Muito já foi dito e escrito sobre a lei. A lei da violência doméstica contra a mulher. Recentemente aprovada pelo Parlamento. De resto, nada de bom ou de mau, de positivo ou de negativo, resultaria ao engrossar a fila dos defensores ou dos detractores do referido texto legal. Pretende-se, isso sim, deixar um outro tipo de alerta. E de alerta para outros tipos de violências. Por exemplo, da violência que nos entra em casa sem pedir licença. Da violência que nos entra em casa através das televisões. Mais precisamente de algumas mensagens publicitárias televisivas. Campo este, em que parece vivermos numa selva. Num terreno, num campo, em que vale tudo. Sendo que não existe limite para o mau gosto. Para a ignorância. Para o tentar apresentar o falso como verdadeiro. Para a falta de ética e de moral. Mesmo para a agressão verbal. Quando não para a agressão psicológica. E, por aí em diante. O dinheiro, as receitas da publicidade não podem ser argumento. Para permitir tamanha promiscuidade. Parece ser tempo de estabelecer regras e normas.
Naturalmente, estamos a lavrar num campo vasto e num terreno que pode parecer movediço. E, possivelmente, em tempo algum, sobre tema consensual. Tal não invalida que se tente chamar a atenção para o que parece ser errado. Em primeiro lugar, o que parece ser publicidade de mau gosto e de pior qualidade. Em que se podem enquadrar os anúncios a uma casta de vinhos. E, também, a uma marca de arroz. Cujos bonecos, cujas figurinhas parece terem sido inspiradas nas vítimas da Guerra de Secessão do Biafra. Lá para os idos anos 60. Quando as televisões nos davam as imagens de crianças com os ventres dilatados pela fome. E á beira da morte. Por falta de comida. Para quem viu e reteve essas imagens, não é possível deixar de as recordar perante a concepção medíocre deste anúncio publicitário. Cujos autores bem poderiam ter optado por crianças moçambicanas. Num outro campo e a outro nível devemos situar o controverso anúncio publicitário sobre as próximas eleições. Também já alcunhado como “Peixe com legumes para dois”. Ora, num momento em que tanto se fala e se discute sobre violência doméstica. Em que se legisla sobre violência doméstica, estamos perante um caso de violência doméstica. Salvo melhor opinião. E de violência exercida pela mulher em relação ao homem. Atente-se no diálogo entre a mulher e o homem. Analise-se, em termos de psicologia, a forma como a mulher fala com o marido. E, com empregado do restaurante. Para impor a sua vontade. O seu autoritarismo. Assim como o texto subsequente. Final. Que retira, a qualquer um de nós, o direito, constitucional, de não escolher. E parece querer conferir à mulher o direito de escolher pelo marido. A questão de fundo é que, escolher ou não escolher é um direito individual. Todos temos o direito de escolher. Mas, também, todos temos o direito de não escolher.
domingo, agosto 09, 2009
domingo, agosto 02, 2009
há grande resistência à mudança de comportamentos
Voltamos aos acidentes rodoviários. É que uma luz de grande expectativa e de grande esperança se havia acendido. Com a visita do PGR à Ortopedia do HCM. A que se seguiu o Colóquio Nacional sobre Acidentes de Viação. Presidido pelo Chefe do Estado. O que, por si só, pode ser interpretado como os sinistros nas estradas constituem preocupação do Governo. Ao mais alto nível. Não menos importantes e oportunas foram as declarações feitas, na ocasião, pela Ministra da Justiça. Depois, logo a seguir, essa luz de expectativa e de esperança, começou a esmorecer, começou a extinguir-se. Até morrer, até se apagar. Por completo. Ao longo dos dias seguintes. Com as tentativas, sucessivas, de desvirtuar conclusões e objectivos. Saídos da magna reunião. Digamos, mesmo de retardar o levar à prática acções concretas. E, realizáveis a curto prazo, no imediato. Sejamos claros em alguns aspectos, Um deles, é o de que o problema para tão elevado número de mortes nas estradas não reside na necessidade de actualização da legislação existente. Reside, antes, em fazer cumprir a que existe. Quando um condutor passa com um sinal vermelho, não é uma questão de falta de lei. È uma questão de violação da lei. E que, como tal, deve ser punido. Quando um agente da Polícia de Trânsito se faz transportar em mota da Corporação sem capacete, não se trata de falta de Lei. Trata-se de violação da Lei que ele, agente, deve cumprir e fazer cumprir. Quando uma brigada da Polícia de Trânsito, das muitas que operam ao longo da EN 1, está escondida ao abrigo de árvores ou de arbustos, não é uma questão de falta de Lei. É uma questão de comportamento errado. Com a agravante de se fazer deslocar em viatura com matricula civil. Nacional, quando não da África do Sul.
Segundo o “Notícias” (edição de 29.07.09), ao referir-se à reunião já mencionada, Dentre os pontos a serem incorporados no novo plano, segundo conclusões saídas do encontro, figuram melhorias das vias de acesso e consequente sinalização (...). O que, ao que parece, nos começa a remeter para o plano da utopia. Ou para a falta de elaboração de planos concretos para uma realidade concreta. Segundo os relatos, em momento algum terá sido abordado o género de relações de trabalho existentes entre empregadores e empregados. Dos chamados semi – colectivos. “Como acabar com acidentes de viação”, é o título de uma longa carta, da autoria de Aurélio Furdela, publicada na mesma edição do referido matutino. Com cujo conteúdo estou inteiramente de acordo. E que deveria ser motivo de atenção e de reflexão. Por forma a que se criem os anti - vírus necessários para evitar a propagação de ideias e de conceitos errados. Talvez, eliminar a campanha de contra-informação sobre as verdadeiras causas dos acidentes de viação. Alguém terá dito, também esta semana, que falta vontade política para combater as causas dos acidentes de viação. Penso não ser correcto. Penso que o existe, será coisa diferente. Penso que o que existe é a vontade e a tentativa de manter a situação. Mesmo quando à custa da divulgação de falsas verdades. Em duas palavras, em termos de estratégia de combate aos sinistros autos, em termos de combate aos acidentes de viação, há grande resistência à mudança de comportamentos.
Segundo o “Notícias” (edição de 29.07.09), ao referir-se à reunião já mencionada, Dentre os pontos a serem incorporados no novo plano, segundo conclusões saídas do encontro, figuram melhorias das vias de acesso e consequente sinalização (...). O que, ao que parece, nos começa a remeter para o plano da utopia. Ou para a falta de elaboração de planos concretos para uma realidade concreta. Segundo os relatos, em momento algum terá sido abordado o género de relações de trabalho existentes entre empregadores e empregados. Dos chamados semi – colectivos. “Como acabar com acidentes de viação”, é o título de uma longa carta, da autoria de Aurélio Furdela, publicada na mesma edição do referido matutino. Com cujo conteúdo estou inteiramente de acordo. E que deveria ser motivo de atenção e de reflexão. Por forma a que se criem os anti - vírus necessários para evitar a propagação de ideias e de conceitos errados. Talvez, eliminar a campanha de contra-informação sobre as verdadeiras causas dos acidentes de viação. Alguém terá dito, também esta semana, que falta vontade política para combater as causas dos acidentes de viação. Penso não ser correcto. Penso que o existe, será coisa diferente. Penso que o que existe é a vontade e a tentativa de manter a situação. Mesmo quando à custa da divulgação de falsas verdades. Em duas palavras, em termos de estratégia de combate aos sinistros autos, em termos de combate aos acidentes de viação, há grande resistência à mudança de comportamentos.
domingo, julho 26, 2009
a democracia começa a ter demasiados pais
Ele há livros e há livros. Há livros que nos dizem pouco. Que nos dão pouco de novo. Outros, são o inverso. Como é o caso de “Memórias de um Combatente”. Que tem como segundo título E a verdade sobre a fundação da Resistência Nacional Moçambicana. Trata-se de um livro escrito pelo jornalista João Ferro Dias, baseado em relatos de Rodrigo Carlos Guedes. Nascido na então Vila Pery, em 1951. Na contracapa, pode ler-se que Por acreditar nas causas nobres (...) foi – e ainda o é – um homem de ideais, lutando por eles a todo o custo, e sem desejar qualquer retorno. E, logo a seguir: Primeiro como voluntário operacional em Vila Pery, depois como guerrilheiro enviado para combater os comunistas e os cubanos na guerra civil em Angola. Ainda no texto de apresentação: Por último, como membro do verdadeiro grupo fundador da Resistência Nacional Moçambicana, lutando contra as tropas da Frelimo no país onde nasceu e permaneceu até ao início da sua vida adulta (...).
Em “Nota do Autor” (pag.10), podem ler-se alguns elogios, de entre os quais a Evo Fernandes e sua viúva que, hoje, também se reclama de fundadora da RENAMO. André Matsangaíssa, também merece referência, na qualidade de primeiro comandante da Resistência Nacional Moçambicana. Ao longo de mais de 100 páginas, o narrador descreve o seu percurso de vida. Desde que saiu da antiga Vila Pery, onde foi membro da Organização Provincial de Voluntários e Defesa Civil de Moçambique (OPVDCM), até ao seu regresso à Rodésia, donde partira. Após ter sido ferido em Angola, onde combateu nas fileiras da FNLA. “Homem de direita”, como a ele próprio se define (pag. 123), transcreve a carta por si assinada (pag. 137) e dirigida ao Comandante – Chefe das Forças Armadas da Rodésia. A pedir apoio para desencadear acções de guerra e derrubar o regime vigente em Moçambique. Depois de relatar como foi escolhido o nome para o grupo de que fazia parte, escreve que Mas, como génese, foi este o genuíno grupo que deu início a um caminho longo e penoso. Como foi nosso também o primeiro panfleto distribuído em território moçambicano onde se fez a referência original à Resistência. É também referido o auxílio prestado pelo Especial Branca (SB), e, não sem surpresa: Afinal parecia que o SB já se teria adiantado, pois iniciara, sem nós sabermos, a dita preparação de um grupo de negros. E nós a julgar que eles demoravam na resposta (à carta) porque estariam hesitantes.... Quanto a datas, pode ler-se que Nos primeiros dias de 1977, passava então a fronteira o grupo armado pioneiro da Resistência Nacional Moçambicana (...). Quanto à liderança, teria de ser obrigatoriamente um negro, para que lhe pudéssemos passar o testemunho da liderança, porque tínhamos perfeita noção de que uma força de oposição ao regime encabeçada por brancos seria permanentemente enfraquecida pelo estigma da ligação umbilical à antiga potência colonizadora. O comandante André, como parece ser carinhosamente tratado, seria, como pareceu natural, o almejado líder ((pag. 175). Concluindo, esta pode ser, apenas, mais uma versão da história. A ser verdadeira, será uma história que poderá vir a fazer rever a história. Para se saber, em definitivo, quem é o verdadeiro pai da democracia. Para esclarecer. Como as coisas estão, a democracia começa a ter demasiados pais.
Em “Nota do Autor” (pag.10), podem ler-se alguns elogios, de entre os quais a Evo Fernandes e sua viúva que, hoje, também se reclama de fundadora da RENAMO. André Matsangaíssa, também merece referência, na qualidade de primeiro comandante da Resistência Nacional Moçambicana. Ao longo de mais de 100 páginas, o narrador descreve o seu percurso de vida. Desde que saiu da antiga Vila Pery, onde foi membro da Organização Provincial de Voluntários e Defesa Civil de Moçambique (OPVDCM), até ao seu regresso à Rodésia, donde partira. Após ter sido ferido em Angola, onde combateu nas fileiras da FNLA. “Homem de direita”, como a ele próprio se define (pag. 123), transcreve a carta por si assinada (pag. 137) e dirigida ao Comandante – Chefe das Forças Armadas da Rodésia. A pedir apoio para desencadear acções de guerra e derrubar o regime vigente em Moçambique. Depois de relatar como foi escolhido o nome para o grupo de que fazia parte, escreve que Mas, como génese, foi este o genuíno grupo que deu início a um caminho longo e penoso. Como foi nosso também o primeiro panfleto distribuído em território moçambicano onde se fez a referência original à Resistência. É também referido o auxílio prestado pelo Especial Branca (SB), e, não sem surpresa: Afinal parecia que o SB já se teria adiantado, pois iniciara, sem nós sabermos, a dita preparação de um grupo de negros. E nós a julgar que eles demoravam na resposta (à carta) porque estariam hesitantes.... Quanto a datas, pode ler-se que Nos primeiros dias de 1977, passava então a fronteira o grupo armado pioneiro da Resistência Nacional Moçambicana (...). Quanto à liderança, teria de ser obrigatoriamente um negro, para que lhe pudéssemos passar o testemunho da liderança, porque tínhamos perfeita noção de que uma força de oposição ao regime encabeçada por brancos seria permanentemente enfraquecida pelo estigma da ligação umbilical à antiga potência colonizadora. O comandante André, como parece ser carinhosamente tratado, seria, como pareceu natural, o almejado líder ((pag. 175). Concluindo, esta pode ser, apenas, mais uma versão da história. A ser verdadeira, será uma história que poderá vir a fazer rever a história. Para se saber, em definitivo, quem é o verdadeiro pai da democracia. Para esclarecer. Como as coisas estão, a democracia começa a ter demasiados pais.
domingo, julho 19, 2009
haja coragem para ouvir os vivos
O assustador número de mortes provocados por acidentes de viação, nas últimas semanas, já não pode deixar ninguém indiferente. De consciência tranquila. Possam e sejam diferentes as formas de interpretar as suas origens. Possam e sejam diferentes as formas para evitar a sua repetição. Responsáveis da Polícia de Trânsito e do INAV foram, semana que passou, assediados por rádios e televisões. Para darem as suas opiniões sobre o que se está a passar. Sobre o que se está a passar de errado. Se fosse forçoso resumir em poucas palavras o que foi ouvido, diríamos que falaram muito e disseram pouco. Ou, disseram nada. Pelo menos é a conclusão que se pode tirar de dois debates televisivos. Em que não se passou, em que não se foi além do discurso retórico. De uma desculpabilização das instituições. De tentativas, inúteis e canhestras, no sentido de tentar demonstrar que o que está legislado e regulamentado corresponde à prática. Mas, infelizmente, assim não acontece. E, como se sabe, de boas intenções e por melhores que sejam está o planeta repleto. E não é por isso, não é por assim ser que são reduzidas as mortes nas estradas moçambicanas. Há, já, bem claras, tentativas de escamotear a verdade sobre as causas das mortes. Por exemplo, em reunião realizada na cidade da Beira (“Notícias”, 15.07.09), em que se sabe terem participado, em círculo fechado, Polícia e INAV, terá sido concluído que há muita ignorância por parte das populações sobre as normas de estrada. Na referida reunião, terá, também, sido repetidamente falado em erro humano. Já no programa “Tudo às 10” da TVM (15.07.09), o representante da Polícia de Trânsito terá dito que estamos perante acidentes fora do vulgar. Disse, também, que o número de acidentes diminuiu mas que o número de mortes aumentou. O que não disse, como se esperava que dissesse, é o que se está a fazer para diminuir o número de acidentes e de mortes nas estradas. Qual é estratégia para evitar as mortes nas estradas nacionais . Salvo melhor opinião, não está a ser feito nada. Ou, se assim se preferir, em teoria muito, na prática nada. De resto, e não menos interessante, seria saber-se quem são os verdadeiros proprietários destas viaturas que tantas mortes causam. Muito provavelmente, serão, também agentes das polícias. E, por aí acima.
Na quarta-feira que passou, o Procurador Geral da República visitou a Enfermaria de Ortopedia do Hospital Central de Maputo (Telejornal da TVM). Onde metade dos pacientes internados foram vítimas de acidentes de viação. Augusto Paulino terá dito, na ocasião, que não se pode tolerar casos de acidentes de viação por condução em estado de embriagues, por falta de destreza ou por deficiência de formação por parte dos automobilistas. Ao que parece, as causas dos acidentes de viação, admitidas pelo PGR, diferem das apontadas por outras instituições. Mas, isso até pode ser irrelevante. O que parece importante, o que importa realçar, é que ele foi ouvir, pessoalmente, sobrevivos de acidentes de viação. Certamente, numa tentativa de perceber a origem do fenómeno. Ele foi ouvir pessoas que estão vivas e que podem ajudar, com as suas experiências, quase ao certo traumáticas, com as suas opiniões, no criar de condições para evitar mais mortes nas estradas. Mas que, curiosamente, ou por interesses pessoais e mesquinhos, nunca são chamadas a dar a sua opinião. Seja em debates públicos ou em reuniões tipo “pescadinha com o rabo na boca”. Como terá sido a referida realizada na cidade na Beira. Como muitas outras, em que a conclusão dos debates é que a culpa é sempre dos outros. Em homenagem aos mortos nos acidentes de viação, haja coragem para ouvir os vivos.
Na quarta-feira que passou, o Procurador Geral da República visitou a Enfermaria de Ortopedia do Hospital Central de Maputo (Telejornal da TVM). Onde metade dos pacientes internados foram vítimas de acidentes de viação. Augusto Paulino terá dito, na ocasião, que não se pode tolerar casos de acidentes de viação por condução em estado de embriagues, por falta de destreza ou por deficiência de formação por parte dos automobilistas. Ao que parece, as causas dos acidentes de viação, admitidas pelo PGR, diferem das apontadas por outras instituições. Mas, isso até pode ser irrelevante. O que parece importante, o que importa realçar, é que ele foi ouvir, pessoalmente, sobrevivos de acidentes de viação. Certamente, numa tentativa de perceber a origem do fenómeno. Ele foi ouvir pessoas que estão vivas e que podem ajudar, com as suas experiências, quase ao certo traumáticas, com as suas opiniões, no criar de condições para evitar mais mortes nas estradas. Mas que, curiosamente, ou por interesses pessoais e mesquinhos, nunca são chamadas a dar a sua opinião. Seja em debates públicos ou em reuniões tipo “pescadinha com o rabo na boca”. Como terá sido a referida realizada na cidade na Beira. Como muitas outras, em que a conclusão dos debates é que a culpa é sempre dos outros. Em homenagem aos mortos nos acidentes de viação, haja coragem para ouvir os vivos.
domingo, julho 12, 2009
É possível alterar a situação
Ele há assuntos, ele há questões, em relação às quais parece nunca ser de mais insistir. Repetir chamadas de atenção. É o caso dos acidentes de viação. Do número, assustadoramente, crescente de acidentes de viação. Com correspondente e aumentado número de vítimas humanas. Homens e mulheres. Velhos, jovens, crianças. Em muitos casos, perdas irreparáveis num país que tanto investe na Formação, na Saúde, na Educação. Num país em que o combate á pobreza não pode – como o não pode em nenhum -, ser feito com mortos. Ora, em parte significativa, estes acidentes que tantas pessoas separam do nosso convívio diário, são provocados pelos chamados “chapas”. Em Moçambique, parece, morrer na estrada está a tornar-se banal. Não uma fatalidade. Mas, uma banalidade. Dados tornados públicos pela Polícia, só numa semana, até à passada quarta-feira. 63 pessoas haviam perdido a vida na estrada. Além dos mortos, foram registados 120 feridos num total de 110 acidentes rodoviários (“Notícias”, 08.07.09). Trata-se de dados oficiais. De dados divulgados pela Polícia. As causas, como quase sempre, são vagas e difusas. São apontadas de forma generalizada. Fala-se de desrespeito pelas regras de trânsito, de excesso de velocidade, de corte de prioridade, de condução em estado de embriaguez, de excesso de lotação, de ultrapassagens irregulares, de deficiência mecânica das viaturas. E, por aí em diante. O menu é vasto. Parece ter sido elaborado para servir a todos os gostos. Mas, não convence, não passa de conversa fiada, de lengalenga.
O último acidente rodoviário grave, aconteceu na madrugada da última terça-feira. Na EN-4. Causou oito mortos e 16 feridos. A viatura levava 25 pessoas. Mas, tinha capacidade legal para apenas 16. Mais uma vez, e como sempre, ninguém fala, ninguém falou, em responsabilidade criminal. Habitualmente, neste género de acidentes rodoviários, não é atribuída responsabilidade criminal. A ninguém. Não são feitos inquéritos, nem peritagens às viaturas. Quem morreu, morreu. E, se acaso não aparecem familiares a reconhecer os corpos das vítimas, sempre há uma solução. E, a solução é a vala comum. Instituto Nacional de Viação, Polícias, Governos provinciais, Conselhos Municipais e Ministério do Interior, que têm a obrigação legal de controlar os agentes sob seu comando, não estão isentos de responsabilidade. Da responsabilidade moral pelo que se passa nas nossas estradas. Algo está a impedir que condutores sem licença continuem a conduzir. E que viaturas sem registo continuem a circular. E a matar. Inocentes. É preciso agir. É preciso agir e é preciso responsabilizar, quem está a provocar tão elevado número de perda de vidas humanas. Ao que assistimos, algo está a impedir, algo está a manietar, quem tem por função agir. Agir em função do cumprimento da Lei. E, enquanto este mistério não seja desvendado, enquanto permanecer esta pacividade, iremos ter muitos mais mortos nas estradas. E morrer nas estradas não pode, nem deve, ser encarado como uma fatalidade. É possível alterar a situação.
O último acidente rodoviário grave, aconteceu na madrugada da última terça-feira. Na EN-4. Causou oito mortos e 16 feridos. A viatura levava 25 pessoas. Mas, tinha capacidade legal para apenas 16. Mais uma vez, e como sempre, ninguém fala, ninguém falou, em responsabilidade criminal. Habitualmente, neste género de acidentes rodoviários, não é atribuída responsabilidade criminal. A ninguém. Não são feitos inquéritos, nem peritagens às viaturas. Quem morreu, morreu. E, se acaso não aparecem familiares a reconhecer os corpos das vítimas, sempre há uma solução. E, a solução é a vala comum. Instituto Nacional de Viação, Polícias, Governos provinciais, Conselhos Municipais e Ministério do Interior, que têm a obrigação legal de controlar os agentes sob seu comando, não estão isentos de responsabilidade. Da responsabilidade moral pelo que se passa nas nossas estradas. Algo está a impedir que condutores sem licença continuem a conduzir. E que viaturas sem registo continuem a circular. E a matar. Inocentes. É preciso agir. É preciso agir e é preciso responsabilizar, quem está a provocar tão elevado número de perda de vidas humanas. Ao que assistimos, algo está a impedir, algo está a manietar, quem tem por função agir. Agir em função do cumprimento da Lei. E, enquanto este mistério não seja desvendado, enquanto permanecer esta pacividade, iremos ter muitos mais mortos nas estradas. E morrer nas estradas não pode, nem deve, ser encarado como uma fatalidade. É possível alterar a situação.
domingo, julho 05, 2009
uma humildade nacionalista
Em tempo de crise financeira mundial, digamos de depressão, é bom, é salutar, alguma leitura. É positivo ler o que outros escreveram sobre a crise e sobre crises. Ler, o que outros, que sabem muito mais do que nós escreveram, para, há muito, alertarem sobre erros. Que também poderemos estar a cometer. É o caso de Paul Krugman. Autor de “O regresso da economia da depressão e a crise actual”. Nesta sua obra, o Prémio Nobel da Economia de 2008, começa por nos situar na Grande Depressão da década de 1930, que classifica como uma tragédia injustificada e desnecessária. Indo por aí em diante, analisa as crises recentes, verificadas em diferentes países da América Latina e da Ásia. Aponta origens, causas, efeitos. E, também, erros nas tentativas de alterar as situações. Na sua obra didáctica, acessível mesmo a quem não seja economista, escreve Krugman (pag. 109): Acompanhem o meu raciocínio. Existem três coisas que os gestores macro-económicos pretendem para as suas economias. Querem discrição na política monetária, de forma a poderem combater as recessões e dominar a inflação. Querem taxas de câmbio estáveis de forma a que as empresas não tenham de enfrentar demasiadas incertezas. E querem manter a liberdade do comércio internacional – em especial permitir que as pessoas possam trocar dinheiro como lhes apetecer -, de forma a não se intrometerem no sector privado. O que a história do globo e da sua queda nos ensina é que os países não podem satisfazer todos os três desejos; no máximo, poderão satisfazer dois. (...). Crítico acérrimo do recurso aos fundos especiais de investimentos, o autor escreve (pag. 130), que os referidos fundos pagaram a jornalistas e editores para que estes publicassem artigos a sugerir que o dólar de Hong Kong ou o renmimbi chinês estavam prestes a ser desvalorizados. Resumindo, estavam a tentar deliberadamente provocar uma corrida à moeda.
Período houve, entre nós, em que se afirmou ser necessário saber tirar benefícios da crise financeira mundial. Agora já se diz que a crise está a afectar a nossa Balança de Pagamentos (“Notícias”, 01.07.09). Como se diz que há perdas nas reservas em divisas. O que poderá, eventualmente, ser compensado, através dos muito contestados, por Krugman, fundos especiais de investimentos. Vale a pena, para terminar, transcrever mais algumas linhas do referido livro. Do Nobel da Economia de 2008. Escreve ele (Pag. 133): Em 1787, a Imperatriz Catarina da Rússia visitou as províncias do Sul do Império. De acordo com a lenda, o seu primeiro ministro, Grigori Potemkin, seguia um dia à frente dela, instalando frontarias falsas que transformavam aldeias miseráveis e as faziam parecer vilas prósperas. Depois da passagem da soberana, desmontava as telas e ia montá-las no destino seguinte. A partir de então, a expressão “aldeia Potemkin” tem sido usada para descrever ambientes aparentemente felizes, que na realidade, são apenas fachadas, sem qualquer relação com que está por detrás delas. O tempo que corre, corre rápido. Corre veloz. Mas é um tempo que, ainda, permite evitar erros que muitos já cometeram. Evitar erros, na nossa realidade presente, e em termos de economia, implica uma atitude de humildade. Mas, convenhamos, de uma humildade nacionalista.
Período houve, entre nós, em que se afirmou ser necessário saber tirar benefícios da crise financeira mundial. Agora já se diz que a crise está a afectar a nossa Balança de Pagamentos (“Notícias”, 01.07.09). Como se diz que há perdas nas reservas em divisas. O que poderá, eventualmente, ser compensado, através dos muito contestados, por Krugman, fundos especiais de investimentos. Vale a pena, para terminar, transcrever mais algumas linhas do referido livro. Do Nobel da Economia de 2008. Escreve ele (Pag. 133): Em 1787, a Imperatriz Catarina da Rússia visitou as províncias do Sul do Império. De acordo com a lenda, o seu primeiro ministro, Grigori Potemkin, seguia um dia à frente dela, instalando frontarias falsas que transformavam aldeias miseráveis e as faziam parecer vilas prósperas. Depois da passagem da soberana, desmontava as telas e ia montá-las no destino seguinte. A partir de então, a expressão “aldeia Potemkin” tem sido usada para descrever ambientes aparentemente felizes, que na realidade, são apenas fachadas, sem qualquer relação com que está por detrás delas. O tempo que corre, corre rápido. Corre veloz. Mas é um tempo que, ainda, permite evitar erros que muitos já cometeram. Evitar erros, na nossa realidade presente, e em termos de economia, implica uma atitude de humildade. Mas, convenhamos, de uma humildade nacionalista.
domingo, junho 28, 2009
uma perigosa ameaça
Se volto, hoje, ao tema é por haver motivo forte. Ponderoso. Refiro-me às designadas “As Sete Maravilhas Portuguesas no Mundo”. E, se escrevo de novo, e escrevo, faço-o depois de ter assistido a mais um dos muitos programas da RTP África. Neste caso concreto, um de humor. Ou seja, o “Contra Informação. Emitido cerca das 12.30 horas do passado dia 21 do corrente mês. E, que me leva a poder concluir que os portugueses têm uma grande capacidade de fazer humor. E, uma grande capacidade de se criticarem a si próprios. E, também, uma grande capacidade de aceitarem a crítica. Sem melindres. Sem atitudes esquizofrénicas. Pois, para o referido programa humorístico, as tais de maravilhas são bem outras. São diferentes. Assim, para os autores do programa da estação de serviço público, os eleitos foram outros. Começam no Cristianinho Ronaldo, passam pela Praia da Costa da Caparica, pela Casa do Benfica nos Estados Unidos da América, pelo restaurante português em Timor-Leste. Mas, tem mais. Muito mais. Tem um pouco de tudo e para todos os gostos. O que significa que num mesmo espaço há espaço para ser e pensar diferente. Trata-se, como é fácil de concluir, simplesmente de uma questão de tolerância. E, em nós, entre nós, começa a ser gritante a falta de tolerância. Por aí e além, continuamos a falar em democracia. Mas, chegado o momento de discutir ideias, acaba a tolerância. Entra-se no discurso ofensivo. No ataque pessoal. Muitas das vezes, pode ser, simplesmente, falta de sentido de humor. Falta de capacidade de aceitar a crítica. Corrosiva sem ser ofensiva. Outras vezes, não. Aí, o problema é mais grave. E, é aí, precisamente, que reside o problema de fundo. Que pode ser resumido na falta de capacidade em aceitar a diferença. Na falta de capacidade de conviver e viver com o que é diferente. E, isto, a muitos níveis e em diferentes situações.
Peço ajuda, de novo, a vetusto dicionário. E aí leio, entre outros significados, que partido é o conjunto de pessoas que seguem as mesmas ideias, especialmente em política. Ignoro e tenho algumas dúvidas se, na sua plenitude, o que transcrevo se ajusta à actual realidade moçambicana. Volto, por tal motivo, ao que se ouve em televisão. No caso concreto, na TVM. É que pasmei, ou se me é permito o termo, aburrei. No sentido de ter ficado burro. Quando ouvi o porta-voz do maior partido da oposição afirmar o que afirmou. Num programa de debate emitido no passado dia 22. Disse ele, para quem o quis ouvir, e fomos, certamente, muitos, na expectativa de escutar coisas novas. Ideias novas. Alternativas de políticas de governação. Mas não. Nada disso. O que ouvimos, logo no início, foi que a RENAMO é um partido que é militar. Ora, todos sabemos, todos conhecemos, as dificuldades enfrentadas por este género de movimentos em se libertarem da carga militaristas. Para serem, simplesmente, partidos. E, partidos despojados de armas, que lutem pelo poder através do voto e da palavra. A ser verdade o que agora nos dizem, e parece ser, estamos um perigoso recuo. Estamos perante uma perigosa ameaça.
Peço ajuda, de novo, a vetusto dicionário. E aí leio, entre outros significados, que partido é o conjunto de pessoas que seguem as mesmas ideias, especialmente em política. Ignoro e tenho algumas dúvidas se, na sua plenitude, o que transcrevo se ajusta à actual realidade moçambicana. Volto, por tal motivo, ao que se ouve em televisão. No caso concreto, na TVM. É que pasmei, ou se me é permito o termo, aburrei. No sentido de ter ficado burro. Quando ouvi o porta-voz do maior partido da oposição afirmar o que afirmou. Num programa de debate emitido no passado dia 22. Disse ele, para quem o quis ouvir, e fomos, certamente, muitos, na expectativa de escutar coisas novas. Ideias novas. Alternativas de políticas de governação. Mas não. Nada disso. O que ouvimos, logo no início, foi que a RENAMO é um partido que é militar. Ora, todos sabemos, todos conhecemos, as dificuldades enfrentadas por este género de movimentos em se libertarem da carga militaristas. Para serem, simplesmente, partidos. E, partidos despojados de armas, que lutem pelo poder através do voto e da palavra. A ser verdade o que agora nos dizem, e parece ser, estamos um perigoso recuo. Estamos perante uma perigosa ameaça.
domingo, junho 21, 2009
ideias más de pessoas boas
Por uma questão de princípios, não costumo responder a textos que rebatam ou contrariem ideias por mim expressas. Principalmente quando se trate de textos considerados anónimos. Por não assinados. Já outra coisa e bem diferente, é tentar combater ideias com ideias falsas. Com falsidades. Para, depois, tentar branquear a História. De tentar, repetir e fazer aceitar como boa a versão da História dos vencedores. Sem ter a coragem e a honestidade intelectual, também, de ler a História contada pelos vencidos. A versão da História dos vencidos. Neste campo, e a terminar esta breve introdução, aconselho vivamente a leitura do livro “As Cruzadas vistas pelos Árabes” da autoria de Amin Maalouf, de origem libanesa. E, em relação ao qual o jornal “Diário de Notícias”, de Lisboa – e, para quem não saiba, Lisboa é a capital de Portugal -, escreveu: Comprometido entre a oralidade simples da épica e a arrumação dos factos da crónica antiga, o livro é uma lúcida releitura em perspectiva diferente, contada de modo a que os ocidentais percebam, desse conflito multissecular e cheio de sequelas que foram as Cruzadas.
Na sua última edição, publicou este Semanário uma local com o título “textos maledicentes”. A primeira parte do qual me é dirigida. Ou pretende ser, pelo simples facto de citar o meu nome. Pois bem, diz o texto, que se identifica como sendo de uma “Sociedade Civil”, que as caravelas que aqui aportavam traziam pedras como balastro. Ora, balastro é uma mistura de areia e pedras britadas com que se cobrem as travessas em que assentam os carris. Ora, que as caravelas possam ter trazido pedras, é provável que sim. Mas como lastro. É que, lastro, é qualquer matéria pesada que se coloca no fundo de uma embarcação para assegurar o seu equilíbrio. De facto, o português é uma língua difícil. Sempre foi! O texto em apreço, refere-se, também, às lutas entre colonizadores e diz que o almirante holandês aprisionou a população portuguesa na vila e exigiu a rendição da fortaleza (...) tendo sido o apoio dado pelos habitantes da costa que ajudaram a fortaleza a resistir trazendo alimentos à noite aos defensores do forte nas suas pirogas. È caso para dizer, mal esclarecidos nativos que, em vez de terem ficado quietos e neutros, optaram por apoiar os ocupantes portugueses. O resultado, que eles não podiam prever, nesse então, foi uma independência com décadas de atraso em relação à maioria dos povos africanos. E, só depois de uma guerra que custou muitas vidas. Quanto ao trabalho voluntário das tripulações e dos nobres no transporte da pedra, não passa de uma invenção para tentar adoçar o colonialismo. Os nobres, nunca terão trabalhado. E, ao que parece, nem o seu estatuto o permitia. Que há memórias de nobres na Ilha, isso há. Mas, séculos depois e quando para ali deportados. Principalmente, do Brasil. A memória dos ilhéus mais velhos, ainda conserva a imagem de nobres a executarem trabalhos forçados. Em obras públicas e devidamente acorrentados. A terminar, dizer que antes de eu haver escrito sobre “As Sete Maravilhas Portuguesas no Mundo”, um semanário de Maputo tinha dedicado uma página ao tema. Ainda antes, antes disso, já ilustres catedráticos da mais antiga Universidade portuguesa, a Universidade de Coimbra, haviam feito um abaixo assinado. Em protesto contra o referido concurso. Nem por isso terão sido acusados de ódio actual ao povo português. Pelo simples facto de que terão, apenas, criticado ideias e iniciativas de outros seus compatriotas. Muito provavelmente que consideram erradas, ideias más de pessoas boas.
Na sua última edição, publicou este Semanário uma local com o título “textos maledicentes”. A primeira parte do qual me é dirigida. Ou pretende ser, pelo simples facto de citar o meu nome. Pois bem, diz o texto, que se identifica como sendo de uma “Sociedade Civil”, que as caravelas que aqui aportavam traziam pedras como balastro. Ora, balastro é uma mistura de areia e pedras britadas com que se cobrem as travessas em que assentam os carris. Ora, que as caravelas possam ter trazido pedras, é provável que sim. Mas como lastro. É que, lastro, é qualquer matéria pesada que se coloca no fundo de uma embarcação para assegurar o seu equilíbrio. De facto, o português é uma língua difícil. Sempre foi! O texto em apreço, refere-se, também, às lutas entre colonizadores e diz que o almirante holandês aprisionou a população portuguesa na vila e exigiu a rendição da fortaleza (...) tendo sido o apoio dado pelos habitantes da costa que ajudaram a fortaleza a resistir trazendo alimentos à noite aos defensores do forte nas suas pirogas. È caso para dizer, mal esclarecidos nativos que, em vez de terem ficado quietos e neutros, optaram por apoiar os ocupantes portugueses. O resultado, que eles não podiam prever, nesse então, foi uma independência com décadas de atraso em relação à maioria dos povos africanos. E, só depois de uma guerra que custou muitas vidas. Quanto ao trabalho voluntário das tripulações e dos nobres no transporte da pedra, não passa de uma invenção para tentar adoçar o colonialismo. Os nobres, nunca terão trabalhado. E, ao que parece, nem o seu estatuto o permitia. Que há memórias de nobres na Ilha, isso há. Mas, séculos depois e quando para ali deportados. Principalmente, do Brasil. A memória dos ilhéus mais velhos, ainda conserva a imagem de nobres a executarem trabalhos forçados. Em obras públicas e devidamente acorrentados. A terminar, dizer que antes de eu haver escrito sobre “As Sete Maravilhas Portuguesas no Mundo”, um semanário de Maputo tinha dedicado uma página ao tema. Ainda antes, antes disso, já ilustres catedráticos da mais antiga Universidade portuguesa, a Universidade de Coimbra, haviam feito um abaixo assinado. Em protesto contra o referido concurso. Nem por isso terão sido acusados de ódio actual ao povo português. Pelo simples facto de que terão, apenas, criticado ideias e iniciativas de outros seus compatriotas. Muito provavelmente que consideram erradas, ideias más de pessoas boas.
domingo, junho 14, 2009
a corda pode partir quando menos se esperar
Na Guiné-Bissau, a terra, mais uma vez, acordou encharcada em sangue. Houve mais mortes. Houve mais dois assassinatos. Um dos assassinados era candidato a Presidente da República. Era candidato às presidenciais cuja realização já foi confirmada para 28 do corrente mês. Recuando no tempo, recordamos que após o assassinato de Amilcar Cabral, a Guiné-Bissau jamais teve paz interna. Desde então, sucederam-se os golpes de Estado e os assassinatos políticos. Até aos nossos dias, o porquê de tanta violência, o porquê de tanta morte, parece não ter sido tema, ainda, devidamente estudado. Ajustes de contas pessoais, rivalidades étnicas, negócios de petróleo, tentativas de controlo das rotas da droga, são hipóteses. São hipóteses de trabalho. E, digamos, como tal, como hipóteses de trabalho, umas não excluem as outras. O que parece poder adiantar-se, com margem mínima de erro, é que a Guiné-Bissau, hoje, continua a ser um Estado ingovernável. Um Estado falhado. Pior, um Estado inviável. Com um povo pobre. Paupérrimo. Enquanto as elites se vão confrontado. Se vão eliminando. Da forma mais primária. Mais primitiva. Perante esta falta de estabilidade, perante esta instabilidade interna, a União Africana deve tomar uma posição. Clara e objectiva. As Nações Unidas têm o dever de fazer bem mais do que estão a fazer. A CPLP também tem deveres a cumprir. É necessário começar por quebrar a inércia e a indiferença. Em situação de recurso, declarar a Guiné-Bissau, por dez, por cinco anos, Protectorado das Nações Unidas. Mas, antes, é preciso dizer que chega de mortes violentas. Que chega de assassinatos. Seja a que pretexto seja.
Ao que foi noticiado, a partir da última terça-feira, Daviz Simango terá sido alvo de tentativa de assassinato em Nacala-Porto. Por elementos da guarda pessoal do líder da RENAMO. O que o terá levado a pedir protecção policial. Trata-se, ao que parece, de uma situação nova entre nós. Em Moçambique. Mas que, se deseja não tenha repetição. Segundo relatos da Imprensa, a arma terá sido, posteriormente, localizada e recuperada numa residência afecta à RENAMO. Já em Nampula, o presidente do MDM terá manifestado a intenção de processar judicialmente o líder da RENAMO. Por ser o mandante do atentado frustrado contra a sua pessoa. Deixemos as investigações para quem tem competência para as fazer. E, enquanto fica a dúvida, existe uma certeza. A certeza de que estes métodos e estes processos não abonam em favor da democracia. A democracia não se consolida nem se afirma com tentativas de assassinatos. A democracia não se impõe pela força das armas. Razão pela qual a Guiné-Bissau é, hoje, um Estado inviável, ingovernável e falhado. Como vários outros. Há, aqui e ao que parece, uma tentativa de, como se diz, esticar a corda. Mas, a corda, como se sabe, parte sempre pelo lado mais fraco, mais frágil. E, a corda pode partir quando menos se esperar.
Ao que foi noticiado, a partir da última terça-feira, Daviz Simango terá sido alvo de tentativa de assassinato em Nacala-Porto. Por elementos da guarda pessoal do líder da RENAMO. O que o terá levado a pedir protecção policial. Trata-se, ao que parece, de uma situação nova entre nós. Em Moçambique. Mas que, se deseja não tenha repetição. Segundo relatos da Imprensa, a arma terá sido, posteriormente, localizada e recuperada numa residência afecta à RENAMO. Já em Nampula, o presidente do MDM terá manifestado a intenção de processar judicialmente o líder da RENAMO. Por ser o mandante do atentado frustrado contra a sua pessoa. Deixemos as investigações para quem tem competência para as fazer. E, enquanto fica a dúvida, existe uma certeza. A certeza de que estes métodos e estes processos não abonam em favor da democracia. A democracia não se consolida nem se afirma com tentativas de assassinatos. A democracia não se impõe pela força das armas. Razão pela qual a Guiné-Bissau é, hoje, um Estado inviável, ingovernável e falhado. Como vários outros. Há, aqui e ao que parece, uma tentativa de, como se diz, esticar a corda. Mas, a corda, como se sabe, parte sempre pelo lado mais fraco, mais frágil. E, a corda pode partir quando menos se esperar.
domingo, junho 07, 2009
uma maravilha do trabalho de escravos
Portugal, os portugueses parece estarem a atravessar um período de revanchismo. Parece estarem, de novo a alimentar a reviver memórias do passado. A recriar ritos para alimentar mitos. Pode dizer-se que Portugal, os portugueses nunca se conseguiram refazer do chamado desastre de Alcácer Quibir. Da derrota na batalha de Alcácer Quibir donde nunca mais regressou Dom Sebastião. Que ficaria para a história, no imaginário colectivo dos portugueses como “O desejado”. Afinal, vítima de uma guerra entre cristão e árabes. De um dos eternos conflitos entre cristão e árabes. Ou, entre árabes e cristão. Também o chamado Quinto Império não passou de um mito. De uma ilusão. De uma miragem. Que ninguém, em momento nenhum, chegou e definir claramente. Porque ninguém sabia o que era. Ou, como devia ser. Depois, em tempos mais recentes, em tempos actuais, tempos nossos, foi engendrada – talvez mal – uma Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa. Ideia antiga, velha de décadas, já cheirosa a bolor, do brasileiro Gilberto Freire. Que Salazar recusou, António de Spínola tentou recuperar e a que outros, seus posteriores, finalmente, deram forma e institucionalizaram. Por fim, aí está, também, sem pernas para andar, sem pernas para ir longe, um acordo ortográfico. Que pretende, que tem a pretensão de tornar igual o que é, por natureza diferente. No meio de tudo isto, deste diz que diz, deste diz que faz mas não faz, deste diz que é mas não é, temos a surpresa. E, a surpresa é mosca que nos cai na sopa. Ou seja, um primeiro-ministro de Portugal a comunicar-se em espanhol com o seu poderoso vizinho ibérico.
De quando em quando, assisto a alguns programas emitidos pelas RTP´s. E, muitas vezes pergunto, de mim para mim, se aquilo a que estou a assistir resulta de simples desconhecimento. De ignorância. De pouca investigação. Ou se, pelo contrário é produto de uma tentativa de branquear a história. É uma versão reciclada da história dos vencedores. Exemplo recente, exemplo acabado, é o de um concurso a que foi dado o nome de “As Sete Maravilhas Portuguesas no Mundo”. No qual foi feito participar a Ilha de Moçambique. Ou, talvez mais especificamente, a sua Fortaleza. Ora, a Fortaleza da Ilha de Moçambique pode, muito bem, não ser a fortaleza que alguns pretendem fazer acreditar que é. A sua construção e a sua arquitectura podem obedecer a padrões da estratégia militar e de ocupação territorial da época. Fora de dúvida, primeiro resultou da necessidade de os ocupantes cristãos se protegerem dos nativos. E, depois, de a partir dali, expulsarem os árabes. Que haviam chegado àquelas terras sete séculos antes. Sempre a já então o insolúvel conflito entre cristão e árabes. A tentativas dos cristão para expulsar os árabes. Ou, se assim se pretender, os islâmicos. Acresce, para terminar, que se a concepção da fortaleza foi de Portugal, a sua construção resulta do trabalho de moçambicanos. Do trabalhos escrevo de moçambicanos. Foram moçambicanos que partiram e arrancaram a pedra do local conhecido como “ponta da Ilha”. E a transportam até ao local onde foi erigida a fortaleza. Muitos perderam a vida. Morreram a trabalhar como escravos. Afinal, esta obra militar que Portugal considera uma maravilha, é uma maravilha do trabalho de escravos
De quando em quando, assisto a alguns programas emitidos pelas RTP´s. E, muitas vezes pergunto, de mim para mim, se aquilo a que estou a assistir resulta de simples desconhecimento. De ignorância. De pouca investigação. Ou se, pelo contrário é produto de uma tentativa de branquear a história. É uma versão reciclada da história dos vencedores. Exemplo recente, exemplo acabado, é o de um concurso a que foi dado o nome de “As Sete Maravilhas Portuguesas no Mundo”. No qual foi feito participar a Ilha de Moçambique. Ou, talvez mais especificamente, a sua Fortaleza. Ora, a Fortaleza da Ilha de Moçambique pode, muito bem, não ser a fortaleza que alguns pretendem fazer acreditar que é. A sua construção e a sua arquitectura podem obedecer a padrões da estratégia militar e de ocupação territorial da época. Fora de dúvida, primeiro resultou da necessidade de os ocupantes cristãos se protegerem dos nativos. E, depois, de a partir dali, expulsarem os árabes. Que haviam chegado àquelas terras sete séculos antes. Sempre a já então o insolúvel conflito entre cristão e árabes. A tentativas dos cristão para expulsar os árabes. Ou, se assim se pretender, os islâmicos. Acresce, para terminar, que se a concepção da fortaleza foi de Portugal, a sua construção resulta do trabalho de moçambicanos. Do trabalhos escrevo de moçambicanos. Foram moçambicanos que partiram e arrancaram a pedra do local conhecido como “ponta da Ilha”. E a transportam até ao local onde foi erigida a fortaleza. Muitos perderam a vida. Morreram a trabalhar como escravos. Afinal, esta obra militar que Portugal considera uma maravilha, é uma maravilha do trabalho de escravos
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