domingo, janeiro 26, 2014
Amanhã poderá ser tarde
De tempos a tempos mas com bastante frequência surgem notícias sobre conflitos de terras. Um pouco por todo o país mas especialmente na província de Tete. Entre camponeses e empresas estrangeiras, multinacionais. Especialmente mineiras. Muitos dos quais em Moatize. Onde acaba de surgir mais um. Semana que passou, quinta-feira, o “Notícias” (página 4) titulava: Governo e mineradora em concertação. E. logo a seguir escrevia que O Governo Distrital de Moatize vai, dentro dos próximos dias, manter um encontro formal com a direcção da mineradora Vale para analisar e encontrar soluções tendentes a satisfazer uma série de reclamações levantadas pelas comunidades reassentadas no bairro 25 de Setembro, no Município da Vila de Moatize depois da sua retirada das áreas operacionais daquela mineradora. Acrescenta a local que Desta vez, os reassentados estão a reclamar junto do Governo o acesso às suas áreas de produção agrícola localizadas no interior da concessão da Vale, cujo impedimento os leva a não conseguir produzir culturas alimentares para a sua sobrevivência. Mais se pode ler que A Administradora do Distrito de Moatize, Elsa da Barca, disse recentemente que todos os casos relacionados com os reassentados, quer pela Vale quer pela Rio Tinto, são tratados em fóruns apropriados, tendo acrescentado que as reivindicações são analisadas e atendidas dentro dos memorandos de entendimento entre o Governo, as comunidades e as direcções das mineradoras. Como é lógico, a Vale defende-se das acusações que lhe são feitas e através da sua Gerência de Comunicação, refuta as alegações dos reassentados, tendo afirmado que as machambas pertencentes à comunidade do bairro urbano 25 de Setembro não estão localizadas na área operacional da mineradora, mas sim em áreas que ainda não estão s ser utilizadas pela empresa dentro da sua concessão mineira. E mais: O documento indica que o acesso a estas machambas é livre e garantido pela Vale, podendo ser usado pela comunidade do bairro urbano 25 de Setembro, conforme acordado no Plano de Acção do Reassentamento. Para além da falta de entendimento, parece haver alguma, se não muita, falta de informação. Às comunidades.
Pelos contornos de todos estes conflitos de terras, estes conflitos de interesses, parece ser tempo de o Governo fazer proteger os interesses de todas as partes envolvidas. Especialmente dos camponeses, dos deserdados da sorte ou da fortuna. Moçambique não pode virar num Brasil dos “sem terra”. Seria mau de mais se isso estivesse a começar a acontecer. O Governo já tem conhecimentos e capacidade para evitar que estes conflitos de terras localizados se alastrem e se propaguem. Como queimada descontrolada. Aí não haverá bombeiro que nos salve. Até aqui, só temos visto bombeiros que apagam fogo aqui e fogo acolá. A ir atrás do fogo. O bom sendo aconselha a mudar de estratégia. Amanhã poderá ser tarde.
domingo, janeiro 19, 2014
A esperança é a última coisa a morrer
A quadra festiva porque acabámos de passar terá sido das mais tranquilas dos últimos muitos anos. Apesar de alguns incidentes e acidentes. Um pouco por várias cidades do país. Já nas vésperas da entrada em 2014, fortes chuvas provocaram danos assinaláveis nas cidades da Matola e de Maputo. Tanto na chamada zona de cimento como na suburbana. O jornal “Notícias” (edição de 31 de Dezembro, página 2), titulava que Chuvas relembram problemas de Maputo. Logo a seguir, o matutino escrevia que Crateras abertas em diferentes avenidas, ruas quase que intransitáveis, casas submersas, são alguns dos cenários que eram visíveis ontem em diferentes bairros das idades de Maputo e Matola. Mais nos informa o matutino que Esta situação é resultante da chuva que tem vindo a cair na cidade e província de Maputo desde a madrugada desta sexta-feira, que já está a alterar o curso normal da vida de muitas famílias, sobretudo dos bairros propensos a inundações. Mais somos informados que A fúria das águas das chuvas, por exemplo, abriu grandes crateras nas avenidas da OUA e Julius Nyerere, que ameaçam cortar a estrada e deste modo condicionar a circulação normal das viaturas. Mais adiante pode ler-se que Os problemáticos bairros do Chamanculo, Mafalala, Inhagóia, Laulane, Hulene, Mavalane Mahlazine, na cidade de Maputo, Matola 700, Liberdade e Machava-sede, no município da Matola, voltaram a ficar quase que completamente alagados, dificultando a circulação de pessoas e viaturas. E, a terminar com as transcrições, aqui fica a última: Já no centro da cidade de Maputo a chuva reeditou o crónico problema do deficiente escoamento das águas pluviais, facto agravado pela falta de limpeza das sarjetas e valas de drenagem. As fotos que acompanham o texto não podiam ser mais elucidativas. Dão a imagem a imagem da realidade.
Das situações relatadas, importa não deixar sem reparo duas questões. A primeira é de que as sarjetas de muitas das artérias são limpas com certa regularidade. Só que a terra e o lixo, retirados lá dos fundos, são deixados nas proximidades. E, invariavelmente, não são retirados. Logo, acabam por voltar aos locais donde foram retirados. O mesmo é dizer que estamos perante um trabalho incompleto. Não completamente realizado. Outra situação que não se compreende, é a da cratera aberta pela chuva no prolongamento da Avenida Julius Nyerere. Ainda em reabilitação. Uma reabilitação que parece eterna. Que já demora uma eternidade. De resto, fazer bem e mais depressa até nem custa dinheiro. Não é uma questão de custos financeiros. Oxalá ainda seja vivo quando for possível circular em toda a extensão da emblemática avenida. Cá por mim, acredito que a esperança é a última coisa a morrer.
domingo, janeiro 12, 2014
As LAM podem ser soberanas no ar mas não o são em terra
Menos de um mês depois da queda do avião das LAM que fazia a ligação Maputo – Luanda, foram conhecidos os resultados do relatório preliminar. Na sua edição do passado dia 23 (primeira página), o “Notícias” titulava haver Evidências de intenção humana. E, logo a seguir, escrevia que O relatório preliminar, quase concluído, mostra ter havido intenção humana na queda do avião das Linhas Aéreas de Moçambique, que vitimou 33 pessoas (27 passageiros e seis membros da tripulação). Mais adiante, o matutino de Maputo detalha: O presidente do Conselho de Administração (PCA) do INAM, João Abreu, que falava em conferência de imprensa na tarde de sábado, em Maputo, disse que o relatório preliminar, quase concluído, mostra ter havido o que chamou de clara intenção, sem no entanto explicar a essência da conclusão. A local mais nos diz. Diz que A comissão de investigação concluiu que todas as acções observadas nas gravações requerem um conhecimento dos sistemas automáticos do avião, uma vez que toda a descida foi executada em piloto automático ligado. Isto denota uma clara intenção. A razão para todas estas acções é desconhecida e a investigação prossegue, disse Abreu.
Quem parece não ter gostado muito destes resultados preliminares foi a própria LAM. Que, de imediato reagiu. Demonstrando uma clara falta de respeito pelos mortos. Pela forma como o fez, parece querer situar-se acima da verdade dos factos. Na sua edição do dia seguinte, o mesmo jornal (página 5) titula que Tese de suicídio lesa LAM. Logo a seguir pode ler-se que A companhia nacional de bandeira, Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), manifesta a sua profunda preocupação e choque com o conteúdo da declaração divulgada pelas autoridades de investigação em relação ao inquérito em curso sobre o acidente aéreo do voo TM 470, ocorrido a 29 de Setembro de 2013. Ao que parece, as LAM não aceitam, nem respeitam, nem reconhecem aquilo que se apresenta como claro para nós todos. E que é que o avião caiu porque o comandante assim quis que acontecesse. Tenham quais tenham sido os motivos. Mas, como o comandante era comandante de um avião das LAM, a queda do avião é da inteira responsabilidade das LAM. Quer as LAM queiram quer não, tem que assumir essa responsabilidade. Independentemente dos prejuízos financeiros que daí possam resultar para si. Mesmo e quando as LAM venham a ser, judicialmente, obrigadas a indemnizar as vítimas mortais do acidente com o seu avião. O problema da queda deste avião vai muito para além de um simples problema de cueca. Que até pode existir. E que se calhar até existe. A questão final é que a responsabilidade pelos danos morais, materiais e financeiros resultantes da queda do seu avião, são seus. As LAM podem ser soberanas no ar mas não o são em terra.
domingo, janeiro 05, 2014
Um diálogo de surdos
Mais um ano está prestes a chegar ao fim. Em termos de balanço, será difícil dizer se foi um ano bom ou um ano mau. Se teve mais coisas boas ou mais coisas más. Trata-se de uma questão de perspectiva. É uma questão subjectiva. Depende de que observa, de quem analisa. A nível da capital do país, houve coisas boas e coisas más. E, entre estas últimas, vejamos apenas duas. Uma, é o atraso que se verifica na reparação do prolongamento da avenida Nyerere. Que parece nunca mais ser concluída. Para além do facto de o troço recentemente aberto à circulação apresentar graves deficiências. Buracos aqui e além. Devido a um mau trabalho do empreiteiro ou à fraca qualidade do material empregue, é uma questão que deve ser esclarecida por quem sabe e pode. Trata-se de uma questão demasiado grave para ficar por esclarecer publicamente. Afinal, ainda temos o direito de saber como é empregue o dinheiro dos nossos impostos e das nossas contribuições. Ainda no campo das coisas más, o problema dos transportes públicos urbanos parece longe de ser resolvido. Apesar de muitas e repetidas afirmações que os “chapas” de caixa aberta deixariam de funcionar até final do ano, eles aí continuam. Agora com um inestético toldo de lona, suspensa por quatro madeiros. Mas sem as mesmas mínimas condições de segurança e de conforto para transportar seres humanos. Uma vergonha!
Sobre esta última matéria, o jornal “Notícias” na sua edição da passada quinta-feira (pagina 3) titulava Solução integrada para transportes. E, logo a seguir escrevia A solução para a crise dos transportes que afecta as cidades de Maputo e Matola, em particular, e o país em geral, passa pela coordenação de acções entre o Governo, os municípios, as associações de transportadores e os operadores privados. Afinal, ideias e propostas de solução para resolver a crise, existem. O que parece não existir é quem as queira ouvir. Mais escreve o referido matutino, que Esta posição foi apresentada esta semana, em Maputo pelos participantes de um debate público sobre “O futuro dos chapas na área metropolitana de Maputo”, sob moderação do investigador da Universidade (UEM), António Matos. Na mesma ocasião, o moderador do referido debate explicou que o país tem condições para solucionar a crise, mas, para tal, é preciso assumir que isso para pela inclusão de todas as partes envolvidas na instalação, gestão e operação do sistema de transporte. A terminar, a local diz que Os cidadãos presentes no debate apresentaram várias questões que continuam a preocupar os passageiros, com destaque para o encurtamento das rotas, o horário praticado pelos transportadores privados e ainda a circulação de “chapas” sem a necessária comodidade, entre outras. Como se pode verificar, ideias e sugestões para alterar a actual realidade existem. O que não existem são dirigentes para as escutar. Ainda na mesma edição (página 33), o “Notícias” faz publicar uma extensa carta de um leitor que, a determinada altura escreve que Contudo, transportar pessoas exige responsabilidade e segurança, acima de tudo. Algumas carrinhas de caixa aberta não oferecem o mínimo de segurança, não têm corrimão e os passageiros ficam expostos ao risco de cair devido a uma travagem, curva, enfim, algumas condições devem ser ciadas. Como se pode verificar, sugestões e alertas não faltam. Até são servidas em doses duplas diárias. E no mesmo jornal. O que falta é vontade e capacidade de as escutar. O que significa ter de dizer que estamos perante um diálogo de surdos.
O princípio da desbunda
O número de vítimas mortais em acidentes de viação continua a aumentar. Ainda recentemente, na província da Zambézia, mais cinco pessoas, que se faziam transportar num autocarro de uma empresa privada, perderam a vida. Muitas mais ficaram feridas. Sobre o assunto, o “Notícias, na sua edição do passado dia 17 (página 5), titulava Maning Nice chamada à razão. E logo a seguir escrevia que A Polícia da República de Moçambique, na província da Zambézia, diz que chegou o momento de fazer um trabalho mais profundo com a transportadora Maning Nice com vista a apurar as razões de consecutivos acidentes de viação. Segundo a corporação, a maior parte dos acidentes envolvendo aquela transportadora tem como causa o rebentamento de pneus, facto que constitui uma preocupação. Acrescenta a local que A Porta-voz da PRM na Zambézia, Elsídia Filipe disse, ontem, aos media que olhando para o histórico dos acidentes encontram-se, invariavelmente, o arrebentamento de pneus como a causa principal, o que justifica um trabalho com a empresa para não expor vidas humanas ao perigo. Ainda segundo a mesma mensageira, nos onze meses deste ano, quase todos os acidentes que envolvem autocarros da Companhia Maning Nice estão associados ao estoiro de pneus e consequente despiste das viaturas. De acordo com a mesma, o trabalho a realizar Será um trabalho dirigido especificamente à empresa para se apurar o que está a acontecer, disse Elsídia Filipe para quem das cento e cinquenta e seis vítimas mortais registadas nos onze meses deste ano, em acidentes de viação, aquela companhia tem uma significativa contribuição.
De acordo com o que lemos, vem da Zambézia uma atitude diferente sobre as causas doa acidentes de viação. Pode parecer uma pedrada no charco. Mas ainda bem que há a percepção de que as empresas proprietárias das viaturas de transporte podem ter responsabilidades pelas causas de muitos dos acidentes de viação. A pergunta , óbvia, que deve ser feita perante esta realidade é se as viaturas da referida empresa têm ou não sido submetidas a inspecções periódicas. Ao que parece e segundo a realidade dos factos, não. Sendo assim e se assim é, o que permite ou quem autoriza esta impunidade. Esta violação da lei. Temos para nós que as referidas inspecções não se destinam, não devem abranger apenas viaturas privadas, particulares. Individuais. Será, por exemplo, que os chamados chapas e chapas de caixa aberta que circulam no sul do país estão isentos de ser inspeccionados? Quase e certeza que não que não. O que pode não existir é vontade ou força para os fazer cumprir a lei. O que parece haver é medo. De uns tantos frouxos que até se não ao direito de terem batedores a fazerem mandar parar o trânsito. À sua passagem. Ridículo. Absolutamente ridículo. Se este tipo de comportamento pode ser aceitável e justificável no sobado ou no regulado, já não o parece ser para quem governa a capital do país. Podemos estar a entrar no campo da impunidade. Como podemos estar a entrar numa situação em que manda quem pode e obedece quem quer. A realidade é que quem manda parece mandar pouco. E quem devia obedecer já não parece ou não quer obedecer. O que pode significar o principio da desbunda.
domingo, dezembro 29, 2013
O boato é inimigo da harmonia social e da paz
Um estranho fenómeno agitou, na passada semana, a cidade da Beira. Tratou-se de um boato sobre recrutamento compulsivo para o Serviço Militar. Na sua edição da última quinta – feira (página 6) o jornal “Notícias” titulava Desinformação agita Beira. E, começava por escrever que Uma desinformação cuja origem as autoridades militares, policiais e municipais ainda estão a investigar tem vindo a agitar a cidade da Beira, capital provincial de Sofala, desde a passada terça-feira. Logo a seguir pode ler-se que A agitação culminou na manhã de ontem com distúrbios que provocaram danos materiais em algumas viaturas, obstrução de vias públicas e na paralisação de algumas actividades económicas, sobretudo nos bairros de Maquinino, Manga, Macurungo, Vaz, Massamba, Goto, Praia Nova e Munhava. Mais diz o matutino de Maputo que Segundo apurámos na ronda que efectuámos por alguns bairros, um suposto recrutamento militar com características compulsivas estaria a ser alegadamente feito por militares usando viaturas civis e, noutros casos, segundo as mesmas informações, envolvendo civis também transportados em carros supostamente afectos a algumas instituições também militares. Mais nos informa a local que Face à referida desinformação e consequentes acções de vandalismo, conforme observámos, muito jovens insurrectos fizeram-se à via pública empunhando objectos contundentes e paus, incendiando pneus, virando contentores de lixo e ateando-os fogo o que só terminou depois da intervenção policial. Ainda na mesma página da referida edição, sobre esta questão, o “Notícias” titula que MDN desmente. E, logo a seguir escreve que O Ministério da Defesa Nacional refutou ontem, de forma categórica, alegações segundo as quais, na cidade da Beira, província de Sofala, está a decorrer, de há uns dias a esta parte, um recrutamento compulsivo de jovens com vista à sua incorporação no Serviço Militar. Ainda na mesma local pode ler-se que “É boato”, disse a jornalistas em Maputo, o director de Recursos Humanos do Ministério da Defesa Nacional, Edgar Cossa, explicando que o Governo tem estado a cumprir um plano anual de operações de recrutamento militar, nomeadamente o recenseamento militar, as provas de classificação e selecção e a incorporação para as Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), através de editais próprios que se fixam nas províncias, distritos e postos administrativos, em todo o país. Para o mesmo funcionário da MDN, este boato é promovido por indivíduos imbuídos de má-fé, com clara intenção de criar agitação no seio da população, para o alcance de objectivos desconhecidos. Para nós, a análise não podia ser mais clara. Nem mais lógica.
Resta, porém, uma questão que não pode ser considerada como marginal. Como periférica. Quem lançou o tal boato? Terão sido simples marginais mal - formados? Simplesmente. Ou terão sido pessoas que procuram atingir objectivos políticos? Que procuram obter dividendos políticos? Esperemos pelo resultado das investigações para ficar a saber. Para já, dizer que o boato é inimigo da harmonia social e da paz.
Nota do Autor. Este texto foi escrito para ser publicado na passada edição. Por motivos técnicos, não chegou ao destino em tempo útil. Acredito que não tenha perdido a actualidade para ser publicado esta semana. Aqui fica.
domingo, dezembro 22, 2013
Uma coisa é informal, outra coisa é ilegal
Estão a suceder-se os actos de vandalização do sistema de abastecimento de energia eléctrica à N4. Na sua edição do passado dia 20, página 3, o “Notícias” titula: Vandalização deixa N4 às escuras. E, a abrir a local escreve que Indivíduos desconhecidos vandalizaram há dias o posto de transformação (PT) número cinco localizado na estrada Maputo/Witbank (N4) afectando a provisão de iluminação pública no troço entre o “Nó da Machava e o cruzamento da CMC, no Município da Matola. Acrescenta a notícia que Segundo Fenias Mazive, director de manutenção da Trans African Concessions (TRAC), concessionária da rodovia, esta é a quarta vez, no espaço de um mês, que o referido PT é alvo da acção dos malfeitores, cuja acção consiste na retirada de disjuntores industriais e contadores, presumivelmente para venda no mercado informal. Ainda segundo a notícia, existe em toda a extensão da N4 em território moçambicano, um total de dez postos de transformação instalados em vários pontos da via (...) mas o PT úmero cinco, localizado junto à terminal da FRIGO é a que tem sido mais visada nas acções dos malfeitores, que de acordo com a leitura de Mazive, podem ser indivíduos conhecedores da área da electricidade, a medir pela perícia com que actuam para retirar os equipamentos instalados sem sequer cortar o sistema normal de fornecimento de energia eléctrica. Nem sequer parece necessário continuar a transcrever por aí em diante. Podemos ficar por aqui. O que se sabe é bastante. Para não dizer muito. Importa, pois colocar algumas questões. Pertinentes.
Perante o relatado, o noticiado, pode perguntar-se se está a ser feito tudo quanto é possível fazer para neutralizar os vândalos, os sabotadores. E evitar este género de situações. Ao que parece não. A primeira questão que se deve e pode colocar é quanto vale cada uma das peças roubadas. Mesmo quando no informal. E para que servem. Que utilidades têm no informal. E, por aí em diante. Ora, sabendo-se, como parece, que as tais peças têm comprador no informal, talvez seja pertinente iniciar uma investigação por aí. Pelo Informal. Para se saber quem recebe e quem compra o material roubado. Seria um exercício útil. Mas, também necessário para se perceber quem é quem no informal. Afinal, o informal é constituído por homens e por mulheres. Por seres humanos. E informal até pode nem ser sinónimo de ilegal. Nem sempre é. Uma coisa é informal, outra coisa é ilegal.
domingo, dezembro 15, 2013
Passem todos bem
Há muitos anos dizia-se, cá entre nós, que a televisão era o espelho da vaidade dos dirigentes. Isto em referência à realidade de então na Guiné-Bissau. Mas, e ao que parece a moda de então deslocou-se depressa da costa para a contra - costa de África. E, hoje, aí a temos nós. Fresquinha. Acabada de chegar. Como hoje temos, também, um candidato e presidente municipal que promete aos seus eleitores um canal televisivo local. Titula o jornal “Notícias”, página 7 da sua edição do passado dia 12, que Frelimo quer canal televisivo para Nacala. Logo a seguir, o matutino de Maputo escreve que O candidato da Frelimo à presidência do município de Nacala-Porto, Rui Chong Saw prometeu que caso seja eleito para ocupar aquele cargo nas eleições de 20 de Novembro corrente vai no seu mandato abrir um canal televisivo local que irá se ocupar de transmitir todas as informações que ocorrem naquela autarquia. Ao que lemos na mesma local, o bom do homem, qual santo milagreiro, diz mais: Nesta da praia vou institucionalizar um festival anual de música, onde irão actuar músicos dos EUA, Brasil, Angola, Portugal, para além de moçambicanos, onde os artistas locais vão poder desfilar ao lado de outros renomados internacionalmente, prometeu o jovem empresário. É caso para dizer, força jovem Ruca, como é popularmente conhecido (...). E, já agora, se perguntar não ofende, onde é que vai encaixar essa questão do canal televisivo para Nacala e o tal de festival anual de música no programa geral da Frelimo. Será que esta Frelimo, que lutou até conseguir a independência de Moçambique, apoia hoje pseudo-revolucionários no norte e conservadores no sul do país No meio de tudo isto, parece estar a haver algum oportunismo. Muito oportunismo e demasiados oportunistas. O que obriga a dizer, Abaixo os oportunistas.
A primeira questão que deve ser colocada, chegados a este ponto, é se o tal de Ruça faz alguma ideia dos custos de um canal televisivo. Mesmo quando, simplesmente, local e para satisfazer a vaidade saloia de um dirigente local. Certamente não faz. Estamos a falar em termos de custos de equipamentos. Em termos de custos de operação. Em termos de custos de manutenção. E por aí em diante. Como, por exemplo, em termos de custos de hora de produção. Que são tão altos que a própria TVM já se rendeu à realidade do mercado. Por isso nos massacra com essas novelas mexicanas de pouca qualidade. E com esses programas chineses que têm nada a ver com a nossa realidade cultural. Mas esta é a nossa realidade. E, todos sabemos que quem tem um Chavana não pode ter tudo. Tem apenas um Chavana e nada mais. O mesmo é dizer que ter um pateta, um lambe-botas, sempre é melhor que ter dois. Ou três. Tem menos capacidade de incomodar. E menos tempo. Mas, a questão final que me permito colocar, é simples: Quais os benefícios para os residentes em Nacala sobre esse tal canal televisivo. Muito provavelmente poucos. Ou nenhuns. Se assim, passem todos bem.
domingo, dezembro 08, 2013
Vamos a isso
Como é de todos nós conhecido, nos últimos tempos, várias cidades moçambicanas têm sido palco de raptos. De adultos e de crianças. De várias nacionalidades. E de pedidos de elevados valores monetários pela libertação dos sequestrados. O que, naturalmente, provoca naturais problemas psicológicos entre as famílias das vítimas. Outro tanto no desenvolvimento das suas actividades económicas. Sobre o “quem é quem” neste processo, muito se tem especulado. Há quem diz não entender nem perceber o que se está a passar. Como há quem diz saber tudo. Ao certo, sabemos todos pouco. Quase nada. Num recente julgamento de raptores, estavam alguns agentes policiais. Que foram condenados a pesadas penas de prisão. Já mais recentemente, vieram notícias a público do envolvimento d agentes da PRM no caso de um outro rapto. Com o título Raptam motorista por engano, o “Notícias” da passada quinta-feira, (primeira página) escreve que Quatro agentes da PRM estão indiciados num recente caso de rapto falhado do proprietário da Basra Motores, uma empresa dedicada à venda de viaturas na cidade de Maputo. O cabecilha do grupo, identificado por I. Cândido, está detido desde a passada segunda-feira no Comando dac Força de Intervenção Rápida na cidade de Maputo, juntamente com um agente da Polícia de Trânsito cujo nome ficou-se por saber, estando a corporação à procura de outros dois colegas agora foragidos. Ainda segundo a local, o referido indivíduo, terá chefiado o grupo de polícias que por engano raptou o motorista da Basra Motores confundindo-o com o patrão daquela empresa de venda de viaturas. Ainda segundo o jornal “Notícias” Como resultado das dilig6encias que terão sido já efectuadas pela Polícia para esclarecer o caso, este agente de Trânsito terá indicado I. Cândido como cabecilha do grupo. Recorde-se que colocado `frente do seu colega I. Cândido ele confirmou tratar-se da pessoa que comandou o rapto falhado em Boane. Ao que estamos a perceber, a nossa realidade é uma realidade de polícias e de ladrões. Sendo que não é de polícias ladrões. O que se apresenta como bem mais grave e mais preocupante.
O que se está a passar em Moçambique, no momento presente, faz-nos recuar no tempo. E recordar o que é a história do Oeste americano de há muitas décadas atrás. E, o que se terá passado no Brasil em décadas mais recentes. No tempo dos chamados “esquadrões da morte”. Quem se lembre desse então, tem espaço suficiente para fazer a analogia. Entre as três realidades em tempos diferentes. E, até, se quiser juntar alguma dose de imaginação, questionar se entre a instabilidade criada na comunidade portuguesa em Moçambique, com a questão, não há por aí algumas mãozinhas estranhas. Se não há por aí algumas mãozinhas, pouco limpas De alguns antigos agentes da PIDE. Até pode haver. A questão está em abrirem os olhos e verem. Ainda segundo a local do “Notícias” As autoridades policiais garantem que tudo farão no sentido de purificar as fileiras, uma vez constatar-se que alguns elementos em exercício na corporação estão ao serviço do crime organizado. A pergunta que se coloca, talvez com ingenuidade, é se são apenas alguns elementos. Pode ser que não. Talvez seja necessário purificar da base ao topo e do topo à base. Vamos a isso.
domingo, dezembro 01, 2013
Quem não sabe é como quem não vê
Os recentes casos de raptos, em diferentes cidades moçambicanas, parecem que estão a dar origem a um novo tipo de linguagem. Em alguns jornais. E, naturalmente, por parte de alguns jornalistas. Por receio, por medo de darem o nome certo, o nome correcto, a determinada situação. Ou simplesmente por desconhecerem o significado de determinada palavra. Num determinado contexto. Refiro-me no caso concreto à palavra Suposto. Vejamos um exemplo. Na sua edição do dia 30 do mês findo (página 5) o jornal “Notícias”, reportando sobre um rapto da cidade da Beira, titula Informação sobre o rapto chegou tarde à Polícia. E, escreve a determinado passo que O jovem raptado no passado dia 22 na cidade da Beira, foi encontrado morto na manhã desta segunda-feira, algures em Dondo onde supostamente teria sido sequestrado. Mais nos informa o matutino que Segundo fontes contactadas pelo nosso jornal na cidade da Beira os supostos raptores inicialmente pediram o resgate de um milhão de dólares norte-americanos, valor que não foi satisfeito pelos pais, uma vez que não o tinham.
Se na primeira citação o emprego da palavra supostamente não merece contestação, o mesmo parece não acontecer na segunda. Se, como leitor, bem entendo, no primeiro caso está a querer dizer-se que não há a certeza que o menor tenha sido raptado naquele local. No segundo caso, parece querer dizer-se não há a certeza de terem havido raptadores. Mas houve. O que não se sabe é quem foram. Quem são. Partindo do princípio elementar que não pode haver raptos sem raptores. Houve raptores. O que não se sabe é quem foram ou quem são. Vejamos o que esclarece o Dicionário da Língua Portuguesa de Fernando J. Da Silva Suposto (...) hipotético; fictício, imaginário; s. m. aquilo que subsiste por si, coisa suposta, substância. Convenhamos que os raptos não são coisa suposta. É isso sim, e muito pelo contrário, uma realidade por demais dolorosa para muitos moçambicanos. Tenhamos a capacidade de admitir que a cada situação se aplica uma palavra adequada. Convenhamos que consultar um dicionário é, em si, um acto de sabedoria. Tenhamos presente o adágio popular segundo o qual quem não sabe é como quem não vê.
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