Publicado em Maputo, Moçambique no Jornal Domingo de Setembro 25, 2005
antes e depois
Luís David
Fica o alerta
O aumento rápido, acelerado, do parque automóvel nacional tem, naturalmente, reflexos na circulação. Muito claramente, na cidade de Maputo. Primeiro, devido à falta de espaços de estacionamento em muitas zonas. Segundo, devido a congestionamentos e engarrafamentos. Em determinadas artérias e a certas horas. Situação agravada, situação que tem como factor agravante o facto de a maioria dos sinais luminosos reguladores do trânsito estarem avariados. O que origina, em última análise, um número elevado de acidentes. Um número exagerado de acidentes, que bem podiam ser evitados. Que não se encontra justificação para que aconteçam. Mas, voltemos ao princípio, voltemos à questão do congestionamento em diversas artérias e a determinadas horas. A situação, o caos a que chegou o trânsito, parece justificar um estudo sério. Com vista a encontrar alternativas e soluções. Digamos, mesmo, a situação exige soluções rápidas e urgentes. Uma das quais, poderá, eventualmente, ser o estabelecimento de vias de sentido único. Durante todo o dia, com carácter permanente. Ou, em alternativa, com sentido único, em determinados períodos do dia. Consoante o sentido do maior fluxo de trânsito. Naturalmente, como se disse, qualquer solução exige estudos adequados. E, qualquer solução passa, também, por uma maior colaboração e uma mais efectiva presença da Polícia de Trânsito onde era suposto dever estar presente. Mas, raramente está. Por último, poderá ser necessário estudar, poderá ser necessário analisar, se as dezenas de viaturas de instrução que circulam pela cidade constituem são ou não factor agravante do actual caos. Se sim, se a conclusão for sim, há que limitar a sua circulação a determinadas artérias e em determinadas horas do dia.
Nesta questão do acelerado e rápido crescimento do parque automóvel nacional, parece importante não perder de vista um outro aspecto. O de ser o resultado de uma política governamental. De uma política que permite a importação, aparentemente, sem qualquer tipo de controlo de qualidade, de viaturas usadas e recondicionadas. Uma política que, temos de o reconhecer, veio facilitar a muitos moçambicanos, talvez milhares, ter acesso a transporte próprio. Mas, uma política é como uma moeda. Tem duas faces. Tem verso e tem anverso. Tem vantagens e tem desvantagens. Daí, talvez por ter mais desvantagens do que vantagens, ter sido proibida a importação deste género de viaturas em alguns países da SADC. Aperceberam-se, alguns, estarem a ser transformados em parques de sucata. Estarem a permitir negócio de sucateiros. Chorudos negócios de sucateiros, ambulantes e errantes. Com todos os perigos. Os perigos e os custos económicos que isso representa. No caso concreto de Moçambique, a descontrolada importação de viaturas usadas parece apresentar vários perigos. Um, será a crise das empresas que importam viaturas novas, às quais garantem assistência. Outro, não menos importante, o envelhecimento prematuro do parque automóvel nacional. O que representa, sem dúvida, elevados custos para o país e para o cidadão. Não custa prever, não custa aceitar, que a maior parte das muitas centenas das reluzentes viaturas que hoje por aí circulam, enfrentam o destino de ficar , definitivamente, parqueadas dentro de poucos anos. O que parece ser um caso para reflexão. Fica o alerta.
segunda-feira, setembro 26, 2005
Publicado em Maputo, Moçambique no Jornal Domingo de Setembro 18, 2005
antes e depois
Luís David
também em inglês nos entendemos
Está Moçambique situado numa região em que os países fronteiriços foram colonizados por ingleses. Logo, situado, enquadrado, num espaço geográfico em que é dominante a língua inglesa. Ora, tendo sido Portugal metropolitano, durante décadas, pouco mais do que uma colónia económica britânica, Moçambique viria, por este e por outros motivos, a cair, também na órbita do domínio inglês. De tal forma que, principalmente no sul, tinha curso legal a libra inglesa. Da mesma forma que, durante largo período de tempo existiram jornais bilingues. Foram editados jornais em língua portuguesa e em língua inglesa. Não consta nos registos históricos que a administração colonial, local ou metropolitana, alguma vez se tenha oposto à situação. Ou que tenha ensaiado alguma medida para a alterar. Porém, decorridos anos, mais precisamente algumas décadas, aconteceu, era já Moçambique país. E, o que aconteceu foi começar a escutar-se uma alarmada vozearia, desalegrada e insatisfeita, manifestamente, pelo facto de Moçambique estar a preparar-se para eleger, para optar, pela língua inglesa, preterindo a portuguesa. Isto ocorreu por ocasião e na sequência da adesão de Moçambique à Comunidade Britânica. Era, foi, como se viu e como se comprovou, um alarme falso. Foi, como o tempo nos demonstrou, um rebate e um debate falso. Em que as vozes alarmadas e alarmistas de lá encontraram eco e calmosa tranquilidade em vozes aconselhadas mais sensatas do lado de cá. Pareceu assim, definitivamente, o assunto definitivamente encerrado. Para bem de todas as almas e dos justos pensadores de ambas as cotas oceânicas.
Temos de reconhecer, por ser esta a realidade, que foi a independência das antigas colónias portuguesas o factor determinante para que a língua portuguesa tivesse sido adoptada por várias organizações internacionais. De que todos esses países são, hoje, membros de pleno direito. Ora, tal facto, o facto de a língua portuguesa ser, hoje, cada vez mais utilizada em organismos internacionais, em nada fez diminuir a influência da língua inglesa. Digamos, mesmo e sem receio, que a língua inglesa é, hoje, se não a única, pelo menos a primeira língua de comunicação universal. Quer estejamos a tratar de comércio ou de economia, de artes ou de literatura, de ciência ou de tecnologia. De tal forma que, são muitos os termos os termos que, até hoje, não tiveram tradução noutras línguas. Que são utilizados e entendidos, por todos, no original, no inglês. Ignoro, por completo, se foi por estes ou por outros diferentes motivos o recente posicionamento do primeiro-ministro de Portugal. Disse José Sócrates, às televisões do seu país, por ocasião da abertura do ano lectivo, no passado dia 12 do corrente mês, que um país onde não se fale inglês não pode ser competitivo. Convenhamos que é uma posição lúcida. E que pode representar uma viragem na forma de Portugal se relacionar com o mundo. Ora, recuando algumas décadas no tempo, pode colocar-se a dúvida se o medo e os medos então manifestados, de Moçambique poder vir a substituir a língua portuguesa pela inglesa eram receios sinceros. Ou se, pelo contrário, não passaram de casos isolados de xenofobia ou de mal disfarçadas manobras neocoloniais. Seja o que tenha sido, parece ter ficado desfeito o mito da língua. Da língua portuguesa. E, a partir deste momento, podemos dizer também em inglês nos entendemos.
antes e depois
Luís David
também em inglês nos entendemos
Está Moçambique situado numa região em que os países fronteiriços foram colonizados por ingleses. Logo, situado, enquadrado, num espaço geográfico em que é dominante a língua inglesa. Ora, tendo sido Portugal metropolitano, durante décadas, pouco mais do que uma colónia económica britânica, Moçambique viria, por este e por outros motivos, a cair, também na órbita do domínio inglês. De tal forma que, principalmente no sul, tinha curso legal a libra inglesa. Da mesma forma que, durante largo período de tempo existiram jornais bilingues. Foram editados jornais em língua portuguesa e em língua inglesa. Não consta nos registos históricos que a administração colonial, local ou metropolitana, alguma vez se tenha oposto à situação. Ou que tenha ensaiado alguma medida para a alterar. Porém, decorridos anos, mais precisamente algumas décadas, aconteceu, era já Moçambique país. E, o que aconteceu foi começar a escutar-se uma alarmada vozearia, desalegrada e insatisfeita, manifestamente, pelo facto de Moçambique estar a preparar-se para eleger, para optar, pela língua inglesa, preterindo a portuguesa. Isto ocorreu por ocasião e na sequência da adesão de Moçambique à Comunidade Britânica. Era, foi, como se viu e como se comprovou, um alarme falso. Foi, como o tempo nos demonstrou, um rebate e um debate falso. Em que as vozes alarmadas e alarmistas de lá encontraram eco e calmosa tranquilidade em vozes aconselhadas mais sensatas do lado de cá. Pareceu assim, definitivamente, o assunto definitivamente encerrado. Para bem de todas as almas e dos justos pensadores de ambas as cotas oceânicas.
Temos de reconhecer, por ser esta a realidade, que foi a independência das antigas colónias portuguesas o factor determinante para que a língua portuguesa tivesse sido adoptada por várias organizações internacionais. De que todos esses países são, hoje, membros de pleno direito. Ora, tal facto, o facto de a língua portuguesa ser, hoje, cada vez mais utilizada em organismos internacionais, em nada fez diminuir a influência da língua inglesa. Digamos, mesmo e sem receio, que a língua inglesa é, hoje, se não a única, pelo menos a primeira língua de comunicação universal. Quer estejamos a tratar de comércio ou de economia, de artes ou de literatura, de ciência ou de tecnologia. De tal forma que, são muitos os termos os termos que, até hoje, não tiveram tradução noutras línguas. Que são utilizados e entendidos, por todos, no original, no inglês. Ignoro, por completo, se foi por estes ou por outros diferentes motivos o recente posicionamento do primeiro-ministro de Portugal. Disse José Sócrates, às televisões do seu país, por ocasião da abertura do ano lectivo, no passado dia 12 do corrente mês, que um país onde não se fale inglês não pode ser competitivo. Convenhamos que é uma posição lúcida. E que pode representar uma viragem na forma de Portugal se relacionar com o mundo. Ora, recuando algumas décadas no tempo, pode colocar-se a dúvida se o medo e os medos então manifestados, de Moçambique poder vir a substituir a língua portuguesa pela inglesa eram receios sinceros. Ou se, pelo contrário, não passaram de casos isolados de xenofobia ou de mal disfarçadas manobras neocoloniais. Seja o que tenha sido, parece ter ficado desfeito o mito da língua. Da língua portuguesa. E, a partir deste momento, podemos dizer também em inglês nos entendemos.
sábado, setembro 17, 2005
Publicado em Maputo, Moçambique no Jornal Domingo de Setembro 11, 2005
antes e depois
Luís David
aproveitar a oportunidade
Vivemos numa época, numa era, em que a economia e a civilização assentam num recurso natural. Chamado petróleo. Um recurso chamado petróleo que sendo, em princípio e teoricamente, inesgotável, não é renovável. Um recurso cujas reservas mundiais são apenas conhecidas por bem poucos. Mas, também, um recurso cujo aumento do preço de venda no mercado internacional, bem pode fazer derivar a sua exploração para zonas alternativas das tradicionais. Tradicionalmente fornecedoras do produto a baixo custo. Hoje, como desde há décadas, o controlo das zonas de produção de petróleo, das suas rotas e reservas, constituem factores de guerras. Quer acreditemos ou não. Acrescentemos, para melhor nos situarmos, que no início de 2004, os dois países com maiores reservas petrolíferas do mundo – o Iraque e a Arábia Saudita – viram-se atormentados pela violência islâmica. Quem assim escreve é Michael Scheuer, em “Orgulho Imperial: Porque está o Ocidente a perder a guerra contra o terrorismo”. Um livro cuja primeira edição foi publicado sob o pseudónimo de “Anónimo”. Por o autor estar ainda a trabalhar para a CIA. Um livro, sem sombra de dúvida, extremamente crítico sobre a forma como os Estados Unidos e o Ocidente estão a fazer a guerra contra o terrorismo. Em última análise, um livro polémico.
É bem verdade que petróleo, para muitos de nós, significa pouco mais do que o combustível que faz andar a nossa viatura. E que, quando sobe de preço, faz aumentar o preço de tudo – ou de quase tudo – o que consumimos, em espiral. Mas, para além do custo financeiro, o petróleo tem um custo político. Se considerarmos que tem vindo a ser fixado politicamente, e não segundo as regras do mercado. Para este factor nos chama a atenção o autor do livro quando, logo no prefácio, escreve: O petróleo do Golfo Pérsico e a falta de um desenvolvimento sério de energias alternativas por parte dos Estados Unidos são o âmago da questão bin Laden. A troco de petróleo barato e facilmente acessível, Washington e o Ocidente têm sustentado as tiranias muçulmanas que bin Laden e outros islamistas tentam destruir. Não pode haver outra razão para apoiar a Arábia Saudita, um regime que desde a sua fundação tem alimentado deliberadamente uma ideologia islâmica cujos objectivos – ao contrário dos de bin Laden – apenas poderão ser atingidos pela aniquilação de todos os não muçulmanos. Esta guerra poderá prolongar-se para além das vidas dos nossos filhos, e vir a ser principalmente travada em solo americano. Parece necessário esclarecer que o livro foi escrito depois dos ataques de 11 de Setembro de 2201. E que procura ser um alerta para a possibilidade de futuras acções semelhantes. Como já foram registadas. Significativa, no contexto do preço actual do barril de petróleo e dos acontecimentos
antes e depois
Luís David
aproveitar a oportunidade
Vivemos numa época, numa era, em que a economia e a civilização assentam num recurso natural. Chamado petróleo. Um recurso chamado petróleo que sendo, em princípio e teoricamente, inesgotável, não é renovável. Um recurso cujas reservas mundiais são apenas conhecidas por bem poucos. Mas, também, um recurso cujo aumento do preço de venda no mercado internacional, bem pode fazer derivar a sua exploração para zonas alternativas das tradicionais. Tradicionalmente fornecedoras do produto a baixo custo. Hoje, como desde há décadas, o controlo das zonas de produção de petróleo, das suas rotas e reservas, constituem factores de guerras. Quer acreditemos ou não. Acrescentemos, para melhor nos situarmos, que no início de 2004, os dois países com maiores reservas petrolíferas do mundo – o Iraque e a Arábia Saudita – viram-se atormentados pela violência islâmica. Quem assim escreve é Michael Scheuer, em “Orgulho Imperial: Porque está o Ocidente a perder a guerra contra o terrorismo”. Um livro cuja primeira edição foi publicado sob o pseudónimo de “Anónimo”. Por o autor estar ainda a trabalhar para a CIA. Um livro, sem sombra de dúvida, extremamente crítico sobre a forma como os Estados Unidos e o Ocidente estão a fazer a guerra contra o terrorismo. Em última análise, um livro polémico.
É bem verdade que petróleo, para muitos de nós, significa pouco mais do que o combustível que faz andar a nossa viatura. E que, quando sobe de preço, faz aumentar o preço de tudo – ou de quase tudo – o que consumimos, em espiral. Mas, para além do custo financeiro, o petróleo tem um custo político. Se considerarmos que tem vindo a ser fixado politicamente, e não segundo as regras do mercado. Para este factor nos chama a atenção o autor do livro quando, logo no prefácio, escreve: O petróleo do Golfo Pérsico e a falta de um desenvolvimento sério de energias alternativas por parte dos Estados Unidos são o âmago da questão bin Laden. A troco de petróleo barato e facilmente acessível, Washington e o Ocidente têm sustentado as tiranias muçulmanas que bin Laden e outros islamistas tentam destruir. Não pode haver outra razão para apoiar a Arábia Saudita, um regime que desde a sua fundação tem alimentado deliberadamente uma ideologia islâmica cujos objectivos – ao contrário dos de bin Laden – apenas poderão ser atingidos pela aniquilação de todos os não muçulmanos. Esta guerra poderá prolongar-se para além das vidas dos nossos filhos, e vir a ser principalmente travada em solo americano. Parece necessário esclarecer que o livro foi escrito depois dos ataques de 11 de Setembro de 2201. E que procura ser um alerta para a possibilidade de futuras acções semelhantes. Como já foram registadas. Significativa, no contexto do preço actual do barril de petróleo e dos acontecimentos
Publicado em Maputo, Moçambique no Jornal Domingo de Setembro 4, 2005
Luís David
a lei é igual para todos
É gratificador. É, sem dúvida, gratificador saber que casos de ilegalidades, denunciados publicamente, aqui denunciados, mereceram a devida atenção. Por parte de quem tem poder para investigar. E que foram devidamente corrigidas. O que nem sempre acontece. Referimo-nos, no caso concreto, aos negócios de venda de terrenos por parte de uma imobiliária. É que, perante a denúncia da negociata, perante tamanho escândalo público, entendeu o Conselho Municipal de Maputo revogar todas as concessões de terrenos dentro do território municipal cujos concessionários estão a aliená-los através da imobiliária em questão. Assim como decidiu anular todas as licenças de construção já emitidas para os terrenos vendidos pela mesma imobiliária Algarve. Mas, vai mais longe. Sugere ao Ministério da Indústria e Comércio que cancele o alvará da Algarve, por prática de negócio anticonstitucional e por violação da Lei de Terras e seu Regulamento. Sem nos alongarmos demasiado sobre o assunto, seria, de todo, interessante podermos saber quem são os proprietários dessa tal Algarve. E se cometeram ou não crime passível de prisão. Trata-se de simples curiosidade.
Muito provavelmente, esta questão de venda de terrenos por uma dita imobiliária pode não ser caso único. O problema pode, muito bem, ser mais vasto e mais complexo. E, questão de fundo, parece importante saber se há espaço de negócio para o número crescente de empresas que operam nesta área. Que anunciam os seus serviços publicamente, que operam num espaço de negócio legal, bem entendido. Porque, para além destas, que se dão a conhecer através de anúncios na Imprensa, podem existir outras. São aquelas para as quais o escritório é o café. Qualquer café. E que operam através do telefone móvel. Seu único gasto para conseguir comissões. Sem muito trabalho. O que pode levar a ter de questionar se o Estado tem conhecimento deste negócio informal. Que aproveita, fundamentalmente, a estrangeiros. Mais, se o fisco lhes cobra alguns impostos. De facto, uma coisa é ser Moçambique um país aberto ao investimento estrangeiro. Outra, bem diversa e bem diferente, é dar acolhimento a quem nada investe e só fomenta negociatas e negócios ilegais. Cumprir a legislação em vigor no país não pode ser só obrigação para os moçambicanos. Tem de ser para moçambicanos e para estrangeiros. E, felizmente, começam a surgir alguns sinais, positivos, de que a lei é igual para todos.
Luís David
a lei é igual para todos
É gratificador. É, sem dúvida, gratificador saber que casos de ilegalidades, denunciados publicamente, aqui denunciados, mereceram a devida atenção. Por parte de quem tem poder para investigar. E que foram devidamente corrigidas. O que nem sempre acontece. Referimo-nos, no caso concreto, aos negócios de venda de terrenos por parte de uma imobiliária. É que, perante a denúncia da negociata, perante tamanho escândalo público, entendeu o Conselho Municipal de Maputo revogar todas as concessões de terrenos dentro do território municipal cujos concessionários estão a aliená-los através da imobiliária em questão. Assim como decidiu anular todas as licenças de construção já emitidas para os terrenos vendidos pela mesma imobiliária Algarve. Mas, vai mais longe. Sugere ao Ministério da Indústria e Comércio que cancele o alvará da Algarve, por prática de negócio anticonstitucional e por violação da Lei de Terras e seu Regulamento. Sem nos alongarmos demasiado sobre o assunto, seria, de todo, interessante podermos saber quem são os proprietários dessa tal Algarve. E se cometeram ou não crime passível de prisão. Trata-se de simples curiosidade.
Muito provavelmente, esta questão de venda de terrenos por uma dita imobiliária pode não ser caso único. O problema pode, muito bem, ser mais vasto e mais complexo. E, questão de fundo, parece importante saber se há espaço de negócio para o número crescente de empresas que operam nesta área. Que anunciam os seus serviços publicamente, que operam num espaço de negócio legal, bem entendido. Porque, para além destas, que se dão a conhecer através de anúncios na Imprensa, podem existir outras. São aquelas para as quais o escritório é o café. Qualquer café. E que operam através do telefone móvel. Seu único gasto para conseguir comissões. Sem muito trabalho. O que pode levar a ter de questionar se o Estado tem conhecimento deste negócio informal. Que aproveita, fundamentalmente, a estrangeiros. Mais, se o fisco lhes cobra alguns impostos. De facto, uma coisa é ser Moçambique um país aberto ao investimento estrangeiro. Outra, bem diversa e bem diferente, é dar acolhimento a quem nada investe e só fomenta negociatas e negócios ilegais. Cumprir a legislação em vigor no país não pode ser só obrigação para os moçambicanos. Tem de ser para moçambicanos e para estrangeiros. E, felizmente, começam a surgir alguns sinais, positivos, de que a lei é igual para todos.
domingo, agosto 28, 2005
Publicado em Maputo, Moçambique no Jornal Domingo de Agosto 28, 2005
antes e depois
Luís David
qualquer momento é bom para corrigir um erro
Ouve-se hoje, lê-se, vê-se. Sem necessidades de óculos. Há uma acentuada e progressiva degradação dos imóveis que constituíram o Parque Imobiliário do Estado. Principalmente nas cidades de Nampula, Beira e Maputo. Em tempos passados, houve a expectativa do início de um processo de recuperação. Mas, não passou de promessa nunca cumprida. Dinheiro havia e em mais de uma dezena de condomínios da capital do país foi efectuado o levantamento das necessidades. Por empresas da especialidade. Que apresentaram as suas propostas de cotação em sessão pública. Mas, num repente, tudo mudou. E, com a mudança de ideias, talvez de interesses, desvaneceu-se e ficou por cumprir mais uma promessa. A promessa de que os edifícios só passariam para a administração dos condóminos depois de reabilitados. Naturalmente, e no mínimo, as Comissões de Moradores sentiram-se traídas e enganadas. É que para trás, ficavam, como inúteis, muitas horas de trabalho. Horas de trabalho retiradas ao descanso diário ou semanal. De muitas dezenas de voluntários. Que acreditaram estar a participar num processo sério e honesto. Mas, aparentemente, não. É que não só nunca lhes foi explicada a razão da mudança da política governamental, como ninguém nunca explicou o destino dado ao dinheiro que existia com um fim determinado. Melhor, às perguntas e questões colocadas, publicamente, a resposta foi, sempre e até hoje, o silêncio. Mas, mesmo tendo passado o tempo que passou, não é tarde para um esclarecimento. Nunca é tarde para se dizer a verdade.
A mudança de ministro, veio criar alguma expectativa e trazer alguma esperança. Principalmente na abertura de diálogo. Desde há muito recusado. Digamos, acrescentemos, na abertura de um diálogo, franco, aberto e construtivo, entre as partes. Entre todas as partes. Ademais, se há coisa que não custa dinheiro é o dialogar, é o falar, é o conversar. Como cavalheiros, como pessoas de palavra, como cidadãos. E é, sem dúvida, através do diálogo que podem ser resolvidos alguns dos problemas artificialmente criados. Estamos a falar, no caso concreto, da necessidade de revisão do Regulamento do Regime Jurídico do Condomínio. Que, repetimos neste espaço, nada tem a ver com a realidade moçambicana. Que não é nem pode ser aplicado à realidade moçambicana. Que não passa de trabalho de copista desempregado. E, muito por hipótese, pouco sério e pouco honesto. Também muito por hipótese, quase de certeza, pretendendo deixar em texto legal benefícios que as nacionalizações haviam eliminado Mas, essa é questão secundária. E, de nada importa, por ora, averiguar se o referido regulamento era o texto necessário e que se impunha ou se, como parece, foi texto imposto. Teimosa e arrogantemente imposto. De fora para dentro. Por interesses estranhos a Moçambique, por interesses lesivos a interesses dos moçambicanos .Mas, se foi apenas um erro, e não queremos acreditar que possa ter sido mais do que erro, não há erro sem correcção. E, mais do que isso, qualquer momento é bom para corrigir um erro.
antes e depois
Luís David
qualquer momento é bom para corrigir um erro
Ouve-se hoje, lê-se, vê-se. Sem necessidades de óculos. Há uma acentuada e progressiva degradação dos imóveis que constituíram o Parque Imobiliário do Estado. Principalmente nas cidades de Nampula, Beira e Maputo. Em tempos passados, houve a expectativa do início de um processo de recuperação. Mas, não passou de promessa nunca cumprida. Dinheiro havia e em mais de uma dezena de condomínios da capital do país foi efectuado o levantamento das necessidades. Por empresas da especialidade. Que apresentaram as suas propostas de cotação em sessão pública. Mas, num repente, tudo mudou. E, com a mudança de ideias, talvez de interesses, desvaneceu-se e ficou por cumprir mais uma promessa. A promessa de que os edifícios só passariam para a administração dos condóminos depois de reabilitados. Naturalmente, e no mínimo, as Comissões de Moradores sentiram-se traídas e enganadas. É que para trás, ficavam, como inúteis, muitas horas de trabalho. Horas de trabalho retiradas ao descanso diário ou semanal. De muitas dezenas de voluntários. Que acreditaram estar a participar num processo sério e honesto. Mas, aparentemente, não. É que não só nunca lhes foi explicada a razão da mudança da política governamental, como ninguém nunca explicou o destino dado ao dinheiro que existia com um fim determinado. Melhor, às perguntas e questões colocadas, publicamente, a resposta foi, sempre e até hoje, o silêncio. Mas, mesmo tendo passado o tempo que passou, não é tarde para um esclarecimento. Nunca é tarde para se dizer a verdade.
A mudança de ministro, veio criar alguma expectativa e trazer alguma esperança. Principalmente na abertura de diálogo. Desde há muito recusado. Digamos, acrescentemos, na abertura de um diálogo, franco, aberto e construtivo, entre as partes. Entre todas as partes. Ademais, se há coisa que não custa dinheiro é o dialogar, é o falar, é o conversar. Como cavalheiros, como pessoas de palavra, como cidadãos. E é, sem dúvida, através do diálogo que podem ser resolvidos alguns dos problemas artificialmente criados. Estamos a falar, no caso concreto, da necessidade de revisão do Regulamento do Regime Jurídico do Condomínio. Que, repetimos neste espaço, nada tem a ver com a realidade moçambicana. Que não é nem pode ser aplicado à realidade moçambicana. Que não passa de trabalho de copista desempregado. E, muito por hipótese, pouco sério e pouco honesto. Também muito por hipótese, quase de certeza, pretendendo deixar em texto legal benefícios que as nacionalizações haviam eliminado Mas, essa é questão secundária. E, de nada importa, por ora, averiguar se o referido regulamento era o texto necessário e que se impunha ou se, como parece, foi texto imposto. Teimosa e arrogantemente imposto. De fora para dentro. Por interesses estranhos a Moçambique, por interesses lesivos a interesses dos moçambicanos .Mas, se foi apenas um erro, e não queremos acreditar que possa ter sido mais do que erro, não há erro sem correcção. E, mais do que isso, qualquer momento é bom para corrigir um erro.
sexta-feira, agosto 26, 2005
Publicado em Maputo, Moçambique no Jornal Domingo de Agosto 21, 2005
antes e depois
Luís David
um crescimento que deve ser destacado
A cidade de Brazavile, capital da então República Democrática do Congo, albergava, na época, uma das sedes regionais africanas da Organização Mundial de Saúde. Moçambique, como os restantes países que haviam sido colónias portuguesas, estavam ali representados. Por tal motivo, a língua portuguesa viria a ser adoptada como língua de trabalho. A par das línguas inglesa e francesa. A necessidade de produzir documentos em português e, também, de defender os interesses de cada um dos países falantes de português, ditou a decisão, por parte da OMS, de criar um núcleo português. Constituído, naturalmente, por jovens enviados pelos Governos de cada um dos referidos países. Mas, chefiados por um cidadão português, quadro efectivo da OMS. Profissional incontestável. Excelente, como companheiro e como amigo. E que, em tempo de reuniões ministeriais, era apoiado por tradutores oficiais. Contratados fora dos países ali representados. Que faziam o que era mister ser feito. Aquilo de que eram incumbidos. Mas que nenhum moçambicano ou angolano estava preparado para fazer. Para realizar. Porque, verdade seja dita, não sabia fazer. Não tinha conhecimentos para fazer. Neste tempo, neste tempo ido, de gatinhar e de começar a conquistar postos e lugares em instituições internacionais, era então Ministro da Saúde Pascoal Mocumbi.
Hoje, decorridos, que são tantos anos, talvez mais de duas décadas, parece ser tempo de olhar para trás. Parece ser tempo para reflectir. Para perceber como é difícil enumerar e apontar o número de moçambicanos que ocuparam, ou ocupam, cargos, ou missões, ao mais alto nível, em diferentes organizações internacionais. Desde a ONU e suas agências, ao Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e à SADC. Naturalmente, pode não ser bem interpretado, pode não ser bem acolhido, citar aqui nomes como os de Joaquim Chissano e de Tomaz Salomão. Mas, no seu conjunto, todas estas e outras escolhas, estas nomeações, representam, prestígio para Moçambique. Comprovam a capacidade moçambicana em moderar conflitos internacionais e em gerir interesses regionais. E, neste campo, nesta área, houve um significativo crescimento. Moçambique é escutado, a palavra e a posição de Moçambique é tida em conta. Gostem ou não, uns ou outros, na área diplomática, houve um crescimento que parece mal ignorar. Houve um crescimento que deve ser destacado.
antes e depois
Luís David
um crescimento que deve ser destacado
A cidade de Brazavile, capital da então República Democrática do Congo, albergava, na época, uma das sedes regionais africanas da Organização Mundial de Saúde. Moçambique, como os restantes países que haviam sido colónias portuguesas, estavam ali representados. Por tal motivo, a língua portuguesa viria a ser adoptada como língua de trabalho. A par das línguas inglesa e francesa. A necessidade de produzir documentos em português e, também, de defender os interesses de cada um dos países falantes de português, ditou a decisão, por parte da OMS, de criar um núcleo português. Constituído, naturalmente, por jovens enviados pelos Governos de cada um dos referidos países. Mas, chefiados por um cidadão português, quadro efectivo da OMS. Profissional incontestável. Excelente, como companheiro e como amigo. E que, em tempo de reuniões ministeriais, era apoiado por tradutores oficiais. Contratados fora dos países ali representados. Que faziam o que era mister ser feito. Aquilo de que eram incumbidos. Mas que nenhum moçambicano ou angolano estava preparado para fazer. Para realizar. Porque, verdade seja dita, não sabia fazer. Não tinha conhecimentos para fazer. Neste tempo, neste tempo ido, de gatinhar e de começar a conquistar postos e lugares em instituições internacionais, era então Ministro da Saúde Pascoal Mocumbi.
Hoje, decorridos, que são tantos anos, talvez mais de duas décadas, parece ser tempo de olhar para trás. Parece ser tempo para reflectir. Para perceber como é difícil enumerar e apontar o número de moçambicanos que ocuparam, ou ocupam, cargos, ou missões, ao mais alto nível, em diferentes organizações internacionais. Desde a ONU e suas agências, ao Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e à SADC. Naturalmente, pode não ser bem interpretado, pode não ser bem acolhido, citar aqui nomes como os de Joaquim Chissano e de Tomaz Salomão. Mas, no seu conjunto, todas estas e outras escolhas, estas nomeações, representam, prestígio para Moçambique. Comprovam a capacidade moçambicana em moderar conflitos internacionais e em gerir interesses regionais. E, neste campo, nesta área, houve um significativo crescimento. Moçambique é escutado, a palavra e a posição de Moçambique é tida em conta. Gostem ou não, uns ou outros, na área diplomática, houve um crescimento que parece mal ignorar. Houve um crescimento que deve ser destacado.
quarta-feira, agosto 17, 2005
Publicado em Maputo, Moçambique no Jornal Domingo de Agosto 14, 2005
antes e depois
Luís David
uma oportunidade perdida
As nossas cidades e, talvez, de forma mais gritante a capital do país, estão a ser, progressivamente, desapossadas de espaços públicos. Espaços públicos destinados ao lazer, ao convívio, ao desporto. Numa cidade com cerca de dois milhões de habitantes, pergunte-se, faça-se um inquérito para saber quantos jovens praticam desporto. Serão, certamente, poucos. Muito poucos. Sabemos todos, sentimos alguns, que em bairros onde era hábito, em dias de descanso semanal, haver espaços onde jovens e menos jovens se entregavam á prática desportiva, esses espaços desapareceram. Desapareceram como espaços de utilização comunitária. Como espaços de confraternização desportiva entre vizinhos de um mesmo bairro, entre gentes de diferentes bairros. Dizer que não há apoio, menos ainda incentivo à prática desportiva, parece elementar. Pergunte-se quantos alunos praticam desporto nas suas escolas e quantas escolas têm competições entre si. Muito provavelmente, a resposta será desoladora. Pergunte-se quantos trabalhadores praticam actividades desportivas, regulares, a nível de suas empresas. Pergunte-se quantas empresas têm uma secção desportiva organizada e a nível de que modalidades. Parece podermos concluir, para já, que não existe qualquer política desportiva. Que não existe qualquer política de massificação do desporto. Que não existem ideias, menos ainda planos, para motivar os jovens moçambicanos para a actividade desportiva. Em diferentes modalidades.
No charco de águas podres, no pântano em que mergulhou, há muitos anos, e parece continuar mergulhado, o desporto nacional, o torneio de futebol juvenil BEBEC bem pode ser considerado excepção. Uma excepção em vias de se expandir para outras cidades do país. Como nota positiva, de intercâmbio e de confraternização entre jovens desportistas de todo o país, apontemos, também, a realização dos Jogos Desportivos Escolares. Que acontecem, como todos sabemos, de dois em dois em dois anos. Questionemos, tenhamos a coragem de questionar, os jovens que participam nesses jogos nacionais, sobre o tipo de desporto que praticam no intervalo dos Jogos. E com que frequência o praticam. A resposta, a resposta, poderá ser bem desoladora. Digamos, mesmo, comprometedora para quem dirige o desporto nacional. Depois, fácil pode ser concluir que se não temos massificação, menos ainda competição interna, pouca ou nenhuma possibilidades temos de competir no plano regional e internacional. Que difícil será fazer içar a Bandeira de Moçambique, por onde haja competição de atletismo, quando Mutola decidir abandonar as pistas. Queiramos ou não, somos, continuamos a ser, demasiado ingratos. Mas, mais do que ingratos, mesquinhos. Talvez altistas. Muito de certeza, sem visão de futuro. Pois, e esta é a realidade pública, por não querermos despender uns poucos milhares de dólares, para permitir um estágio da selecção nacional de hóquei em patins em país estrangeiro, podemos ter comprometido a permanência de Moçambique entre os maiores do hóquei mundial. É facto que, quem pode manda. Embora possa mandar mal. E, se mandou mal, se decidiu mal terá, no mínimo, de arcar com a responsabilidade moral de Moçambique não continuar no grupo dos maiores do hóquei mundial. Temos de saber aproveitar as oportunidades que se nos apresentam. E, esta, foi uma oportunidade perdida.
antes e depois
Luís David
uma oportunidade perdida
As nossas cidades e, talvez, de forma mais gritante a capital do país, estão a ser, progressivamente, desapossadas de espaços públicos. Espaços públicos destinados ao lazer, ao convívio, ao desporto. Numa cidade com cerca de dois milhões de habitantes, pergunte-se, faça-se um inquérito para saber quantos jovens praticam desporto. Serão, certamente, poucos. Muito poucos. Sabemos todos, sentimos alguns, que em bairros onde era hábito, em dias de descanso semanal, haver espaços onde jovens e menos jovens se entregavam á prática desportiva, esses espaços desapareceram. Desapareceram como espaços de utilização comunitária. Como espaços de confraternização desportiva entre vizinhos de um mesmo bairro, entre gentes de diferentes bairros. Dizer que não há apoio, menos ainda incentivo à prática desportiva, parece elementar. Pergunte-se quantos alunos praticam desporto nas suas escolas e quantas escolas têm competições entre si. Muito provavelmente, a resposta será desoladora. Pergunte-se quantos trabalhadores praticam actividades desportivas, regulares, a nível de suas empresas. Pergunte-se quantas empresas têm uma secção desportiva organizada e a nível de que modalidades. Parece podermos concluir, para já, que não existe qualquer política desportiva. Que não existe qualquer política de massificação do desporto. Que não existem ideias, menos ainda planos, para motivar os jovens moçambicanos para a actividade desportiva. Em diferentes modalidades.
No charco de águas podres, no pântano em que mergulhou, há muitos anos, e parece continuar mergulhado, o desporto nacional, o torneio de futebol juvenil BEBEC bem pode ser considerado excepção. Uma excepção em vias de se expandir para outras cidades do país. Como nota positiva, de intercâmbio e de confraternização entre jovens desportistas de todo o país, apontemos, também, a realização dos Jogos Desportivos Escolares. Que acontecem, como todos sabemos, de dois em dois em dois anos. Questionemos, tenhamos a coragem de questionar, os jovens que participam nesses jogos nacionais, sobre o tipo de desporto que praticam no intervalo dos Jogos. E com que frequência o praticam. A resposta, a resposta, poderá ser bem desoladora. Digamos, mesmo, comprometedora para quem dirige o desporto nacional. Depois, fácil pode ser concluir que se não temos massificação, menos ainda competição interna, pouca ou nenhuma possibilidades temos de competir no plano regional e internacional. Que difícil será fazer içar a Bandeira de Moçambique, por onde haja competição de atletismo, quando Mutola decidir abandonar as pistas. Queiramos ou não, somos, continuamos a ser, demasiado ingratos. Mas, mais do que ingratos, mesquinhos. Talvez altistas. Muito de certeza, sem visão de futuro. Pois, e esta é a realidade pública, por não querermos despender uns poucos milhares de dólares, para permitir um estágio da selecção nacional de hóquei em patins em país estrangeiro, podemos ter comprometido a permanência de Moçambique entre os maiores do hóquei mundial. É facto que, quem pode manda. Embora possa mandar mal. E, se mandou mal, se decidiu mal terá, no mínimo, de arcar com a responsabilidade moral de Moçambique não continuar no grupo dos maiores do hóquei mundial. Temos de saber aproveitar as oportunidades que se nos apresentam. E, esta, foi uma oportunidade perdida.
quarta-feira, agosto 10, 2005
Publicado em Maputo, Moçambique, no Jornal Domingo de Agosto 7, 2005
antes e depois
Luís David
trabalho não significa emprego
A maioria dos distritos da província de Maputo e do sul de Gaza são, essencialmente, agrícolas. Ou, melhor dizendo, agro-pecuários. Todos o sabemos, durante décadas abasteceram as populações dos principais centros urbanos do sul do país. Excepto, talvez, em batata reno. Depois, veio a guerra.. Já durante a guerra, em anos distantes mas, também recentes, o Chókwé continuava a produzir significativas quantidades de tomate. E de outros produtos agrícolas. Que eram escoados, que chegavam a Maputo, escoltados por blindados militares. Certamente, com elevados custos financeiros. Depois, terá havido uma viragem, uma abertura, ou uma necessidade de, aos países vizinhos, donde passou a ser importado tudo e nada. Até do que produzíamos internamente e corria o risco de apodrecer nos campos de produção.
O conflito de interesses que estalou, recentemente, entre pequenos e grandes produtores de tomate da zona do Limpopo e importadores informais, veio trazer à superfície um problema a que o Governo, desde há muito, vinha fechando os olhos. Vinha ignorando. E que é o da necessidade, e da obrigação que tem, de proteger os produtores nacionais. Principalmente, os chamados pequenos produtores. É que, não faz qualquer sentido continuar a permitir a importação de um vasto conjunto de produtos que são produzidos internamente em significativas quantidades. Mas que, na maioria dos casos, não encontram escoamento dos locais de produção para os de consumo. E, aqui, para além do tomate, podem mencionar-se a manga, a papaia, o abacaxi, a banana, a pêra abacate, o limão, a tangerina, o pimento, a mandioca, a batata doce, o mel, a galinha, o cabrito e, em certa medida o bovino. O que faz sentido, o que parece fazer sentido, é incentivar a produção deste, e de outros produtos nacionais e criar condições para a sua comercialização. Mais do que isso, criar condições para o seu aproveitamento integral, para a sua conservação e transformação. Localmente. E, transformar em compotas, em doces, em sumos, em concentrados. Com o recurso a indústrias caseiras, familiares, semi- industriais. A pobreza combate-se através do trabalho. Não com o recurso a importações desnecessárias. Combater a pobreza passa, sobretudo, pelo apoio e o incentivo ao trabalho. Tendo, sempre, presente que trabalho não significa emprego.
antes e depois
Luís David
trabalho não significa emprego
A maioria dos distritos da província de Maputo e do sul de Gaza são, essencialmente, agrícolas. Ou, melhor dizendo, agro-pecuários. Todos o sabemos, durante décadas abasteceram as populações dos principais centros urbanos do sul do país. Excepto, talvez, em batata reno. Depois, veio a guerra.. Já durante a guerra, em anos distantes mas, também recentes, o Chókwé continuava a produzir significativas quantidades de tomate. E de outros produtos agrícolas. Que eram escoados, que chegavam a Maputo, escoltados por blindados militares. Certamente, com elevados custos financeiros. Depois, terá havido uma viragem, uma abertura, ou uma necessidade de, aos países vizinhos, donde passou a ser importado tudo e nada. Até do que produzíamos internamente e corria o risco de apodrecer nos campos de produção.
O conflito de interesses que estalou, recentemente, entre pequenos e grandes produtores de tomate da zona do Limpopo e importadores informais, veio trazer à superfície um problema a que o Governo, desde há muito, vinha fechando os olhos. Vinha ignorando. E que é o da necessidade, e da obrigação que tem, de proteger os produtores nacionais. Principalmente, os chamados pequenos produtores. É que, não faz qualquer sentido continuar a permitir a importação de um vasto conjunto de produtos que são produzidos internamente em significativas quantidades. Mas que, na maioria dos casos, não encontram escoamento dos locais de produção para os de consumo. E, aqui, para além do tomate, podem mencionar-se a manga, a papaia, o abacaxi, a banana, a pêra abacate, o limão, a tangerina, o pimento, a mandioca, a batata doce, o mel, a galinha, o cabrito e, em certa medida o bovino. O que faz sentido, o que parece fazer sentido, é incentivar a produção deste, e de outros produtos nacionais e criar condições para a sua comercialização. Mais do que isso, criar condições para o seu aproveitamento integral, para a sua conservação e transformação. Localmente. E, transformar em compotas, em doces, em sumos, em concentrados. Com o recurso a indústrias caseiras, familiares, semi- industriais. A pobreza combate-se através do trabalho. Não com o recurso a importações desnecessárias. Combater a pobreza passa, sobretudo, pelo apoio e o incentivo ao trabalho. Tendo, sempre, presente que trabalho não significa emprego.
domingo, julho 17, 2005
Publicado em Maputo, Moçambique no Jornal Domingo de Julho 17, 2005
antes e depois
Luís david
uma sátira porca e nojenta
Está a acontecer com demasiada frequência, em vários órgãos de Informação. A gente pega, lê, escuta, vê. Depois, interroga se é possível. Ou, como é possível. Como é possível haver tanta falta de respeito pela Constituição, assim como Lei de Imprensa. Como é possível a Ética e a Deontologia serem tão mal tratadas, serem tratadas com tanta falta de respeito. Como é possível continuar a ler o que se vai lendo. Como é possível que jornalistas, que até se dão ao luxo de citar os nomes dos seus mestres, escrevam o que escrevem. Impunemente. Sem que alguém venha a público dizer algo. No mínimo, que o que estão a dizer, a reportar, a escrever, tem nada a ver com jornalismo. Que jornalismo tem regras. Que jornalismo é outra coisa. Que jornalismo é coisa diferente. E que não é o facto de evocaram nomes de jornalistas consagrados, os tais mestres, que lhes dá o direito de escreverem o que andam por aí a escrever. Por não ter sido isso que ninguém lhes ensino
.
Na sua última edição (pag. 27), o “Zambeze” titula: “BILENE – Governador de Gaza manda destruir estância turística – O “boer” queixou-se à PGR”. Logo nas primeiras linhas do texto, o jornalista escreve que a referida estância pertencia a um cidadão sul-africano, de raça branca. Ora, ao que se sabe, não existem “boers” japoneses, chineses nem portugueses. Como não existem “boers” pretos. Logo, se era “boer”, tinha de ser sul-africano e tinha de ser branco. Daí, o facto de se texto em apreço não é racista, apontar nesse sentido. O que é, em absoluto, contrário à legislação em vigor. Também, na mesma área, parece estar o “Savana” a resvalar e a aplicar a “lei do vale tudo”. Na sua edição da passada sexta-feira, titula “no informal”: Neguinho é o Nestor. O resto é negrão...”. Assim mesmo, com letra minúscula, referindo-se a José Negrão. E, depois, como legenda de foto publicada na mesma página, começa por dizer: “O JOSÉ NEGRÃO AQUI, NO MEIO ENTRE MÚLTIPLOS QUE O ADMIRARAM E ADMIRAM deixou-nos. Para acrescentar, com evidente sadismo, Muita dor, muita saudade. E um pouco de sátira, mas (....). Ora, fica a dúvida se é possível satirizar, se é possível fazer sátira, sobre a forma como amigos e familiares manifestaram a sua dor em relação a um Homem cujas exéquias fúnebres só viriam a ter lugar no dia seguinte à da saída do referido semanário Depois, sátira, parece ser termo pouco apropriado. Talvez deva falar-se em humor. Em humor negro. Mas, admitindo que possa tratar-se de sátira, trata-se de um sátira que ofendeu, profundamente, amigos e familiares. A quem o semanário em questão, através de anúncio necrológico (pag. 29) ,“À família enlutada apresenta as mais sentidas condolências”. Ora, parece haver aqui alguma contradição. E, por certo, haverá, Ora, se de facto a sátira não foi mais do que uma sátira, foi uma sátira porca e nojenta.
antes e depois
Luís david
uma sátira porca e nojenta
Está a acontecer com demasiada frequência, em vários órgãos de Informação. A gente pega, lê, escuta, vê. Depois, interroga se é possível. Ou, como é possível. Como é possível haver tanta falta de respeito pela Constituição, assim como Lei de Imprensa. Como é possível a Ética e a Deontologia serem tão mal tratadas, serem tratadas com tanta falta de respeito. Como é possível continuar a ler o que se vai lendo. Como é possível que jornalistas, que até se dão ao luxo de citar os nomes dos seus mestres, escrevam o que escrevem. Impunemente. Sem que alguém venha a público dizer algo. No mínimo, que o que estão a dizer, a reportar, a escrever, tem nada a ver com jornalismo. Que jornalismo tem regras. Que jornalismo é outra coisa. Que jornalismo é coisa diferente. E que não é o facto de evocaram nomes de jornalistas consagrados, os tais mestres, que lhes dá o direito de escreverem o que andam por aí a escrever. Por não ter sido isso que ninguém lhes ensino
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Na sua última edição (pag. 27), o “Zambeze” titula: “BILENE – Governador de Gaza manda destruir estância turística – O “boer” queixou-se à PGR”. Logo nas primeiras linhas do texto, o jornalista escreve que a referida estância pertencia a um cidadão sul-africano, de raça branca. Ora, ao que se sabe, não existem “boers” japoneses, chineses nem portugueses. Como não existem “boers” pretos. Logo, se era “boer”, tinha de ser sul-africano e tinha de ser branco. Daí, o facto de se texto em apreço não é racista, apontar nesse sentido. O que é, em absoluto, contrário à legislação em vigor. Também, na mesma área, parece estar o “Savana” a resvalar e a aplicar a “lei do vale tudo”. Na sua edição da passada sexta-feira, titula “no informal”: Neguinho é o Nestor. O resto é negrão...”. Assim mesmo, com letra minúscula, referindo-se a José Negrão. E, depois, como legenda de foto publicada na mesma página, começa por dizer: “O JOSÉ NEGRÃO AQUI, NO MEIO ENTRE MÚLTIPLOS QUE O ADMIRARAM E ADMIRAM deixou-nos. Para acrescentar, com evidente sadismo, Muita dor, muita saudade. E um pouco de sátira, mas (....). Ora, fica a dúvida se é possível satirizar, se é possível fazer sátira, sobre a forma como amigos e familiares manifestaram a sua dor em relação a um Homem cujas exéquias fúnebres só viriam a ter lugar no dia seguinte à da saída do referido semanário Depois, sátira, parece ser termo pouco apropriado. Talvez deva falar-se em humor. Em humor negro. Mas, admitindo que possa tratar-se de sátira, trata-se de um sátira que ofendeu, profundamente, amigos e familiares. A quem o semanário em questão, através de anúncio necrológico (pag. 29) ,“À família enlutada apresenta as mais sentidas condolências”. Ora, parece haver aqui alguma contradição. E, por certo, haverá, Ora, se de facto a sátira não foi mais do que uma sátira, foi uma sátira porca e nojenta.
domingo, julho 10, 2005
Publicado em Maputo, Moçambique no Jornal Domingo de Julho 10, 2005
Antes e depois
Luís david
Deus não vai gostar
Parece, ainda hoje, difícil saber quando e onde foi praticado o primeiro acto de terrorismo. E, por outro lado, qual o número de pessoas que já perderam a vida devido a actos de terrorismo. Sem muita margem para erro, a história da Humanidade, a evolução das sociedade, desde há vários séculos caminhou, e parece continuar a caminhar, a par de actos e de acções de terror. Sabemos, hoje, que embora os seres humanos no planeta tenham quadruplicado desde o princípio do século XIX, o número de vítimas do terrorismo multiplicou-se por 24 no século XX. Naturalmente, o terrorismo de hoje, o terrorismo dos nosso dias, é diferente do terrorismo de séculos passados. Do terrorismo praticado há poucas décadas. Mas, diferente nos métodos, diferente, sem dúvida, na forma, continua a ser terrorismo. Hoje, ao que parece e nunca como dantes, o terror mede-se, cada vez mais, pelo número das vítimas que provoca. E, menos pelo mérito da causa que diz servir. Parece não haver, pois, qualquer mérito em tolerar o terror. Menos, ainda, considerar que tolerar o terror seja uma virtude. Não o é. Será, quanto muito, uma fraqueza. Na extrema das hipóteses, falta de coragem para uma leitura nova da História. Sobretudo da história dos conflitos entre religiões. Dos conflitos entre as três principais religiões.
Afigura-se como prematura, uma análise séria, aprofundada e profunda dos verdadeiros motivos dos recentes ataques terroristas registados em Londres. Objectivamente, afigura-se como simples, senão simplista, a tentativa de justificar o motivo das explosões com o momento da reunião do chamado G-8 ou com o facto de a capital britânica haver sido eleita para acolher uma edição dos Jogos Olímpicos. Quer dizer, o momento em que as explosões acorreram pode, e parece não ter, nada a ver com esses acontecimentos em si mesmos. E que se aconteceram nesse dia a nesse momento, foi uma simples questão de táctica. As explosões estavam, estariam quase de certeza, planificadas, desde há muito tempo, e programadas para acontecer em Londres. A questão, residia no quando. E, sendo ou não actos, a todos os títulos condenáveis, de fundamentalistas religiosos, como parece terem sido, a questão de fundo pode continuar a prevalecer. Mesmo quando identificados e presos os seus autores. È que, a questão de fundo, parece assentar numa centenária guerra santa. Se é, se assim é, e parece ser que assim é, os líderes das religiões em conflito, deviam eles próprios assumir, publicamente, um posicionamento de diálogo. Afinal, Judaísmo, Cristianismo e Islão têm uma origem comum. Tora, Bíblia e Corão são, na sua essência, textos referentes a um Deus único. Falta perceber o que impede, neste tempo global, que líderes destas religiões se sentem a uma mesma mesa e que digam, claramente, o que os divide e o que os une. É que, continuar a matar, continuar a assassinar em nome de uma religião, seja ela qual seja, parece um sacrilégio. E, quase de certeza, Deus não vai gostar.
Antes e depois
Luís david
Deus não vai gostar
Parece, ainda hoje, difícil saber quando e onde foi praticado o primeiro acto de terrorismo. E, por outro lado, qual o número de pessoas que já perderam a vida devido a actos de terrorismo. Sem muita margem para erro, a história da Humanidade, a evolução das sociedade, desde há vários séculos caminhou, e parece continuar a caminhar, a par de actos e de acções de terror. Sabemos, hoje, que embora os seres humanos no planeta tenham quadruplicado desde o princípio do século XIX, o número de vítimas do terrorismo multiplicou-se por 24 no século XX. Naturalmente, o terrorismo de hoje, o terrorismo dos nosso dias, é diferente do terrorismo de séculos passados. Do terrorismo praticado há poucas décadas. Mas, diferente nos métodos, diferente, sem dúvida, na forma, continua a ser terrorismo. Hoje, ao que parece e nunca como dantes, o terror mede-se, cada vez mais, pelo número das vítimas que provoca. E, menos pelo mérito da causa que diz servir. Parece não haver, pois, qualquer mérito em tolerar o terror. Menos, ainda, considerar que tolerar o terror seja uma virtude. Não o é. Será, quanto muito, uma fraqueza. Na extrema das hipóteses, falta de coragem para uma leitura nova da História. Sobretudo da história dos conflitos entre religiões. Dos conflitos entre as três principais religiões.
Afigura-se como prematura, uma análise séria, aprofundada e profunda dos verdadeiros motivos dos recentes ataques terroristas registados em Londres. Objectivamente, afigura-se como simples, senão simplista, a tentativa de justificar o motivo das explosões com o momento da reunião do chamado G-8 ou com o facto de a capital britânica haver sido eleita para acolher uma edição dos Jogos Olímpicos. Quer dizer, o momento em que as explosões acorreram pode, e parece não ter, nada a ver com esses acontecimentos em si mesmos. E que se aconteceram nesse dia a nesse momento, foi uma simples questão de táctica. As explosões estavam, estariam quase de certeza, planificadas, desde há muito tempo, e programadas para acontecer em Londres. A questão, residia no quando. E, sendo ou não actos, a todos os títulos condenáveis, de fundamentalistas religiosos, como parece terem sido, a questão de fundo pode continuar a prevalecer. Mesmo quando identificados e presos os seus autores. È que, a questão de fundo, parece assentar numa centenária guerra santa. Se é, se assim é, e parece ser que assim é, os líderes das religiões em conflito, deviam eles próprios assumir, publicamente, um posicionamento de diálogo. Afinal, Judaísmo, Cristianismo e Islão têm uma origem comum. Tora, Bíblia e Corão são, na sua essência, textos referentes a um Deus único. Falta perceber o que impede, neste tempo global, que líderes destas religiões se sentem a uma mesma mesa e que digam, claramente, o que os divide e o que os une. É que, continuar a matar, continuar a assassinar em nome de uma religião, seja ela qual seja, parece um sacrilégio. E, quase de certeza, Deus não vai gostar.
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