Em edições da semana passada, pelo menos dois semanários dedicaram largos espaços ao tráfico. De pessoas e de drogas. Trata-se, como se sabe, de negócios milionários. Que datam de há muitos anos. Que têm raízes no tempo. E, da forma que questionam o que questionam, os semanários também podiam questionar mais. Podiam questionar, por exemplo, sobre o negócio do urânio enriquecido. Como podiam, também e noutra eventualidade, interrogar sobre a venda de motores de aviões e de helicópteros soviéticos. E, isto, apenas para sublinhar que o nosso país pode ser uma plataforma, uma placa giratória de negócios ilegais muito mais ampla do que aquilo que parece ser. Em relação aos dois textos dos dois semanários, uma coisa parece clara. Ambos apresentam dados, números, nomes de traficados e de possíveis traficantes. Ambos constituem um libelo acusatório. Pior. Ambos os textos, ambos os trabalhos jornalísticos, ao que se lê, terão sido elaborados, pelo menos em parte, com base em informações fornecidas pela investigação policial. Com base em dados fornecidos por quem o dever de investigar. E, de prevenir e de punir o crime organizado. Através de um trabalho profundo.
Possa ou não parecer repetitivo, é importante voltar a reflectir. Os negócios de seres humanos e de drogas podem colocar em questão a segurança do Estado. E, isto é apenas uma repetição do escrito em anterior. Por muito que possa parecer maldade, talvez seja apenas desconhecimento. A questão, a verdadeira questão, a questão de fundo, é que o Estado não está a fazer nada para se defender. Para se proteger das investidas das mafias do crime organizado. O nosso Estado parece estar a ficar cada dia mais frágil. Por vontade própria. Ou por vontades pessoais de alguns dos seus agentes. Para depois, por fim, nos virem dizer que de nada sabiam. Só que as coisas não são assim. Nunca foram assim. Possivelmente, nunca virão a ser assim. A segurança do Estado não é uma questão de nacionalidade. Nem de cueca. A segurança do Estado não assenta, unicamente, na Lei. O conceito ultrapassa a Lei. Vai para depois de Lei. Em termos práticos, necessita de legitimidade. Assenta na necessidade de uma lógica que possa dar legitimidade à Lei. E, essa lógica, só pode ser a lógica do poder do soberano.
domingo, setembro 21, 2008
domingo, setembro 14, 2008
um negócio ilegal
Temos e vivemos num país que tem tendência para esquecer. Para o esquecimento. Óbvio é, que país não tem aqui o significado de espaço geográfico. Nem de território. Vai para além destas duas e de possíveis outras mais definições. País, aqui, são gentes, pessoas, homens e mulheres. Que ocupam e habitam esse território. Esse espaço geográfico. Moçambique, portanto. Ora, quando se diz que são os homens e as mulheres, não significa que estejamos perante um dado absoluto. Que sejam todos os homens e todas as mulheres. Não. Serão apenas uma parte do todo. Uma parte de todos os homens e de todas as mulheres. Mas, o que parece importante, é tratar-se da parte do todo que não devia esquecer. Que parece ter por dever não esquecer. Mas que por motivos não conhecidos, não esclarecidos, tende em tentar conduzir-nos para ou ao esquecimento. A tentar apagar das nossas memórias individuais o que devia ser motivo de investigação e de esclarecimento. Público. Cabal e convincente. Como já deve ter sido entendido, estamos a falar de casos recentes. Oficiais e públicos. Primeiro, dos jovens trazidos do norte para o sul do país. Transportados em condições desumanas. Para estudarem, cá no Sul. Depois, das jovens que uma tal de Diana fez transportar desde a Praia da Costa do Sol até à África do Sul. Onde terão sido internadas em bordéis. Por último, mas não necessariamente por fim, também nos foi dado a conhecer a situação de cerca de duas dezenas de jovens moçambicanos. Que viviam numa vivenda da cidade de Maputo. A expensas de cidadãos turcos. Que residiam ilegalmente em Moçambique. Que haviam entrado ilegalmente no país. Com naturais e indispensáveis cumplicidades locais. Ora, são todos estes casos recentes. Mas não esquecidos. E que, por questões de ética e de moral, importa não esquecer. Mas, também e sobretudo de soberania. E, de segurança do Estado.
Mais recentemente, foi noticiado que “Cinco menores terão sido raptados para a RAS” e que “Uma sexta criança conseguiu escapar de um mini-bus que as transportava” (Notícias de 10 do corrente). Neste, como em caso anterior, a denúncia dos raptos parte de uma das vítimas. Que terá conseguido escapar aos raptores. Segundo a versão da Polícia. Ao que parece, ao que se sabe, em nenhum dos casos terá havido investigação jornalística. Nem investigação independente. Para investigar este novo fenómeno. Que bem pode ter algo a ver a realização do Mundial de Futebol de 2010 na África do Sul. E que bem pode vir a transformar Moçambique num reservatório de prostitutas. Hoje, são suficientemente conhecidos os métodos e os processos pelos quais dezenas de crianças e de jovens oriundas de vários países, da América Latina, da Europa e de África entram em Espanha. Sobretudo raptadas na Nigéria e com recurso à feitiçaria, para as manter submissas. Recurso primeiro e último das mafias. O rapto de menores, de crianças, para os mais diversos fins, é, hoje um fenómeno universal. Um fenómeno que não pode ser tratado de forma ingénua. Por detrás do rapto de um criança, está sempre escondido um negócio, E, um negócio ilegal.
Mais recentemente, foi noticiado que “Cinco menores terão sido raptados para a RAS” e que “Uma sexta criança conseguiu escapar de um mini-bus que as transportava” (Notícias de 10 do corrente). Neste, como em caso anterior, a denúncia dos raptos parte de uma das vítimas. Que terá conseguido escapar aos raptores. Segundo a versão da Polícia. Ao que parece, ao que se sabe, em nenhum dos casos terá havido investigação jornalística. Nem investigação independente. Para investigar este novo fenómeno. Que bem pode ter algo a ver a realização do Mundial de Futebol de 2010 na África do Sul. E que bem pode vir a transformar Moçambique num reservatório de prostitutas. Hoje, são suficientemente conhecidos os métodos e os processos pelos quais dezenas de crianças e de jovens oriundas de vários países, da América Latina, da Europa e de África entram em Espanha. Sobretudo raptadas na Nigéria e com recurso à feitiçaria, para as manter submissas. Recurso primeiro e último das mafias. O rapto de menores, de crianças, para os mais diversos fins, é, hoje um fenómeno universal. Um fenómeno que não pode ser tratado de forma ingénua. Por detrás do rapto de um criança, está sempre escondido um negócio, E, um negócio ilegal.
domingo, setembro 07, 2008
Pensar e decidir diferente é direito fundamental
Desde há muitas décadas, que Moçambique se firmou como importante produtor de tabaco. De diferentes variedade. E, para além de produtor de tabaco, fabricante de cigarros. Com fábricas pertencentes a diferentes grupos económicos. Cada um disputando o crescente mercado interno e os mercados externos, com as suas diferentes marcas. Algumas das quais o tempo viria a tornar afamadas. Para além das fronteiras nacionais. Depois, terá sido o ocaso, como que um período de hibernação. O tempo, os tempos terão ditado uma nova ordem. Que ditado desde a falência, à morte, à resistência e ao ressurgimentos de plantações e de fábricas. A novos processos e a novas formas de produção de tabaco para o mercado interno e para a exportação. Com significativo peso, com não menor impacto social. No que respeita à criação de postos de trabalho e na melhoria das condições sociais e de vida de significativos segmentos da população. De uma população que se dedica à produção do tabaco e à sua transformação. Seja para o abastecimento da indústria nacional de produção de cigarros seja para a exportação. Hoje, como desde sempre o foi, em Moçambique, a produção de tabaco é uma cultura de rendimento. Uma cultura legal. Acarinhada e apadrinhada ao mais alto nível da governação.
O suplemento à última edição do “Magazine”, dá a conhecer vários aspectos da produção de tabaco em Moçambique. Da produção e exportação de tabaco por uma empresa sediada em Moçambique. Mais precisamente em Tete. E, os dados estão todos lá. São públicos. Vão desde os números de produção total de 1997 a 2008, que aumentaram mais de dez vezes. Como mostram os parciais e o total de trabalhadores que se beneficia da produção e da actividade transformadora do tabaco. Directa ou indirectamente. Não obstante esta realidade, para além desta realidade, que é a de uma cultura de rendimento que deveria ser incentivada, parece termos voltado a parar no tempo. A parar no tempo para defender interesses estrangeirados. Interesses que em nada têm a ver com a melhoria de vida do camponês, do agricultor moçambicano. Nem do cidadão, no geral. Desde aí, desde este servilismo, desde este vergar da espinha dorsal, foi menos de um passo. Nem chegou sequer a ser meio passo. E, um passo na direcção da falta de respeito e da violação dos direitos dos fumadores. Fumar, é um direito dos fumadores. Com a condição única de não importunarem e de não incomodarem quem não é fumador. Para tanto, deve o Estado regulamentar Lei que decidiu aprovar. Mas, até ao momento, assim não procedeu. O Estado, como pessoa de bem, como assim se pretende, não tem o direito de proceder por forma a como pretende proceder. Ou, como procede. Fumar, tomar café, tomar chá, beber refrigerantes, comer bolos, são, no essencial, direito dos cidadãos. Sejam ou não, todos eles, consumos que provocam hábito e habituação. Logo, vício. E, são. São todos eles produtos que provocam o vício do consumo. Com maior ou menor perigo para a saúde do cidadão. Ora, neste contexto, punir e penalizar, única e exclusivamente o fumador, é uma atitude extrema. Uma atitude de extremosa direita. O país real, o país que vota, o país que irá votar não se conforma nestes limites. De extrema e da extremosa direita. Que parece querer ter o direito de pensar e de decidir pelos outros. Por nós outros. Nesta como em variadas outras questões. Pensar e decidir diferente é direito fundamental.
O suplemento à última edição do “Magazine”, dá a conhecer vários aspectos da produção de tabaco em Moçambique. Da produção e exportação de tabaco por uma empresa sediada em Moçambique. Mais precisamente em Tete. E, os dados estão todos lá. São públicos. Vão desde os números de produção total de 1997 a 2008, que aumentaram mais de dez vezes. Como mostram os parciais e o total de trabalhadores que se beneficia da produção e da actividade transformadora do tabaco. Directa ou indirectamente. Não obstante esta realidade, para além desta realidade, que é a de uma cultura de rendimento que deveria ser incentivada, parece termos voltado a parar no tempo. A parar no tempo para defender interesses estrangeirados. Interesses que em nada têm a ver com a melhoria de vida do camponês, do agricultor moçambicano. Nem do cidadão, no geral. Desde aí, desde este servilismo, desde este vergar da espinha dorsal, foi menos de um passo. Nem chegou sequer a ser meio passo. E, um passo na direcção da falta de respeito e da violação dos direitos dos fumadores. Fumar, é um direito dos fumadores. Com a condição única de não importunarem e de não incomodarem quem não é fumador. Para tanto, deve o Estado regulamentar Lei que decidiu aprovar. Mas, até ao momento, assim não procedeu. O Estado, como pessoa de bem, como assim se pretende, não tem o direito de proceder por forma a como pretende proceder. Ou, como procede. Fumar, tomar café, tomar chá, beber refrigerantes, comer bolos, são, no essencial, direito dos cidadãos. Sejam ou não, todos eles, consumos que provocam hábito e habituação. Logo, vício. E, são. São todos eles produtos que provocam o vício do consumo. Com maior ou menor perigo para a saúde do cidadão. Ora, neste contexto, punir e penalizar, única e exclusivamente o fumador, é uma atitude extrema. Uma atitude de extremosa direita. O país real, o país que vota, o país que irá votar não se conforma nestes limites. De extrema e da extremosa direita. Que parece querer ter o direito de pensar e de decidir pelos outros. Por nós outros. Nesta como em variadas outras questões. Pensar e decidir diferente é direito fundamental.
domingo, agosto 24, 2008
um escândalo nacional
Trata-se de um fenómeno universal. Como o da fome. Aquilo que as crianças aprendem, nos primeiros anos de vida, em casa, com a família, esquecem. Quando entram na escola. A escola, quando a criança aí chega, providencia-lhe como que uma lavagem ao cérebro. Tenta apagar o que ela sabe. E, não dá continuidade ao seu saber e ao seu saber fazer. Não incentiva as suas tendências. Não procura valorizar nem investigar o que a criança tem de diferente. Nem de melhor. E, incentivar a diferença. Valorar e valorizar a diferença. Não. O que a escola tenta fazer, o que a escola faz com exemplar mestria, é mediocrizar. Mediocrizar o diferente, mediocrizar o génio. Fazer baixar o génio ao nível do sofrível. Quando não ao nível do medíocre. Por isso ou para isso, servem os planos e programas de ensino objectivamente medíocres. Neste campo, Moçambique pode não ser apontado como pioneiro. Mas, é exemplo. De resto, ao que se diz, latim e português arcaico a ninguém aproveitam. Como se diz que a criança, o estudante moçambicano é forçado a decorar matérias de valor nenhum e de utilidade nenhuma. Na sua vida prática. Por isso, assim parece, os resultados estão à vista. Acresce, que não se incentivam vocações nem o gosto pelo trabalho. Por uma profissão ou por uma carreira. Criam-se e alimentam-se, isso sim, mentalidades distorcidas. Daí, o síndroma do diploma. Pelo chamado canudo. Que as universidades, principalmente as públicas, têm o dever de ser as primeiras a combater.
Com “Resultados péssimos”, o “Notícias” de 15 do corrente titulava a sua principal local, referindo-se aos exames extraordinários. E, acrescentava que “Dos 44.525 avaliados da 12ª classe, apenas 21 por cento foi aprovado. Ao que parece, aqui, não estamos perante um desastre ou uma calamidade natural. Estamos, isso sim, perante um escândalo. E um escândalo, só, e só, nacional. Porque é escândalo nacional que, desses mais de 44 mil estudantes adolescentes e adultos, apenas pouco mais de nove mil tenham obtido notas para passar de ano. Quer dizer, de forma clara, os nossos impostos, os impostos que pagamos ao Estado, estão a ser mal geridos. Estão a ser geridos de forma manifestamente incompetente. E, perante a realidade dos números, importa tirar uma conclusão. De entre várias e muitas hipóteses possíveis. A primeira, é de que os estudantes não estudam. Que vão à escola apenas por ir à escola. A segunda, é a de que os programas de estudo não estão adequados à realidade nacional. A terceira, é a de que os professores não estão capacitados para ensinar as matérias que devem ensinar. Objectivamente, sejam quais possam ser as causas de um tão elevado número de reprovações, estamos perante um escândalo. E, este é um escândalo nacional.
Com “Resultados péssimos”, o “Notícias” de 15 do corrente titulava a sua principal local, referindo-se aos exames extraordinários. E, acrescentava que “Dos 44.525 avaliados da 12ª classe, apenas 21 por cento foi aprovado. Ao que parece, aqui, não estamos perante um desastre ou uma calamidade natural. Estamos, isso sim, perante um escândalo. E um escândalo, só, e só, nacional. Porque é escândalo nacional que, desses mais de 44 mil estudantes adolescentes e adultos, apenas pouco mais de nove mil tenham obtido notas para passar de ano. Quer dizer, de forma clara, os nossos impostos, os impostos que pagamos ao Estado, estão a ser mal geridos. Estão a ser geridos de forma manifestamente incompetente. E, perante a realidade dos números, importa tirar uma conclusão. De entre várias e muitas hipóteses possíveis. A primeira, é de que os estudantes não estudam. Que vão à escola apenas por ir à escola. A segunda, é a de que os programas de estudo não estão adequados à realidade nacional. A terceira, é a de que os professores não estão capacitados para ensinar as matérias que devem ensinar. Objectivamente, sejam quais possam ser as causas de um tão elevado número de reprovações, estamos perante um escândalo. E, este é um escândalo nacional.
domingo, agosto 17, 2008
os nossos interesses são os interesses do camponês moçambicano
Desde há muito anos que se fala na perda de parte da produção agrícola pelos camponeses. Quer dizer, os camponeses produzem. E, produzem para além das suas necessidades alimentares. Para além das suas necessidades alimentares básicas imediatas. Mas, depois, não possuem nem meios nem conhecimentos para conservar por longos períodos o excesso da sua produção. Seja ela qual seja. Assim como não conseguem fazer chegar esses seus excedentes agrícolas a outras e diferentes zonas do país. Seja devido à ausência ou ao mau estado das vias de circulação. Seja por motivo da falta de meios de transporte. Seja, ainda, que para além de uns e de outros, o preço do mercado é baixo. O preço no mercado de destino não compensa, não paga, não suporta os custos da produção. Por este e, provavelmente, por outros motivos, em algumas regiões do país há produção em excesso. E, que se estraga. Em outras, poderá haver fome. Há mortes devido à fome, em certas regiões do país. O que indicia estarmos perante um processo distorcido. Se assim, produzir mais, aumentar a produção é igual a perder mais dinheiro. Em termos de matemática, a lógica do camponês é inatacável. Por estes e, provavelmente por outros motivos, em algumas regiões do país a produção agrícola pode reduzir. Estamos, ao que parece, perante realidades antagónicas. O mercado, como todos o sabemos, não é perfeito. Logo, cabe ao Estado assumir o papel de regulador. Cabe ao Estado, seja através da garantia do preço de compra ao camponês, seja através de subsídios ou de isenções possíveis, tornar o preços dos produtos agrícolas competitivos e que compensem o esforço do camponês nacional.
A perda de excedentes agrícolas nacionais, situa-se em números alarmantes. Segundo o jornal “Notícias” (13 de Agosto corrente), o país perde, anualmente, um milhão de toneladas de comida. Produzida internamente. Com muito esforço. E, por certo, muito sacrifício. Esta quantidade de comida perdida representa cerca de 40 por cento da produção total do país. E do trabalho e do esforço de cerca de 3,7 milhões de camponeses. Trata-se, como se pode verificar, de números impressionantes. Talvez, até, chocantes. Mas que sendo verdadeiros, e tudo indica que sim, nos transportam para outra realidade. Ou, se assim se preferir, para uma outra dimensão da realidade nacional. A de que o problema de Moçambique não é um problema de produção. Que o problema da eliminação da fome não assenta, unicamente, no aumento da produção agrícola. Tem outros vectores, não menos importantes. O primeiro, passa por eliminar o conceito negativo de combate à pobreza. E criar e alimentar o conceito positivo de criação de riqueza. É que todos queremos ser ricos. Pelo menos queremos, hoje, viver melhor do que vivíamos ontem. Através do trabalho honesto. O segundo, é o que de parece esgotada toda a falácia que por aí se houve em nome do camponês. Que é tempo de deixar de se falar em nome do camponês. Para dar a palavra ao camponês. Em substituição do tempo de palavra que se dá, em salas com ar condicionado, a representantes de OGN´s. A que, como todos sabemos, o camponês não tem acesso. Nem, ao que se saiba, alguma vez manifestou interesse em ter. Este dualismo, esta dualidade, implica, obrigatoriamente, uma decisão. Que pode ser dolosa para quem tem o poder e o dever de decidir. Para decidir se opta pela continuação de projectos dispersos ou pela execução de um plano nacional. Que convenha aos interesses nacionais. Tenhamos que ao discurso de ocasião, se sobrepõem os interesses nacionais de longo prazo. Aqui residem os interesses do camponês nacional. E, os nossos interesses. Porque, os nossos interesses são os interesses do camponês moçambicano.
A perda de excedentes agrícolas nacionais, situa-se em números alarmantes. Segundo o jornal “Notícias” (13 de Agosto corrente), o país perde, anualmente, um milhão de toneladas de comida. Produzida internamente. Com muito esforço. E, por certo, muito sacrifício. Esta quantidade de comida perdida representa cerca de 40 por cento da produção total do país. E do trabalho e do esforço de cerca de 3,7 milhões de camponeses. Trata-se, como se pode verificar, de números impressionantes. Talvez, até, chocantes. Mas que sendo verdadeiros, e tudo indica que sim, nos transportam para outra realidade. Ou, se assim se preferir, para uma outra dimensão da realidade nacional. A de que o problema de Moçambique não é um problema de produção. Que o problema da eliminação da fome não assenta, unicamente, no aumento da produção agrícola. Tem outros vectores, não menos importantes. O primeiro, passa por eliminar o conceito negativo de combate à pobreza. E criar e alimentar o conceito positivo de criação de riqueza. É que todos queremos ser ricos. Pelo menos queremos, hoje, viver melhor do que vivíamos ontem. Através do trabalho honesto. O segundo, é o que de parece esgotada toda a falácia que por aí se houve em nome do camponês. Que é tempo de deixar de se falar em nome do camponês. Para dar a palavra ao camponês. Em substituição do tempo de palavra que se dá, em salas com ar condicionado, a representantes de OGN´s. A que, como todos sabemos, o camponês não tem acesso. Nem, ao que se saiba, alguma vez manifestou interesse em ter. Este dualismo, esta dualidade, implica, obrigatoriamente, uma decisão. Que pode ser dolosa para quem tem o poder e o dever de decidir. Para decidir se opta pela continuação de projectos dispersos ou pela execução de um plano nacional. Que convenha aos interesses nacionais. Tenhamos que ao discurso de ocasião, se sobrepõem os interesses nacionais de longo prazo. Aqui residem os interesses do camponês nacional. E, os nossos interesses. Porque, os nossos interesses são os interesses do camponês moçambicano.
domingo, agosto 10, 2008
A “revolução verde” implica a participação do camponês
Por vezes, por dias, em certas ocasiões, parece difícil escrever. Se escrever significa dizer coisas novas, diferentes, originais. Então, se não há, se não existe essa disposição, se não há essa capacidade, resta recorrer a quem sabe mais. A quem viveu, estudou e investigou. Mais. É o caso do repórter polaco Ryszard Kapuscinki, falecido no início de Janeiro de 2007. Do muito que escreveu, principalmente sobre África, conheci, li agora “Os Cínicos Não Servem Para Este Ofício – Conversas Sobre o Bom Jornalismo”. A primeira edição em língua portuguesa tem a chancela do Relógio D´Água, e é datada de Fevereiro de 2008. O curioso, talvez o mais curioso, é que tratando de um livro sobre jornalismo, também é um livro sobre África. Sobre os problemas de África. Ou de como o jornalismo, sobretudo o mau jornalismo, deforma a visão dos problemas reais de África. Ou, para ser mais claro e concreto, dos pobres de África. Ainda estamos na introdução ao livro a já Maria Nadotti escreve, em termos de dúvida. Talvez de provocação: Quem acredita na objectividade da informação, quando o único relato possível é “pessoal e provisório” (pag. 18)
Em resposta a uma questão que lhe foi colocada, o repórter responde (pag. 74): A meu ver, o desaparecimento do mundo camponês do globo é um dos grandes paradoxos do mundo contemporâneo porque produzimos uma quantidade de alimentos cada vez menor para uma população em contínuo crescimento. A eliminação do mundo camponês é um fenómeno sócio-económico à escala mundial, consiste num acto suicida global. O meu campo é África e posso dizer que se trata de um processo tipicamente suicida a que a humanidade por vezes se abandona: o continente que tem cada vez menos alimentos e cada vez mais habitantes está a eliminar a classe camponesa e está a fazei-lo muito rapidamente. Com efeito, uma grande parte da humanidade vive das ajudas, e com estas ajudas que estamos a enviar para o Ruanda e para outros países, estamos a criar uma situação trágica: uma classe parasita de refugiados à escala mundial, que são afastados das suas aldeias, dos seus campos, do seu gado, colocados nos campos de refugiados e alimentados pelas organizações mundiais – muitas delas são completamente corruptas – onde vai parar o nosso dinheiro e os nossos impostos. E, mais adiante: Estamos a criar, através deste louco mecanismo das chamadas organizações humanitárias, um problema enorme para a humanidade, eliminando a classe camponesa e tornando a classe camponesa cada vez mais dependente da burocracia das chamadas organizações humanitárias. Talvez seja útil acrescentar que durante os últimos 5.000 ou 7.000 anos de história escrita vivemos uma única história, que criámos e na qual participámos. Mas desde o desenvolvimento dos meios de comunicação, na segunda metade do século XX, estamos a viver duas histórias diferentes: a verdadeira e aquela criada pelos meios de comunicação. O paradoxo, o drama, o perigo residem no facto de que conhecemos cada vez mais a história criada pelos meios de comunicação e não a verdadeira. Por isso, o nosso conhecimento não se refere à história real, antes à história criada pelos meios de comunicação. O que, concluamos, sendo verdade é mau. É péssimo. Quando estamos, como estamos, como se terá percebido que estamos, a elaborar sobre a “revolução verde”, parece importante deixar claro dois aspectos: O primeiro, é que a “revolução verde” nunca poderá ter sucesso através da simples repetição do discurso do Presidente da República. Primeiro, pelos governadores provinciais. Depois, pelos administradores. E, por aí em diante. A “revolução verde” não se faz, nunca haverá de ter sucesso, através da repetição mecânica do discurso do chefe. Não se faz, nunca poderá ser feita, em nome do camponês. A “revolução verde” implica a participação do camponês.
Em resposta a uma questão que lhe foi colocada, o repórter responde (pag. 74): A meu ver, o desaparecimento do mundo camponês do globo é um dos grandes paradoxos do mundo contemporâneo porque produzimos uma quantidade de alimentos cada vez menor para uma população em contínuo crescimento. A eliminação do mundo camponês é um fenómeno sócio-económico à escala mundial, consiste num acto suicida global. O meu campo é África e posso dizer que se trata de um processo tipicamente suicida a que a humanidade por vezes se abandona: o continente que tem cada vez menos alimentos e cada vez mais habitantes está a eliminar a classe camponesa e está a fazei-lo muito rapidamente. Com efeito, uma grande parte da humanidade vive das ajudas, e com estas ajudas que estamos a enviar para o Ruanda e para outros países, estamos a criar uma situação trágica: uma classe parasita de refugiados à escala mundial, que são afastados das suas aldeias, dos seus campos, do seu gado, colocados nos campos de refugiados e alimentados pelas organizações mundiais – muitas delas são completamente corruptas – onde vai parar o nosso dinheiro e os nossos impostos. E, mais adiante: Estamos a criar, através deste louco mecanismo das chamadas organizações humanitárias, um problema enorme para a humanidade, eliminando a classe camponesa e tornando a classe camponesa cada vez mais dependente da burocracia das chamadas organizações humanitárias. Talvez seja útil acrescentar que durante os últimos 5.000 ou 7.000 anos de história escrita vivemos uma única história, que criámos e na qual participámos. Mas desde o desenvolvimento dos meios de comunicação, na segunda metade do século XX, estamos a viver duas histórias diferentes: a verdadeira e aquela criada pelos meios de comunicação. O paradoxo, o drama, o perigo residem no facto de que conhecemos cada vez mais a história criada pelos meios de comunicação e não a verdadeira. Por isso, o nosso conhecimento não se refere à história real, antes à história criada pelos meios de comunicação. O que, concluamos, sendo verdade é mau. É péssimo. Quando estamos, como estamos, como se terá percebido que estamos, a elaborar sobre a “revolução verde”, parece importante deixar claro dois aspectos: O primeiro, é que a “revolução verde” nunca poderá ter sucesso através da simples repetição do discurso do Presidente da República. Primeiro, pelos governadores provinciais. Depois, pelos administradores. E, por aí em diante. A “revolução verde” não se faz, nunca haverá de ter sucesso, através da repetição mecânica do discurso do chefe. Não se faz, nunca poderá ser feita, em nome do camponês. A “revolução verde” implica a participação do camponês.
domingo, agosto 03, 2008
os erros políticos podem ter custos eleitorais
Os números são impressionantes. Para não dizer preocupante. E foram revelados ao Presidente da República. Durante a sua recente visita a Tete. Só nos primeiros meses de 2008, terão sido detectados cerca de 1.500 migrantes ilegais. Na província. Provenientes de onze países de África e da Ásia. Extrapolando os dados, mas sem especular. Muitas mais centenas de ilegais devem ter entrado no país por outras fronteiras. De outras províncias. Muitas outras centenas de ilegais podem estar a viver em Moçambique. Convindo que os motivos para essa vinda, para esse atravessar clandestino das nossas fronteiras, não foram motivos de ordem política, impõe-se uma reflexão. Séria a profunda. Realista. Não política. Por forma a saber e a saber-se se estes ilegais constituem ou não elemento destabilizador da sociedade moçambicana. A nível social. Mas, também, económico. Sabemos, por ser público, que muitos dos ilegais se entregam à exploração de ouro, de pedras preciosas, de diamantes, de madeira. E ao seu contrabando. Não punir, não sancionar quem nos rouba, quando se conhece o ladrão, é perigoso. É abdicar do Poder. É abdicar do Poder do Estado. E, em alguns momentos, o Estado parece estar a abdicar do seu Poder. Parece manifestar o receio de ser e de ter de ser Estado. Ora, o poder do Estado emana, sempre e em última análise, do Soberano. Quem manda no Governo, quem coloca e mantém o Governo é o Soberano.
Na cidade de Maputo, cidade capital do país, capital da República, a violência criminosa parece ter adquirido novos contornos. Parece ter atingido novos patamares. Mais elevados e mais sofisticados patamares. Perante a passividade policial. Perante uma preocupante passividade policial. Perante a inércia policial. Ao que se sabe, ao que é público, estamos, hoje, perante crimes selectivos. Estaremos perante raptos para extorquir dinheiro. Estamos perante raptos de pessoas supostas de ter poder económico ou político. Estamos perante aquilo a que, em qualquer parte do mundo, se chama de terrorismo urbano. E estamos, também, na realidade, perante polícias que para combater esta nova forma de crime têm ideias poucas. Mais exactamente, ideias nenhumas. E que sequer nos dizem, que sequer nos aconselham, por não saberem ou por não quererem dizer, que cuidados devemos tomar. Quando andamos a pé. Quando estamos a conduzir uma viatura. Que cuidados devemos tomar para não sermos alvos dos bandos criminosos. A quem devemos telefonar. A quem devemos pedir ajuda. E, como. O crime organizado tem, hoje, ao seu dispor todos os novos meios de comunicação. As polícias poderão ter nem tanto. Mas, ao que parece, fizeram opções erradas. Traçaram objectivos errados. Estão muito preocupadas com o combate ao vendedor de esquina, ao vendedor do informal, e negligenciaram o apetrechamento para o combate ao crime organizado. O que pode ter sido um erro político. E os erros políticos podem ter custos eleitorais.
Na cidade de Maputo, cidade capital do país, capital da República, a violência criminosa parece ter adquirido novos contornos. Parece ter atingido novos patamares. Mais elevados e mais sofisticados patamares. Perante a passividade policial. Perante uma preocupante passividade policial. Perante a inércia policial. Ao que se sabe, ao que é público, estamos, hoje, perante crimes selectivos. Estaremos perante raptos para extorquir dinheiro. Estamos perante raptos de pessoas supostas de ter poder económico ou político. Estamos perante aquilo a que, em qualquer parte do mundo, se chama de terrorismo urbano. E estamos, também, na realidade, perante polícias que para combater esta nova forma de crime têm ideias poucas. Mais exactamente, ideias nenhumas. E que sequer nos dizem, que sequer nos aconselham, por não saberem ou por não quererem dizer, que cuidados devemos tomar. Quando andamos a pé. Quando estamos a conduzir uma viatura. Que cuidados devemos tomar para não sermos alvos dos bandos criminosos. A quem devemos telefonar. A quem devemos pedir ajuda. E, como. O crime organizado tem, hoje, ao seu dispor todos os novos meios de comunicação. As polícias poderão ter nem tanto. Mas, ao que parece, fizeram opções erradas. Traçaram objectivos errados. Estão muito preocupadas com o combate ao vendedor de esquina, ao vendedor do informal, e negligenciaram o apetrechamento para o combate ao crime organizado. O que pode ter sido um erro político. E os erros políticos podem ter custos eleitorais.
domingo, julho 27, 2008
Fica a dúvida se nem sempre o que parece é
É facto que nem sempre o que parece é. Que não é suficiente parecer para ser. Que pode parecer e não e não ser. E que pode ser sem parecer. . Ou ser e não parecer. Assim, ser e parecer, serão questões distintas. E, sem serem opostas também não serão afins. Confluentes ou coincidentes. Apenas distintas. Talvez, até, independentes. A questão que se coloca, a questão que fica por saber, é se o muito parecer pode indiciar ser. Se a repetição constante do parece, pode indiciar o é. O que é. Se o tanto parecer, indicia camuflagem e máscara. E subterfúgio do é. Neste caso, nesta preposição, o é antecede o parece. O é, é. Tem existência própria. Existe. Antes, depois e para além de. Ao contrário, o parece será a visão subjectiva do é. Subjectiva e à posteriori. Sem se aceitar que existe um é, não será possível afirmar que nem sempre o que parece é. Ou, que não é. Independentemente de parecer ou de não parecer, o é não permite alternativas. Não há alternativas ao é. Ou é, ou não é.
Ele há inquéritos e há inquéritos. Há investigações e há investigações. Que podem, muito bem, ser todos magistralmente conduzidos. E, tecnicamente exemplarmente realizados. Honestos e intocáveis nos planos da ética e da moral. Mas cujas conclusões, em alguns casos, nos trazem muitas dúvidas e deixam certeza nenhuma. Que não nos trazem nenhuma tranquilidade. Estamos a falar sobre casos concretos. Sobre casos reais e concretos. E recentes. Primeiro, do caso dos jovens que vinham do norte para o sul do país. A pretexto de virem estudar. Transportados num camião. Sem um mínimo de condições. Ou em condições desumanas. Depois, foi o grupo dos outros tantos jovens. Que viviam no Bairro do Triunfo, cidade de Maputo. Que o Tribunal comprovou terem sido maltratados por dois cidadãos turcos. A viverem ilegalmente em Moçambique. Agora, por fim ou por agora, há o caso dos oito cidadão indianos a trabalharem ilegalmente no país. Suspensos pelo Ministério do Trabalho (Notícias de 22.07.08.). Coincidência ou não, factor comum a todos os três casos, é o de se tratar sempre de homens. Coincidência ou não, é o facto de aos três casos aparecer associado o nome da Associação Muçulmana de Moçambique. Com uma participação pouco clara e, nunca devidamente esclarecida. Nem desmentida. Fica a dúvida se nem sempre o que parece é.
Ele há inquéritos e há inquéritos. Há investigações e há investigações. Que podem, muito bem, ser todos magistralmente conduzidos. E, tecnicamente exemplarmente realizados. Honestos e intocáveis nos planos da ética e da moral. Mas cujas conclusões, em alguns casos, nos trazem muitas dúvidas e deixam certeza nenhuma. Que não nos trazem nenhuma tranquilidade. Estamos a falar sobre casos concretos. Sobre casos reais e concretos. E recentes. Primeiro, do caso dos jovens que vinham do norte para o sul do país. A pretexto de virem estudar. Transportados num camião. Sem um mínimo de condições. Ou em condições desumanas. Depois, foi o grupo dos outros tantos jovens. Que viviam no Bairro do Triunfo, cidade de Maputo. Que o Tribunal comprovou terem sido maltratados por dois cidadãos turcos. A viverem ilegalmente em Moçambique. Agora, por fim ou por agora, há o caso dos oito cidadão indianos a trabalharem ilegalmente no país. Suspensos pelo Ministério do Trabalho (Notícias de 22.07.08.). Coincidência ou não, factor comum a todos os três casos, é o de se tratar sempre de homens. Coincidência ou não, é o facto de aos três casos aparecer associado o nome da Associação Muçulmana de Moçambique. Com uma participação pouco clara e, nunca devidamente esclarecida. Nem desmentida. Fica a dúvida se nem sempre o que parece é.
domingo, julho 20, 2008
A violência institucional só adia a resolução dos problemas sociais
Tem vindo a ficar claro, ao longo dos últimos anos. Um pouco por todo o país, principalmente em alguns dos maiores centros urbanos, existe uma grande antipatia pelos vendedores informais. Em especial, pelos chamados vendedores de esquina. A nível da cidade de Maputo, essa antipatia é visceral. É fanática. É mórbida. Nunca terá sido colocada em questão a origem dos produtos e artigos em venda. Ao que parece, pouco importa se se trata de produtos e artigos roubados. Ou não. O problema, ao que parece, pelo que se pode ver, está no espaço ocupado na venda. E pelos vendedores. Em abono da verdade, já assistimos, em diferentes artérias de Maputo, a cenas chocantes. Repugnantes. Nojentas. Em que agentes da chamada Polícia Municipal se limitam a retirar produtos dos passeios para cima de viaturas em que se fazem transportar. Sem passarem recibo os produtos apreendidos. Sem qualquer explicação, verbal que seja, para a sua atitude. Para, depois, arrancarem a alta velocidade. Para, depois, arrancarem a alta velocidade. Perante o olhar surpreso, perante o desespero dos vendedores. Normalmente vendedoras. Algumas com crianças pequenas nas costas. Perante, repita-se, a impotência perante a ilegalidade e a injustiça. A prepotência.
Maputo é, hoje, uma cidade que alberga, muito provavelmente, mais de dois milhões de seres humanos. Muitos, vivendo na pobreza. No limite da pobreza. Sem emprego e sem trabalho. Sendo que emprego é, hoje, um bem cada vez mais raro. E, trabalho nem sempre é fácil conseguir. Face ao dilema que se lhes coloca de como sobreviver, a solução mais fácil, mais imediata, mais ao seu alcance para sobreviver, é a de comerciar. Comprar aqui por dez, pedir quinze ali, vender por onze ou doze mais além. Se assim, teve sucesso, registou lucro. Em termos de lógica, quantas mais operações simples, digamos simplórias, o vendedor realizar, maior o seu lucro diário. E, menor será o sofrimento da fome. Há muitos países, um pouco por todo o mundo, com os mesmos problemas de desemprego que o nosso enfrenta. Aí, foram criadas condições para vender nos passeios e em muitos outros locais públicos. O recurso e o apoio à utilização de bancas tipo “harmónio” ou tipo “tesoura”, teve sucesso. Falamos de bancas leves e flexíveis que os vendedores levam consigo, ao fim de cada dia, juntamente com os artigos não vendidos. Perante uma realidade mundial de falta de emprego, tem havido uma preocupação de evitar convulsões sociais. Entre nós, parece continuar a haver alguma dificuldade em compreender os fenómenos sociais. E, assim, que se continue a recorrer à repressão e à violência. Exemplo acabado dessa falta de compreensão e de entendimento, é o posicionamento do comandante da Polícia Municipal da Cidade de Maputo. Que segundo o jornal “Notícias” (edição de 10 de Julho) vai introduzir o uso da unidade canina, uma das unidades auxiliares para fazer face aos vendedores ambulantes (...). Parece oportuno deixar claro, que problemas de fome e de pobreza não se resolvem através da repressão nem da violência. Seja a violência humana, seja a violência policial ou canina. A violência não resolve os problemas sociais. A violência institucional só adia a resolução dos problemas sociais.
Maputo é, hoje, uma cidade que alberga, muito provavelmente, mais de dois milhões de seres humanos. Muitos, vivendo na pobreza. No limite da pobreza. Sem emprego e sem trabalho. Sendo que emprego é, hoje, um bem cada vez mais raro. E, trabalho nem sempre é fácil conseguir. Face ao dilema que se lhes coloca de como sobreviver, a solução mais fácil, mais imediata, mais ao seu alcance para sobreviver, é a de comerciar. Comprar aqui por dez, pedir quinze ali, vender por onze ou doze mais além. Se assim, teve sucesso, registou lucro. Em termos de lógica, quantas mais operações simples, digamos simplórias, o vendedor realizar, maior o seu lucro diário. E, menor será o sofrimento da fome. Há muitos países, um pouco por todo o mundo, com os mesmos problemas de desemprego que o nosso enfrenta. Aí, foram criadas condições para vender nos passeios e em muitos outros locais públicos. O recurso e o apoio à utilização de bancas tipo “harmónio” ou tipo “tesoura”, teve sucesso. Falamos de bancas leves e flexíveis que os vendedores levam consigo, ao fim de cada dia, juntamente com os artigos não vendidos. Perante uma realidade mundial de falta de emprego, tem havido uma preocupação de evitar convulsões sociais. Entre nós, parece continuar a haver alguma dificuldade em compreender os fenómenos sociais. E, assim, que se continue a recorrer à repressão e à violência. Exemplo acabado dessa falta de compreensão e de entendimento, é o posicionamento do comandante da Polícia Municipal da Cidade de Maputo. Que segundo o jornal “Notícias” (edição de 10 de Julho) vai introduzir o uso da unidade canina, uma das unidades auxiliares para fazer face aos vendedores ambulantes (...). Parece oportuno deixar claro, que problemas de fome e de pobreza não se resolvem através da repressão nem da violência. Seja a violência humana, seja a violência policial ou canina. A violência não resolve os problemas sociais. A violência institucional só adia a resolução dos problemas sociais.
domingo, julho 13, 2008
Uma língua de combate e uma língua de ruptura
Tem vindo a alimentar alguma polémica. Digamos que esquentados monólogos, cá entre nós, o futuro Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Hei de afirmar que, desde o início, desde o princípio da discussão sempre fui contra o dito. Ou, o maldito cujo. Este posicionamento manifestei, passam muitos anos, pessoalmente, a Luís Filipe Pereira. Primeiro negociador, primeiro negociante, moçambicano, do desditoso. Ou, do malditoso. Aquando, depois do seu regresso, logo após haver retornado da pátria do “Tira Dentes”. Onde, algures, tiveram lugar as primeiras conversações. Ou, talvez e por melhor dizer, as primárias negociações para unificar a ortografia da língua que todos nós falamos. E, escrevemos. Uns bem, outros mal. Outros, nem bem nem mal. Talvez a maioria. Dizer aqui, sem receio de desmentido, que uma língua pode ser língua de unidade nacional. No interior de um país. Onde está em processo a construção de uma nação. Mas que uma língua não é, nunca foi e, por hipótese, alguma vez haverá de ser instrumento de unidade entre países separados pela geografia. Distante no espaço, dispersos pelos continentes. Por tudo quanto é continente.
Em termos de presente, terei de dizer, com toda a humildade, que mudei de ideia. De ideias. De opinião. Depois de ter lido na última edição do “Magazine” o texto com o título “Este combate não é nosso”, concordei. E, disse de mim para mim, possivelmente lavrando em erro, que se o combate não é nosso estaremos perante um vitória sem adversário. Porque, ao que se sabe, não houve reunião ou seminário, restrito ou alargado, sobre o dito, talvez maldito, Acordo. Para discutir, abertamente, as diferentes vertentes do famigerado Acordo. O que têm de positivo. O que têm de negativo. Provavelmente, serão até nenhumas. Muito provavelmente, e é aqui que parece residir o ridículo de toda a questão, a partir de determinada data os computadores deixarão de nos fornecer dois correctores de textos. Deixará de haver sistemas de correcção para português do Brasil e para o português de Portugal. Haverá, apenas um versão. O que para quem escreve, para quem apenas escreve, tem inconveniente nenhum. Mas, convenhamos, nivelar por baixo, é nivelar pelo medíocre. O Acordo, em si, nem é bom nem é mau. É pior. Não contém genes de unidade nem de unicidade. E aponta para a necessidade de uma ruptura, definitiva, da linguística e da linguagem dos povos de países que pretendem afirmar-se. Que pretendem construir nações. No contexto das lutas contra a opressão colonial, a língua portuguesa foi definida como língua de combate e de unidade nacional. Assim deve continuar a ser. Para além dos acordos espúrios que por aí se anunciam, a língua portuguesa deve continuar a ser língua de combate. Uma língua de combate e a língua de ruptura.
Em termos de presente, terei de dizer, com toda a humildade, que mudei de ideia. De ideias. De opinião. Depois de ter lido na última edição do “Magazine” o texto com o título “Este combate não é nosso”, concordei. E, disse de mim para mim, possivelmente lavrando em erro, que se o combate não é nosso estaremos perante um vitória sem adversário. Porque, ao que se sabe, não houve reunião ou seminário, restrito ou alargado, sobre o dito, talvez maldito, Acordo. Para discutir, abertamente, as diferentes vertentes do famigerado Acordo. O que têm de positivo. O que têm de negativo. Provavelmente, serão até nenhumas. Muito provavelmente, e é aqui que parece residir o ridículo de toda a questão, a partir de determinada data os computadores deixarão de nos fornecer dois correctores de textos. Deixará de haver sistemas de correcção para português do Brasil e para o português de Portugal. Haverá, apenas um versão. O que para quem escreve, para quem apenas escreve, tem inconveniente nenhum. Mas, convenhamos, nivelar por baixo, é nivelar pelo medíocre. O Acordo, em si, nem é bom nem é mau. É pior. Não contém genes de unidade nem de unicidade. E aponta para a necessidade de uma ruptura, definitiva, da linguística e da linguagem dos povos de países que pretendem afirmar-se. Que pretendem construir nações. No contexto das lutas contra a opressão colonial, a língua portuguesa foi definida como língua de combate e de unidade nacional. Assim deve continuar a ser. Para além dos acordos espúrios que por aí se anunciam, a língua portuguesa deve continuar a ser língua de combate. Uma língua de combate e a língua de ruptura.
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