O Governo decidiu, esta terça-feira, manter os preços dos combustíveis anteriores aos últimos aumentos para os chamados “chapas”. O objectivo é evitar que o cidadão passe a pagar mais por cada viagem que necessita de realizar. Naturalmente, do ponto de vista do transportado, a medida é, em tudo, justa. Embora, reconheça-se, tenha sido tardia. Tarda. Já que se tomada em tempo oportuno, em tempo anterior, teria evitado distúrbios desnecessários e evitáveis. Teria evitado actos de vandalismo, feridos, mortos e destruição de propriedade privada. Cuja defesa e protecção é da responsabilidade do Governo. Como reza a Constituição. Agora, se o Governo passou a guiar-se pelo discurso louvaminheiro a lascivo de representantes de instituições financeiras internacionais, o problema é seu. Única e exclusivamente seu. Mas é, também e em simultâneo, sinónimo de má governação. E não, como se possa pretender induzir, do contrário. Revela que se deixou adormecer. Que adormeceu ao som da cantilena discursiva elogiosa externa. E que prestou atenção pouca ou nenhuma à realidade concreta nacional. Interna. Que prestou atenção nenhuma aos muitos alertas que lhe foram sendo feitos sobre as explosões sociais que poderiam vir a acontecer. E que aconteceram. E que estão a acontecer..
Naturalmente, passado é passado. Com tanta certeza como futuro é devir. Sabemos, hoje, que actos de vandalismo como os registados em Maputo se repetiram um pouco por muitos centros urbanos de Moçambique. E, até se afigura irrelevante saber se, na capital do país, as nossas Polícias utilizaram balas de borracha para dispersar os autores dos distúrbios. Ou se não, se utilizaram balas verdadeiras. Trata-se de uma questão de pormenor. O que ficou claro, o que é relevante, é que essas Polícias não estiveram à altura de proteger a propriedade privada. Consagrada na Constituição da República. De proteger bens de privados que, em nada, tinham a ver com os aumentos dos preços dos “chapas”. Curioso, sem dúvida o facto de não haver notícia de, sequer, um chapeiro ter sido alvo da fúria dita popular. Como curioso não pode deixar de ser o facto de muitas dessas viaturas terem sido estacionadas, durante a noite, em locais considerados seguros, junto de instituições do Estado. Que os primeiros actos de vandalismo tenham sido praticados por crianças, marginais e desempregados, é fácil aceitar. É fácil dizer que sim. A questão de fundo está em saber quem os arregimentou, manipulou e comandou. Para fazerem o que fizeram. Todos estes acontecimentos recentes, e mais os que se possam suceder, devem ser vistos sob diferentes perspectivas. Uma, é a das próximas eleições. Outra, é a de que, claramente, não se trata de um problema sociológico. Trata-se, isso sim, de um problema político e de barrigas vazias.
domingo, fevereiro 17, 2008
domingo, fevereiro 10, 2008
o país real e o país do imaginário
No total, eram 40 crianças. Com maior precisão e rigor, eram 39 crianças e uma já não criança. Vinham do Norte com destino ao Sul. Ao que foi dito e escrito, para estudarem em escolas corânicas. Viajavam numa viatura sem um mínimo de condições para transportar seres humanos. A dada altura do percurso, a Polícia interveio. As crianças foram levadas para local onde lhes foi dada comida e dormida. Motorista e responsável pelo recrutamento das crianças e agenciamento do transporte dos menores, foram detidos. Enquanto uns colocam a hipótese de estarmos perante um caso de tráfico de menores, outros dizem que não. Tudo, afinal, não passa de um equívoco policial. E, acrescentam, tudo é negócio legal. E, no seu dizer, no seu entender, os pais das crianças conheciam o destino dos filhos. Tanto assim, que assinaram declarações e contribuíram, monetariamente, para o seu transporte e alimentação. Se de livre vontade ou se sob coacção, as notícias são, no geral, omissas. O certo é que se desenvolve, a partir de um certo momento, um enorme esforço para tentar provar que o que parece ser afinal não é. Só que continua pouco claro o destino final das crianças, dos menores. E, ao que parece, ainda ninguém veio a público assumir, claramente, a responsabilidade por receber e educar os referidos menores. Até aqui, estamos a escrever sobre o país real.
São em número elevado, demasiado elevado para as nossa necessidades internas, os casos criminais que ficaram sem nome e sem rosto. Seria fastidiosos enumerar ou fazer listagem neste espaço. Sobre o hipotético caso de tráfico destes 39 menores, há quem pareça esclarecido. Convencido. Mas, também há quem não. Nem pouco mais ou menos. Com todo o respeito que merece o trabalho realizado pela Procuradoria Geral da República sobre este caso, parece haverem algumas lacunas de investigação. Ou processuais. Que importa não perder de vista. Assim, escreve o jornal “Notícias” (06.02.08), sobre as declarações públicas de um procurador-geral adjunto: Referiu, no entanto, estar-se na presença de um caso cujo móbil poderá ser o ganho de dinheiro, obtido a partir de cobranças feitas aos progenitores dos menores para o transporte destes e não parece, “à priori”, que se dediquem ao tráfico de crianças, no sentido em que esta expressão é comumente usada, isto é a angariação de menores para fins de exploração. Ora, o que pretendemos saber é se o que poderá ser é ou não é. O que significa. E , de igual forma, o não parece “à priori” significa o quê. Que não é, em definitivo, ou que não parecendo, pode ser. Se sim, assim, os pais dos menores podem estar envolvidos no negócio da sua deslocação para o Sul do país. Com fins para si pouco claros. O que se pede, em resultado de um trabalho de investigação de um caso que configura tráfico de menores, não são opiniões pessoais. Meramente subjectiva. Como poderá ou não parece. As opiniões pessoais têm pleno cabimento em livros de memórias. Não em documentos ou posições oficiais. Do Estado. É que quando assim andamos, quando assim caminhamos, quando assim nos guiamos, de facto, há alguma diferença entre o país real e o país do imaginário.
São em número elevado, demasiado elevado para as nossa necessidades internas, os casos criminais que ficaram sem nome e sem rosto. Seria fastidiosos enumerar ou fazer listagem neste espaço. Sobre o hipotético caso de tráfico destes 39 menores, há quem pareça esclarecido. Convencido. Mas, também há quem não. Nem pouco mais ou menos. Com todo o respeito que merece o trabalho realizado pela Procuradoria Geral da República sobre este caso, parece haverem algumas lacunas de investigação. Ou processuais. Que importa não perder de vista. Assim, escreve o jornal “Notícias” (06.02.08), sobre as declarações públicas de um procurador-geral adjunto: Referiu, no entanto, estar-se na presença de um caso cujo móbil poderá ser o ganho de dinheiro, obtido a partir de cobranças feitas aos progenitores dos menores para o transporte destes e não parece, “à priori”, que se dediquem ao tráfico de crianças, no sentido em que esta expressão é comumente usada, isto é a angariação de menores para fins de exploração. Ora, o que pretendemos saber é se o que poderá ser é ou não é. O que significa. E , de igual forma, o não parece “à priori” significa o quê. Que não é, em definitivo, ou que não parecendo, pode ser. Se sim, assim, os pais dos menores podem estar envolvidos no negócio da sua deslocação para o Sul do país. Com fins para si pouco claros. O que se pede, em resultado de um trabalho de investigação de um caso que configura tráfico de menores, não são opiniões pessoais. Meramente subjectiva. Como poderá ou não parece. As opiniões pessoais têm pleno cabimento em livros de memórias. Não em documentos ou posições oficiais. Do Estado. É que quando assim andamos, quando assim caminhamos, quando assim nos guiamos, de facto, há alguma diferença entre o país real e o país do imaginário.
domingo, fevereiro 03, 2008
colocar disciplina nos transportes públicos
Ao que parece, o processo apresenta-se como irreversível. Isto é, o preço de custo de cada viagem de “chapa” passa a ser mais elevado. Por certo, perante a realidade que se apresenta, ninguém ousa negar o direito ao aumento. E a realidade actual é a de um significativo aumento do preço dos combustíveis. Logo, não parece difícil de entender que os proprietários das viaturas lutem por manter a sua margem de lucro. Ao que se sabe, nenhum deles é benemérito ao ponto de aceitar perder dinheiro no negócio. Como se sabe, de igual forma, que nenhum declarou falência ou abandonou a actividade por falta de lucros. Mas, a questão também tem de ser vista do plano oposto. Do plano dos transportados. E, daqui, deste lado, é necessário avaliar o impacto do aumento – seja em que percentagem seja – no orçamento doméstico de muitos milhares de famílias. No cerne da questão, fica o Governo com um papel ingrato. Porque sabe ser irrecusável um aumento. Porque sabe não poder interferir nos negócios privados para além de determinados limites. Mas porque sabe, também, ser limitada a capacidade financeira do cidadão comum para enfrentar o aumento. Este agravamento do seu custo de vida.
Ainda sobre esta questão dos “chapas”, afigura-se pertinente e actual colocar mais algumas questões. Ou, como diz o ditado, separar as águas. Ora, nesta actividade empresarial, há diversos tipos de intervenientes. Diversos tipos de interesses em conflito. Há empregadores e empregados. Há proprietários de frotas de viaturas. Há diferentes e diversas formas de exploração de cada viatura. Há diferentes formas de controlar o rendimento de cada viatura. E, ao Governo, não pode caber o papel único e exclusivo de acordar sobre a percentagem do aumento das tarifas. Exige-se mais. Exige-se muito mais. E este muito mais tem de ser traduzido em acções concretas. Em defesa dos utentes. Dos transportados. Tem de ser no sentido de punir os que aumentam as tarifas de forma unilateral. Tem de ser no sentido de punir os que encurtam as rotas. Tem de ser no sentido de verificar o estado mecânico das viaturas. Tem de ser no sentido de verificar se os motoristas possuem licença de condução. E, naturalmente, se as viaturas possuem registo. Se pagam os impostos devidos ao Estado. De resto, parece haver locais convencionados onde todos os “chapas” já sabem que devem parar. Dois deles, são na Avenida Eduardo Mondlane. Um, é depois do Ponto Final. O outro na zona do Hospital Central. Do resultado dessas apresentações de documentos, parece não haver notícia. Pelo menos públicas. Bem gostaríamos, muitos de nós, conhecer o conteúdo dos relatórios dessa actividade policial. Se é que, de facto, existem. Ao Governo exige-se mais do que discutir e aprovar as tarifas dos transportes públicos. Exige-se, para além de outras questões que faça um esforço para colocar disciplina nos transportes públicos.
Ainda sobre esta questão dos “chapas”, afigura-se pertinente e actual colocar mais algumas questões. Ou, como diz o ditado, separar as águas. Ora, nesta actividade empresarial, há diversos tipos de intervenientes. Diversos tipos de interesses em conflito. Há empregadores e empregados. Há proprietários de frotas de viaturas. Há diferentes e diversas formas de exploração de cada viatura. Há diferentes formas de controlar o rendimento de cada viatura. E, ao Governo, não pode caber o papel único e exclusivo de acordar sobre a percentagem do aumento das tarifas. Exige-se mais. Exige-se muito mais. E este muito mais tem de ser traduzido em acções concretas. Em defesa dos utentes. Dos transportados. Tem de ser no sentido de punir os que aumentam as tarifas de forma unilateral. Tem de ser no sentido de punir os que encurtam as rotas. Tem de ser no sentido de verificar o estado mecânico das viaturas. Tem de ser no sentido de verificar se os motoristas possuem licença de condução. E, naturalmente, se as viaturas possuem registo. Se pagam os impostos devidos ao Estado. De resto, parece haver locais convencionados onde todos os “chapas” já sabem que devem parar. Dois deles, são na Avenida Eduardo Mondlane. Um, é depois do Ponto Final. O outro na zona do Hospital Central. Do resultado dessas apresentações de documentos, parece não haver notícia. Pelo menos públicas. Bem gostaríamos, muitos de nós, conhecer o conteúdo dos relatórios dessa actividade policial. Se é que, de facto, existem. Ao Governo exige-se mais do que discutir e aprovar as tarifas dos transportes públicos. Exige-se, para além de outras questões que faça um esforço para colocar disciplina nos transportes públicos.
domingo, janeiro 27, 2008
obras de fachada
Não deve, não pode, ser ignorado esforço do Governo no sentido de elevar o nível de saúde das populações. Na dimensão nacional. Quer construindo centros de saúde, quer projectando no vos hospitais, quer reabilitando infra-estruturas existentes. Quer, também, dotando os principais hospitais do país com novos e modernos meios de diagnóstico. Para além deste exercício, apresentam-se como relevantes as acções que visam melhorar as condições de atendimento aos doentes. A começar pela indisciplina que impera em algumas dessas unidades. Ao desleixo. Quando não ao favoritismo no atendimento. Para não falar em corrupção. Expressão tão cara a alguns. Mesmo aos corruptos. Mas, e aqui, parece, devemos estar todos de acordo. Acordo no facto de que é preciso evitar que a excepção se transforme em regra. Que a corrupção passe a regra.
No campo da Saúde parece haver, há, porém questões que ultrapassam o entendimento do simples espectador. Que somos todos nós. E, se assim não, vejamos em diante. Na sua edição de 19 do corrente, titulava o jornal “Notícias” em primeira página: Nampula: Centros de Saúde encerram por falta de equipamento. E, logo no primeiro parágrafo da notícia, o noticiarista escrevia: Pelo menos sete grandes centros de Saúde, de um total de 18 construídos pelos governos distritais da província de Nampula, encontram-se encerrados e os restantes a operar com dificuldades devido à falta de equipamentos indispensáveis para o seu funcionamento. E, em jeito de comentário, pode ler-se na local que Esta situação preocupa as populações beneficiárias dessas infra-estruturas, que já manifestaram o seu desagrado junto das autoridades provinciais da Saúde. É momento para dizer que sim. Que têm a razão para estar desagradadas. E que, também nós não estamos menos desagrados. Por uma razão simples. Ou, pela simples razão de não caber no entendimento comum como é que governos distritais gastam dinheiro na construção de centros de Saúde que, logo após, são encerrados por falta de meios. Á partida, aquando da construção desses centros de Saúde, sabia-se duas coisas elementares. Uma, é que só poderiam funcionar com equipamentos. A segunda, é que, para funcionarem a médio e longo prazos necessitam de verbas de manutenção. Sobre o que se terá, efectivamente, passado a notícia não esclarece. De concreto, ficámos a saber que 18 centros de Saúde foram encerrados. O que permite concluir o óbvio e o evidente. E, o óbvio e o evidente é que parece estarmos perante obras de fachada.
No campo da Saúde parece haver, há, porém questões que ultrapassam o entendimento do simples espectador. Que somos todos nós. E, se assim não, vejamos em diante. Na sua edição de 19 do corrente, titulava o jornal “Notícias” em primeira página: Nampula: Centros de Saúde encerram por falta de equipamento. E, logo no primeiro parágrafo da notícia, o noticiarista escrevia: Pelo menos sete grandes centros de Saúde, de um total de 18 construídos pelos governos distritais da província de Nampula, encontram-se encerrados e os restantes a operar com dificuldades devido à falta de equipamentos indispensáveis para o seu funcionamento. E, em jeito de comentário, pode ler-se na local que Esta situação preocupa as populações beneficiárias dessas infra-estruturas, que já manifestaram o seu desagrado junto das autoridades provinciais da Saúde. É momento para dizer que sim. Que têm a razão para estar desagradadas. E que, também nós não estamos menos desagrados. Por uma razão simples. Ou, pela simples razão de não caber no entendimento comum como é que governos distritais gastam dinheiro na construção de centros de Saúde que, logo após, são encerrados por falta de meios. Á partida, aquando da construção desses centros de Saúde, sabia-se duas coisas elementares. Uma, é que só poderiam funcionar com equipamentos. A segunda, é que, para funcionarem a médio e longo prazos necessitam de verbas de manutenção. Sobre o que se terá, efectivamente, passado a notícia não esclarece. De concreto, ficámos a saber que 18 centros de Saúde foram encerrados. O que permite concluir o óbvio e o evidente. E, o óbvio e o evidente é que parece estarmos perante obras de fachada.
domingo, janeiro 20, 2008
cheias e inundações são a mesma coisa
Hoje, como desde sempre, as palavras têm o significado que têm. Ou, muito por hipótese, podem mudar de significado. Adquirir o oposto, até. Como podem, como acontece, também, caírem em desuso. Podem, de igual forma, resistir ao avanço tecnológico. E, tendo sido utilizadas ontem para uma coisa, hoje o serem para coisa diversa. Diferente. Se assim, caso concreto, entre nós, é o da utilização do termo Machimbombo. Ora, o dicionário nos diz que Machimbombo é um ascensor mecânico, para ladeiras íngremes. Ora, pode supor-se, pode-se especular, que o termo para aqui tenha trazido aquando da introdução dos primeiros transportes públicos colectivos. Que foram os desaparecidos carros eléctricos. E que, quando dada por finada a actividade e o uso destes, a definição permaneceu no tempo, Por falta de melhor, de outra mais consequente com o fala popular. E, assim permanece, assim continua a ser utilizada, em paralelo com o neologismo Chapa. Que, quase de certeza, após cumprir a sua missão histórica e vier a ser substituído, a definição irá perdurar. Para os casos ambos aqui referenciados, o que importa concluir é que é a necessidade de comunicação que impõe os termos adequados a cada situação e em cada momento. Aos linguistas e aos dicionaristas, fica uma ingrata missão. Não a de ensinar ou de dizer como se deve falar. Ou não deve falar. O que é falar bem e o que é falar mal. Mas, isso sim, investigar os fenómenos da comunicação. E, explicar o que hajam por bem entender explicar. E, por fim, fixar a língua. Em nenhum momento nem período da História da Humanidade, a língua resultou de coisa outra que não tenha sido a necessidade de comunicação entre os humanos.
As actuais cheias em alguns rios do Centro do país, parece estarem a criar algumas confusões de linguagem. È que há quem pensa, é que há quem considera que se trata de cheias e de inundações. E se assim pensou, assim entendeu dever ser. Dever passar a ser. E, para que uma invenção, uma invencionada, ganhe o estatuto de verdade, nada melhor do que fazer coincidir vozes e textos de jornalistas. E, para tanto, os convencer a divulgarem a espúria concepção. E que, em boa lógica metódica, as populações deste país, passaram a ser obrigadas a fazer acrescer um novo termo ao seu vocabulário. Trata-se da palavra inundações. Ora, quando na memória colectiva destes muitos povos são as cheias que fazem parte da memória colectiva, falar de inundações, não passa de termo para enfeitar relatórios. Depois, e por fim, cheias e inundações significam a mesma coisa.
As actuais cheias em alguns rios do Centro do país, parece estarem a criar algumas confusões de linguagem. È que há quem pensa, é que há quem considera que se trata de cheias e de inundações. E se assim pensou, assim entendeu dever ser. Dever passar a ser. E, para que uma invenção, uma invencionada, ganhe o estatuto de verdade, nada melhor do que fazer coincidir vozes e textos de jornalistas. E, para tanto, os convencer a divulgarem a espúria concepção. E que, em boa lógica metódica, as populações deste país, passaram a ser obrigadas a fazer acrescer um novo termo ao seu vocabulário. Trata-se da palavra inundações. Ora, quando na memória colectiva destes muitos povos são as cheias que fazem parte da memória colectiva, falar de inundações, não passa de termo para enfeitar relatórios. Depois, e por fim, cheias e inundações significam a mesma coisa.
domingo, janeiro 13, 2008
uma questão de agenda nacional
A maioria dos países do mundo, tem vindo a aprovar legislação sobre o consumo do tabaco. Para além de aprovação de legislação sobre os locais onde se pode ou não se pode fumar, fica a forma como a lei é interpretada e aplicada. É assim que, em alguns dos estados dos Estados Unidos fumar na própria residência pode ser objecto de punição. Enquanto na Irlanda a legislação em vigor parece deixar nenhuma margem de fuga ao seu cumprimento. No extremo oposto, parece situar-se a Espanha. Que tendo, também, legislação muito semelhante a outros países, será mais pragmática na sua aplicação. Sendo que no que respeita à indústria hoteleira, a deixa ao critério dos proprietários dos estabelecimentos. Isto é, quem entende dever proibir fumar, proíbe. Quem não, não proíbe. Trata-se de uma posição que tem lógica. Que a ninguém prejudica e que outros terão seguido. Tenhamos presente, que o radicalismo nunca foi bom conselheiro em termos de governação. Diria cidadão brasileiro, em ocasião própria e por motivo diverso, sobre legislação do seu país: Deixa legislar que a gente abandalha.
Também Moçambique aprovou recentemente, legislação sobre a proibição do consumo de tabaco em locais públicos. Logo, e logicamente, em defesa da saúde pública. Em boa lógica, aceitamos, como vem inscrito nos maços de cigarros, que Fumar prejudica a saúde. Podemos até ir mais longe e dizer que fumar é um vício. Como vício é beber coca-cola, café ou chá. Sendo que o chá é mais prejudicial à saúde do que o café. Por conter uma mais elevada percentagem de cafeína. Obviamente, nada que se afirma assenta em base científica. São simples hipóteses e, no melhor dos casos, convenções. De ciência certa, isso sim, sabemos apenas que a água natural não vicia. Por ser indispensável à vida e condição da vida no planeta em que vivemos. Mas, repita-se, a água natural. E só essa. A água em estado natural. Ora, num país com vinte milhões de habitantes, como Moçambique, fica por saber quantas pessoas podem frequentar locais fechados onde passou a ser proibido fumar. Falamos de pavilhões, restaurantes, repartições públicas. Podemos falar de dois milhões, talvez um milhão ou, no máximo, duzentos mil. Como mera hipótese. Depois, sendo ponto aceite que Fumar prejudica a saúde, proibir fumar em determinados locais, na realidade nacional, pode não ter significar pouco em termos de economia de gastos com a protecção da saúde pública. Possivelmente, até, nada. E, se nada apresenta-se como mais urgente, como mais prioritário, concentrar atenções no combate à malária, à cólera, à tuberculose pulmonar. Em última análise, poderá tratar-se de uma questão de agenda nacional.
Também Moçambique aprovou recentemente, legislação sobre a proibição do consumo de tabaco em locais públicos. Logo, e logicamente, em defesa da saúde pública. Em boa lógica, aceitamos, como vem inscrito nos maços de cigarros, que Fumar prejudica a saúde. Podemos até ir mais longe e dizer que fumar é um vício. Como vício é beber coca-cola, café ou chá. Sendo que o chá é mais prejudicial à saúde do que o café. Por conter uma mais elevada percentagem de cafeína. Obviamente, nada que se afirma assenta em base científica. São simples hipóteses e, no melhor dos casos, convenções. De ciência certa, isso sim, sabemos apenas que a água natural não vicia. Por ser indispensável à vida e condição da vida no planeta em que vivemos. Mas, repita-se, a água natural. E só essa. A água em estado natural. Ora, num país com vinte milhões de habitantes, como Moçambique, fica por saber quantas pessoas podem frequentar locais fechados onde passou a ser proibido fumar. Falamos de pavilhões, restaurantes, repartições públicas. Podemos falar de dois milhões, talvez um milhão ou, no máximo, duzentos mil. Como mera hipótese. Depois, sendo ponto aceite que Fumar prejudica a saúde, proibir fumar em determinados locais, na realidade nacional, pode não ter significar pouco em termos de economia de gastos com a protecção da saúde pública. Possivelmente, até, nada. E, se nada apresenta-se como mais urgente, como mais prioritário, concentrar atenções no combate à malária, à cólera, à tuberculose pulmonar. Em última análise, poderá tratar-se de uma questão de agenda nacional.
domingo, janeiro 06, 2008
só o trabalho gera riqueza
O ano de 2007 já nos deixou. Passam alguns, poucos, dias. Dele disse quem tinha algo para dizer. De forma, naturalmente, subjectiva. Nem de outra forma poderia ser. Todos sabemos que o que é bom para mim, ou o que classifico como mau, pode ter apreciação inversa pelo meu amigo ou pelo meu vizinho. É assim, por exemplo, que se, acaso, me fosse pedida opinião sobre o que de pior aconteceu nos finais do ano findado não teria qualquer dúvida em eleger, em escolher. Diria que foi o aumento, escandaloso, nos preços de muitos produtos alimentares. Por outras palavras, a especulação. À custa do nosso bolso. Confortado com o 13º vencimento. Mas, também, em desfavor da nossa barriga. E das barrigas dos nossos mais próximos de nós. Bem tentaram, alguns, argumentar e defender os especuladores. Dizendo que não. Argumentando que, desde há muito, a África do Sul havia feito subir os preços de produtos que ali vamos buscar. Como parece claro, não se trata de argumento. É falácia. Trata-se de desculpa para tentar encobrir a falta de capacidade de fiscalização. Trata-se de capa ou de chapéu – de –chuva para proteger especuladores e oportunistas. Caso não, é preciso saber explicar a razão das diferenças de preços praticados em relação a alguns produtos importados. Como ovos e batatas. Mas, também podemos falar nas diferenças de preços de produtos de produção nacional. Como o leite condensado e os refrescos. Definitivamente, o combate à pobreza também passa pelo combate aos especuladores. O que pode exigir uma mais elevada dose de coragem e, naturalmente, mais patriotismo.
Estamos, pois, em 2008. Todos nós. Quem escreve e quem lê. E, também aqui, neste ano que os homens convencionaram ser de 2008 depois de Cristo, me atenho. É que, acaso me fosse pedida opinião sobre o devir, pouco teria a dizer. Haveria de eleger, apenas um, não mais, tema central. Estou a referir-me à Revolução Verde. Não a essa que já é notícia de jornal, vinda lá do distrito. Como acabada. Muito como mera retórica discursiva. Talvez, quem o sabe, como mero oportunismo político. Na minha modesta opinião, Revolução Verde tem nada a ver com ONG´s e pouco com sociedade civil. Trata-se de um processo que, por hipótese, irá colocar em questão hábitos, crenças, mitos e tradições ancestrais. Talvez, mesmo, violentar. No sentido de obrigar a alterar e a mudar. Formas de viver e de estar. Por isso, se lhe chama de Revolução e se a apelida de Verde. Abnegação, espírito de sacrifício, trabalho. Sobretudo trabalho, são condições para criar riqueza. Porque, e aqui não é conhecida tese contrária, só o trabalho gera riqueza.
Estamos, pois, em 2008. Todos nós. Quem escreve e quem lê. E, também aqui, neste ano que os homens convencionaram ser de 2008 depois de Cristo, me atenho. É que, acaso me fosse pedida opinião sobre o devir, pouco teria a dizer. Haveria de eleger, apenas um, não mais, tema central. Estou a referir-me à Revolução Verde. Não a essa que já é notícia de jornal, vinda lá do distrito. Como acabada. Muito como mera retórica discursiva. Talvez, quem o sabe, como mero oportunismo político. Na minha modesta opinião, Revolução Verde tem nada a ver com ONG´s e pouco com sociedade civil. Trata-se de um processo que, por hipótese, irá colocar em questão hábitos, crenças, mitos e tradições ancestrais. Talvez, mesmo, violentar. No sentido de obrigar a alterar e a mudar. Formas de viver e de estar. Por isso, se lhe chama de Revolução e se a apelida de Verde. Abnegação, espírito de sacrifício, trabalho. Sobretudo trabalho, são condições para criar riqueza. Porque, e aqui não é conhecida tese contrária, só o trabalho gera riqueza.
domingo, dezembro 09, 2007
brincadeiras perigosas
Com frequência, ficamos a saber, através de diferentes órgãos de Informação, de fugas de presos das mais diversas cadeias. Ou da captura dos fugitivos. Fugitivos que, em muitos dos casos, há quem diga serem perigosos cadastrados. Logo, quando a Polícia captura um desses fugitivos, não capturou um pilantra, um ladrão de galinhas ou um sacador de telemóveis. Capturo um perigoso cadastrado. E, o atributivo, ou se assim se quiser, o adjectivo, em primeiro lugar dá jeito à Polícia. Afinal, ela, Polícia, sem ou com poucos meios, tem saberes e conheceres, tem artes e manhas para capturar prisioneiros fugitivos. E, estes sabem, também, que quando capturados adquirem e passam a ter novo estatuto. Perante a população prisional e perante a sociedade civil. Passam a figurar como perigosos cadastrados. Mesmo que, antes, nunca o tenham sido. Então, fica a dúvida. Fica a dúvida sobre se muitas das histórias rocambolescas, que têm direito a letra de Imprensa, servem para mais do que à criação de mitos. Ou de falsos heróis. Seja do herói bandido ou do bandido herói. Que em última análise vence o polícia. Símbolo e representante da Lei, da Ordem, do Poder e do Estado.
Conhecemos e sabemos das fragilidades do nosso sistema prisional E do sistema de Justiça. Que não julga com celeridade nem com rapidez. Acontece que, para além destes aí pouco ou nada sabemos. Mas, é, afigura-se importante saber. Para não termos de continuar a ser confrontados que versões de sucedidos que sequer convencem crianças do ensino primário. Por exemplo, quando se diz que “Anibalzinho” não aderiu ao plano de fuga do tal perigoso cadastrado, agora capturado, temos de saber o que se pretende dizer e o que se pretende encobrir. Teremos de saber, com clareza, se quem manda nas Cadeias são os criminosos os polícias. E, se estes têm poderes discricionários para deixar sair uns e matar outros. Ou em última hipótese, ambos os poderes. Se a fuga deste tal de “Todinho” ainda está envolta em mistérios, a sua captura não deixa de o estar menos. E, pode, até, sugerir, pelos relatos da Imprensa, que tenha estado a funcionar como agente “duplo”. Sendo que, ao ter falhado no plano para libertar “Anibalzinho”, tenha regressado à cela donde não devia ter sido. Donde devia ter evitado sair. A realidade dos factos, parece apontar para uma realidade inequívoca. Que é a de agora prendo eu, amanhã solta tu. Sendo que o inverso contem a mesma verdade: Agora solto eu, amanhã prendes tu. Haja por bem entender-se que o exercício do poder não se compadece com qualquer género de brincadeira. Sobretudo, com estas brincadeiras perigosas.
Conhecemos e sabemos das fragilidades do nosso sistema prisional E do sistema de Justiça. Que não julga com celeridade nem com rapidez. Acontece que, para além destes aí pouco ou nada sabemos. Mas, é, afigura-se importante saber. Para não termos de continuar a ser confrontados que versões de sucedidos que sequer convencem crianças do ensino primário. Por exemplo, quando se diz que “Anibalzinho” não aderiu ao plano de fuga do tal perigoso cadastrado, agora capturado, temos de saber o que se pretende dizer e o que se pretende encobrir. Teremos de saber, com clareza, se quem manda nas Cadeias são os criminosos os polícias. E, se estes têm poderes discricionários para deixar sair uns e matar outros. Ou em última hipótese, ambos os poderes. Se a fuga deste tal de “Todinho” ainda está envolta em mistérios, a sua captura não deixa de o estar menos. E, pode, até, sugerir, pelos relatos da Imprensa, que tenha estado a funcionar como agente “duplo”. Sendo que, ao ter falhado no plano para libertar “Anibalzinho”, tenha regressado à cela donde não devia ter sido. Donde devia ter evitado sair. A realidade dos factos, parece apontar para uma realidade inequívoca. Que é a de agora prendo eu, amanhã solta tu. Sendo que o inverso contem a mesma verdade: Agora solto eu, amanhã prendes tu. Haja por bem entender-se que o exercício do poder não se compadece com qualquer género de brincadeira. Sobretudo, com estas brincadeiras perigosas.
domingo, dezembro 02, 2007
uma festa exclusivamente moçambicana
Um pouco por todo o país, o dia da última terça-feira foi dia de festa. De alegria. Houve quem tivesse classificado este 26 de Novembro como dia da segunda independência. Para além da carga emotiva que a afirmação possa conter ou da diferente perspectiva de quem opina, foi, sem dúvida, um dia muito especial para Moçambique. Por constituir um marco importante na história política e económica do país. Haja, embora, quem ainda pensa e continue a afirmar que a HCB não é do Estado moçambicano mas, sim, dos financeiros estrangeiros. Um pensar errado, que o Presidente da República terá, uma vez mais, corrigido a partir do Songo. Com efeito, foi a vila do Songo que acolheu as cerimónias principais que assinalaram, publicamente, a reversão irreversível da posse da Barragem por parte de Moçambique. Dada a importância da cerimónia, ali se fizeram presentes várias individualidades africanas, que se misturaram com o povo local e assistiram a muito cantar e a muito dançar. A muita alegria. Uma alegria nacional e moçambicana.
A reversão, definitiva, da Barragem de Cahora Bassa para o controlo do Estado moçambicano, poderá ter tido dois aspectos negativos. Duas grandes falhas. O primeiro aspecto negativo poderá ter sido o de a tolerância de ponto no dia da festa realizada na vila do Songo, ter abrangido apenas a província de Tete. Em nossa modesta opinião, o país inteiro merecia ter tido tolerância de ponto para poder assistir à cerimónia, à festa do Songo. Através da televisão, como parece óbvio. Mas, como se soube e dado que tal tolerância não foi declarada, houve o recurso a soluções locais. Marcha de apoio aqui e ali, mais concentração acolá, Governador de província a convidar governados para pavilhão desportivo. E, assim, poderem estar, sem terem estado, no Songo. O segundo aspecto, a segunda grande falha negativa, situa-se no nível da delegação de Portugal. Que, ao que se diz e devido ao arrastamento nas negociações, em Maputo, sequer se deslocou ao Songo. Ou, se de facto ali se deslocou, terá passado desapercebida. Digamos, mesmo, não terá sido notada. Que terá sido ignorada. E, dada a importância do acontecimento, o caso não era para menos. Perante esta realidade, perante a realidade, concreta e objectiva, Portugal terá perdido a última oportunidade de descolonizar com dignidade. Portugal perdeu, em concreto e em definitivo, a possibilidade de afirmar que tendo colonizado mal, podia descolonizar bem. E, assim, passar a figurar na História mundial. Mas, tal não aconteceu. E, não tendo acontecido já não existe tempo para que possa vir a acontecer. Assim, a festa no Songo, neste último 27 de Novembro, ficará registada na história como uma festa exclusivamente moçambicana.
A reversão, definitiva, da Barragem de Cahora Bassa para o controlo do Estado moçambicano, poderá ter tido dois aspectos negativos. Duas grandes falhas. O primeiro aspecto negativo poderá ter sido o de a tolerância de ponto no dia da festa realizada na vila do Songo, ter abrangido apenas a província de Tete. Em nossa modesta opinião, o país inteiro merecia ter tido tolerância de ponto para poder assistir à cerimónia, à festa do Songo. Através da televisão, como parece óbvio. Mas, como se soube e dado que tal tolerância não foi declarada, houve o recurso a soluções locais. Marcha de apoio aqui e ali, mais concentração acolá, Governador de província a convidar governados para pavilhão desportivo. E, assim, poderem estar, sem terem estado, no Songo. O segundo aspecto, a segunda grande falha negativa, situa-se no nível da delegação de Portugal. Que, ao que se diz e devido ao arrastamento nas negociações, em Maputo, sequer se deslocou ao Songo. Ou, se de facto ali se deslocou, terá passado desapercebida. Digamos, mesmo, não terá sido notada. Que terá sido ignorada. E, dada a importância do acontecimento, o caso não era para menos. Perante esta realidade, perante a realidade, concreta e objectiva, Portugal terá perdido a última oportunidade de descolonizar com dignidade. Portugal perdeu, em concreto e em definitivo, a possibilidade de afirmar que tendo colonizado mal, podia descolonizar bem. E, assim, passar a figurar na História mundial. Mas, tal não aconteceu. E, não tendo acontecido já não existe tempo para que possa vir a acontecer. Assim, a festa no Songo, neste último 27 de Novembro, ficará registada na história como uma festa exclusivamente moçambicana.
domingo, novembro 25, 2007
uma aliança espúria
É Moçambique um país de muitas e de múltiplas carências. Daí o recurso ao donativo e à oferta externa para tentar reduzir a diferença entre o que possuímos e entre o que necessitamos. Por vezes, e também, à solidariedade interna. Como aconteceu, recentemente, aquando das explosões do Paiol de Maputo. Naturalmente, perante estas e outras situações reais, como diz o ditado, “quem dá o que pode a mais não é obrigado”. Até aqui, parece estarmos de acordo. Mas, dar o que se pode, dar o que se pode dar, nem sempre significa dar o que pode ser útil e necessário a quem recebe. Ora, parece ter sido o que aconteceu com o recente donativo da Câmara do Porto (Portugal) à Cidade da Beira. É que entre os diversos artigos da oferta, constava uma camião para a recolha do lixo. Mas, um camião já cansado para não dizer velho. Tinha 25 anos de uso, de utilização. E, aqui, cabe perguntar para que serve um camião com 25 anos de uso. Certamente, para nada. Ou, em última hipótese para criar novos problemas ou para ser vendido para a sucata. Ora, se assim pensou o Presidente do Conselho Municipal da Beira, cidade a quem se destinava a oferta, pensou bem. Nem poderia ter pensado melhor. E, se pensou bem, melhor agiu. Ao recusar receber a oferta. Em último lugar, poderá ter criado um facto político. Nada mais do que isso. A não ser o de ter contribuído para o anedotário tuga.
Muito já foi dito e escrito sobre as cadeias nacionais. Na generalidade, em defesa dos reclusos e das más condições prisionais. Em outros casos, sobre a ilegalidade de muitos dos detidos. E, parece bom, parece positiva esta tomada de posição, esta tomada de consciência. Sobre a necessidade de mudar, sobre a necessidade de alterar o que mal está. Fica a dúvida se tal, se tal posicionamento, encontra confirmação prática. É que, recentemente, surgiu um fenómeno novo e curioso. Estamos a referir o facto de se levar equipas de futebol federado para disputar jogos de futebol com reclusos no interior da B.O. O que, em si, até pode ser bom e positivo. Para alguns reclusos. Mas o que já parece menos bom, é que estes jogos de futebol estejam a ter uma cobertura jornalística que, em nada justificam. Mais, que até pode ser condenável. Em termos de Ética. E é. Não se percebe, muito menos se entende, como algumas equipas prestigiadas se prestam a este tipo de jogos. A estas futeboladas. Como não se percebe como, a coberto destes jogos, condenados a pena maior apareçam como vedetas em páginas de muito jornal da praça. Com direito a entrevista. Acompanhada de foto. Para dizerem e, vejam só, para elogiarem a forma como são tratados na prisão. De facto, algumas equipas do futebol estão no bom caminho. Estão a contribuir para que, condenados em Tribunal, manifestem a sua opinião, sobre as condições do cárcere. E, mais, sobre a justiça da pena que lhes foi aplicada. Que a nossa Justiça é deficiente, é público e assumido. Que o futebol nacional não passa de medíocre, não vê quem não quer ver. Agora, esta aliança entre sistema prisional e equipas de futebol, é uma aliança estranha. E não é normal. Digamos, trata-se de uma aliança espúria.
Muito já foi dito e escrito sobre as cadeias nacionais. Na generalidade, em defesa dos reclusos e das más condições prisionais. Em outros casos, sobre a ilegalidade de muitos dos detidos. E, parece bom, parece positiva esta tomada de posição, esta tomada de consciência. Sobre a necessidade de mudar, sobre a necessidade de alterar o que mal está. Fica a dúvida se tal, se tal posicionamento, encontra confirmação prática. É que, recentemente, surgiu um fenómeno novo e curioso. Estamos a referir o facto de se levar equipas de futebol federado para disputar jogos de futebol com reclusos no interior da B.O. O que, em si, até pode ser bom e positivo. Para alguns reclusos. Mas o que já parece menos bom, é que estes jogos de futebol estejam a ter uma cobertura jornalística que, em nada justificam. Mais, que até pode ser condenável. Em termos de Ética. E é. Não se percebe, muito menos se entende, como algumas equipas prestigiadas se prestam a este tipo de jogos. A estas futeboladas. Como não se percebe como, a coberto destes jogos, condenados a pena maior apareçam como vedetas em páginas de muito jornal da praça. Com direito a entrevista. Acompanhada de foto. Para dizerem e, vejam só, para elogiarem a forma como são tratados na prisão. De facto, algumas equipas do futebol estão no bom caminho. Estão a contribuir para que, condenados em Tribunal, manifestem a sua opinião, sobre as condições do cárcere. E, mais, sobre a justiça da pena que lhes foi aplicada. Que a nossa Justiça é deficiente, é público e assumido. Que o futebol nacional não passa de medíocre, não vê quem não quer ver. Agora, esta aliança entre sistema prisional e equipas de futebol, é uma aliança estranha. E não é normal. Digamos, trata-se de uma aliança espúria.
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