescimento que deve ser destacado.
antes e depois
Luís David
um crescimento que deve ser destacado
A cidade de Brazavile, capital da então República Democrática do Congo, albergava, na época, uma das sedes regionais africanas da Organização Mundial de Saúde. Moçambique, como os restantes países que haviam sido colónias portuguesas, estavam ali representados. Por tal motivo, a língua portuguesa viria a ser adoptada como língua de trabalho. A par das línguas inglesa e francesa. A necessidade de produzir documentos em português e, também, de defender os interesses de cada um dos países falantes de português, ditou a decisão, por parte da OMS, de criar um núcleo português. Constituído, naturalmente, por jovens enviados pelos Governos de cada um dos referidos países. Mas, chefiados por um cidadão português, quadro efectivo da OMS. Profissional incontestável. Excelente, como companheiro e como amigo. E que, em tempo de reuniões ministeriais, era apoiado por tradutores oficiais. Contratados fora dos países ali representados. Que faziam o que era mister ser feito. Aquilo de que eram incumbidos. Mas que nenhum moçambicano ou angolano estava preparado para fazer. Para realizar. Porque, verdade seja dita, não sabia fazer. Não tinha conhecimentos para fazer. Neste tempo, neste tempo ido, de gatinhar e de começar a conquistar postos e lugares em instituições internacionais, era então Ministro da Saúde Pascoal Mocumbi.
Hoje, decorridos, que são tantos anos, talvez mais de duas décadas, parece ser tempo de olhar para trás. Parece ser tempo para reflectir. Para perceber como é difícil enumerar e apontar o número de moçambicanos que ocuparam, ou ocupam, cargos, ou missões, ao mais alto nível, em diferentes organizações internacionais. Desde a ONU e suas agências, ao Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e à SADC. Naturalmente, pode não ser bem interpretado, pode não ser bem acolhido, citar aqui nomes como os de Joaquim Chissano e de Tomaz Salomão. Mas, no seu conjunto, todas estas e outras escolhas, estas nomeações, representam, prestígio para Moçambique. Comprovam a capacidade moçambicana em moderar conflitos internacionais e em gerir interesses regionais. E, neste campo, nesta área, houve um significativo crescimento. Moçambique é escutado, a palavra e a posição de Moçambique é tida em conta. Gostem ou não, uns ou outros, na área diplomática, houve um crescimento que parece mal ignorar. Houve um crescimento que deve ser destacado.
quarta-feira, agosto 17, 2005
Publicado em Maputo, Moçambique no Jornal Domingo de Agosto 14, 2005
antes e depois
Luís David
uma oportunidade perdida
As nossas cidades e, talvez, de forma mais gritante a capital do país, estão a ser, progressivamente, desapossadas de espaços públicos. Espaços públicos destinados ao lazer, ao convívio, ao desporto. Numa cidade com cerca de dois milhões de habitantes, pergunte-se, faça-se um inquérito para saber quantos jovens praticam desporto. Serão, certamente, poucos. Muito poucos. Sabemos todos, sentimos alguns, que em bairros onde era hábito, em dias de descanso semanal, haver espaços onde jovens e menos jovens se entregavam á prática desportiva, esses espaços desapareceram. Desapareceram como espaços de utilização comunitária. Como espaços de confraternização desportiva entre vizinhos de um mesmo bairro, entre gentes de diferentes bairros. Dizer que não há apoio, menos ainda incentivo à prática desportiva, parece elementar. Pergunte-se quantos alunos praticam desporto nas suas escolas e quantas escolas têm competições entre si. Muito provavelmente, a resposta será desoladora. Pergunte-se quantos trabalhadores praticam actividades desportivas, regulares, a nível de suas empresas. Pergunte-se quantas empresas têm uma secção desportiva organizada e a nível de que modalidades. Parece podermos concluir, para já, que não existe qualquer política desportiva. Que não existe qualquer política de massificação do desporto. Que não existem ideias, menos ainda planos, para motivar os jovens moçambicanos para a actividade desportiva. Em diferentes modalidades.
No charco de águas podres, no pântano em que mergulhou, há muitos anos, e parece continuar mergulhado, o desporto nacional, o torneio de futebol juvenil BEBEC bem pode ser considerado excepção. Uma excepção em vias de se expandir para outras cidades do país. Como nota positiva, de intercâmbio e de confraternização entre jovens desportistas de todo o país, apontemos, também, a realização dos Jogos Desportivos Escolares. Que acontecem, como todos sabemos, de dois em dois em dois anos. Questionemos, tenhamos a coragem de questionar, os jovens que participam nesses jogos nacionais, sobre o tipo de desporto que praticam no intervalo dos Jogos. E com que frequência o praticam. A resposta, a resposta, poderá ser bem desoladora. Digamos, mesmo, comprometedora para quem dirige o desporto nacional. Depois, fácil pode ser concluir que se não temos massificação, menos ainda competição interna, pouca ou nenhuma possibilidades temos de competir no plano regional e internacional. Que difícil será fazer içar a Bandeira de Moçambique, por onde haja competição de atletismo, quando Mutola decidir abandonar as pistas. Queiramos ou não, somos, continuamos a ser, demasiado ingratos. Mas, mais do que ingratos, mesquinhos. Talvez altistas. Muito de certeza, sem visão de futuro. Pois, e esta é a realidade pública, por não querermos despender uns poucos milhares de dólares, para permitir um estágio da selecção nacional de hóquei em patins em país estrangeiro, podemos ter comprometido a permanência de Moçambique entre os maiores do hóquei mundial. É facto que, quem pode manda. Embora possa mandar mal. E, se mandou mal, se decidiu mal terá, no mínimo, de arcar com a responsabilidade moral de Moçambique não continuar no grupo dos maiores do hóquei mundial. Temos de saber aproveitar as oportunidades que se nos apresentam. E, esta, foi uma oportunidade perdida.
antes e depois
Luís David
uma oportunidade perdida
As nossas cidades e, talvez, de forma mais gritante a capital do país, estão a ser, progressivamente, desapossadas de espaços públicos. Espaços públicos destinados ao lazer, ao convívio, ao desporto. Numa cidade com cerca de dois milhões de habitantes, pergunte-se, faça-se um inquérito para saber quantos jovens praticam desporto. Serão, certamente, poucos. Muito poucos. Sabemos todos, sentimos alguns, que em bairros onde era hábito, em dias de descanso semanal, haver espaços onde jovens e menos jovens se entregavam á prática desportiva, esses espaços desapareceram. Desapareceram como espaços de utilização comunitária. Como espaços de confraternização desportiva entre vizinhos de um mesmo bairro, entre gentes de diferentes bairros. Dizer que não há apoio, menos ainda incentivo à prática desportiva, parece elementar. Pergunte-se quantos alunos praticam desporto nas suas escolas e quantas escolas têm competições entre si. Muito provavelmente, a resposta será desoladora. Pergunte-se quantos trabalhadores praticam actividades desportivas, regulares, a nível de suas empresas. Pergunte-se quantas empresas têm uma secção desportiva organizada e a nível de que modalidades. Parece podermos concluir, para já, que não existe qualquer política desportiva. Que não existe qualquer política de massificação do desporto. Que não existem ideias, menos ainda planos, para motivar os jovens moçambicanos para a actividade desportiva. Em diferentes modalidades.
No charco de águas podres, no pântano em que mergulhou, há muitos anos, e parece continuar mergulhado, o desporto nacional, o torneio de futebol juvenil BEBEC bem pode ser considerado excepção. Uma excepção em vias de se expandir para outras cidades do país. Como nota positiva, de intercâmbio e de confraternização entre jovens desportistas de todo o país, apontemos, também, a realização dos Jogos Desportivos Escolares. Que acontecem, como todos sabemos, de dois em dois em dois anos. Questionemos, tenhamos a coragem de questionar, os jovens que participam nesses jogos nacionais, sobre o tipo de desporto que praticam no intervalo dos Jogos. E com que frequência o praticam. A resposta, a resposta, poderá ser bem desoladora. Digamos, mesmo, comprometedora para quem dirige o desporto nacional. Depois, fácil pode ser concluir que se não temos massificação, menos ainda competição interna, pouca ou nenhuma possibilidades temos de competir no plano regional e internacional. Que difícil será fazer içar a Bandeira de Moçambique, por onde haja competição de atletismo, quando Mutola decidir abandonar as pistas. Queiramos ou não, somos, continuamos a ser, demasiado ingratos. Mas, mais do que ingratos, mesquinhos. Talvez altistas. Muito de certeza, sem visão de futuro. Pois, e esta é a realidade pública, por não querermos despender uns poucos milhares de dólares, para permitir um estágio da selecção nacional de hóquei em patins em país estrangeiro, podemos ter comprometido a permanência de Moçambique entre os maiores do hóquei mundial. É facto que, quem pode manda. Embora possa mandar mal. E, se mandou mal, se decidiu mal terá, no mínimo, de arcar com a responsabilidade moral de Moçambique não continuar no grupo dos maiores do hóquei mundial. Temos de saber aproveitar as oportunidades que se nos apresentam. E, esta, foi uma oportunidade perdida.
quarta-feira, agosto 10, 2005
Publicado em Maputo, Moçambique, no Jornal Domingo de Agosto 7, 2005
antes e depois
Luís David
trabalho não significa emprego
A maioria dos distritos da província de Maputo e do sul de Gaza são, essencialmente, agrícolas. Ou, melhor dizendo, agro-pecuários. Todos o sabemos, durante décadas abasteceram as populações dos principais centros urbanos do sul do país. Excepto, talvez, em batata reno. Depois, veio a guerra.. Já durante a guerra, em anos distantes mas, também recentes, o Chókwé continuava a produzir significativas quantidades de tomate. E de outros produtos agrícolas. Que eram escoados, que chegavam a Maputo, escoltados por blindados militares. Certamente, com elevados custos financeiros. Depois, terá havido uma viragem, uma abertura, ou uma necessidade de, aos países vizinhos, donde passou a ser importado tudo e nada. Até do que produzíamos internamente e corria o risco de apodrecer nos campos de produção.
O conflito de interesses que estalou, recentemente, entre pequenos e grandes produtores de tomate da zona do Limpopo e importadores informais, veio trazer à superfície um problema a que o Governo, desde há muito, vinha fechando os olhos. Vinha ignorando. E que é o da necessidade, e da obrigação que tem, de proteger os produtores nacionais. Principalmente, os chamados pequenos produtores. É que, não faz qualquer sentido continuar a permitir a importação de um vasto conjunto de produtos que são produzidos internamente em significativas quantidades. Mas que, na maioria dos casos, não encontram escoamento dos locais de produção para os de consumo. E, aqui, para além do tomate, podem mencionar-se a manga, a papaia, o abacaxi, a banana, a pêra abacate, o limão, a tangerina, o pimento, a mandioca, a batata doce, o mel, a galinha, o cabrito e, em certa medida o bovino. O que faz sentido, o que parece fazer sentido, é incentivar a produção deste, e de outros produtos nacionais e criar condições para a sua comercialização. Mais do que isso, criar condições para o seu aproveitamento integral, para a sua conservação e transformação. Localmente. E, transformar em compotas, em doces, em sumos, em concentrados. Com o recurso a indústrias caseiras, familiares, semi- industriais. A pobreza combate-se através do trabalho. Não com o recurso a importações desnecessárias. Combater a pobreza passa, sobretudo, pelo apoio e o incentivo ao trabalho. Tendo, sempre, presente que trabalho não significa emprego.
antes e depois
Luís David
trabalho não significa emprego
A maioria dos distritos da província de Maputo e do sul de Gaza são, essencialmente, agrícolas. Ou, melhor dizendo, agro-pecuários. Todos o sabemos, durante décadas abasteceram as populações dos principais centros urbanos do sul do país. Excepto, talvez, em batata reno. Depois, veio a guerra.. Já durante a guerra, em anos distantes mas, também recentes, o Chókwé continuava a produzir significativas quantidades de tomate. E de outros produtos agrícolas. Que eram escoados, que chegavam a Maputo, escoltados por blindados militares. Certamente, com elevados custos financeiros. Depois, terá havido uma viragem, uma abertura, ou uma necessidade de, aos países vizinhos, donde passou a ser importado tudo e nada. Até do que produzíamos internamente e corria o risco de apodrecer nos campos de produção.
O conflito de interesses que estalou, recentemente, entre pequenos e grandes produtores de tomate da zona do Limpopo e importadores informais, veio trazer à superfície um problema a que o Governo, desde há muito, vinha fechando os olhos. Vinha ignorando. E que é o da necessidade, e da obrigação que tem, de proteger os produtores nacionais. Principalmente, os chamados pequenos produtores. É que, não faz qualquer sentido continuar a permitir a importação de um vasto conjunto de produtos que são produzidos internamente em significativas quantidades. Mas que, na maioria dos casos, não encontram escoamento dos locais de produção para os de consumo. E, aqui, para além do tomate, podem mencionar-se a manga, a papaia, o abacaxi, a banana, a pêra abacate, o limão, a tangerina, o pimento, a mandioca, a batata doce, o mel, a galinha, o cabrito e, em certa medida o bovino. O que faz sentido, o que parece fazer sentido, é incentivar a produção deste, e de outros produtos nacionais e criar condições para a sua comercialização. Mais do que isso, criar condições para o seu aproveitamento integral, para a sua conservação e transformação. Localmente. E, transformar em compotas, em doces, em sumos, em concentrados. Com o recurso a indústrias caseiras, familiares, semi- industriais. A pobreza combate-se através do trabalho. Não com o recurso a importações desnecessárias. Combater a pobreza passa, sobretudo, pelo apoio e o incentivo ao trabalho. Tendo, sempre, presente que trabalho não significa emprego.
domingo, julho 17, 2005
Publicado em Maputo, Moçambique no Jornal Domingo de Julho 17, 2005
antes e depois
Luís david
uma sátira porca e nojenta
Está a acontecer com demasiada frequência, em vários órgãos de Informação. A gente pega, lê, escuta, vê. Depois, interroga se é possível. Ou, como é possível. Como é possível haver tanta falta de respeito pela Constituição, assim como Lei de Imprensa. Como é possível a Ética e a Deontologia serem tão mal tratadas, serem tratadas com tanta falta de respeito. Como é possível continuar a ler o que se vai lendo. Como é possível que jornalistas, que até se dão ao luxo de citar os nomes dos seus mestres, escrevam o que escrevem. Impunemente. Sem que alguém venha a público dizer algo. No mínimo, que o que estão a dizer, a reportar, a escrever, tem nada a ver com jornalismo. Que jornalismo tem regras. Que jornalismo é outra coisa. Que jornalismo é coisa diferente. E que não é o facto de evocaram nomes de jornalistas consagrados, os tais mestres, que lhes dá o direito de escreverem o que andam por aí a escrever. Por não ter sido isso que ninguém lhes ensino
.
Na sua última edição (pag. 27), o “Zambeze” titula: “BILENE – Governador de Gaza manda destruir estância turística – O “boer” queixou-se à PGR”. Logo nas primeiras linhas do texto, o jornalista escreve que a referida estância pertencia a um cidadão sul-africano, de raça branca. Ora, ao que se sabe, não existem “boers” japoneses, chineses nem portugueses. Como não existem “boers” pretos. Logo, se era “boer”, tinha de ser sul-africano e tinha de ser branco. Daí, o facto de se texto em apreço não é racista, apontar nesse sentido. O que é, em absoluto, contrário à legislação em vigor. Também, na mesma área, parece estar o “Savana” a resvalar e a aplicar a “lei do vale tudo”. Na sua edição da passada sexta-feira, titula “no informal”: Neguinho é o Nestor. O resto é negrão...”. Assim mesmo, com letra minúscula, referindo-se a José Negrão. E, depois, como legenda de foto publicada na mesma página, começa por dizer: “O JOSÉ NEGRÃO AQUI, NO MEIO ENTRE MÚLTIPLOS QUE O ADMIRARAM E ADMIRAM deixou-nos. Para acrescentar, com evidente sadismo, Muita dor, muita saudade. E um pouco de sátira, mas (....). Ora, fica a dúvida se é possível satirizar, se é possível fazer sátira, sobre a forma como amigos e familiares manifestaram a sua dor em relação a um Homem cujas exéquias fúnebres só viriam a ter lugar no dia seguinte à da saída do referido semanário Depois, sátira, parece ser termo pouco apropriado. Talvez deva falar-se em humor. Em humor negro. Mas, admitindo que possa tratar-se de sátira, trata-se de um sátira que ofendeu, profundamente, amigos e familiares. A quem o semanário em questão, através de anúncio necrológico (pag. 29) ,“À família enlutada apresenta as mais sentidas condolências”. Ora, parece haver aqui alguma contradição. E, por certo, haverá, Ora, se de facto a sátira não foi mais do que uma sátira, foi uma sátira porca e nojenta.
antes e depois
Luís david
uma sátira porca e nojenta
Está a acontecer com demasiada frequência, em vários órgãos de Informação. A gente pega, lê, escuta, vê. Depois, interroga se é possível. Ou, como é possível. Como é possível haver tanta falta de respeito pela Constituição, assim como Lei de Imprensa. Como é possível a Ética e a Deontologia serem tão mal tratadas, serem tratadas com tanta falta de respeito. Como é possível continuar a ler o que se vai lendo. Como é possível que jornalistas, que até se dão ao luxo de citar os nomes dos seus mestres, escrevam o que escrevem. Impunemente. Sem que alguém venha a público dizer algo. No mínimo, que o que estão a dizer, a reportar, a escrever, tem nada a ver com jornalismo. Que jornalismo tem regras. Que jornalismo é outra coisa. Que jornalismo é coisa diferente. E que não é o facto de evocaram nomes de jornalistas consagrados, os tais mestres, que lhes dá o direito de escreverem o que andam por aí a escrever. Por não ter sido isso que ninguém lhes ensino
.
Na sua última edição (pag. 27), o “Zambeze” titula: “BILENE – Governador de Gaza manda destruir estância turística – O “boer” queixou-se à PGR”. Logo nas primeiras linhas do texto, o jornalista escreve que a referida estância pertencia a um cidadão sul-africano, de raça branca. Ora, ao que se sabe, não existem “boers” japoneses, chineses nem portugueses. Como não existem “boers” pretos. Logo, se era “boer”, tinha de ser sul-africano e tinha de ser branco. Daí, o facto de se texto em apreço não é racista, apontar nesse sentido. O que é, em absoluto, contrário à legislação em vigor. Também, na mesma área, parece estar o “Savana” a resvalar e a aplicar a “lei do vale tudo”. Na sua edição da passada sexta-feira, titula “no informal”: Neguinho é o Nestor. O resto é negrão...”. Assim mesmo, com letra minúscula, referindo-se a José Negrão. E, depois, como legenda de foto publicada na mesma página, começa por dizer: “O JOSÉ NEGRÃO AQUI, NO MEIO ENTRE MÚLTIPLOS QUE O ADMIRARAM E ADMIRAM deixou-nos. Para acrescentar, com evidente sadismo, Muita dor, muita saudade. E um pouco de sátira, mas (....). Ora, fica a dúvida se é possível satirizar, se é possível fazer sátira, sobre a forma como amigos e familiares manifestaram a sua dor em relação a um Homem cujas exéquias fúnebres só viriam a ter lugar no dia seguinte à da saída do referido semanário Depois, sátira, parece ser termo pouco apropriado. Talvez deva falar-se em humor. Em humor negro. Mas, admitindo que possa tratar-se de sátira, trata-se de um sátira que ofendeu, profundamente, amigos e familiares. A quem o semanário em questão, através de anúncio necrológico (pag. 29) ,“À família enlutada apresenta as mais sentidas condolências”. Ora, parece haver aqui alguma contradição. E, por certo, haverá, Ora, se de facto a sátira não foi mais do que uma sátira, foi uma sátira porca e nojenta.
domingo, julho 10, 2005
Publicado em Maputo, Moçambique no Jornal Domingo de Julho 10, 2005
Antes e depois
Luís david
Deus não vai gostar
Parece, ainda hoje, difícil saber quando e onde foi praticado o primeiro acto de terrorismo. E, por outro lado, qual o número de pessoas que já perderam a vida devido a actos de terrorismo. Sem muita margem para erro, a história da Humanidade, a evolução das sociedade, desde há vários séculos caminhou, e parece continuar a caminhar, a par de actos e de acções de terror. Sabemos, hoje, que embora os seres humanos no planeta tenham quadruplicado desde o princípio do século XIX, o número de vítimas do terrorismo multiplicou-se por 24 no século XX. Naturalmente, o terrorismo de hoje, o terrorismo dos nosso dias, é diferente do terrorismo de séculos passados. Do terrorismo praticado há poucas décadas. Mas, diferente nos métodos, diferente, sem dúvida, na forma, continua a ser terrorismo. Hoje, ao que parece e nunca como dantes, o terror mede-se, cada vez mais, pelo número das vítimas que provoca. E, menos pelo mérito da causa que diz servir. Parece não haver, pois, qualquer mérito em tolerar o terror. Menos, ainda, considerar que tolerar o terror seja uma virtude. Não o é. Será, quanto muito, uma fraqueza. Na extrema das hipóteses, falta de coragem para uma leitura nova da História. Sobretudo da história dos conflitos entre religiões. Dos conflitos entre as três principais religiões.
Afigura-se como prematura, uma análise séria, aprofundada e profunda dos verdadeiros motivos dos recentes ataques terroristas registados em Londres. Objectivamente, afigura-se como simples, senão simplista, a tentativa de justificar o motivo das explosões com o momento da reunião do chamado G-8 ou com o facto de a capital britânica haver sido eleita para acolher uma edição dos Jogos Olímpicos. Quer dizer, o momento em que as explosões acorreram pode, e parece não ter, nada a ver com esses acontecimentos em si mesmos. E que se aconteceram nesse dia a nesse momento, foi uma simples questão de táctica. As explosões estavam, estariam quase de certeza, planificadas, desde há muito tempo, e programadas para acontecer em Londres. A questão, residia no quando. E, sendo ou não actos, a todos os títulos condenáveis, de fundamentalistas religiosos, como parece terem sido, a questão de fundo pode continuar a prevalecer. Mesmo quando identificados e presos os seus autores. È que, a questão de fundo, parece assentar numa centenária guerra santa. Se é, se assim é, e parece ser que assim é, os líderes das religiões em conflito, deviam eles próprios assumir, publicamente, um posicionamento de diálogo. Afinal, Judaísmo, Cristianismo e Islão têm uma origem comum. Tora, Bíblia e Corão são, na sua essência, textos referentes a um Deus único. Falta perceber o que impede, neste tempo global, que líderes destas religiões se sentem a uma mesma mesa e que digam, claramente, o que os divide e o que os une. É que, continuar a matar, continuar a assassinar em nome de uma religião, seja ela qual seja, parece um sacrilégio. E, quase de certeza, Deus não vai gostar.
Antes e depois
Luís david
Deus não vai gostar
Parece, ainda hoje, difícil saber quando e onde foi praticado o primeiro acto de terrorismo. E, por outro lado, qual o número de pessoas que já perderam a vida devido a actos de terrorismo. Sem muita margem para erro, a história da Humanidade, a evolução das sociedade, desde há vários séculos caminhou, e parece continuar a caminhar, a par de actos e de acções de terror. Sabemos, hoje, que embora os seres humanos no planeta tenham quadruplicado desde o princípio do século XIX, o número de vítimas do terrorismo multiplicou-se por 24 no século XX. Naturalmente, o terrorismo de hoje, o terrorismo dos nosso dias, é diferente do terrorismo de séculos passados. Do terrorismo praticado há poucas décadas. Mas, diferente nos métodos, diferente, sem dúvida, na forma, continua a ser terrorismo. Hoje, ao que parece e nunca como dantes, o terror mede-se, cada vez mais, pelo número das vítimas que provoca. E, menos pelo mérito da causa que diz servir. Parece não haver, pois, qualquer mérito em tolerar o terror. Menos, ainda, considerar que tolerar o terror seja uma virtude. Não o é. Será, quanto muito, uma fraqueza. Na extrema das hipóteses, falta de coragem para uma leitura nova da História. Sobretudo da história dos conflitos entre religiões. Dos conflitos entre as três principais religiões.
Afigura-se como prematura, uma análise séria, aprofundada e profunda dos verdadeiros motivos dos recentes ataques terroristas registados em Londres. Objectivamente, afigura-se como simples, senão simplista, a tentativa de justificar o motivo das explosões com o momento da reunião do chamado G-8 ou com o facto de a capital britânica haver sido eleita para acolher uma edição dos Jogos Olímpicos. Quer dizer, o momento em que as explosões acorreram pode, e parece não ter, nada a ver com esses acontecimentos em si mesmos. E que se aconteceram nesse dia a nesse momento, foi uma simples questão de táctica. As explosões estavam, estariam quase de certeza, planificadas, desde há muito tempo, e programadas para acontecer em Londres. A questão, residia no quando. E, sendo ou não actos, a todos os títulos condenáveis, de fundamentalistas religiosos, como parece terem sido, a questão de fundo pode continuar a prevalecer. Mesmo quando identificados e presos os seus autores. È que, a questão de fundo, parece assentar numa centenária guerra santa. Se é, se assim é, e parece ser que assim é, os líderes das religiões em conflito, deviam eles próprios assumir, publicamente, um posicionamento de diálogo. Afinal, Judaísmo, Cristianismo e Islão têm uma origem comum. Tora, Bíblia e Corão são, na sua essência, textos referentes a um Deus único. Falta perceber o que impede, neste tempo global, que líderes destas religiões se sentem a uma mesma mesa e que digam, claramente, o que os divide e o que os une. É que, continuar a matar, continuar a assassinar em nome de uma religião, seja ela qual seja, parece um sacrilégio. E, quase de certeza, Deus não vai gostar.
segunda-feira, julho 04, 2005
Publicado em Maputo, Moçambique, no Jornal Domingo de 3 de Julho, 2005
Antes e depois
Luís david
É tempo de acabar com o oportunismo político
Ignoro se é conhecida ou não a data da publicação do primeiro anúncio publicitário. Em jornal, rádio ou televisão, de um qualquer país do mundo. Mas terá sido, certamente, há muitas décadas. Aliás, isso todos sabemos, os primeiros anúncios publicitários tinham uma função meramente informativa. Davam a conhecer, de forma aparentemente inofensiva, a existência de certos produtos disponíveis e a prestação de determinados serviços. Inicialmente, no seio de comunidades restritas. Depois, o âmbito da publicidade foi sendo alargado. A publicidade passou, em determinado momento, a criar necessidades. A ser um estímulo ao consumo. Quando não, a promover a venda daquilo que ainda sequer havia sido produzido. A determinado momento, a publicidade transformou-se, adquiriu o estatuto de indústria. Adquiriu estatuto próprio. E, tornou-se, até, no suporte financeiro dos mais variados órgãos de Informação. A nível mundial. Claro, há publicidade e há publicidade. E, nem tudo o que parece ser publicidade é, em si, publicidade. Nem tudo o que parece ser meio para atingir um fim, o é. Muitas vezes, algumas vezes, o que parece ser meio para atingir um fim é, em si mesmo um fim. Ora, quando a publicidade deixa de ser meio para atingir um fim, estamos perante uma aberração. E, podemos estar perante a destruição de valores éticos e morais. Como podemos estar perante uma forma aberrante de subverter e de violar regras de mercado. Sem sentido nem glória.
A publicidade em Moçambique tem, como não podia deixar de ter, uma longa história. Uma história de algumas décadas, quando se recua da data independência. Passa por um período de decadência, de quase falência. De quase morte lenta. Depois, volta a ressurgir, recebe novo alento, adapta-se e acompanha a renascente economia de mercado. Mas, sendo esta, sendo este modelo, sendo o modelo de economia adoptado o modelo de uma economia selvagem, o modelo de publicidade é, em si próprio, um modelo de publicidade selvagem. Hoje, com novas técnicas, com nova tecnologia. E, como actividade altamente lucrativa, o que tem mal nenhum. E, daí, o não ser a actividade publicitária em si própria a razão de ser do presente texto. A razão do presente texto é muito outra. Também muito simples. Está em saber como é que as duas operadoras de telefonia móvel vão encontrar justificação para as centenas de milhares de contos que estão a gastar em publicidade. Absolutamente inútil e ridícula. Todos os dias. Digamos, perguntemos, por exemplo, qual o objectivo das seis páginas de publicidade redigida publicadas na edição da última quinta-feira do jornal “Notícias”, por uma dessas operadoras de telefone móvel. E perguntemos, também, o que impede que esse dinheiro esbanjado sem qualquer utilidade em papel de jornal não é destinado a apoiar crianças e idosos necessitados de apoio. A crianças e a idosos que carecem de abrigo. O que impede, o que dificulta, que as empresas de telefonia móvel, ambas as duas, publicitem os seus produtos novos e as vantagens que oferecem aos clientes em espaços reduzidos. E que, nesses mesmos espaços publicitários, reduzidos, façam anunciar o que é que essa redução significa em termos de contribuição para a melhoria das condições de vida das crianças e dos idosos necessitados deste país. A Governadora de Maputo e o Presidente da República, como qualquer personalidade política nacional, não necessitam que a divulgação da sua presença em actos públicos sejam divulgados como publicidade paga. Reservem esse dinheiro, utilizem esse dinheiro em obras de assistência social. É tempo de acabar com o oportunismo político.
Antes e depois
Luís david
É tempo de acabar com o oportunismo político
Ignoro se é conhecida ou não a data da publicação do primeiro anúncio publicitário. Em jornal, rádio ou televisão, de um qualquer país do mundo. Mas terá sido, certamente, há muitas décadas. Aliás, isso todos sabemos, os primeiros anúncios publicitários tinham uma função meramente informativa. Davam a conhecer, de forma aparentemente inofensiva, a existência de certos produtos disponíveis e a prestação de determinados serviços. Inicialmente, no seio de comunidades restritas. Depois, o âmbito da publicidade foi sendo alargado. A publicidade passou, em determinado momento, a criar necessidades. A ser um estímulo ao consumo. Quando não, a promover a venda daquilo que ainda sequer havia sido produzido. A determinado momento, a publicidade transformou-se, adquiriu o estatuto de indústria. Adquiriu estatuto próprio. E, tornou-se, até, no suporte financeiro dos mais variados órgãos de Informação. A nível mundial. Claro, há publicidade e há publicidade. E, nem tudo o que parece ser publicidade é, em si, publicidade. Nem tudo o que parece ser meio para atingir um fim, o é. Muitas vezes, algumas vezes, o que parece ser meio para atingir um fim é, em si mesmo um fim. Ora, quando a publicidade deixa de ser meio para atingir um fim, estamos perante uma aberração. E, podemos estar perante a destruição de valores éticos e morais. Como podemos estar perante uma forma aberrante de subverter e de violar regras de mercado. Sem sentido nem glória.
A publicidade em Moçambique tem, como não podia deixar de ter, uma longa história. Uma história de algumas décadas, quando se recua da data independência. Passa por um período de decadência, de quase falência. De quase morte lenta. Depois, volta a ressurgir, recebe novo alento, adapta-se e acompanha a renascente economia de mercado. Mas, sendo esta, sendo este modelo, sendo o modelo de economia adoptado o modelo de uma economia selvagem, o modelo de publicidade é, em si próprio, um modelo de publicidade selvagem. Hoje, com novas técnicas, com nova tecnologia. E, como actividade altamente lucrativa, o que tem mal nenhum. E, daí, o não ser a actividade publicitária em si própria a razão de ser do presente texto. A razão do presente texto é muito outra. Também muito simples. Está em saber como é que as duas operadoras de telefonia móvel vão encontrar justificação para as centenas de milhares de contos que estão a gastar em publicidade. Absolutamente inútil e ridícula. Todos os dias. Digamos, perguntemos, por exemplo, qual o objectivo das seis páginas de publicidade redigida publicadas na edição da última quinta-feira do jornal “Notícias”, por uma dessas operadoras de telefone móvel. E perguntemos, também, o que impede que esse dinheiro esbanjado sem qualquer utilidade em papel de jornal não é destinado a apoiar crianças e idosos necessitados de apoio. A crianças e a idosos que carecem de abrigo. O que impede, o que dificulta, que as empresas de telefonia móvel, ambas as duas, publicitem os seus produtos novos e as vantagens que oferecem aos clientes em espaços reduzidos. E que, nesses mesmos espaços publicitários, reduzidos, façam anunciar o que é que essa redução significa em termos de contribuição para a melhoria das condições de vida das crianças e dos idosos necessitados deste país. A Governadora de Maputo e o Presidente da República, como qualquer personalidade política nacional, não necessitam que a divulgação da sua presença em actos públicos sejam divulgados como publicidade paga. Reservem esse dinheiro, utilizem esse dinheiro em obras de assistência social. É tempo de acabar com o oportunismo político.
domingo, junho 26, 2005
Publicado em Maputo, Moçambique, no Jornal Domingo de Junho 26, 2005
Antes e depois
Luís david
A hipocrisia é uma arma e um truque barato dos imbecis
Moçambique comemorou, ontem, trinta anos como país independente. Há trinta anos, com a independência de Moçambique passava a existir mais um país no seio das nações. Nesse dia, foi feita a despedida de uma bandeira e o içar de uma outra. Nova e diferente. Um momento histórico e sem repetição da história de um povo. Daí, as lágrimas do choro da alegria. As lágrimas ampliadas pela chuva que fez questão de cair. Que caiu, copiosamente, nessa noite, no Estádio da Machava. E, depois, os tiros. Os tiros, as rajadas das armas libertadoras, disparados para o ar. Como afirmação da vitória. Tiros de alegria. Como de alegria eram as expressões faciais de um povo libertado. De um povo liberto. Os abraços e os risos, os sorrisos, eram, afinal o culminar de um sonho lindo. Bonito. Primeiro, de uns poucos. Depois, de muitos. Por fim, de todos. África e o mundo contavam, a partir de 25 de Junho de 1975, com mais uma nação. Portugal, perdia a sua segunda colónia. Depois da independência unilateral, reconhecida pelas Nações Unidas, da Guiné-Bissau. Seria o fim, a derrocada, do Império Colonial Português, com a posterior independência de Angola.
Vista há distância de trinta anos, a independência de Moçambique é um acto inquestionável. E é, constitui, até ao momento presente, a festa maior do povo moçambicano. Vista numa perspectiva de unicidade. Naturalmente, pode e deve questionar-se o que foi e o que não foi feito em trinta anos. Como pode levantar-se a questão de saber pela qual o que foi feito de uma determinada maneira não foi feito de maneira diferente. Questione-se o Governo. Pelo que fez e como fez. Também, pelo que não fez. Mas, tenhamos presente que, o Estado que somos e a nação que estamos a construir, são realidades objectivas para além do pensamento de certas mentes deformadas. De cá e de lá. E, neste contexto, a questão parece simples. É que quando se critica, quando se insinua que Moçambique fez pouco, que poderia ter feito mais em trinta anos de independência, devemos colocar alguns termos de referência. Ora, Portugal, segundo a história, tornou-se independente em 1143. Séculos mais tarde, por motivos que aqui não importa referir, passou a ser domínio de Espanha. Passados sessenta anos, libertou-se do domínio espanhol. Definitivamente. E, caminhou, depois, num sentido mais universal. De acordo com o pensamento e o conhecimento da época. A queda da Monarquia, é sucedida por muitos governos provisórios. E, quando Salazar chega ao poder, na década de trinta, Portugal era um país rural e endividado. Sendo que o ditador equilibrou as finanças públicas, não modernizou o país. Mais de vinte anos depois do seu consulado, água potável era bem raro, energia eléctrica era luxo de minorias. Predominavam a vela de cera e o petróleo de iluminação. Também a lenha e o carvão, como combustíveis, para ter alimentos quentes. Pode, de facto, Moçambique ter feito pouco em benefícios das populações, nestes trinta anos de independência. Mas, fez o que lhe foi permitido fazer. Fez o que lhe deixaram fazer. E, terá feito pouco aos olhos de estrangeiros fazendo, em três décadas, o que os colonialistas não fizeram em séculos. De dominação e de exploração. A hipocrisia não passa de um truque barato da política. A hipocrisia não mata a fome nem ajuda o desenvolvimento. A hipocrisia é uma arma e um truque barato dos imbecis.
Antes e depois
Luís david
A hipocrisia é uma arma e um truque barato dos imbecis
Moçambique comemorou, ontem, trinta anos como país independente. Há trinta anos, com a independência de Moçambique passava a existir mais um país no seio das nações. Nesse dia, foi feita a despedida de uma bandeira e o içar de uma outra. Nova e diferente. Um momento histórico e sem repetição da história de um povo. Daí, as lágrimas do choro da alegria. As lágrimas ampliadas pela chuva que fez questão de cair. Que caiu, copiosamente, nessa noite, no Estádio da Machava. E, depois, os tiros. Os tiros, as rajadas das armas libertadoras, disparados para o ar. Como afirmação da vitória. Tiros de alegria. Como de alegria eram as expressões faciais de um povo libertado. De um povo liberto. Os abraços e os risos, os sorrisos, eram, afinal o culminar de um sonho lindo. Bonito. Primeiro, de uns poucos. Depois, de muitos. Por fim, de todos. África e o mundo contavam, a partir de 25 de Junho de 1975, com mais uma nação. Portugal, perdia a sua segunda colónia. Depois da independência unilateral, reconhecida pelas Nações Unidas, da Guiné-Bissau. Seria o fim, a derrocada, do Império Colonial Português, com a posterior independência de Angola.
Vista há distância de trinta anos, a independência de Moçambique é um acto inquestionável. E é, constitui, até ao momento presente, a festa maior do povo moçambicano. Vista numa perspectiva de unicidade. Naturalmente, pode e deve questionar-se o que foi e o que não foi feito em trinta anos. Como pode levantar-se a questão de saber pela qual o que foi feito de uma determinada maneira não foi feito de maneira diferente. Questione-se o Governo. Pelo que fez e como fez. Também, pelo que não fez. Mas, tenhamos presente que, o Estado que somos e a nação que estamos a construir, são realidades objectivas para além do pensamento de certas mentes deformadas. De cá e de lá. E, neste contexto, a questão parece simples. É que quando se critica, quando se insinua que Moçambique fez pouco, que poderia ter feito mais em trinta anos de independência, devemos colocar alguns termos de referência. Ora, Portugal, segundo a história, tornou-se independente em 1143. Séculos mais tarde, por motivos que aqui não importa referir, passou a ser domínio de Espanha. Passados sessenta anos, libertou-se do domínio espanhol. Definitivamente. E, caminhou, depois, num sentido mais universal. De acordo com o pensamento e o conhecimento da época. A queda da Monarquia, é sucedida por muitos governos provisórios. E, quando Salazar chega ao poder, na década de trinta, Portugal era um país rural e endividado. Sendo que o ditador equilibrou as finanças públicas, não modernizou o país. Mais de vinte anos depois do seu consulado, água potável era bem raro, energia eléctrica era luxo de minorias. Predominavam a vela de cera e o petróleo de iluminação. Também a lenha e o carvão, como combustíveis, para ter alimentos quentes. Pode, de facto, Moçambique ter feito pouco em benefícios das populações, nestes trinta anos de independência. Mas, fez o que lhe foi permitido fazer. Fez o que lhe deixaram fazer. E, terá feito pouco aos olhos de estrangeiros fazendo, em três décadas, o que os colonialistas não fizeram em séculos. De dominação e de exploração. A hipocrisia não passa de um truque barato da política. A hipocrisia não mata a fome nem ajuda o desenvolvimento. A hipocrisia é uma arma e um truque barato dos imbecis.
domingo, junho 19, 2005
Publicado em Maputo, Moçambique, no Jornal Domingo de Junho 19, 2005
Antes e depois
Luís david
é perigoso brincar com a história
Desde há alguns anos, vários historiadores e investigadores, consagrados, publicaram versões diferentes da história que era suposto ser a verdadeira. Vaclav Ravel escreveu a “Arena”, obra que bem poderá ser considerada como pioneira e de referência sobre a matéria e em que, fundamentalmente, faz uma comparação entre os crimes cometidos por Hitler e por Estaline. E, na sua versão, que encontra suporte em estudos posteriores, Estaline mandou matar muitos mais seres humanos do que Hitler. Devendo precisar-se, desde já, que estamos a falar numa escala de milhões e que estes dois grandes criminosos da história recente são responsáveis pelo desaparecimento físico de milhões de seres humanos. Depois, continuando a falar sobre livros, também surgiu “Os Dez Maiores Monstros da História”. Mais recentemente, em Fevereiro do corrente ano foi editado, em língua portuguesa, “Anatomia do Terror”, que tem como subtítulo “Uma história do Terrorismo” . Seu autor é Andrew Sinclair e, pelo verso da contra capa, ficamos a saber que vivemos numa época de terror. (...) Que nunca houve, desde o tempo de Homero à era de Ossana Bin Laden. Logo na abertura do livro, em página ainda sem numeração, o autor cita William Blake: Dizem que este mistério nunca acabará: O sacerdote fomenta a guerra, e o soldado a paz. Estamos perante uma análise profunda sobres as causas das guerras ao longo dos séculos. Fundamentalmente, das suas causas religiosas. É assim que, logo no capítulo 2, com o título “Os textos do terror religioso”, o autor escreve: Das três religiões fundamentais do Próximo Oriente, o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo, só os Judeus fundaram Israel devido a uma forma de genocídio. Moisés afirmou que o Senhor ordenara o aniquilamento e a submissão dos habitantes originais de Cannaã numa guerra santa. E, a seguir, cita que o que foi escrito no Deuteronómio. Parece não existirem muitas dúvidas, no momento presente, que as guerras actuais, todas as guerras dos tempos recentes, são guerras religiosas. São guerras santas. São guerras provocadas, em última análise, por interpretações fundamentalistas da Bíblia, do Corão e da Tora.
A história dos movimentos de libertação africanos é, terá sido, um percurso sinuoso e sangrento. Neste contexto, não é possível excluir ou diferenciar as realidades de, fundamentalmente, Guiné-Bissau, Angola, Moçambique. Porque sendo percursos históricos não simétricos são, todos eles, todos os três, percursos semelhantes. E, são semelhantes pela necessidade de afirmação nacionalista. Como podem não o ser pelas escolhas para essa afirmação. Do pensamento e da acção, situados no seu tempo histórico e num determinado espaço. Falamos de um Eduardo Mondlane, de um Amilcar Cabral, de um Agostinho Neto, de um Samora Machel. Sendo pouco, quase nenhuma, a investigação feita por moçambicanos nesta área, também aqui portugueses se anteciparam. Ana Cabrita publicou, pelo menos, duas obras sobre o tema. Que justificam uma leitura atenta. Enquanto nós, por cá, continuamos, ao que parece, a brincar com a história. E, temos alguma dificuldade em passar do diz-que-diz. Da intriga política de ocasião para o assumir da história. A história, todos o sabemos, não mata a fome, não enche barriga de quem tem fome. Mas, a história, quando volta a ser mal contada, ou contada numa versão que é difícil comprovar, pode alimentar ódios recalcados. Pode, sobretudo, acordar fantasmas que estavam adormecidos. Que estavam acomodados. Esta forma de tentar baralhar a história recente não passa de uma brincadeira. Mesmo quando todos sabemos, ou deveríamos saber, que é perigoso brincar com a história.
Antes e depois
Luís david
é perigoso brincar com a história
Desde há alguns anos, vários historiadores e investigadores, consagrados, publicaram versões diferentes da história que era suposto ser a verdadeira. Vaclav Ravel escreveu a “Arena”, obra que bem poderá ser considerada como pioneira e de referência sobre a matéria e em que, fundamentalmente, faz uma comparação entre os crimes cometidos por Hitler e por Estaline. E, na sua versão, que encontra suporte em estudos posteriores, Estaline mandou matar muitos mais seres humanos do que Hitler. Devendo precisar-se, desde já, que estamos a falar numa escala de milhões e que estes dois grandes criminosos da história recente são responsáveis pelo desaparecimento físico de milhões de seres humanos. Depois, continuando a falar sobre livros, também surgiu “Os Dez Maiores Monstros da História”. Mais recentemente, em Fevereiro do corrente ano foi editado, em língua portuguesa, “Anatomia do Terror”, que tem como subtítulo “Uma história do Terrorismo” . Seu autor é Andrew Sinclair e, pelo verso da contra capa, ficamos a saber que vivemos numa época de terror. (...) Que nunca houve, desde o tempo de Homero à era de Ossana Bin Laden. Logo na abertura do livro, em página ainda sem numeração, o autor cita William Blake: Dizem que este mistério nunca acabará: O sacerdote fomenta a guerra, e o soldado a paz. Estamos perante uma análise profunda sobres as causas das guerras ao longo dos séculos. Fundamentalmente, das suas causas religiosas. É assim que, logo no capítulo 2, com o título “Os textos do terror religioso”, o autor escreve: Das três religiões fundamentais do Próximo Oriente, o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo, só os Judeus fundaram Israel devido a uma forma de genocídio. Moisés afirmou que o Senhor ordenara o aniquilamento e a submissão dos habitantes originais de Cannaã numa guerra santa. E, a seguir, cita que o que foi escrito no Deuteronómio. Parece não existirem muitas dúvidas, no momento presente, que as guerras actuais, todas as guerras dos tempos recentes, são guerras religiosas. São guerras santas. São guerras provocadas, em última análise, por interpretações fundamentalistas da Bíblia, do Corão e da Tora.
A história dos movimentos de libertação africanos é, terá sido, um percurso sinuoso e sangrento. Neste contexto, não é possível excluir ou diferenciar as realidades de, fundamentalmente, Guiné-Bissau, Angola, Moçambique. Porque sendo percursos históricos não simétricos são, todos eles, todos os três, percursos semelhantes. E, são semelhantes pela necessidade de afirmação nacionalista. Como podem não o ser pelas escolhas para essa afirmação. Do pensamento e da acção, situados no seu tempo histórico e num determinado espaço. Falamos de um Eduardo Mondlane, de um Amilcar Cabral, de um Agostinho Neto, de um Samora Machel. Sendo pouco, quase nenhuma, a investigação feita por moçambicanos nesta área, também aqui portugueses se anteciparam. Ana Cabrita publicou, pelo menos, duas obras sobre o tema. Que justificam uma leitura atenta. Enquanto nós, por cá, continuamos, ao que parece, a brincar com a história. E, temos alguma dificuldade em passar do diz-que-diz. Da intriga política de ocasião para o assumir da história. A história, todos o sabemos, não mata a fome, não enche barriga de quem tem fome. Mas, a história, quando volta a ser mal contada, ou contada numa versão que é difícil comprovar, pode alimentar ódios recalcados. Pode, sobretudo, acordar fantasmas que estavam adormecidos. Que estavam acomodados. Esta forma de tentar baralhar a história recente não passa de uma brincadeira. Mesmo quando todos sabemos, ou deveríamos saber, que é perigoso brincar com a história.
terça-feira, junho 14, 2005
Publicado em Mpauto, Moçambique no Jornal Domingo de Junho 12, 2005
Antes e depois
Luís david
Ser coerente não dói nada
Os estudos, as sondagens, as amostragens, têm o valor que têm. No fundamental, têm um valor relativo. Valem o que valem. Mas, valem sempre alguma coisa. Quanto mais não seja quando chamam, quando nos chamam a atenção para algo que não sabíamos. Para algo que não estávamos sensibilizados em saber que existia. Que era realidade. Que era quotidiano. Que era parte da nossa vida, do nosso viver, da nossa vivência. Sem mais ser necessário elaborar, um estudo recente, divulgado esta semana, sobre o consumo de drogas em quatro escolas de Maputo, trouxe a público a realidade nessas escolas. Que pode, muito bem, ser diferente e diversa da realidade do país. Da maioria das escolas do país. Mas, o que nos diz esse estudo é que, dos estudantes inquiridos, e foram mil, cerca de 60 por cento consomem drogas. Entre lícitas e ilícitas. Nas drogas lícitas, os autores do estudo incluem o tabaco e as bebidas alcoólicas. Nas ilícitas, todas as restantes, as chamadas drogas pesadas. Pois bem, pensando seguir o raciocínio dos autores do referido estudo, podemos questionar qual o motivo que impediu que fosse questionado quem consome, em excesso, por exemplo, café, coca-cola ou rebuçados. Temos de aceitar, é necessário aceitar que temos, todos nós, a maioria de nós, muitos vícios. Que somos, a maioria de nós viciados. Pela simples razão de que temos, a maioria de nós, muitos defeitos.
Para além da realidade que o estudo referido revela, para além do que não revela, há, existem, realidades outras. Que são as realidades do país real, as realidades do país que somos. E as realidades do país que somos são, em última análise, aquilo que somos. Nada existe, nada pode existir, para além nem para aquém do somos. E, o país real, o país que somos, é um país onde a cultura do tabaco é uma cultura de rendimento. Onde cultivar tabaco faz parte do combate à pobreza. Onde cultivar, manipular e exportar tabaco é permitido por lei. Mais, é incentivado. Mais ainda, a realidade, a nossa realidade quotidiana é a de um país onde o consumo de tabaco e de bebidas alcoólicas são publicitados publicamente. Ora, a questão que parece pertinente colocar, é a de saber o que impede que se elimine a publicidade a estes produtos nocivos à saúde. Muito possivelmente, o facto de serem negócios milionários. Mais do que milionários. Poderá haver quem argumente perda de receitas. Aceitemos que sim. Mas aqui, também aqui, parece possível pensar diferente. Que se crie e aplique uma taxa sobre o consumo de cigarros e de bebidas alcoólicas. Que pode constituir, sem dúvida, uma inestimável fonte de receita para órgãos de Informação que prestam serviço público. E uma alternativa às chamadas taxas. O que temos de ser, o que devemos ser é, no mínimo, coerentes. O que não podemos é permitir publicidade a marcas de cigarros e de bebidas alcoólicas e, logo a seguir, gastar dinheiro em seminários e em inquéritos para tentar demonstrar que o seu consumo trás perigo para a saúde humana. Afinal, ser coerente não custa dinheiro. Ser coerente não dói nada.
Antes e depois
Luís david
Ser coerente não dói nada
Os estudos, as sondagens, as amostragens, têm o valor que têm. No fundamental, têm um valor relativo. Valem o que valem. Mas, valem sempre alguma coisa. Quanto mais não seja quando chamam, quando nos chamam a atenção para algo que não sabíamos. Para algo que não estávamos sensibilizados em saber que existia. Que era realidade. Que era quotidiano. Que era parte da nossa vida, do nosso viver, da nossa vivência. Sem mais ser necessário elaborar, um estudo recente, divulgado esta semana, sobre o consumo de drogas em quatro escolas de Maputo, trouxe a público a realidade nessas escolas. Que pode, muito bem, ser diferente e diversa da realidade do país. Da maioria das escolas do país. Mas, o que nos diz esse estudo é que, dos estudantes inquiridos, e foram mil, cerca de 60 por cento consomem drogas. Entre lícitas e ilícitas. Nas drogas lícitas, os autores do estudo incluem o tabaco e as bebidas alcoólicas. Nas ilícitas, todas as restantes, as chamadas drogas pesadas. Pois bem, pensando seguir o raciocínio dos autores do referido estudo, podemos questionar qual o motivo que impediu que fosse questionado quem consome, em excesso, por exemplo, café, coca-cola ou rebuçados. Temos de aceitar, é necessário aceitar que temos, todos nós, a maioria de nós, muitos vícios. Que somos, a maioria de nós viciados. Pela simples razão de que temos, a maioria de nós, muitos defeitos.
Para além da realidade que o estudo referido revela, para além do que não revela, há, existem, realidades outras. Que são as realidades do país real, as realidades do país que somos. E as realidades do país que somos são, em última análise, aquilo que somos. Nada existe, nada pode existir, para além nem para aquém do somos. E, o país real, o país que somos, é um país onde a cultura do tabaco é uma cultura de rendimento. Onde cultivar tabaco faz parte do combate à pobreza. Onde cultivar, manipular e exportar tabaco é permitido por lei. Mais, é incentivado. Mais ainda, a realidade, a nossa realidade quotidiana é a de um país onde o consumo de tabaco e de bebidas alcoólicas são publicitados publicamente. Ora, a questão que parece pertinente colocar, é a de saber o que impede que se elimine a publicidade a estes produtos nocivos à saúde. Muito possivelmente, o facto de serem negócios milionários. Mais do que milionários. Poderá haver quem argumente perda de receitas. Aceitemos que sim. Mas aqui, também aqui, parece possível pensar diferente. Que se crie e aplique uma taxa sobre o consumo de cigarros e de bebidas alcoólicas. Que pode constituir, sem dúvida, uma inestimável fonte de receita para órgãos de Informação que prestam serviço público. E uma alternativa às chamadas taxas. O que temos de ser, o que devemos ser é, no mínimo, coerentes. O que não podemos é permitir publicidade a marcas de cigarros e de bebidas alcoólicas e, logo a seguir, gastar dinheiro em seminários e em inquéritos para tentar demonstrar que o seu consumo trás perigo para a saúde humana. Afinal, ser coerente não custa dinheiro. Ser coerente não dói nada.
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