domingo, dezembro 29, 2013
O boato é inimigo da harmonia social e da paz
Um estranho fenómeno agitou, na passada semana, a cidade da Beira. Tratou-se de um boato sobre recrutamento compulsivo para o Serviço Militar. Na sua edição da última quinta – feira (página 6) o jornal “Notícias” titulava Desinformação agita Beira. E, começava por escrever que Uma desinformação cuja origem as autoridades militares, policiais e municipais ainda estão a investigar tem vindo a agitar a cidade da Beira, capital provincial de Sofala, desde a passada terça-feira. Logo a seguir pode ler-se que A agitação culminou na manhã de ontem com distúrbios que provocaram danos materiais em algumas viaturas, obstrução de vias públicas e na paralisação de algumas actividades económicas, sobretudo nos bairros de Maquinino, Manga, Macurungo, Vaz, Massamba, Goto, Praia Nova e Munhava. Mais diz o matutino de Maputo que Segundo apurámos na ronda que efectuámos por alguns bairros, um suposto recrutamento militar com características compulsivas estaria a ser alegadamente feito por militares usando viaturas civis e, noutros casos, segundo as mesmas informações, envolvendo civis também transportados em carros supostamente afectos a algumas instituições também militares. Mais nos informa a local que Face à referida desinformação e consequentes acções de vandalismo, conforme observámos, muito jovens insurrectos fizeram-se à via pública empunhando objectos contundentes e paus, incendiando pneus, virando contentores de lixo e ateando-os fogo o que só terminou depois da intervenção policial. Ainda na mesma página da referida edição, sobre esta questão, o “Notícias” titula que MDN desmente. E, logo a seguir escreve que O Ministério da Defesa Nacional refutou ontem, de forma categórica, alegações segundo as quais, na cidade da Beira, província de Sofala, está a decorrer, de há uns dias a esta parte, um recrutamento compulsivo de jovens com vista à sua incorporação no Serviço Militar. Ainda na mesma local pode ler-se que “É boato”, disse a jornalistas em Maputo, o director de Recursos Humanos do Ministério da Defesa Nacional, Edgar Cossa, explicando que o Governo tem estado a cumprir um plano anual de operações de recrutamento militar, nomeadamente o recenseamento militar, as provas de classificação e selecção e a incorporação para as Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), através de editais próprios que se fixam nas províncias, distritos e postos administrativos, em todo o país. Para o mesmo funcionário da MDN, este boato é promovido por indivíduos imbuídos de má-fé, com clara intenção de criar agitação no seio da população, para o alcance de objectivos desconhecidos. Para nós, a análise não podia ser mais clara. Nem mais lógica.
Resta, porém, uma questão que não pode ser considerada como marginal. Como periférica. Quem lançou o tal boato? Terão sido simples marginais mal - formados? Simplesmente. Ou terão sido pessoas que procuram atingir objectivos políticos? Que procuram obter dividendos políticos? Esperemos pelo resultado das investigações para ficar a saber. Para já, dizer que o boato é inimigo da harmonia social e da paz.
Nota do Autor. Este texto foi escrito para ser publicado na passada edição. Por motivos técnicos, não chegou ao destino em tempo útil. Acredito que não tenha perdido a actualidade para ser publicado esta semana. Aqui fica.
domingo, dezembro 22, 2013
Uma coisa é informal, outra coisa é ilegal
Estão a suceder-se os actos de vandalização do sistema de abastecimento de energia eléctrica à N4. Na sua edição do passado dia 20, página 3, o “Notícias” titula: Vandalização deixa N4 às escuras. E, a abrir a local escreve que Indivíduos desconhecidos vandalizaram há dias o posto de transformação (PT) número cinco localizado na estrada Maputo/Witbank (N4) afectando a provisão de iluminação pública no troço entre o “Nó da Machava e o cruzamento da CMC, no Município da Matola. Acrescenta a notícia que Segundo Fenias Mazive, director de manutenção da Trans African Concessions (TRAC), concessionária da rodovia, esta é a quarta vez, no espaço de um mês, que o referido PT é alvo da acção dos malfeitores, cuja acção consiste na retirada de disjuntores industriais e contadores, presumivelmente para venda no mercado informal. Ainda segundo a notícia, existe em toda a extensão da N4 em território moçambicano, um total de dez postos de transformação instalados em vários pontos da via (...) mas o PT úmero cinco, localizado junto à terminal da FRIGO é a que tem sido mais visada nas acções dos malfeitores, que de acordo com a leitura de Mazive, podem ser indivíduos conhecedores da área da electricidade, a medir pela perícia com que actuam para retirar os equipamentos instalados sem sequer cortar o sistema normal de fornecimento de energia eléctrica. Nem sequer parece necessário continuar a transcrever por aí em diante. Podemos ficar por aqui. O que se sabe é bastante. Para não dizer muito. Importa, pois colocar algumas questões. Pertinentes.
Perante o relatado, o noticiado, pode perguntar-se se está a ser feito tudo quanto é possível fazer para neutralizar os vândalos, os sabotadores. E evitar este género de situações. Ao que parece não. A primeira questão que se deve e pode colocar é quanto vale cada uma das peças roubadas. Mesmo quando no informal. E para que servem. Que utilidades têm no informal. E, por aí em diante. Ora, sabendo-se, como parece, que as tais peças têm comprador no informal, talvez seja pertinente iniciar uma investigação por aí. Pelo Informal. Para se saber quem recebe e quem compra o material roubado. Seria um exercício útil. Mas, também necessário para se perceber quem é quem no informal. Afinal, o informal é constituído por homens e por mulheres. Por seres humanos. E informal até pode nem ser sinónimo de ilegal. Nem sempre é. Uma coisa é informal, outra coisa é ilegal.
domingo, dezembro 15, 2013
Passem todos bem
Há muitos anos dizia-se, cá entre nós, que a televisão era o espelho da vaidade dos dirigentes. Isto em referência à realidade de então na Guiné-Bissau. Mas, e ao que parece a moda de então deslocou-se depressa da costa para a contra - costa de África. E, hoje, aí a temos nós. Fresquinha. Acabada de chegar. Como hoje temos, também, um candidato e presidente municipal que promete aos seus eleitores um canal televisivo local. Titula o jornal “Notícias”, página 7 da sua edição do passado dia 12, que Frelimo quer canal televisivo para Nacala. Logo a seguir, o matutino de Maputo escreve que O candidato da Frelimo à presidência do município de Nacala-Porto, Rui Chong Saw prometeu que caso seja eleito para ocupar aquele cargo nas eleições de 20 de Novembro corrente vai no seu mandato abrir um canal televisivo local que irá se ocupar de transmitir todas as informações que ocorrem naquela autarquia. Ao que lemos na mesma local, o bom do homem, qual santo milagreiro, diz mais: Nesta da praia vou institucionalizar um festival anual de música, onde irão actuar músicos dos EUA, Brasil, Angola, Portugal, para além de moçambicanos, onde os artistas locais vão poder desfilar ao lado de outros renomados internacionalmente, prometeu o jovem empresário. É caso para dizer, força jovem Ruca, como é popularmente conhecido (...). E, já agora, se perguntar não ofende, onde é que vai encaixar essa questão do canal televisivo para Nacala e o tal de festival anual de música no programa geral da Frelimo. Será que esta Frelimo, que lutou até conseguir a independência de Moçambique, apoia hoje pseudo-revolucionários no norte e conservadores no sul do país No meio de tudo isto, parece estar a haver algum oportunismo. Muito oportunismo e demasiados oportunistas. O que obriga a dizer, Abaixo os oportunistas.
A primeira questão que deve ser colocada, chegados a este ponto, é se o tal de Ruça faz alguma ideia dos custos de um canal televisivo. Mesmo quando, simplesmente, local e para satisfazer a vaidade saloia de um dirigente local. Certamente não faz. Estamos a falar em termos de custos de equipamentos. Em termos de custos de operação. Em termos de custos de manutenção. E por aí em diante. Como, por exemplo, em termos de custos de hora de produção. Que são tão altos que a própria TVM já se rendeu à realidade do mercado. Por isso nos massacra com essas novelas mexicanas de pouca qualidade. E com esses programas chineses que têm nada a ver com a nossa realidade cultural. Mas esta é a nossa realidade. E, todos sabemos que quem tem um Chavana não pode ter tudo. Tem apenas um Chavana e nada mais. O mesmo é dizer que ter um pateta, um lambe-botas, sempre é melhor que ter dois. Ou três. Tem menos capacidade de incomodar. E menos tempo. Mas, a questão final que me permito colocar, é simples: Quais os benefícios para os residentes em Nacala sobre esse tal canal televisivo. Muito provavelmente poucos. Ou nenhuns. Se assim, passem todos bem.
domingo, dezembro 08, 2013
Vamos a isso
Como é de todos nós conhecido, nos últimos tempos, várias cidades moçambicanas têm sido palco de raptos. De adultos e de crianças. De várias nacionalidades. E de pedidos de elevados valores monetários pela libertação dos sequestrados. O que, naturalmente, provoca naturais problemas psicológicos entre as famílias das vítimas. Outro tanto no desenvolvimento das suas actividades económicas. Sobre o “quem é quem” neste processo, muito se tem especulado. Há quem diz não entender nem perceber o que se está a passar. Como há quem diz saber tudo. Ao certo, sabemos todos pouco. Quase nada. Num recente julgamento de raptores, estavam alguns agentes policiais. Que foram condenados a pesadas penas de prisão. Já mais recentemente, vieram notícias a público do envolvimento d agentes da PRM no caso de um outro rapto. Com o título Raptam motorista por engano, o “Notícias” da passada quinta-feira, (primeira página) escreve que Quatro agentes da PRM estão indiciados num recente caso de rapto falhado do proprietário da Basra Motores, uma empresa dedicada à venda de viaturas na cidade de Maputo. O cabecilha do grupo, identificado por I. Cândido, está detido desde a passada segunda-feira no Comando dac Força de Intervenção Rápida na cidade de Maputo, juntamente com um agente da Polícia de Trânsito cujo nome ficou-se por saber, estando a corporação à procura de outros dois colegas agora foragidos. Ainda segundo a local, o referido indivíduo, terá chefiado o grupo de polícias que por engano raptou o motorista da Basra Motores confundindo-o com o patrão daquela empresa de venda de viaturas. Ainda segundo o jornal “Notícias” Como resultado das dilig6encias que terão sido já efectuadas pela Polícia para esclarecer o caso, este agente de Trânsito terá indicado I. Cândido como cabecilha do grupo. Recorde-se que colocado `frente do seu colega I. Cândido ele confirmou tratar-se da pessoa que comandou o rapto falhado em Boane. Ao que estamos a perceber, a nossa realidade é uma realidade de polícias e de ladrões. Sendo que não é de polícias ladrões. O que se apresenta como bem mais grave e mais preocupante.
O que se está a passar em Moçambique, no momento presente, faz-nos recuar no tempo. E recordar o que é a história do Oeste americano de há muitas décadas atrás. E, o que se terá passado no Brasil em décadas mais recentes. No tempo dos chamados “esquadrões da morte”. Quem se lembre desse então, tem espaço suficiente para fazer a analogia. Entre as três realidades em tempos diferentes. E, até, se quiser juntar alguma dose de imaginação, questionar se entre a instabilidade criada na comunidade portuguesa em Moçambique, com a questão, não há por aí algumas mãozinhas estranhas. Se não há por aí algumas mãozinhas, pouco limpas De alguns antigos agentes da PIDE. Até pode haver. A questão está em abrirem os olhos e verem. Ainda segundo a local do “Notícias” As autoridades policiais garantem que tudo farão no sentido de purificar as fileiras, uma vez constatar-se que alguns elementos em exercício na corporação estão ao serviço do crime organizado. A pergunta que se coloca, talvez com ingenuidade, é se são apenas alguns elementos. Pode ser que não. Talvez seja necessário purificar da base ao topo e do topo à base. Vamos a isso.
domingo, dezembro 01, 2013
Quem não sabe é como quem não vê
Os recentes casos de raptos, em diferentes cidades moçambicanas, parecem que estão a dar origem a um novo tipo de linguagem. Em alguns jornais. E, naturalmente, por parte de alguns jornalistas. Por receio, por medo de darem o nome certo, o nome correcto, a determinada situação. Ou simplesmente por desconhecerem o significado de determinada palavra. Num determinado contexto. Refiro-me no caso concreto à palavra Suposto. Vejamos um exemplo. Na sua edição do dia 30 do mês findo (página 5) o jornal “Notícias”, reportando sobre um rapto da cidade da Beira, titula Informação sobre o rapto chegou tarde à Polícia. E, escreve a determinado passo que O jovem raptado no passado dia 22 na cidade da Beira, foi encontrado morto na manhã desta segunda-feira, algures em Dondo onde supostamente teria sido sequestrado. Mais nos informa o matutino que Segundo fontes contactadas pelo nosso jornal na cidade da Beira os supostos raptores inicialmente pediram o resgate de um milhão de dólares norte-americanos, valor que não foi satisfeito pelos pais, uma vez que não o tinham.
Se na primeira citação o emprego da palavra supostamente não merece contestação, o mesmo parece não acontecer na segunda. Se, como leitor, bem entendo, no primeiro caso está a querer dizer-se que não há a certeza que o menor tenha sido raptado naquele local. No segundo caso, parece querer dizer-se não há a certeza de terem havido raptadores. Mas houve. O que não se sabe é quem foram. Quem são. Partindo do princípio elementar que não pode haver raptos sem raptores. Houve raptores. O que não se sabe é quem foram ou quem são. Vejamos o que esclarece o Dicionário da Língua Portuguesa de Fernando J. Da Silva Suposto (...) hipotético; fictício, imaginário; s. m. aquilo que subsiste por si, coisa suposta, substância. Convenhamos que os raptos não são coisa suposta. É isso sim, e muito pelo contrário, uma realidade por demais dolorosa para muitos moçambicanos. Tenhamos a capacidade de admitir que a cada situação se aplica uma palavra adequada. Convenhamos que consultar um dicionário é, em si, um acto de sabedoria. Tenhamos presente o adágio popular segundo o qual quem não sabe é como quem não vê.
domingo, novembro 24, 2013
Os reformados agradecem
A boa notícia chegou. Finalmente. Segundo o jornal “Notícias” (edição da passada quinta-feira, página 5) o INSS reajusta pensões. E começa [por escrever que O Conselho de Administração do INSS decidiu fixar, com efeitos a partir do presente mês de Outubro, uma nova pensão mínima no valor de 3000 meticais e um acréscimo de 930 meticais nas de valor superior àquele. Acrescenta o matutino que Segundo deu a conhecer o respectivo presidente do Conselho de Administração, Francisco Mazoio, os 930 meticais indexados às pensões superiores a 3000 meticais corresponde à diferença entre a pensão mínima actual e a que figurou até Setembro. Acrescentou o antigo dirigente sindical, falando à margem do XXV Conselho Coordenador do Ministério do Trabalho, que Tínhamos uma pensão mínima de 2070 meticais e a diferença será acrescida a todas as pensões que o INSS atribui. Esta decisão corresponde ao compromisso desta instituição no sentido de melhorar continuamente as condições de vida dos pensionistas e de todos os que recebem prestações do INSS. Segundo terá dito o PCA do INSS, esta nova pensão mínima e os acréscimos feitos estão dentro dos limites prudenciais e o seu impacto financeiro não vai implicar qualquer mexida nos limites de contribuição das empresas e dos trabalhadores. Por outro lado, segundo indicou, o estudo autuarial apresentado recentemente por uma equipa técnica demonstra que o INSS tem capacidade para suportar a despesa sem constrangimentos em termos financeiros. Mais disse o informador do jornal “Notícias” que Pretendemos que aqueles trabalhadores que deram toda uma vida a trabalhar na reconstrução e desenvolvimento do país e que ao reformarem tenham uma vida condigna por isso resolvemos rever a pensão mínima. Se bem entendemos o que o jornal escreve, ou o que quer dizer com o que escreve, o problema do INSS não é de falta de dinheiro. Nem de falta de capacidade financeira. Terá sido, nos últimos muitos anos, de má gestão. Talvez até de corrupção e de muita vigarice. Daí a sugestão de uma auditoria forense para se saber quem foi quem que se sentou no cadeirão de PCA do INSS. E o que fez ou não fez com o dinheiro que os trabalhadores deste país descontaram durante décadas.
Convenhamos que a decisão do INSS é de todo em todo justa. Pode dizer-se que peca por tardia. Mas como diz o povo, vale mais tarde do que nunca. Recordemos que desde há muitos anos foi agora a primeira vez que os reformados tiveram um aumento visível. Embora não tão significativo como gostariam e como julgam merecer. Contudo, esperemos que seja o início de uma nova era na gestão do INSS. E que estes aumentos se repitam anualmente. Desde já, os reformados agradecem.
domingo, novembro 17, 2013
Vale mais prevenir que remediar
Parece que estamos a caminhar para o fim dos empreiteiros desonestos. Têm sido muitas as notícias sobre obras do estado realizadas com má qualidade. De obras pagas e não concluídas. Quer dizer, o Estado abre concurso público, adjudica a obra, paga, e depois o construtor foge, desaparece com o dinheiro sem realizar o trabalho. Noutras ocasiões, ventos fortes, temporais, deixam escolas, enfermarias e outras infra-estruturas sem telhados, sem portas, sem janelas. O Governo, através do Ministério das Obras Públicas e Habitação (MOPH) está empenhado em modificar a situação. Para o efeito, estão a ser levadas à prática novas medidas. Que se pretendem adequadas a alterar a situação. Na sua edição do passado dia 16 (página 5), o jornal “Notícias” titula: Supervisão é basilar nas obras públicas. A abrir a local, pode ler-se que O vice-ministro das Obras públicas e Habitação, Francisco Pereira, disse a jornalistas recentemente em Nampula, que o fim da desonestidade de alguns empreiteiros, caracterizada pela execução sem qualidade ou abandono de algumas obras de construção de várias infra-estruturas do Estado que lhes são adjudicadas, passa por o próprio dono das mesmas ter capacidade de fazer supervisão, pois está provado que não basta ter o empreiteiro e um fiscal na obra. Acrescenta o matutino que, Um pouco por todo o país, têm sido reportados há bastante tempo casos de burlas ou execução sem qualidade em conivência com os fiscais de obras de construção de importantes infra-estruturas como escolas, unidades sanitárias, estradas, e outras por parte de alguns empreiteiros desonestos, lesando assim o Estado em milhares de contos. Segundo a local que estamos a citar, É uma situação que, pelos prejuízos que causa ao Estado, já deveria ter sido ultrapassada há muito tempo, mas Francisco Pereira diz que agora o Executivo está mais do que nunca apostado em combater essas atitudes, com aprovação recentemente de um novo regulamento para o exercício da actividade de empreiteiros e consultoria, tanto é que o abandono das obras ou má qualidade na sua execução por parte dos empreiteiros agora não parece ser um problema generalizado no país. Pode ler-se, a seguir, que Segundo Pereira, a partir de agora, a consultoria é uma actividade que o seu ministério vai controlar e aplicar as penalizações no caso de a empresa não fazer devidamente o seu trabalho. Um outro aspecto que considerou de extremamente importante é o facto de as fiscalizações serem obrigadas a apresentar, pela primeira vez, um seguro de qualidade por cada obra que executa. Mais adiante pode ler-se que Do que se sabe, os maiores casos de burla ao Estado, em Nampula, por parte de empreiteiros desonestos, começaram a ser detectados em 1996, ano em que pelo menos 702 milhões de meticais foram dados como tendo sido mal aplicados, foi um problema que deu muito que falar. Podemos resumir, a partir do exposto, que há por aí muito quem esteja a enriquecer à custa do Estado. Por outras palavras, do roubo ao Estado. O mesmo é dizer, do dinheiro dos nossos impostos.
Estamos convictos, queremos acreditar, que este é o primeiro passo no sentido de moralizar a situação. E, esperamos que seja um passo certo. E um passo decisivo. O tempo o dirá. A questão que se afigura importante colocar é se não seria útil, prevenir, antecipar a intervenção do Estado nestes processos. Verificar quem são os adjudicatários de obras públicas. A sua capacidade técnica e financeira para a realização de cada uma as obras. O seu cadastro. Se houve, se há ou não, ao longo de todo o processo conflito de interesses. Até pode haver. Convenhamos que descentralizar é bom. Muitas vezes, nem tão bom como possa parecer. Logo, vale mais prevenir que remediar.
domingo, novembro 10, 2013
Já é tempo de resolverem a crise dos transportes
A crise nos transportes públicos municipais nas cidades de Maputo e da Matola parece cada vez mais longe do fim. Agora, há poucos dias, foi descoberta uma nova dificuldade. A do congestionamento do trânsito. Em tudo e em nada, há sempre quem mostre uma capacidade nata para descobrir dificuldades. Muitas. Soluções, nenhumas. Quem nos dá a má nova é o jornal “Notícias” (edição de 7 do corrente, página 3). Sob o título Reduz receita da EMTPM, o matutino escreve que A empresa Municipal dos Transportes Rodoviários de Maputo viu reduzida para quase metade a sua receita devido ao intenso congestionamento que se regista nos últimos tempos nas cidades de Maputo e da Matola. Elucida o matutino que Presentemente, o prejuízo financeiro á avaliado em 40 por cento do total das receitas produzidas, o que faz com que aquela companhia não cumpra na íntegra muitas das suas obrigações. Mais se pode ler que Esta informação foi revelada ao “Notícias” por João Mathombe, vereador dos Transportes e Trânsito do Conselho Municipal da Cidade de Maputo, que referiu, por exemplo, que na rota Museu/Zimpeto o número diário de viagens feitas por cada autocarro reduziu de 16 para nove. Ainda segundo o mesmo vereador (...), por essa via diminuiu a capacidade da empresa em relação ao número de passageiros que devia transportar, mantendo-se, no entanto os gastos em recursos humanos (equipas de trabalho) e em combustíveis, pois as viaturas funcionam todo o dia. Mais reconhece o referido vereador que a EMTPM reduziu a capacidade de cobertura, tendo em conta que em 2012 a companhia tinha 150 autocarros e hoje tem apenas 80. A cobertura no passado era muito maior a nível das cidades e Maputo e Matola e dos distritos de Boane a Marracuene. Para que não fiquem dúvidas sobre a boa vontade para resolver este problema que afecta muitos milhares de citadinos das duas cidades, o “Notícias” acrescenta que Entretanto, ele afirmou que a EMTPM está a trabalhar no sentido de recuperar os autocarros avariados até final do ano, o que poderá permitir a retomada daquela que foi sempre a sua capacidade de cobertura. Esperamos todos que isso seja rápido e aconteça depressa. É assim que os citadinos de Maputo e da Matola gostavam de ver acontecer. Se é que me é permitido falar em seu nome. Se me reconhecem legitimidade para tanto. Espero que sim.
O número actual de viaturas em circulação, deve ser o menor de sempre na história dos ex – TPM. Desde a sua criação. Mais. Nos últimos do período colonial havia mais autocarros em circulação dos que existem actualmente. Sendo verdade que as rotas de então eram muito mais curtas do que as actuais. E que o número de pessoas a transportar diariamente era bem inferior ao actual. Logo, em termos de melhorias temos nada. Podemos até, dizer, que, em termos de melhoria temos nada. Que estamos bem pior do que estávamos há duas ou três décadas atrás. Vejamos um exemplo simples. Desde quando é que não se viam a circular essas carrinhas de caixa aberta. Em número crescente. E que transportam pessoas nas mesmas ou em piores condições em que são transportados animais. Ao que se sabe, transportadores ilegais. Mas um negócio por demais lucrativo. Que importaria saber a quem beneficia. A alguém será. Em relação aos autocarros, uma questão que pode ser colocada, entre muitas outras possíveis é se estamos, de facto, perante um problema técnico. De manutenção e de reparação de viaturas. Ou se é também de uma questão de capacidade de gestão da frota. Provavelmente sim. Mas esta capacidade pode ser comprada. Pode ser contratado quem o sabe fazer. Bem feito. Melhor do que nós sabemos fazer. Até porque nós, ninguém entre nós, sabe fazer tudo o que é preciso fazer. Muito menos bem feito. Uma coisa parece certa e indesmentível. É que já é tempo de resolverem a crise dos transportes.
domingo, novembro 03, 2013
Parem para pensar
Uma boa notícia para os reformados. Do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS). Mas, ao que parece, só para alguns. Não será para todos. Vejamos o que diz o jornal “Notícias”. Na sua edição do passado dia 25 (página 5), o matutino titula: INSS vai melhorar valor da pensão mínima. E, logo a seguir escreve que Nova pensão mínima será divulgada nos próximos dias pelo Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), segundo avançou Francisco Mazoio, PCA do INSS, na cidade de Maputo, por ocasião da passagem dos 24 anos de existência daquela instituição. Acrescenta a local que Mazoio disse que a melhoria da pensão mínima visa dar mais dignidade aos trabalhadores que durante anos contribuíram para o desenvolvimento do país e que tendo se aposentado merecem mais consideração, e que a actual pensão mínima de 2.070 meticais está ainda muito longe o desejável. Ainda Segundo o PCA, volvidos 24 anos o INSS é hoje uma instituição sólida e activa na sociedade (...). Ainda segundo a local, um dos grandes desafios que o INSS ainda tem pela frente é o aprimoramento da gestão e a eliminação das fraquezas e desvios de fundos bem coma melhoria do atendimento, concluiu Mazoio, que não avançou o valor da nova pensão mínima a entrar em vigor brevemente.
Dizer que a decisão, que a medida, é inteiramente justa. Para os abrangidos. Para os filhos. Para os enteados já não. E, o INSS parece ter filhos e enteados. Que são todos aqueles que recebem acima da pensão mínima. Mas que trabalharam décadas. Muitas. Dando o melhor dos seus conhecimentos e do seu saber. Em prol da economia e do desenvolvimento do país. E muito mais, muito para além disto. Que não importa aqui e agora divulgar. Dizer, apenas, ser estranho que o INSS que tem dinheiro para comprar palácios e fazer reparações milionárias nas residências dos seus mais altos dirigentes não tenha dinheiro para pagar pensões a quem são devidas. E, assim, donde vem o dinheiro para construir e apetrechar todos esses seus edifícios que está a construir um pouco por todo o país. Vem, sem margem para erro, das nossas contribuições. Durante décadas. Será que, afinal, só há dinheiro para tudo menos para nos aumentarem as reformas? É tempo de pensarem. De pensarem melhor. Parem para pensar.
domingo, junho 09, 2013
Não há peneira que consiga tapar a luz do Sol
Há dias tive um sonho. Pensei ser um sonho bom. Afinal, não. Foi um sonho mau. Um pesadelo. Porventura. Sonhei que o Ministério das Finanças, tinha, finalmente, revelado os resultados da investigação que mandou fazer sobre a venda de viaturas do Estado. Com todos os seus contornos e nomes dos implicados. Confrontando o meu sonho com a realidade, verifiquei que não foi o que se terá passado. Verifiquei que não terá passado de um sonho mau. Já no dia seguinte, sonhei de novo. Sonhei que tinham sido tornados públicos os resultados à gestão da TVM, da RM e da AIM. Também aqui foi um sonho mau. Desmentido pela realidade. Mas voltei a sonhar. Pela terceira vez. Desta vez sonhei que tinham sido tornados públicos os resultados da investigação mandada efectuar ao Ministério da Educação. O seu montante e as conivências existentes entre funcionários de diferentes ministérios. Vários. Também aqui, confirmei não ter passado de um sonho. Um sonho mau. De mais um pesadelo. Interroguei-me, então, se não seriam sonhos a mais. Se não seria melhor eu tentar deixar de sonhar. E ater-me apenas à realidade. Foi o que tentei fazer. Prometo não querer sonhar mais. Para descanso e sossego das vossas almas maculadas. Principalmente não voltar a incomodar. Quem promete e faz pouco. Ou faz nada. Prometo aprender a querer viver apenas com a realidade.
A realidade, a nossa realidade, não abre espaços para o sonho. É uma nublosa. Como o parece ser a greve dos médicos. Que ninguém sabe como nem quando pode acabar. E com que custos de vidas humanas, até lá. Até terminar. Em resposta a uma carta que lhe foi enviada pela AMM, segundo o jornal “Notícias” do passado dia 6 (primeira página), Equipa de negociação (está) investida de mandato. Diz a local que O governo reitera que a equipa multissectorial tutelada pelo Ministério da Saúde continua válida para dialogar com a Associação dos Médicos de Moçambique (AMM) ora em greve. Mais esclarece a local que Esta informação vem expressa num documento do Gabinete do Primeiro-Ministro, Alberto Vaquina, em resposta a uma carta da AMM que solicitava intervenção deste nas negociações interrompidas. Tanto em sonho como na realidade, esta resposta parece não passar de uma aberração. E de uma aberração jurídica. Ë que ninguém vai conseguir entender, nem explicar, como sendo o conflito entre Ministério da Saúde e médicos, seja o primeiro, o MISAU, a tutelar a equipa que tem por dever acabar com o conflito. Pela simples e primeira razão de que não se pode ser juiz em causa própria. Muito provavelmente, o que está em questão não é uma questão conjuntural. Apenas de salários e de estatuto. Pode e parece ser um problema estrutural. E, aqui entramos na falta de condições de atendimento. De trabalho em muitos dos centros hospitalares. Onde o que falta parece ser mais do que aquilo que existe. Os médicos podem estar a ser intransigentes em alguns aspectos. Ninguém o vai negar. O Governo está a demonstrar grande falta de sensibilidade na solução do conflito. Sobretudo de capacidade de diálogo. Mas, para tudo há soluções. Menos para sonhos maus. Façam mais um esforço. E se não querem ou não sabem fazer melhor, peçam ajuda a Joaquim Chissano. Vão ver que ele vos vai ajudar no que não sabem fazer. Ele vos irá indicar o caminho certo. E aconselhar a que não vale a pena tentar tapar o Sol com uma peneira. Até por não há peneira que consiga tapar a luz do Sol.
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