As notícias sobre o tema são frequentes. Por vezes, alarmantes. E, têm origem nos mais diversos pontos do país. Coincidem, todas elas num aspecto comum. Todas elas se referem ao abate de árvores e da sua transformação em combustível. Em carvão vegetal, muito concretamente. Este abate contínuo e continuado de árvores, cria diversos problemas e problemas de diferentes dimensões. Principalmente ambientais e de erosão. Mas, a questão não deve nem pode ser vista numa perspectiva unilateral. Sequer é tão simples. Aconselha o bom senso que se analise o problema de diversos ângulos e em diferentes perspectivas. Parece claro que em nada e a ninguém aproveitaria proteger o ambiente pelo simples objectivo de protecção do ambiente. Proteger o ambiente só faz sentido em função de uma realidade concreta. De uma população. Caso contrário, poderemos caminhar para posições radicais. Fundamentalistas. E de não de estar a proteger a quem se diz pretender proteger.
Com o título “Carvão vegetal escasseia em Nacala”, o matutino “Notícias” (edição de 16 do corrente), acrescenta que a “Carência é de tal modo crítica e jamais vista, o que periga as reservas florestais dos distritos vizinhos”. Situação, aliás semelhante há de muitos outros pontos do país. Pode ler-se, mais adiante, na citada local, que a referida cidade (...) está a enfrentar uma escassez sem de carvão vegetal para fins domésticos, situação que coloca em perigo a existência das reservas florestais nos distritos circunvizinhos com implicações bastante negativas para o meio ambiente. Nada vem dito sobre o mais que provável aumento do custo do produto. Mas, isso sim, está escrito (...) que a escassez de carvão naquela cidade portuária serviu de incentivo para que os produtores daquele combustível, baseados em Nacala-a-Velha, Memba e Monapo, entrassem no negócio com uma postura mais agressiva, pois as oportunidades que o mercado oferece actualmente são vastas do ponto de vista do preço. A realidade parece mostrar que, aqui, como em quase todo o país a vasta maioria das famílias depende do carvão vegetal para cozinhar as suas refeições. Sequer a cidade de Maputo poderá ser apontada como excepção. Aspecto há não menos importante, que não pode ser perdido de vista. Trata-se do aspecto de a produção e revenda de combustível lenhoso ter um peso importante na renda de muitos milhares de famílias. O combate à erosão e a protecção das florestas não pode ter um sentido único. Carece de alternativas. Uma das quais poderá ser a introdução de carvão vegetal no mercado. O que, de resto, não constitui ideia original nem peregrina.
domingo, fevereiro 21, 2010
domingo, fevereiro 14, 2010
Avançar com os pés assentes na terra
Na sua última sessão, o Conselho de Ministros decidiu alterar a forma de pagamento da energia a pagar pelos agricultores estabelecidos em sistemas de regadio. Alterar, aqui, tem o sentido de baixar. De reduzir. De ajustar à realidade do consumo efectivo. E, não da potência instalada. Com o decreto ora aprovado, pretende o Governo incentivar a produção agrícola. O mesmo é dizer, pretende reduzir importações. Mais. Pode se ir mais além. Pode dizer-se, sem receio de erro, que existe um outro fim em vista, um outro objectivo. E, esse fim e esse objectivo consistem em criar condições para motivar ao trabalho. Para criar condições no sentido em que as energias despendidas tenham uma justa compensação. E, isto, naturalmente, porque, todos o sabemos, só o trabalho gera riqueza. Como também sabemos, que o homem não vive para trabalhar. Como nos tempos idos da escravatura. Trabalha, isso sim, para viver. E, para melhorar as suas condições de vida e da sua família. Para poder ter amanhã o que ainda não tem hoje. As estatísticas, as taxas de inflação, dados sobre o crescimento económico, são, meramente questões periféricas. Apenas questões periféricas. Que pouco ou nada têm a ver com o país real. Com o país do camponês. Com a vida do camponês. Lá. No campo. Não do camponês de quem muitos falam. Por aí. Em tudo quanto seja hotel de luxo. Mas que não conhece. Por nunca ter visitado. Na companhia de quem nunca passou uma refeição.
Hoje, são visíveis sinais de mudança. O último, é esse a que nos referimos. O de Conselho de Ministros ter decretado a redução dos custos de energia eléctrica a pagar pelos agricultores integrados em sistemas de regadio. Trata-se, certamente, de uma decisão que não saiu de seminário nem de reunião realizada em instância turística. Dessas muitas onde se come bem bebe melhor. Até cair morto. Terá resultado, permita-se-me a especulação, de observação directa e pessoal. Por parte do Primeiro-Ministro. Que, nos últimos tempos, cirandou por terras ricas mas mal aproveitadas. Em termos de produção. Como que a dizer, ou a dizer, mesmo, que podemos fazer mais e melhor. E, a afirmar, sem o dizer, que existe espaço para o Governo intervir. Que há muito espaço para o Governo poder intervir na produção de riqueza. Para além do que possam ser condicionantes ou falsas condicionantes. Dos chamados doadores. Muitos dos quais, contando com apoios internos, nunca esconderam estar contra o chamado Fundo de Desenvolvimento Local. E que não perdem a oportunidade para mostrar que estão ressentidos com o sucesso dos resultados do mesmo. Por receio e por medo de terem de aceitar que existem capacidades e espaços de manobra internos para fazer mais e melhor. Do que aquilo que são as suas imposições. Os seus modelos. Falhados e falidos. É preciso continuar a avançar com os pés assentes na terra.
Hoje, são visíveis sinais de mudança. O último, é esse a que nos referimos. O de Conselho de Ministros ter decretado a redução dos custos de energia eléctrica a pagar pelos agricultores integrados em sistemas de regadio. Trata-se, certamente, de uma decisão que não saiu de seminário nem de reunião realizada em instância turística. Dessas muitas onde se come bem bebe melhor. Até cair morto. Terá resultado, permita-se-me a especulação, de observação directa e pessoal. Por parte do Primeiro-Ministro. Que, nos últimos tempos, cirandou por terras ricas mas mal aproveitadas. Em termos de produção. Como que a dizer, ou a dizer, mesmo, que podemos fazer mais e melhor. E, a afirmar, sem o dizer, que existe espaço para o Governo intervir. Que há muito espaço para o Governo poder intervir na produção de riqueza. Para além do que possam ser condicionantes ou falsas condicionantes. Dos chamados doadores. Muitos dos quais, contando com apoios internos, nunca esconderam estar contra o chamado Fundo de Desenvolvimento Local. E que não perdem a oportunidade para mostrar que estão ressentidos com o sucesso dos resultados do mesmo. Por receio e por medo de terem de aceitar que existem capacidades e espaços de manobra internos para fazer mais e melhor. Do que aquilo que são as suas imposições. Os seus modelos. Falhados e falidos. É preciso continuar a avançar com os pés assentes na terra.
domingo, fevereiro 07, 2010
O regresso das caravelas
Até tempos recentes, cultivámos uma ilusão. Cultivámos a ilusão de que tudo o que era gestão ou serviço prestado pelo Estado era mau. Pela inversa, tudo o que fosse gestão ou serviço prestado por privados seria bom. A realidade e o tempo estão a encarregar-se de demonstrar não ser tanto assim. Estão a se encarregar de desmistificar o mito. ‘E, hoje, conhecido e público o esforço desenvolvido pelo Estado no sentido de melhorar a qualidade dos serviços que presta aos cidadão. Como é conhecido e público que, em certas áreas, onde o Estado decidiu contratar terceiros, o serviço prestado aos cidadãos caiu. E caiu na vertical. Isto, em certas áreas onde o Estado reconheceu não ter capacidade ou não ter competência para servir bem. Acontece que esses acordos têm contornos pouco claros. É que do seu conteúdo, pouco se conhece. Para além do tempo de duração. Por alguma razão, por algum motivo deverá ser assim. O que nada abona em termos da transparência da governação.
Na semana que passou, vieram a público duas notícias de cariz diferente. Digamos, na perspectiva do cidadão comum, uma boa e outra má. A primeira refere que Novo operador vai gerir sistema de água no Grande Maputo (Notícias de 5 de Fevereiro). A título de comentário, digamos, apenas, que não era sem tempo. Mas, a questão é que ainda vamos ter de esperar até 2014 para que tal aconteça. Finalmente. De qualquer forma, saudar desde já quem tomou a sábia decisão. A segunda, a segunda notícia, tem como título Bagunça na inspecção de veículos (Notícias de 4 de Fevereiro). A local informa que É assim que se pode caracterizar o ambiente vivido na última segunda-feira, segundo dia de funcionamento do Centro de Inspecção periódica e Obrigatória de Veículos Automóveis e Reboques, instalado no Bairro de Malhamplsene, Município da Matola, Província de Maputo. O projecto tem tudo para dar certo mas, de forma inexplicável, as entidades responsáveis não de prepararam para a organização da bicha das viaturas. Resultado: os automobilistas envolveram-se numa tremenda confusão com troca de palavras que em alguns casos descambaram mesmo em vias de facto. Mais se pode ler, que cada inspecção custa 600 meticais, mais 17 por cento de IVA, que a inauguração deste Centro foi orientada pelo Ministro dos Transportes e Comunicações e que as inspecções de viaturas foi concessionada por 25 anos, cabendo ao INAV fiscalizar e garantir o serviço público aos moçambicanos. Convenhamos que uma concessão por 25 anos é pouco menos tempo que o tempo concedido pelos portugueses às companhias majestáticas. Para explorarem e governarem vastas áreas do território moçambicano. Há quem admita, hoje, com alguma lógica de pensamento, que com este tipo de concessões, poderemos estar a regredir no tempo. Que poderemos estar o perante o regresso das caravelas.
Na semana que passou, vieram a público duas notícias de cariz diferente. Digamos, na perspectiva do cidadão comum, uma boa e outra má. A primeira refere que Novo operador vai gerir sistema de água no Grande Maputo (Notícias de 5 de Fevereiro). A título de comentário, digamos, apenas, que não era sem tempo. Mas, a questão é que ainda vamos ter de esperar até 2014 para que tal aconteça. Finalmente. De qualquer forma, saudar desde já quem tomou a sábia decisão. A segunda, a segunda notícia, tem como título Bagunça na inspecção de veículos (Notícias de 4 de Fevereiro). A local informa que É assim que se pode caracterizar o ambiente vivido na última segunda-feira, segundo dia de funcionamento do Centro de Inspecção periódica e Obrigatória de Veículos Automóveis e Reboques, instalado no Bairro de Malhamplsene, Município da Matola, Província de Maputo. O projecto tem tudo para dar certo mas, de forma inexplicável, as entidades responsáveis não de prepararam para a organização da bicha das viaturas. Resultado: os automobilistas envolveram-se numa tremenda confusão com troca de palavras que em alguns casos descambaram mesmo em vias de facto. Mais se pode ler, que cada inspecção custa 600 meticais, mais 17 por cento de IVA, que a inauguração deste Centro foi orientada pelo Ministro dos Transportes e Comunicações e que as inspecções de viaturas foi concessionada por 25 anos, cabendo ao INAV fiscalizar e garantir o serviço público aos moçambicanos. Convenhamos que uma concessão por 25 anos é pouco menos tempo que o tempo concedido pelos portugueses às companhias majestáticas. Para explorarem e governarem vastas áreas do território moçambicano. Há quem admita, hoje, com alguma lógica de pensamento, que com este tipo de concessões, poderemos estar a regredir no tempo. Que poderemos estar o perante o regresso das caravelas.
domingo, janeiro 31, 2010
Noves fora dá nada
Não raras vezes, lemos e ouvimos informações falsas. Com maior ou menor frequência no que se refere ao volume de produção agrícola. Em determinadas zonas do país. Tem vindo verificar-se uma sistemática tendência para o empolamento de dados, de números. Para a divulgação de dados de produção impossíveis de atingir. E, para comprovar a falsidade desses dados, basta colocar duas questões. Ou fazer duas equações. A primeira, para saber qual a relação entre a produção e a área cultivada. Ou seja, a quantidade produzida por hectare. A segunda, é a de saber que meios de transporte seriam necessários para escoar o que se diz ter sido produzido. Mas não terá sido. E não terá sido pelo simples facto de não possível produzir tanto em tão pouco espaço de terra. O que motiva a divulgação deste género de números, muitos conhecem. Mas poucos parecem disponíveis para lhe colocar fim. Digamos que há jornalistas e órgãos de Informação utilizados para divulgar dados falsos. Falsas informações. Informações que não correspondem com a realidade. Mas que são disponibilizadas, que são fornecidas, por agentes do Estado. Por funcionários do Estado. Aos mais diferentes níveis. O que pode significar estarmos perante um casamento por conveniência. Ou um caso de concubinagem.
Se interpreto bem o que li, terá o actual Primeiro-Ministro tido a percepção desta realidade. Vai daí, logo após ter sido empossado, decidiu visitar os Regadios de Nante e Musselo, na província da Zambézia. Relata o jornal “Magazine” que O que anda mal na óptica do primeiro-ministro (...) é a má gestão e planificação das campanhas agrícolas convista (sic) a capitalizar os recursos hídricos que ali existem. Mesmo com o rio perto com um curso de água em condições, Aly encontrou campos agrícolas secos, motobombas avariadas ou sem combustível. Acrescenta o semanário que O PM, notou também que os agricultores nem sequer recebem orientações de como fazerem a planificação da campanha agrícola, e como consequência disso, os camponeses cruzam os braços quando a chuva tarda em chegar. Mais adiante, pode ler-se: Vietnamitas vieram a Zambézia, assinaram acordos de parceria, tudo na óptica de uma boa produção de arroz, mas parece que as coisas não são assim como se propalavam. A realidade mostra o contrário. (...) As motobombas se não estão avariadas, não têm combustível. Os produtores, sem soluções, sentam e esperam até que um dia Deus deixe cair a chuva. Então, o que foi feito nos últimos cinco anos? Tantas visitas ao Vietname, discursos bonitos para nada? Parece, ao que parece, sim. Ou seja, nada. Recordo, com saudade, o primeiro mestre – escola. Que sempre aconselhava, com rigor e paternal autoridade, depois de efectuada uma simples conta: Meninos, nunca se esqueçam de tirar a prova nos nove. E nunca se esqueçam que se a conta estiver certa, noves fora dá nada. Também aqui, noves fora dá nada.
Não raras vezes, lemos e ouvimos informações falsas. Com maior ou menor frequência no que se refere ao volume de produção agrícola. Em determinadas zonas do país. Tem vindo verificar-se uma sistemática tendência para o empolamento de dados, de números. Para a divulgação de dados de produção impossíveis de atingir. E, para comprovar a falsidade desses dados, basta colocar duas questões. Ou fazer duas equações. A primeira, para saber qual a relação entre a produção e a área cultivada. Ou seja, a quantidade produzida por hectare. A segunda, é a de saber que meios de transporte seriam necessários para escoar o que se diz ter sido produzido. Mas não terá sido. E não terá sido pelo simples facto de não possível produzir tanto em tão pouco espaço de terra. O que motiva a divulgação deste género de números, muitos conhecem. Mas poucos parecem disponíveis para lhe colocar fim. Digamos que há jornalistas e órgãos de Informação utilizados para divulgar dados falsos. Falsas informações. Informações que não correspondem com a realidade. Mas que são disponibilizadas, que são fornecidas, por agentes do Estado. Por funcionários do Estado. Aos mais diferentes níveis. O que pode significar estarmos perante um casamento por conveniência. Ou um caso de concubinagem.
Se interpreto bem o que li, terá o actual Primeiro-Ministro tido a percepção desta realidade. Vai daí, logo após ter sido empossado, decidiu visitar os Regadios de Nante e Musselo, na província da Zambézia. Relata o jornal “Magazine” que O que anda mal na óptica do primeiro-ministro (...) é a má gestão e planificação das campanhas agrícolas convista (sic) a capitalizar os recursos hídricos que ali existem. Mesmo com o rio perto com um curso de água em condições, Aly encontrou campos agrícolas secos, motobombas avariadas ou sem combustível. Acrescenta o semanário que O PM, notou também que os agricultores nem sequer recebem orientações de como fazerem a planificação da campanha agrícola, e como consequência disso, os camponeses cruzam os braços quando a chuva tarda em chegar. Mais adiante, pode ler-se: Vietnamitas vieram a Zambézia, assinaram acordos de parceria, tudo na óptica de uma boa produção de arroz, mas parece que as coisas não são assim como se propalavam. A realidade mostra o contrário. (...) As motobombas se não estão avariadas, não têm combustível. Os produtores, sem soluções, sentam e esperam até que um dia Deus deixe cair a chuva. Então, o que foi feito nos últimos cinco anos? Tantas visitas ao Vietname, discursos bonitos para nada? Parece, ao que parece, sim. Ou seja, nada. Recordo, com saudade, o primeiro mestre – escola. Que sempre aconselhava, com rigor e paternal autoridade, depois de efectuada uma simples conta: Meninos, nunca se esqueçam de tirar a prova nos nove. E nunca se esqueçam que se a conta estiver certa, noves fora dá nada. Também aqui, noves fora dá nada.
domingo, janeiro 24, 2010
Impedir que o Ensino caia no informal
Repetidas vezes, são noticiadas fraudes. Aos mais diversos níveis de ensino. Apresentando os mais diversos contornos. Na generalidade, já são conhecidas como fraudes académicas. No final, em todos os casos, o objectivo parece comum. Que é o de ter acesso a um determinado nível de estudo. Para o qual o candidato não possui os necessários conhecimentos. Ou seja, obter um documento, um certificado, um diploma, um comprovativo de determinados conhecimentos. Que não possui, que não tem. Logo, estaremos perante um caso de fraude. Com maiores ou menores reflexos na sociedade. Tanto a nível do Estado como se empresas. Públicas ou privadas. Com mais e maiores ou menores prejuízos financeiros. Para quem desejando contratar competências, com vista a melhorar o desempenho, a eficiência ou o lucro do seu sector, está a contratar incompetências. Que, não poucas vezes, são mantidas nos lugares. Para evitar escândalos públicos. Apesar do seu desempenho ser nulo. Apesar da sua incompetência, ser mais do que visível e comprovada. Na prática. Logo, implicar, exigir a contratação de terceiros. De assessorias, de consultorias. Pagas a peso de ouro. Pagas em dólares. Este é o custo da incompetência. É a parte visível do custo da incompetência. O custo real, mas não total, suportado pelo Estado.
Até ao presente e na generalidade, os chamados casos de fraude académica terão envolvido estudantes. Talvez, também alguns funcionários de secretaria. Um caso, ao que parece com características novas e inéditas, acaba de vir a público. Este, envolvendo o director científico de uma instituição do Estado. Já suspenso das suas funções. Em termos de lógica, pode compreender-se o comportamento de certos estudantes que recorrem a meios fraudulentos para atingir os seus fins. Em termos de ética e de moral, não. Em termos legais, menos ainda. Agora, no mínimo, estranho é o facto de ser um director a encabeçar uma fraude. De ser um director científico de uma instituição do Estado a entregar exemplares de exames de a um estudante para venda a potenciais interessados. Mais do que estranha, a situação levanta questões novas. Em relação `a gestão do sistema de exames. A todos os níveis. Para impedir que, também, os exames cheguem ao informal. ‘E preciso impedir que o Ensino caia no informal.
Até ao presente e na generalidade, os chamados casos de fraude académica terão envolvido estudantes. Talvez, também alguns funcionários de secretaria. Um caso, ao que parece com características novas e inéditas, acaba de vir a público. Este, envolvendo o director científico de uma instituição do Estado. Já suspenso das suas funções. Em termos de lógica, pode compreender-se o comportamento de certos estudantes que recorrem a meios fraudulentos para atingir os seus fins. Em termos de ética e de moral, não. Em termos legais, menos ainda. Agora, no mínimo, estranho é o facto de ser um director a encabeçar uma fraude. De ser um director científico de uma instituição do Estado a entregar exemplares de exames de a um estudante para venda a potenciais interessados. Mais do que estranha, a situação levanta questões novas. Em relação `a gestão do sistema de exames. A todos os níveis. Para impedir que, também, os exames cheguem ao informal. ‘E preciso impedir que o Ensino caia no informal.
domingo, janeiro 17, 2010
As televisões podem fazer mais e muito melhor
Afirma-se, com frequência, que só não comete erros quem nada faz. A afirmação parece lógica. A afirmação parece correcta. Mas, uma questão importa clarificar. Desde já. É que cometer erro por ter feito, é uma coisa. Cometer erro por ter feito mal essa coisa constitui, igualmente, a mesma coisa. Em resumo, o erro está em fazer mal aquilo que deveria ter sido feito bem. E não o foi por falta de conhecimento. Ou por falta de capacidade ou de habilidade para a boa realização. Embora ao fazer, houvesse o desejo e a consciência de que o que estava a ser feito estava a ser bem feito. Quer dizer, nesta lógica, o erro só pode ser detectado, apreciado, avaliado, depois do que se desejava fazer ter sido feito. A menos que o erro possa ser considerado como voluntário. Evitável. Que haja quem cultive o erro por vaidade. Como forma de afirmação pessoal. De, como costuma dizer-se, dar nas vistas. Pela negativa. Comprovadamente. De resto, a vaidade pessoal não conhece limites. Como o não conhece a estupidez. Há erros, há certos erros, que não têm explicação. Alguns são erros larvares. Para os quais nenhum ser racional consegue encontrar explicação.
Em termos de televisão, estamos a assistir a um fenómeno novo. Mas, talvez pouco educativo. Pouco edificante. É que com o louvável objectivo de permitir que os telespectadores possam dar as suas opiniões, em tempo real, certos programas emitem legendas em movimento. Em alguns casos, poucas. Em outros, muitas. Mas, a questão não está no número. Está na sua qualidade. Grandes partes dessas mensagens são não inteligíveis. Não são decifráveis pelo cidadão comum. Muito menos pelo chamado homem da rua. Parecem assentes em códigos de comunicação só acessíveis a pequenas minorias. O que, em termos políticos e de unidade nacional, é extremamente perigoso. Outra parte é pedida e proposta de encontros para os mais diversos fins. Outra parte, ainda, está repleta de erros de ortografia. E, aqui, ao que tudo indica, já não estamos perante o não querer fazer bem. Estamos perante o não saber. Mas, um não saber que pode estar, quando se permita a sua continuidade, a contrariar os esforços oficiais em termos de educação da população. Na generalidade mas, sobretudo, na transmissão do conhecimento da língua oficial. Neste campo, pode afirmar-se, sem receio de desmentido, que as televisões estão a prestar um mau serviço. Que as televisões podem evitar os erros que estão a cometer. Que as televisões podem fazer mais e muito melhor.
Em termos de televisão, estamos a assistir a um fenómeno novo. Mas, talvez pouco educativo. Pouco edificante. É que com o louvável objectivo de permitir que os telespectadores possam dar as suas opiniões, em tempo real, certos programas emitem legendas em movimento. Em alguns casos, poucas. Em outros, muitas. Mas, a questão não está no número. Está na sua qualidade. Grandes partes dessas mensagens são não inteligíveis. Não são decifráveis pelo cidadão comum. Muito menos pelo chamado homem da rua. Parecem assentes em códigos de comunicação só acessíveis a pequenas minorias. O que, em termos políticos e de unidade nacional, é extremamente perigoso. Outra parte é pedida e proposta de encontros para os mais diversos fins. Outra parte, ainda, está repleta de erros de ortografia. E, aqui, ao que tudo indica, já não estamos perante o não querer fazer bem. Estamos perante o não saber. Mas, um não saber que pode estar, quando se permita a sua continuidade, a contrariar os esforços oficiais em termos de educação da população. Na generalidade mas, sobretudo, na transmissão do conhecimento da língua oficial. Neste campo, pode afirmar-se, sem receio de desmentido, que as televisões estão a prestar um mau serviço. Que as televisões podem evitar os erros que estão a cometer. Que as televisões podem fazer mais e muito melhor.
domingo, janeiro 10, 2010
Sempre foram os pobres a pagar todas as crises
Muitas são as histórias que surgem a público sobre a construção de obras públicas. Umas por serem mal feitas. Outras por os construtores receberem parte do dinheiro e não realizarem trabalho de acordo com o contratado. Em diferentes ocasiões, ministros e governadores vieram a público exigir qualidade e responsabilidades. Principalmente em relação à edificação de escolas e de centros de saúde. Corre, também, que a adjudicação de obras por concurso público nem sempre são processos claros e transparentes. Que, por vezes, as obras públicas, ou não, adjudicadas a quem apresenta o valor mais baixo sofrem, depois, já em fase de execução acréscimos substanciais. Devido aos mais variados e diversos motivos. Sejam ou não justificáveis. Salvo melhor opinião, o factor custo não deveria ser o único em termos de adjudicação de uma obra. Deveriam ser tidos em conta outros. Como a solidez financeira da empresa e o tipo e a qualidade das obras já realizadas. Assim como uma análise técnica e financeira da proposta apresentada. Para avaliar se o valor da proposta corresponde ao volume do trabalho a realizar. Ou se, pelo contrário, constitui apenas uma maneira de ganhar o concurso. Para depois, por processos outros, vir solicitar pagamentos adicionais. Invocando as mais diversas causas.
Ao noticiar a visita que o Presidente da República efectuou às obras de modernização do Aeroporto de Maputo, o jornal “Notícias” (edição de 22 de Dezembro passado), titulou Crise mundial dita revisão dos custos. Inicia a local escrevendo que o Empreiteiro das obras de modernização e ampliação do Aeroporto Internacional do Maputo solicitou a revisão dos custos de execução daquele empreendimento, avaliado em 75 milhões de dólares norte-americanos. Tal pedido resulta de o valor inicialmente estimado ter sido corroído em consequência da crise financeira mundial. Acrescenta o matutino que No quadro da solicitação feita pela empresa construtora chinesa (...) estima-se que venham a ser necessários entre 40 a 50 milhões de dólares, valor de incremento ao investimento inicial de todo o projecto. Em termos práticos e reais, em linguagem sem artifícios, o que foi dito ao Chefe do Estado foi que Moçambique já não irá pagar 75 milhões de dólares pelas obras que estão a ser realizadas no seu principal aeroporto. Mas que terá de pagar entre 115 e 125 milhões de dólares. Devido, única e exclusivamente, à crise. Convenhamos que se trata de um acréscimo demasiado alto. E que carece de melhor justificação. De outro modo, ou a empresa construtora terá errado nos valores da proposta inicial ou está utilizar um falso argumento. Mesmo quando possa ser claro, para todos nós, que são sempre os pobres que pagam a crise. Que sempre foram os pobres a pagar todas as crises.
Ao noticiar a visita que o Presidente da República efectuou às obras de modernização do Aeroporto de Maputo, o jornal “Notícias” (edição de 22 de Dezembro passado), titulou Crise mundial dita revisão dos custos. Inicia a local escrevendo que o Empreiteiro das obras de modernização e ampliação do Aeroporto Internacional do Maputo solicitou a revisão dos custos de execução daquele empreendimento, avaliado em 75 milhões de dólares norte-americanos. Tal pedido resulta de o valor inicialmente estimado ter sido corroído em consequência da crise financeira mundial. Acrescenta o matutino que No quadro da solicitação feita pela empresa construtora chinesa (...) estima-se que venham a ser necessários entre 40 a 50 milhões de dólares, valor de incremento ao investimento inicial de todo o projecto. Em termos práticos e reais, em linguagem sem artifícios, o que foi dito ao Chefe do Estado foi que Moçambique já não irá pagar 75 milhões de dólares pelas obras que estão a ser realizadas no seu principal aeroporto. Mas que terá de pagar entre 115 e 125 milhões de dólares. Devido, única e exclusivamente, à crise. Convenhamos que se trata de um acréscimo demasiado alto. E que carece de melhor justificação. De outro modo, ou a empresa construtora terá errado nos valores da proposta inicial ou está utilizar um falso argumento. Mesmo quando possa ser claro, para todos nós, que são sempre os pobres que pagam a crise. Que sempre foram os pobres a pagar todas as crises.
domingo, janeiro 03, 2010
Todos somos seres humanos
Durante vários anos, parece que a inflação baixa foi transformada em dogma. Por cá. Sabendo todos nós, mesmo simples aprendizes de economia, que a inflação baixa nunca, em tempo algum, resolveu os problemas de desenvolvimento de país nenhum. Que possa satisfazer o ego dos gestores de algumas instituições financeiras internacionais, isso sim. Mas não só. É que, para além disso, apresenta-se como condição para poderem manter os seus cargos. Os seus salários fabulosos. As suas mordomias. Por terem sido “forçados” a vir trabalhar em países como o nosso. Onde ainda se morre de malária, de cólera, de tuberculose. Também de Sida. Mas, aqui, estamos perante outro negócio. Digamos, em resumo, que ser pobre não é uma fatalidade. É, isso sim, uma inevitabilidade. No sentido em que os ricos não podem viver sem os pobres. Muito embora os pobres possam, perfeitamente, viver sem os ricos. Mesmo que isso lhes custe a vida. O que a vir a acontecer, deixaria os ricos com um dilema por resolver. É que já não havendo mais pobres, deixaria de ser necessária ajuda. E, não sendo necessária ajuda, os muitos milhares que dizem vir ajudar, que estão por cá a ajudar coisa nenhuma, ficam sem emprego. Situação que não constitui problema nenhum para nós, Moçambique. Mas que é susceptível de provocar convulsões sociais, manifestações e agitação nos seus países de origem. E, é aqui que se situa o medo dos doadores. Eles montaram uma complexa máquina que, hoje, não conseguem desmontar. Nem controlar. Podem ter criado uma armadilha de serão as primeiras vítimas. Parece que sim.
O Governador do Banco de Moçambique veio, há poucos dias (“Notícias”de 28 de Dezembro), dizer que O nível de inflação projectada passará de 2 a 3 por cento este ano para um pico de 9,5 por cento em 2010, que num cenário que para o Banco de Moçambique vai dar espaço para que a economia possa crescer. Pouco importa adiantar os argumentos do Governador do BM. O que importa, isso sim, é salientar que as águas começam a ficar separadas. E entender que há quem defende que a solução do problema do desenvolvimento de Moçambique não está em manter a inflação baixa. Reside, talvez, pelo contrário, em permitir uma inflação alta. Mas controlada. Uma inflação alta mas controlada é completamente diferente de uma inflação baixa mas descontrolada. Como tem sucedido nos últimos e muitos anos. Em que as estatísticas nada têm a ver com a realidade. Dizer, por fim, o que todos os economistas sabem. Ou, alguns preferem ignorar. Que o caminhar no sentido do acelerar da economia, exige uma maior intervenção do Estado. No sentido de minimizar, ao máximo, os custos sociais. Passar para os pobres e para os reformados, na sua totalidade, os custos do aumento dos transportes, da alimentação, da saúde, da água, da energia, pode ser um suicídio. Será uma política suicida. Há exemplos recentes de já assim ter sido. Os cidadãos são mais do que meros números estatísticos. São, em primeiro e em último lugar, homens e mulheres. Crianças e velhos. São, seres humanos. Todos somos seres humanos.
O Governador do Banco de Moçambique veio, há poucos dias (“Notícias”de 28 de Dezembro), dizer que O nível de inflação projectada passará de 2 a 3 por cento este ano para um pico de 9,5 por cento em 2010, que num cenário que para o Banco de Moçambique vai dar espaço para que a economia possa crescer. Pouco importa adiantar os argumentos do Governador do BM. O que importa, isso sim, é salientar que as águas começam a ficar separadas. E entender que há quem defende que a solução do problema do desenvolvimento de Moçambique não está em manter a inflação baixa. Reside, talvez, pelo contrário, em permitir uma inflação alta. Mas controlada. Uma inflação alta mas controlada é completamente diferente de uma inflação baixa mas descontrolada. Como tem sucedido nos últimos e muitos anos. Em que as estatísticas nada têm a ver com a realidade. Dizer, por fim, o que todos os economistas sabem. Ou, alguns preferem ignorar. Que o caminhar no sentido do acelerar da economia, exige uma maior intervenção do Estado. No sentido de minimizar, ao máximo, os custos sociais. Passar para os pobres e para os reformados, na sua totalidade, os custos do aumento dos transportes, da alimentação, da saúde, da água, da energia, pode ser um suicídio. Será uma política suicida. Há exemplos recentes de já assim ter sido. Os cidadãos são mais do que meros números estatísticos. São, em primeiro e em último lugar, homens e mulheres. Crianças e velhos. São, seres humanos. Todos somos seres humanos.
domingo, dezembro 27, 2009
Que cada um tire a sua conclusão
Alguém, de quem muito gosto, teve uma ideia bem original. Em termos de prenda que me quis oferecer neste Natal. Uma prenda comovente. Que consiste em duas encardenações com cópias dos textos por mim assinados na Revista “Tempo”. Entre 1974 e 1991. Ao abrir, ao acaso, um dos dois grossos volumes deparei com uma crónica, que então publicava com o título genérico de Cenas da Vida. E que tinha como título Vermelho – Amarelo – Verde. Não resisto a transcrever partes desse texto. Apenas partes, dado que o espaço não permite a sua totalidade. Então, aqui fica: Falar de vermelho, amarelo, verde, faz pensar em trânsito. Porque são estas as cores que orientam e regulam a circulação de viaturas e pessoas nas grandes cidades. Mas, não é de trânsito que pretendo falar neste Janeiro de 1981.
Não que o trânsito seja assunto de menor importância. Não é isso. Até pelo contrário.
Se fosse falar de trânsito, teria, por certo, muito que falar. Ou muito que escrever. Talvez, até, fosse difícil saber por onde começar. Embora tivesse de começar por alguma parte.
É certo – repito – que não vou falar em trânsito. Mas se tivesse de o fazer, seria forçoso começar, e começar por algum lado. Então, iria começar por aquele acidente de há poucos dias, que originou que fossem quebrados dois vidros de uma das montras do supermercado MK. [...] Se fosse falar em trânsito, não podia esquecer nem deixar de enumerar todos esses atropelos a quantas regras compõem o Código. É que, mesmo que a gente queira fingir que não repara, não pode deixar de ver. Porque se deixa de querer ver, corre o risco de deixar de pensar...
Neste preciso momento, se fosse falar em trânsito, também não podia ignorar esse outro facto, que é o de quase metade dos instrutores de condução terem reprovado nas provas de avaliação de conhecimentos a que foram submetidos. [...]
Se ao falar de vermelho, amarelo, verde, estivesse a pensar em trânsito, então teria de voltar a interrogar. E, agora, para tentar compreender como é possível que haja tantos condutores que ainda confundem vermelho, com o amarelo e com o verde. Não que as cores sejam parecidas, não que se possam confundir quando vistas ao longe. Mas, que muitos condutores passam calmamente (leia-se, com grande velocidade) em alguns cruzamentos quando está acesso o sinal vermelho, também não há dúvida.
[...]
Receio, agora, ter de voltar a repetir que falar de vermelho, amarelo e verde, não implica pensar em trânsito. Mas, uma coisa é certa: para se ser condutor é preciso saber distinguir (e respeitar) o vermelho do amarelo e do verde.
Recordo que este texto foi publicado na Revista “Tempo”, faz em Janeiro de 2010 quase três décadas. Muito precisamente, vinte e nove anos. Que a situação actual seja semelhante, ou bem pior do que a situação de então, não resulta de mera coincidência. Resulta, comprovadamente, de ter sido feito pouco, para inverter a situação. Digamos, em abono da verdade, de ter sido feito nada. Mesmo quando haja quem admita que uma mentira muitas vezes repetida possa transformar-se em verdade. O que não está provado. Agora, aqui chegados, cada qual que faça o seu próprio juízo. Que cada um tire a sua conclusão.
Não que o trânsito seja assunto de menor importância. Não é isso. Até pelo contrário.
Se fosse falar de trânsito, teria, por certo, muito que falar. Ou muito que escrever. Talvez, até, fosse difícil saber por onde começar. Embora tivesse de começar por alguma parte.
É certo – repito – que não vou falar em trânsito. Mas se tivesse de o fazer, seria forçoso começar, e começar por algum lado. Então, iria começar por aquele acidente de há poucos dias, que originou que fossem quebrados dois vidros de uma das montras do supermercado MK. [...] Se fosse falar em trânsito, não podia esquecer nem deixar de enumerar todos esses atropelos a quantas regras compõem o Código. É que, mesmo que a gente queira fingir que não repara, não pode deixar de ver. Porque se deixa de querer ver, corre o risco de deixar de pensar...
Neste preciso momento, se fosse falar em trânsito, também não podia ignorar esse outro facto, que é o de quase metade dos instrutores de condução terem reprovado nas provas de avaliação de conhecimentos a que foram submetidos. [...]
Se ao falar de vermelho, amarelo, verde, estivesse a pensar em trânsito, então teria de voltar a interrogar. E, agora, para tentar compreender como é possível que haja tantos condutores que ainda confundem vermelho, com o amarelo e com o verde. Não que as cores sejam parecidas, não que se possam confundir quando vistas ao longe. Mas, que muitos condutores passam calmamente (leia-se, com grande velocidade) em alguns cruzamentos quando está acesso o sinal vermelho, também não há dúvida.
[...]
Receio, agora, ter de voltar a repetir que falar de vermelho, amarelo e verde, não implica pensar em trânsito. Mas, uma coisa é certa: para se ser condutor é preciso saber distinguir (e respeitar) o vermelho do amarelo e do verde.
Recordo que este texto foi publicado na Revista “Tempo”, faz em Janeiro de 2010 quase três décadas. Muito precisamente, vinte e nove anos. Que a situação actual seja semelhante, ou bem pior do que a situação de então, não resulta de mera coincidência. Resulta, comprovadamente, de ter sido feito pouco, para inverter a situação. Digamos, em abono da verdade, de ter sido feito nada. Mesmo quando haja quem admita que uma mentira muitas vezes repetida possa transformar-se em verdade. O que não está provado. Agora, aqui chegados, cada qual que faça o seu próprio juízo. Que cada um tire a sua conclusão.
domingo, dezembro 20, 2009
Combater sem tréguas a cultura do roubo
Somos um país onde abundam pessoas com uma grande capacidade de iniciativa. Uma grande capacidade inventiva. Para o bem e para o mal. Difícil é avaliar se o fiel da balança pende para o lado do bem ou para o lado do mal. Difícil será, também, definir bem e mal. Em absoluto. Digamos que entendemos por bem todas as acções e iniciativas que, de alguma forma, possam beneficiar as pessoas, individualmente, comunidades ou, no geral, a sociedade. Em oposição, por mal, tudo o que as possa prejudicar e afectar os seus legítimos direitos. Como podem ser classificados os casos de roubo, de assalto, de fraude, de extorsão, de burla, de corrupção. Dos tráficos de drogas, de armas de influências. Em resumo, tudo o que não sendo permitido por lei é ilegal. E passível de punição. Ou, condenável pela ética e pela moral vigentes. Ao que parece, segundo a realidade que se nos apresenta, são em maior número os casos de mal, comparativamente com os de bem. Isto, a avaliar pela visibilidade que conquistam. Que têm estado a conquistar em termos informativos. Bem sabemos, a natureza humana é fraca. Por cá, demasiado fraca.
Há casos de burlas, de roubos, de fraudes, de vigarices, em relação aos quais se consegue encontrar uma explicação. Mais ou menos lógica. Em relação a outros, não. Vejamos. Na sua última edição, o “Magazine” ocupa toda a primeira página com casos de burlas e de roubos. Um dos títulos diz que “PRM aborta escandaloso roubo de açúcar”. Assunto que mereceu editorial: “Roubar um comboio de açúcar”. O mesmo semanário faz mais três chamadas, na primeira página, para casos semelhantes. A primeira, diz “Mcel a saque no Centro do País”. A segunda, informa que “Inovador burla dois ministros”, concretamente os da Agricultura e da Ciência e Tecnologia. E, a terceira dá conta de que, por fraude, foi “Detido dono dos hotéis África e Zambeze”. Não há, aqui, espaço para detalhes sobre cada um dos casos. Mas, não deve ficar sem referência, sem chamada de atenção o facto de serem muitos. Num tão curto espaço de tempo. E que, talvez, inédito e insólito, entre nós, um indivíduo que se fez passar por inovador tenha conseguido enganar dois ministros. Ou que, dito de maneira inversa, dois ministros tenham sido enganados por um falso inovador. Que, simplesmente, comprava no Zimbabwe para vender em Moçambique. Aonde chegámos, já sabemos. Estamos a saber. Para onde vamos, não é claro. De concreto, as forças do mal estão a dominar as forças do bem. É tempo de agir. É de agir e de combater sem tréguas a cultura do roubo.
Há casos de burlas, de roubos, de fraudes, de vigarices, em relação aos quais se consegue encontrar uma explicação. Mais ou menos lógica. Em relação a outros, não. Vejamos. Na sua última edição, o “Magazine” ocupa toda a primeira página com casos de burlas e de roubos. Um dos títulos diz que “PRM aborta escandaloso roubo de açúcar”. Assunto que mereceu editorial: “Roubar um comboio de açúcar”. O mesmo semanário faz mais três chamadas, na primeira página, para casos semelhantes. A primeira, diz “Mcel a saque no Centro do País”. A segunda, informa que “Inovador burla dois ministros”, concretamente os da Agricultura e da Ciência e Tecnologia. E, a terceira dá conta de que, por fraude, foi “Detido dono dos hotéis África e Zambeze”. Não há, aqui, espaço para detalhes sobre cada um dos casos. Mas, não deve ficar sem referência, sem chamada de atenção o facto de serem muitos. Num tão curto espaço de tempo. E que, talvez, inédito e insólito, entre nós, um indivíduo que se fez passar por inovador tenha conseguido enganar dois ministros. Ou que, dito de maneira inversa, dois ministros tenham sido enganados por um falso inovador. Que, simplesmente, comprava no Zimbabwe para vender em Moçambique. Aonde chegámos, já sabemos. Estamos a saber. Para onde vamos, não é claro. De concreto, as forças do mal estão a dominar as forças do bem. É tempo de agir. É de agir e de combater sem tréguas a cultura do roubo.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
