Tenho de confessar que sou pouco dado a escrever sobre a coisa desportiva. Sobre desporto. Principalmente, sobre futebol. Já o fiz em tempos idos. Há muito. Passam mais de quatro décadas. Depois, com a leitura de textos de alguns sociólogos do fenómeno desportivo, comecei a aperceber-me de uma outra realidade. Da outra realidade que fica ou que está para além da verdade desportiva. Para além daquilo que é o resultado que se obtém competindo em igualdade de circunstâncias. Ou seja, com o mesmo número de participantes e com as mesmas regras. Em muitos campos, importa referir, registou-se uma grande evolução desde os idos anos 60/70. Para melhor. Mas, em outros casos para pior. Se não assim, parece líquido que, situações há em que o resultado final de um jogo colectivo continua a não depender exclusivamente de dois contendores. De duas equipas. Depende também de terceiros. Seja, da equipa de arbitragem. Recordo que, nesses tempos, muitos de nós terminavam as suas crónicas com uma mentira piedosa. Dizendo, que tinha havido erros de arbitragem mas sem influência no resultado. É que, em princípio, um erro do árbitro tem sempre influência no resultado. Quer de forma directa, quer indirecta. Se, e em última análise, a sua decisão afecta o comportamento dos jogadores e o seu comportamento colectivo.
No panorama desportivo nacional actual, as esperanças de ver equipas moçambicanas continuarem nas Afro Taças, ruíram. E, foi pena que assim tenha acontecido, depois de uma primeira jornada com resultados promissores. A realidade é que, depois do somatórios dos dois jogos, seguiram em frente os mais hábeis, os mais astutos, os mais aptos, os mais fortes. Sobre esta questão, parece ter ficado dúvida nenhuma. Nem reclamação, nem protesto. De resto, o facto de duas equipas nacionais de futebol não terem conseguido ir mais além do que foram, significa o que significa. Significa, simplesmente, que foram derrotadas por adversários mais fortes. Mais poderosos. Estamos, como já se terá compreendido, por ser claro, a falar de clubes. E, as derrotas de um dois clubes nacionais de futebol, em competições africanas, em momento algum pode remeter para além de um problema dos próprios clubes. De um problema desse clube, da sua direcção, da sua massa associativa. A derrota de um clube moçambicano de futebol em competições africanas, não é, como se possa estar a tentar fazer crer, uma vergonha nem uma tragédia nacional. Para todos nós, felizmente que não é. Aceitar o contrário, é entrar pela via de um chauvinismo de contornos perigosos. Valha, pelo menos, neste contexto, a palavra de quem tem a lucidez de afirmar que com ovos podres não de podem fazer omeletes. O que equivale a afirmar que o problema é caseiro. Doméstico. De um clube. De clubes. E, não nacional. Então, que cada qual resolva os seus problemas caseiros.
domingo, fevereiro 22, 2009
domingo, fevereiro 15, 2009
apanhar boleia no último combóio em andamento
Passou mais um aniversário da morte de Eduardo Mondlane. Herói Nacional. Assassinado fez 40 anos. Este 3 de Fevereiro terá sido diferente da maioria, se não de todos os anteriores. Por vários motivos. O primeiro do quais, a festa, as comemorações terem tido lugar na terra natal do Arquitecto da Unidade Nacional. Aonde se fizeram deslocar algumas dezenas de milhar de pessoas. Do que foi a festa e a homenagem, já se ocuparam os cronistas da terra. Em diferentes e variados espaços informativos. A televisão pública nacional permitiu-nos assistir a cada compasso das comemorações. Em tempo real e sem termos de sair de casa. Através da sua transmissão em directo. No cômputo geral, podemos dizer que as cerimónias não surpreenderem só pela positiva. Podemos dizer que também surpreenderam pela negativa.
Faz parte do jogo democrático, faz parte da política. Todos o sabemos. Os partidos podem coligar-se. Podem formar alianças. Temporárias, ou não. Em função ou para tentarem atingir determinados objectivos. Até podem, se assim ou quando o entenderem, fundir-se. Entre nós, ainda não é o caso. Ainda estamos numa fase chamada “oposição construtiva”. Pode até acontecer que não passe de tal. No entretanto, seria bom explicar, clarificar, o significado de “oposição construtiva”. Porque os seus contornos, os seus objectivos, a sua estratégia, são pouco claros. E, estes aspectos parece terem sido evidentes na homenagem a Eduardo Mondlane, neste último 3 de Fevereiro. O país, de facto, precisa de novas ideias e de propostas alternativas para melhorar a governação. Em benefício dos mais desfavorecidos. Precisa de uma oposição. Precisa de oposição. Como condição básica e fundamental para rever conceitos e ideias. Quando assim seja necessário. Para permitir avançar no sentido do progresso e do desenvolvimento. Ora, neste dia de homenagem a Mondlane, a oposição mostrou não ter ideias. Muito menos ideias novas. Foi, se assim se pode dizer, pela sua parte, uma homenagem pela negativa. Uma contra homenagem. Sem dúvida, esperava-se mais da auto intitulada “oposição construtiva”. Esperava-se, no mínimo, não ter de a ouvir tratar os presentes por camaradas. E dar vivas à FRELIMO. O homenageado, na data e na ocasião, era apenas Eduardo Mondlane. Que merece bem mais. Bem mais do que uma tantas vénias de servis serviçais ditos oposicionistas. Nos tempos actuais. A oposição, não resulta de decreto. Nem de nenhuma lei. A oposição não pode, em momento algum, definir-se, a si própria, como construtiva ou como destrutiva. A oposição é uma prática. E faz parte de um processo inacabado e inacabável. Nada é definitivo, nada é perfeito, nada é eterno. Tudo muda, tudo está em constante mudança. Num tempo e num espaço que se rege por leis que não sabemos, ainda, controlar. Que não dominamos. Ora, se assim, esta oposição que se define a si própria de construtiva, parece pretender ser oposição a uma outra. A uma outra oposição. Mas, a uma outra oposição cujos contornos não define. Logo, a uma oposição que não existe. Por exclusão de partes, se não existe oposição à oposição dita construtiva, não pode existir oposição. Não há oposição. O que há, isso sim, o que parece haver, é coisa diferente. È uma tentativa de apanhar boleia. De apanhar boleia no último combóio em andamento.
Faz parte do jogo democrático, faz parte da política. Todos o sabemos. Os partidos podem coligar-se. Podem formar alianças. Temporárias, ou não. Em função ou para tentarem atingir determinados objectivos. Até podem, se assim ou quando o entenderem, fundir-se. Entre nós, ainda não é o caso. Ainda estamos numa fase chamada “oposição construtiva”. Pode até acontecer que não passe de tal. No entretanto, seria bom explicar, clarificar, o significado de “oposição construtiva”. Porque os seus contornos, os seus objectivos, a sua estratégia, são pouco claros. E, estes aspectos parece terem sido evidentes na homenagem a Eduardo Mondlane, neste último 3 de Fevereiro. O país, de facto, precisa de novas ideias e de propostas alternativas para melhorar a governação. Em benefício dos mais desfavorecidos. Precisa de uma oposição. Precisa de oposição. Como condição básica e fundamental para rever conceitos e ideias. Quando assim seja necessário. Para permitir avançar no sentido do progresso e do desenvolvimento. Ora, neste dia de homenagem a Mondlane, a oposição mostrou não ter ideias. Muito menos ideias novas. Foi, se assim se pode dizer, pela sua parte, uma homenagem pela negativa. Uma contra homenagem. Sem dúvida, esperava-se mais da auto intitulada “oposição construtiva”. Esperava-se, no mínimo, não ter de a ouvir tratar os presentes por camaradas. E dar vivas à FRELIMO. O homenageado, na data e na ocasião, era apenas Eduardo Mondlane. Que merece bem mais. Bem mais do que uma tantas vénias de servis serviçais ditos oposicionistas. Nos tempos actuais. A oposição, não resulta de decreto. Nem de nenhuma lei. A oposição não pode, em momento algum, definir-se, a si própria, como construtiva ou como destrutiva. A oposição é uma prática. E faz parte de um processo inacabado e inacabável. Nada é definitivo, nada é perfeito, nada é eterno. Tudo muda, tudo está em constante mudança. Num tempo e num espaço que se rege por leis que não sabemos, ainda, controlar. Que não dominamos. Ora, se assim, esta oposição que se define a si própria de construtiva, parece pretender ser oposição a uma outra. A uma outra oposição. Mas, a uma outra oposição cujos contornos não define. Logo, a uma oposição que não existe. Por exclusão de partes, se não existe oposição à oposição dita construtiva, não pode existir oposição. Não há oposição. O que há, isso sim, o que parece haver, é coisa diferente. È uma tentativa de apanhar boleia. De apanhar boleia no último combóio em andamento.
domingo, fevereiro 01, 2009
pagar para falar ou pagar para ficar calado
Começou já o processo de tomada de posse dos vencedores das últimas eleições autárquicas. No dia em que tal aconteceu, o presidente da RENAMO encontrava-se em Nacala. Em campanha de mobilização no único município onde poderá obter uma e a única vitória municipal. É que em Nacala haverá segunda volta eleitoral. Anteriormente, ele havia defendido que todos os candidatos derrotados do seu partido deveriam tomar posse ao mesmo tempo que os presidentes eleitos. O que, em primeira análise, constitui uma aberração. Uma monstruosidade. Um disparate. Em segunda, uma tal tomada de posse, a acontecer, não teria qualquer base legal. E, antes, nenhuma legitimidade. Digamos não ser mais do que um arremedo de política. Do que política do pontapé, de política do bota abaixo. Se assim o entendeu ou não, Eduardo Namburete, candidato à presidência da cidade de Maputo, veio a público (Notícias de 27.01.09 – pag. 3) dizer que será contra-senso tomar posse ao mesmo tempo que o presidente eleito. Acrescenta o matutino que, Assim, Eduardo Namburete poderá desobedecer o presidente do seu partido que revela pela segunda vez o empossamento paralelo dos “seus presidentes”.. Pode e deve recordar-se que o presidente da RENAMO fez questão de apresentar, publica e pessoalmente, o candidato do seu partido à presidência de Maputo. Também se deve dizer, que o putativo “pai da democracia” parece estar a ser pago. Uma vezes para ficar calado, outras para falar. Sendo que, quando não fala tem a seu favor a grande vantagem de não dizer disparates. Muito embora, e isso parece universal, quando se é líder, mesmo que não por mérito próprio mas por imposição externa, seja necessário, de quando em vez, falar. Sendo que, este falar ou falar disparatado possa implicar ter de vir a engolir alguns sapos vivos. Assim o exige quem paga. Quem está, calmamente, sentado na plateia a assistir ao filme. Um filme produzido no estrangeiro e que tem como actores marionetas moçambicanos.
Ao invés do que se passa com muitos e diversos produtos, que estão a merecer certificado de origem nacional, a RENAMO não o poderá merecer. A história assim o diz. Ela, tendo como base matéria prima nacional, foi criada a objectivada para servir interesses estrangeiros. Políticos e económicos. Primeiro, da Rodésia do Sul. Depois, da África do Sul racista. Por fim, de um Portugal à deriva. Quimérico e sebastianista, saudosista. De um Portugal que já não tinha caravelas para regressar carregadas de especiarias das Índias nem de madeiras, de ouro, de marfins e de aves raras de África. Mas, de um Portugal convicto de que, através da criação de dissidências internas, entre as elites internas, poderia permanecer. Continuar a dominar. Daí, o ter criado um novo mito. Numa tentativa de substituição de o desejado. Mas, Afonso, o nosso, o nativo, não é sinónimo de Sebastião. Nem a ele se pode comparar. Disso nos dá conta um general, reformado, da secreta militar portuguesa. Em livro com centenas de páginas. Um livro que vale a pena ler. E de cuja leitura se pode concluir que o Afonso foi um aposta errada. Ou que não. Que pode ser a quem se pode pagar para falar ou pagar para ficar calado.
Ao invés do que se passa com muitos e diversos produtos, que estão a merecer certificado de origem nacional, a RENAMO não o poderá merecer. A história assim o diz. Ela, tendo como base matéria prima nacional, foi criada a objectivada para servir interesses estrangeiros. Políticos e económicos. Primeiro, da Rodésia do Sul. Depois, da África do Sul racista. Por fim, de um Portugal à deriva. Quimérico e sebastianista, saudosista. De um Portugal que já não tinha caravelas para regressar carregadas de especiarias das Índias nem de madeiras, de ouro, de marfins e de aves raras de África. Mas, de um Portugal convicto de que, através da criação de dissidências internas, entre as elites internas, poderia permanecer. Continuar a dominar. Daí, o ter criado um novo mito. Numa tentativa de substituição de o desejado. Mas, Afonso, o nosso, o nativo, não é sinónimo de Sebastião. Nem a ele se pode comparar. Disso nos dá conta um general, reformado, da secreta militar portuguesa. Em livro com centenas de páginas. Um livro que vale a pena ler. E de cuja leitura se pode concluir que o Afonso foi um aposta errada. Ou que não. Que pode ser a quem se pode pagar para falar ou pagar para ficar calado.
domingo, janeiro 25, 2009
há certas mortes que vale mais esquecer do que investigar
Vivemos numa sociedade por demais violenta. Vivemos numa sociedade onde existe crime organizado. Vivemos numa sociedade onde se morre a soldo de criminosos pagos para matar. Onde, ao que tudo indica, existem criminosos profissionais. Pessoas que vivem, única e exclusivamente, de e para matar. Será, apenas, um questão de preço. Mas, vivemos, igualmente, numa sociedade onde a violência verbal é um facto. Onde a ameaça é uma realidade. Chegámos já ao ponto, extremo, de dar espaço jornalístico ao bandido, ao criminoso. Como se de pessoa de bem se trata-se. Para, imagine-se, atacar, ameaçar a Polícia. Como corporação. Não um simples agente. A Polícia. Uma Polícia que tem por missão garantir a ordem e a segurança públicas. Se desempenha bem ou mal a sua missão, é um segundo aspecto. Que não pode nem deve ser descurado. Muito menos ignorado. Agora, quando lemos em letra de imprensa ameaças de um cidadão, tido como criminoso, à Polícia, cremos poder concluir que estamos perante algo de errado. Que estamos, no mínimo, perante uma inversão ou uma crise de valores. Que se revela e que se manifesta perante uma total falta de ética e de deontologia. Gostemos ou não da comparação, ela deve ser feita. Com toda a clareza. E a comparação é que se o Estado está criminalizado e cativo do crime organizado, haverá jornais e jornalistas que caminham pelo mesmo terreno. Calmamente. Alegre e com plena consciência do papel que estão a desempenhar. Mas, e isso é que preocupa, impunemente.
Pagar para permanecer vivo e pagar para matar. Pagar para ignorar o crime ou para não investigar o crime. Trata-se de realidades que existem. Que podem existir. Talvez em paralelo. E com maior frequência do que se possa pensar. E que existem, que podem existir, na sociedade em que vivemos. No primeiro caso, poderemos estar perante uma nebulosa. Logo nada se vê nem pode ser visto. No segundo, surgem, de quando em vez, alguns aspectos visíveis. A olho nu. O último terá sido um assassinato. Pouco depois das vinte horas do último sábado. Em plena Avenida Mao Tse Tung. Com recurso a armas de fogo. E à emboscada da viatura em que seguir a vítima. A local, publicada pelo jornal “Notícias”, (edição de 19.01.09, pag. 23), é por demais lacónica. Limita-se à habitual informação da Polícia. E, como parece ser normal, para não criar conflitos nem crispação, termina com uma frase estereotipada: Diligências decorrem com vista à captura da “gang”. Quanto ao móbil do crime, nenhuma hipótese é colocada. Nenhuma hipótese foi adiantada. Quando assim, este será mais um crime esquecido. Um crime para esquecer. Um assassinato sem assassino. Dito por outras palavras, há certas mortes que vale mais esquecer do que investigar.
Pagar para permanecer vivo e pagar para matar. Pagar para ignorar o crime ou para não investigar o crime. Trata-se de realidades que existem. Que podem existir. Talvez em paralelo. E com maior frequência do que se possa pensar. E que existem, que podem existir, na sociedade em que vivemos. No primeiro caso, poderemos estar perante uma nebulosa. Logo nada se vê nem pode ser visto. No segundo, surgem, de quando em vez, alguns aspectos visíveis. A olho nu. O último terá sido um assassinato. Pouco depois das vinte horas do último sábado. Em plena Avenida Mao Tse Tung. Com recurso a armas de fogo. E à emboscada da viatura em que seguir a vítima. A local, publicada pelo jornal “Notícias”, (edição de 19.01.09, pag. 23), é por demais lacónica. Limita-se à habitual informação da Polícia. E, como parece ser normal, para não criar conflitos nem crispação, termina com uma frase estereotipada: Diligências decorrem com vista à captura da “gang”. Quanto ao móbil do crime, nenhuma hipótese é colocada. Nenhuma hipótese foi adiantada. Quando assim, este será mais um crime esquecido. Um crime para esquecer. Um assassinato sem assassino. Dito por outras palavras, há certas mortes que vale mais esquecer do que investigar.
domingo, janeiro 04, 2009
estes são apenas alguns desejos
Estamos já em 2009. Embora escreva, ainda, nas últimas horas de 2008. No último dia do chamado ano velho. Ocasião em que jornalistas e jornais elegem e divulgam o que, para si, foram as melhores e as piores figuras do ano. Do ano que chegou ao fim. Trata-se, naturalmente, de um rito, de um ritual. Que pouco ou nada terá de objectivo. Trata-se de pontos de vista pessoais ou colectivos. Resultantes de votações realizadas nas redacções. Logo, sem qualquer rigor sem que tal signifique ausência de democracia. Sem outro rigor que não seja aquele que pode ser atribuído a uma votação. Com ou sem regras estabelecidas. Acresce que este eleger de pessoas, pela positiva e pela negativa, parece deixar de fora aquilo o que se apresenta como essencial. De mais profundo. Ou seja, as ideias. Discutimos muito pessoas. Discutimos muito em termos de bom e de mau. Mas deixamos por fora, deixamos de parte as ideias de cada um. E, isto parece ser, agora, repetição do que se fez ao longo do ano. Talvez por tanto ou por tal nos quedamos, tantas das vezes, na ausência de crítica. Na falta de crítica a ideias e a políticas. De forma argumentativa. Criativa. Confrontando ideias com ideias. Num exercício didáctico e que se pretende salutar. E, impulsionador da consolidação da democracia.
Parece entroncar no mesmo ritualismo, na mesma ritualidade, a manifestação dos desejos que se querem ver materializados no ano que começa. No chamado ano novo. No caso concreto, no ano de 2009. Quando assim, havemos de dizer que, em princípio, o desejo primeiro é o de que se concretize o tudo de bom que o não foi no ano que findou. Tanto no plano pessoal como no colectivo. Nacional. Se assim, parece imporem-se duas sugestões para 2009. A primeira, é a de que se aprofunde o conceito e a materialização da Revolução Verde. Em paralelo com o aperfeiçoamento da aplicação e do controlo do Fundo para Iniciativas Locais. Popularmente conhecido por Sete Milhões. Depois, sem que tenha de ser em segundo plano, vem o combate à corrupção. A todos os níveis. O que já ficou demonstrado ser possível. Basta que, para tanto, haja vontade. Sobretudo vontade política. Sabe-se, todos o sabemos, não se trata de uma missão fácil. Mas, também, que não é uma missão impossível. Como se sabe ser uma missão que irá exigir muita coragem. E, talvez, até, o preço a pagar sejam mais algumas vidas. Estando a elaborar, como estamos, no campo dos desejos, estes são apenas alguns desejos.
Parece entroncar no mesmo ritualismo, na mesma ritualidade, a manifestação dos desejos que se querem ver materializados no ano que começa. No chamado ano novo. No caso concreto, no ano de 2009. Quando assim, havemos de dizer que, em princípio, o desejo primeiro é o de que se concretize o tudo de bom que o não foi no ano que findou. Tanto no plano pessoal como no colectivo. Nacional. Se assim, parece imporem-se duas sugestões para 2009. A primeira, é a de que se aprofunde o conceito e a materialização da Revolução Verde. Em paralelo com o aperfeiçoamento da aplicação e do controlo do Fundo para Iniciativas Locais. Popularmente conhecido por Sete Milhões. Depois, sem que tenha de ser em segundo plano, vem o combate à corrupção. A todos os níveis. O que já ficou demonstrado ser possível. Basta que, para tanto, haja vontade. Sobretudo vontade política. Sabe-se, todos o sabemos, não se trata de uma missão fácil. Mas, também, que não é uma missão impossível. Como se sabe ser uma missão que irá exigir muita coragem. E, talvez, até, o preço a pagar sejam mais algumas vidas. Estando a elaborar, como estamos, no campo dos desejos, estes são apenas alguns desejos.
domingo, dezembro 21, 2008
o discurso político de 2008 não terá qualquer significado em 2009
Desde há poucos dias, desde há poucas dezenas de horas, que estamos em 2009. Dizer que o ano que terminou não foi ano bom ou que foi um ano mau. Poderá não ser correcto, não corresponder a nada. De facto, persistiram guerras, fome, atrocidades, massacres. O preço do petróleo, que era previsto fixar-se nos cem dólares por barril, ultrapassou em muito este valor. Atingiu os cerca de 150. Depois, baixou e ficou pelos 50. Um valor demasiado baixo, uma valor fictício, tendo em conta as reservas conhecidas. Disponíveis. Em exploração. E, aqui, poderá perguntar-se se é ou não rentável explorar as reservas moçambicanas. Muito provavelmente sim. Ao aumento dos preços do petróleo, foi acrescentada a chamada crise financeira, dita mundial. Devido ao facto de muitos bancos terem entrado em processo de falência. Ou a serem intervencionados pelo pelos. Estados para que tal não acontecesse. Em acumulação, tivemos, também, a chamada crise de alimentos. Mais de um década de políticas agrícolas desastradas ou desastrosas, não poderiam ter produzido outros resultados. Era inevitável que essas políticas produzissem os resultados que produziram. E, aqui, os governos, principalmente os africanos, só podem queixar-se de si mesmos. Pelo facto de não terem assumido políticas outras, mais ousadas e mais consentâneas com as suas realidades. Ao invés de terem assumido políticas e imposições dos doadores. Ao invés de terem papagueado as políticas e os objectivos dos doadores. Que, como o tempo o haverá de demonstrar, não irão eliminar a pobreza. Muito pelo contrário. Irão perpetuar a pobreza. Moçambique é, hoje, disso exemplo. É um caso exemplar. Talvez, paradigmático.
Temos de convir que, talvez não seja fácil fazer balanço do quanto aconteceu em 2008. Melhor, mais fácil, será perspectivar o que desejamos que venha a acontecer em 2009. E, aí, poderemos todos conjugar esforços, unir forças. Primeiro, apoiando aqueles que, publicamente, já vieram manifestar a sua disposição para combater o crime organizado. Segundo, dando todo o apoio às políticas nacionalistas de desenvolvimento do distrito. Terceiro, denunciando todos aqueles, nacionais e estrangeiros, que tentam perpetuar a pobreza apoiando e pressionado a introdução de políticas contrários às realidades nacionais. Moçambicanas. E, aqui, atenção, temos de estar atentos para entender onde começa e onde acaba o discurso para satisfazer o doador. O onde se situa o discurso com sentido nacional. Nacionalista. O que poderá equivaler a dizer que o discurso político 2008 não terá qualquer significado em 2009.
Temos de convir que, talvez não seja fácil fazer balanço do quanto aconteceu em 2008. Melhor, mais fácil, será perspectivar o que desejamos que venha a acontecer em 2009. E, aí, poderemos todos conjugar esforços, unir forças. Primeiro, apoiando aqueles que, publicamente, já vieram manifestar a sua disposição para combater o crime organizado. Segundo, dando todo o apoio às políticas nacionalistas de desenvolvimento do distrito. Terceiro, denunciando todos aqueles, nacionais e estrangeiros, que tentam perpetuar a pobreza apoiando e pressionado a introdução de políticas contrários às realidades nacionais. Moçambicanas. E, aqui, atenção, temos de estar atentos para entender onde começa e onde acaba o discurso para satisfazer o doador. O onde se situa o discurso com sentido nacional. Nacionalista. O que poderá equivaler a dizer que o discurso político 2008 não terá qualquer significado em 2009.
domingo, dezembro 14, 2008
colocam em dúvida se vivemos num estado capturado
Muitas e muitas vezes, ganham direito a letra de Imprensa críticas a telenovelas. Sobretudo de origem brasileira. Mas, nós por cá, internamente, também temos as nossas novelas. Uma delas, conheceu novo capítulo. Novo episódio. Se é novela humorística, se é dramática, se é trágico – cómica, ainda ninguém se atreveu a classificá-la. Mesmo com esta falta, com esta falha, com esta ausência de clarificação e sem sabermos quando iremos assistir ao próximo episódio, ao próximo capítulo, podemos sugerir título para a farsa. Entre os vários e muitos possíveis, aqui ficam algumas ideias: “Anibalzinho feliz e de novo entre nós”, “Sempre igual entre pares”, “Vergonha nacional”. A escolha do título, como se oferece óbvio, fica ao critério de cada leitor. Desde já e com a advertência de que a sua escolha vale nada. É igual a nada. Ao que foi também noticiado, sete agentes da Polícia estão a ser investigados. Sobre como terá saído da cadeia o tal de Aníbal, e mais dois outros reclusos. Todos os três, agora, com direito à exposição das suas fotos em locais públicos. Quer dizer, agentes da Polícia deixaram-nos fugir. Agora, a Polícia pede-nos a nós, cidadãos honestos, pacíficos, pagadores de Impostos ao Estado, ajuda na sua captura. Não de um dos fugitivos. Dos três. Sem sequer explicar e mantendo como mistério o motivo pelo qual todos os três saíram da cadeia no mesmo momento e pelo mesmo processo. Também tem coincidência, no tempo, a detenção de três indiciados no assassinato de Siba-Siba Macuácua. Como coincidência no tempo tem, a liberdade, sob caução de dois dos acusados no chamado “Caso Manhenje”. Muito provavelmente, aquilo que parecem ser coincidências no tempo, serão nada mais do que isso. Serão, apenas coincidências. Mas, convenhamos, apenas assim.
Em “Há mais bicicletas – mas haverá desenvolvimento?”, Joseph Hanlon e Teresa Smart transportam-nos e fazem-nos recuar no tempo. Uma viagem que, sendo um recuo, é, também e essencialmente, um desafio para a compreensão do presente. Do nosso hoje. Escrevem os autores (pag. 235), depois de definirem o que entendem por “estados predadores” e “estados desenvolvimentistas”: Vemos que a Frelimo estava dividida em dois grupos, o “estado predador” e o “estado desenvolvimentista”, segundo estas duas abordagens. Alguns dentro da Frelimo tentaram bloquear a predação dos outros e fazer força por um capitalismo mais benigno, mais social-democrata, com um grau maior de intervenção. E, pouco adiante (pag. 237), acrescentam: Muitos do grupo predador cada vez mais pareciam convencidos de que lhe pertencia uma porção de tudo o que estivesse a acontecer. Era difícil para Moçambicanos ou estrangeiros montarem negócios sem que um membro da elite da Frelimo recebesse uma porção. Em licenças, autorizações e concessões de terra tinha de haver sempre subornos ou participação. Os moçambicanos começaram a “falar de cabritismo”. Já na página seguinte, depois de explicitarem o que consideram Corrupção Administrativa e Captura do Estado, escrevem os autores: Cabritismo pode envolver dois tipos de corrupção. Mas a captura do estado tornou-se cada vez mais evidente nos anos 90. Um aspecto fundamental da captura do Estado, segundo um estudo do Banco Mundial, é a “venda de decisões cíveis e criminais dos tribunais a interesses privados (e) má utilização dos fundos do Banco Central”, que aparecem cada vez mais. O sistema judicial tem sido mantido deliberadamente fraco, de modo a que casos contra a numenclatura sejam deixados no esquecimento. De facto, em concreto e salvo opinião contrária, quando um tal de Aníbal e seus comparsas de crime entra e sai da prisão, colocam em dúvida se vivemos num estado capturado.
Em “Há mais bicicletas – mas haverá desenvolvimento?”, Joseph Hanlon e Teresa Smart transportam-nos e fazem-nos recuar no tempo. Uma viagem que, sendo um recuo, é, também e essencialmente, um desafio para a compreensão do presente. Do nosso hoje. Escrevem os autores (pag. 235), depois de definirem o que entendem por “estados predadores” e “estados desenvolvimentistas”: Vemos que a Frelimo estava dividida em dois grupos, o “estado predador” e o “estado desenvolvimentista”, segundo estas duas abordagens. Alguns dentro da Frelimo tentaram bloquear a predação dos outros e fazer força por um capitalismo mais benigno, mais social-democrata, com um grau maior de intervenção. E, pouco adiante (pag. 237), acrescentam: Muitos do grupo predador cada vez mais pareciam convencidos de que lhe pertencia uma porção de tudo o que estivesse a acontecer. Era difícil para Moçambicanos ou estrangeiros montarem negócios sem que um membro da elite da Frelimo recebesse uma porção. Em licenças, autorizações e concessões de terra tinha de haver sempre subornos ou participação. Os moçambicanos começaram a “falar de cabritismo”. Já na página seguinte, depois de explicitarem o que consideram Corrupção Administrativa e Captura do Estado, escrevem os autores: Cabritismo pode envolver dois tipos de corrupção. Mas a captura do estado tornou-se cada vez mais evidente nos anos 90. Um aspecto fundamental da captura do Estado, segundo um estudo do Banco Mundial, é a “venda de decisões cíveis e criminais dos tribunais a interesses privados (e) má utilização dos fundos do Banco Central”, que aparecem cada vez mais. O sistema judicial tem sido mantido deliberadamente fraco, de modo a que casos contra a numenclatura sejam deixados no esquecimento. De facto, em concreto e salvo opinião contrária, quando um tal de Aníbal e seus comparsas de crime entra e sai da prisão, colocam em dúvida se vivemos num estado capturado.
domingo, dezembro 07, 2008
um direito de soberania
O Conselho de Ministro aprovou, esta semana, um decreto que fixa quotas para a contratação de trabalhadores estrangeiros. Mais precisamente, define a percentagem de trabalhadores estrangeiros permitida em função do número de efectivos totais. A medida, como é fácil de perceber, pretende desencorajar a contratação de estrangeiros e proteger o emprego de nacionais. A medida, em si, é bem vinda. A medida, em si, é correcta. Necessita é de ser aplicada com rigor. E, para atingir os efeitos pretendidos, não pode admitir excepções. Nem desvios de aplicação. É que na edição do mesmo dia do “Notícias” (03.12.08, pag. 27), o matutino escrevia: “Inspector do Trabalho Suspenso em Maputo”. Isto, devido ao seu mau comportamento. A local tinha como origem um comunicado do Ministério do Trabalho. De acordo com o qual o inspector em causa é apontado tanto por colegas como por diversas entidades empregadoras da província de Maputo, como estando a denegrir a imagem da instituição ao se envolver em muitos esquemas ilícitos nas inspecções laborais. Ora, perante este caso, perante esta situação, perante mais esta situação, o problema não está na lei. Não está na legislação existente ou que possa vir a ser aprovada. Por mais elaborada e por mais perfeita que o possa vir a ser. O problema está nos funcionários a quem é confiada a nobre missão de aplicar a Lei. E, sobre esta questão, ao que parece, estaremos todos claros.
Nesta mesma semana (“Magazine”, 03.12.08), ficámos todos a saber que dois cidadãos paquistaneses foram detidos, em Moçambique, com mais de 2.3 milhões de dólares, libras e euros. Na fronteira de Machipanda. Acrescentemos, para melhor entendimento dos factos, quando iam a sair de Moçambique. Quando iam a sair com todo esse dinheiro. Logo, não eram investidores. Que, por aqui, tanto são reclamados. E, publicamente, acarinhados. Acrescente-se que se trata, também, de um dos primeiros casos em que os detidos têm nome. E em que a notícia é fértil em detalhes. Mas em que, como é comum neste tipo de notícias, os detidos nada sabem. Dizem não ser eles os donos do dinheiro. Dizem terem sido, apenas, contratados para transportar o dinheiro. Como dizem não conhecer o nomes dos donos do dinheiro. Comum a outros casos, é facto de terem tentado subornar os agentes que os detiveram. Ao bom estilo da mafia e da camorra napolitana. Digamos, acrescentemos. Não menos surpreendente é a libertação de uma moçambicana, que também tem nome e morada, acusada do tráfico de estrangeiros. No total, eram 18 entre cidadãos de nacionalidade paquistanesa e indiana. Que não se sabe ao que vinham. Nem ao que iam. Ou que ninguém quer revelar com pormenor. Provavelmente, para evitar mortes mais do que certas. Mas que são inevitáveis. Que sempre aconteceram. Quando se entra em jogos políticos e quando e onde quem está no poder tem poder nenhum. Em tese, colocam-se duas questões pertinentes. É, em primeiro, a questão de saber se quem pensa que manda, manda. A segunda, é a questão de se quem manda, efectivamente, manda. Na prática, nem sempre quem pensa que manda, efectivamente, manda. Na prática e na realidade, muitas das vezes, o poder é simples ilusão. E, se assim, ter a ilusão do poder é não ter poder. O poder só é poder quando quem tem poder de exercer o poder sabe exercer o poder. O poder é, em última análise, um direito de soberania.
Nesta mesma semana (“Magazine”, 03.12.08), ficámos todos a saber que dois cidadãos paquistaneses foram detidos, em Moçambique, com mais de 2.3 milhões de dólares, libras e euros. Na fronteira de Machipanda. Acrescentemos, para melhor entendimento dos factos, quando iam a sair de Moçambique. Quando iam a sair com todo esse dinheiro. Logo, não eram investidores. Que, por aqui, tanto são reclamados. E, publicamente, acarinhados. Acrescente-se que se trata, também, de um dos primeiros casos em que os detidos têm nome. E em que a notícia é fértil em detalhes. Mas em que, como é comum neste tipo de notícias, os detidos nada sabem. Dizem não ser eles os donos do dinheiro. Dizem terem sido, apenas, contratados para transportar o dinheiro. Como dizem não conhecer o nomes dos donos do dinheiro. Comum a outros casos, é facto de terem tentado subornar os agentes que os detiveram. Ao bom estilo da mafia e da camorra napolitana. Digamos, acrescentemos. Não menos surpreendente é a libertação de uma moçambicana, que também tem nome e morada, acusada do tráfico de estrangeiros. No total, eram 18 entre cidadãos de nacionalidade paquistanesa e indiana. Que não se sabe ao que vinham. Nem ao que iam. Ou que ninguém quer revelar com pormenor. Provavelmente, para evitar mortes mais do que certas. Mas que são inevitáveis. Que sempre aconteceram. Quando se entra em jogos políticos e quando e onde quem está no poder tem poder nenhum. Em tese, colocam-se duas questões pertinentes. É, em primeiro, a questão de saber se quem pensa que manda, manda. A segunda, é a questão de se quem manda, efectivamente, manda. Na prática, nem sempre quem pensa que manda, efectivamente, manda. Na prática e na realidade, muitas das vezes, o poder é simples ilusão. E, se assim, ter a ilusão do poder é não ter poder. O poder só é poder quando quem tem poder de exercer o poder sabe exercer o poder. O poder é, em última análise, um direito de soberania.
domingo, novembro 30, 2008
um presente envenenado
Muito provavelmente, a este tempo, já terão sido divulgados os resultados finais das eleições autárquicas. Que, podem ter acrescido, que podem ter acrescentado pouco ou nada aos resultados parciais. Que poderão trazer novidade nenhuma em relação ao que vinha sendo conhecido. E, o que era conhecido atribuía a presidência de 42 dos 43 municípios à FRELIMO. As perdas da RENAMO, neste capítulo, parecem motivar algum descontentamento interno. Daí que quadros desta formação política tenham vindo a público defender a realização de um congresso extraordinário. De facto, a este nível de governação, a RENAMO perdeu terreno e perdeu espaço. Governa, hoje, em menos locais. Para se ser claro e objectivo, governa em nenhum local. Não governa nenhum município do país. Aparentemente, estamos perante um fenómeno que contraria a lógica. Porque a lógica seria consolidar posições antigas e conquistar novas. Assim não aconteceu. Mas, certamente, haverá outros aspectos a não perder de vista. Quando e principalmente, no seu íntimo, Afonso Dhlakama, já possa ter assumido que tem um mínimo de possibilidades de vir a ser Presidente da República. Talvez possibilidades nenhumas.
Vista a questão por prisma diferente, fica, neste momento, por saber quem irá ou quem poderá partilhar a vitória pessoal de Daviz Simango na Beira. E, muito claramente, se a vitória de Simango pode significar, em termos de futuro, uma derrota da RENAMO ou uma derrota da FRELIMO. A RENAMO, como a conhecemos hoje e conhecendo a sua génese, parece facilmente integrável. É facilmente dominável pela FRELIMO. Ou por uma certa FRELIMO. Será uma questão de negociação. De estatuto a conceder ao seu líder. Que já percebeu, que já entendeu, que tem hipótese nenhuma de chegar, em tempo algum, a Presidente da República. Por isso, resta-lhe a possibilidade de continuar a negociar para manter o estatuto de líder da oposição. O que já não será mau. E, ao que parece, não irá para além das suas ambições. A vitória de Simango na cidade da Beira, não é, em si, um processo simples. A sua governação vai exigir alianças. Pode vir a motivar a criação de novas formações políticas. Do que parece existirem poucas dúvidas. Por certo, os derrotados Namburete, em Maputo, e Samo Gumo, na Matola, serão potenciais aliados do vencedor na cidade da Beira. Às próximas presidenciais. Se assim, estamos perante um presente envenenado.
Vista a questão por prisma diferente, fica, neste momento, por saber quem irá ou quem poderá partilhar a vitória pessoal de Daviz Simango na Beira. E, muito claramente, se a vitória de Simango pode significar, em termos de futuro, uma derrota da RENAMO ou uma derrota da FRELIMO. A RENAMO, como a conhecemos hoje e conhecendo a sua génese, parece facilmente integrável. É facilmente dominável pela FRELIMO. Ou por uma certa FRELIMO. Será uma questão de negociação. De estatuto a conceder ao seu líder. Que já percebeu, que já entendeu, que tem hipótese nenhuma de chegar, em tempo algum, a Presidente da República. Por isso, resta-lhe a possibilidade de continuar a negociar para manter o estatuto de líder da oposição. O que já não será mau. E, ao que parece, não irá para além das suas ambições. A vitória de Simango na cidade da Beira, não é, em si, um processo simples. A sua governação vai exigir alianças. Pode vir a motivar a criação de novas formações políticas. Do que parece existirem poucas dúvidas. Por certo, os derrotados Namburete, em Maputo, e Samo Gumo, na Matola, serão potenciais aliados do vencedor na cidade da Beira. Às próximas presidenciais. Se assim, estamos perante um presente envenenado.
domingo, novembro 16, 2008
que a morte de Makeba inspire Saviano para novos combates
Miriam Makeba morreu aos 76 anos. Morreu perto de Nápoles, na Itália. Morreu de crise cardíaca e após ter cantado. Em missão das Nações Unidas e para chamar a atenção do mundo para uma questão aparentemente simples. A da necessidade de um muito maior empenho no combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas. Ao crime organizado que, naquela região, tem como expoente máximo a Camorra. Ou, se se preferir morreu no decorrer de um concerto em homenagem a Roberto Saviano, autor de “Gomorra”. Que, hoje, vive “oculto e sob protecção policial”. Após a edição deste seu primeiro livro, que já vendeu mais de um milhão de exemplares em Itália. Um livro sobre o qual o “The Guardian” escreveu: “(...), de vez em quando, é preciso parar e relembrar que se trata da vida de uma grande cidade, numa nação rica, na Europa Ocidental; em membro fundador da UE; um país cujos negócios se interligam – perigosamente, sugere Saviano – com os nossos.
Roberto Saviano nasceu em 1979 em Nápoles, onde vivia a trabalhava até que, em Setembro de 2006, o êxito do livro, que cita nomes e lugares, o obrigou a viver oculto e sob protecção policial permanente. “Gomorra”, foi editado em língua portuguesa, com data de Janeiro de 2008, pelas Edições Asa II. Trata-se de um trabalho de jornalismo de investigação. Ou, se assim se preferir, de uma viagem ao mundo dos negócios e do crime da Camorra. Onde impera o “trabalho infantil”, tema que irá merecer abordem em próxima edição. Dizer que, após mencionar o número de mortos, ano por ano, desde 1979 até 2005, Roberto Saviano escreve: Três mil e seiscentos mortos desde que nasci. A camorra matou mais do que a máfia siciliana, mais do que ‘ndrangheta’, mais do que a máfia russa, mais do que as famílias albanesas, mais do que a soma dos mortos feitos pela ETA em Espanha e pelo IRA na Irlanda, mais do que as Brigadas Vermelhas, do que os NAR e mais do que todas as vítimas do Estado ocorridas em Itália. A camorra matou mais do que todos. E, logo a seguir, para que não percamos de vista o local a que se refere, acrescenta: Aqui é o coração da Europa. Aqui se forja a maior parte da economia da nação. Quais são as suas estratégias de acção, pouco importa. O que é necessário é que a carne para canhão permaneça atolada nas periferias, rebentada nos emaranhados de cimento e lixo, nas fábricas clandestinas e nos armazéns de coca. E que ninguém faça sinal, que tudo pareça uma guerra de bandos, uma guerra de maltrapilhos. Já na página seguinte (147), o autor de “Gomorra” escreve: A matança de Secondigliano atrai a atenção que faltava pelas dinâmicas da camorra há vinte anos. No norte de Nápoles a guerra mata em pouco tempo, respeita os critérios jornalísticos da crónica, em pouco mais de um mês acumula dezenas e dezenas de vítimas. Parece feita de propósito para dar um morto a cada enviado. O sucesso para todos. Foi, sem dúvida, para chamar a atenção do mundo sobre como se desenvolve o crime organizado naquela região de Itália que Makeba aceitou participar num concerto em Nápoles. Dizer que morreu como sempre soube viver, é nada. Dizer que morreu a lutar contra injustiças sociais, é pouco. Mas, talvez seja justo considerar imperativo que a morte de Makeba inspire Saviano para novos combates.
Roberto Saviano nasceu em 1979 em Nápoles, onde vivia a trabalhava até que, em Setembro de 2006, o êxito do livro, que cita nomes e lugares, o obrigou a viver oculto e sob protecção policial permanente. “Gomorra”, foi editado em língua portuguesa, com data de Janeiro de 2008, pelas Edições Asa II. Trata-se de um trabalho de jornalismo de investigação. Ou, se assim se preferir, de uma viagem ao mundo dos negócios e do crime da Camorra. Onde impera o “trabalho infantil”, tema que irá merecer abordem em próxima edição. Dizer que, após mencionar o número de mortos, ano por ano, desde 1979 até 2005, Roberto Saviano escreve: Três mil e seiscentos mortos desde que nasci. A camorra matou mais do que a máfia siciliana, mais do que ‘ndrangheta’, mais do que a máfia russa, mais do que as famílias albanesas, mais do que a soma dos mortos feitos pela ETA em Espanha e pelo IRA na Irlanda, mais do que as Brigadas Vermelhas, do que os NAR e mais do que todas as vítimas do Estado ocorridas em Itália. A camorra matou mais do que todos. E, logo a seguir, para que não percamos de vista o local a que se refere, acrescenta: Aqui é o coração da Europa. Aqui se forja a maior parte da economia da nação. Quais são as suas estratégias de acção, pouco importa. O que é necessário é que a carne para canhão permaneça atolada nas periferias, rebentada nos emaranhados de cimento e lixo, nas fábricas clandestinas e nos armazéns de coca. E que ninguém faça sinal, que tudo pareça uma guerra de bandos, uma guerra de maltrapilhos. Já na página seguinte (147), o autor de “Gomorra” escreve: A matança de Secondigliano atrai a atenção que faltava pelas dinâmicas da camorra há vinte anos. No norte de Nápoles a guerra mata em pouco tempo, respeita os critérios jornalísticos da crónica, em pouco mais de um mês acumula dezenas e dezenas de vítimas. Parece feita de propósito para dar um morto a cada enviado. O sucesso para todos. Foi, sem dúvida, para chamar a atenção do mundo sobre como se desenvolve o crime organizado naquela região de Itália que Makeba aceitou participar num concerto em Nápoles. Dizer que morreu como sempre soube viver, é nada. Dizer que morreu a lutar contra injustiças sociais, é pouco. Mas, talvez seja justo considerar imperativo que a morte de Makeba inspire Saviano para novos combates.
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