domingo, março 09, 2014
Em defesa do consumidor
Já houve tempo em que parte significativa do que consumíamos ou que necessitávamos para desenvolver as mais diversas actividades era produzida localmente. Internamente. Depois, com o mudar dos tempos foram mudando as vontades. Hoje, dependemos do estrangeiro relativamente a grande parte do que consumimos. Do que comemos. Vejamos o que nos diz o jornal “Notícias” na sua edição do passado dia 20 (página 3). Sob o título Mercado grossista refém de importações, começa por escrever que Os principais produtos vendidos no Mercado Grossista do Zimpeto, nos arredores da cidade de Maputo, são maioritariamente importados, o que concorre para o agravamento de preços. Acrescenta o matutino Apurámos localmente que quase todo o tomate, bata e cebola vêm da África do Sul, por ter esgotado a produção nacional que há bem pouco tempo chegou a ser abundante naquele mercado de referência em termos de produtos frescos. A agravar a situação, ao que parece, Este facto, associado à não entrada de camiões durante o fim-de-semana, fez com que a caixa de 20 quilogramas de tomate, por exemplo, chegasse aos 550 meticais na manhã de ontem e o saco de cebola fosse vendido de 250 Mt. Moisés Covane, administrador do mercado do Zimpeto, disse ao “Notícias” que dos perto de 25 camiões de tomate que diariamente abastecem o mercado, menos de quatro é que vêm de Catuane, na província de Maputo. Os restantes provêm da África do Sul. A batata e a cebola são totalmente importadas.
Desde há décadas que a África do Sul possui uma modelar rede de meios de frio para conservação de produtos como a batata. Entre outros, certamente. Antes da Independência, grande parte da batata produzida em Moçambique e que não era consumida no imediato era enviada para o país vizinho. Via caminho-de-ferro. Onde era conservada. Certamente que mediante algum valor monetário. Depois, em época de carência local voltava e era colocada à venda estabilizando o mercado nacional. Nessa época, existia uma organização que dava pelo nome de Cooperativa dos Agricultores ao Sul do Save, que se encarregava da operação. Hoje, ao que se sabe, não possuímos nenhuma estrutura vocacionada para realizar este género de operações. Mas, pode muito bem pensar-se na sua criação. A bem da economia nacional e em defesa do cons
domingo, março 02, 2014
Algo parece estar errado
Há alguns anos atrás, foi abordada publicamente a questão de falta de espaço para enterros no cemitério de Lhanguene. Não propriamente por o espaço existente estar esgotado, ocupado na sua totalidade. Mas por parte do espaço destinado aos mortos estar ocupado por vivos. Ilegalmente. Decidiu o Conselho Municipal da cidade de Maputo (CMCM), nesse então, a favor dos vivos. E deixar que permanecessem no local que daria para algumas décadas de enterros. E lá estão e lá continuarão a estar. Quanto aos mortos passaram a ter como última morada lá para os lados de Marracuene.
Fenómeno idêntico está a acontecer na cidade da Matola. Onde o Conselho Municipal terá tomado uma posição ou uma decisão bem mais coerente. Bem mais de acordo com os interesses municipais e públicos. Vejamos. Na sua edição de quarta-feira, 5 do corrente (página 3), o “Notícias” titula que Terreno para cemitério ocupado em Ndlavela. E, logo a seguir escreve que Parte dos 60 hectares reservados para o cemitério de Ndavela, no município da Matola estão já a ser invadidos e ocupados por pessoas que alegam ter sido atribuídos parcelas para a construção de habitação. Acrescenta o matutino que A constatação foi feita ontem pelo presidente do município da Matola, Calisto Cossa, durante a visita que efectuou àquele bairro com a intenção de aproximar a gestão da autarquia aos munícipes. A seguir, pode ler-se que na Ocasião, Calisto Cossa, constatou que pelo menos dez hectares do total de 60 tinham sido já ocupados particularmente nas áreas reservadas para a construção do parque de estacionamento do cemitério. Mais adiante pode ler-se que Sobre esta situação, o vereador de Actividades Económicas e Serviços no municio da Matola, Edson Ussaca, explicou que este problema já foi encaminhado às autoridades do posto administrativo do Infulene, com vista a criarem condições para o reassentamento das famílias. Acrescenta o matutino que Esta é uma acção a ser efectuada nos próximos dias para que se possam avançar com os trabalhos de conclusão do projecto do Cemitério de Ndlavela, idealizado em 2008 para servir os municípios de Maputo e Matola” disse Ussaca. Ainda sobre esta questão, O vereador lembrou ainda que já existe um projecto concebido e aprovado daí não haver necessidade de se levar mais tempo com as obras senão executar. Resta saber quais os motivos ou que interesses levaram dirigentes que respondem pela governação de espaços tão próximos fisicamente a tomarem decisões tão díspares, tão diferentes. Em termos de lógica, a decisão da Matola apresenta-se como a mais correcta, a mais sensata. Mas, nestas coisas de governação municipal parece não haver lógica. O mesmo pode significar que algo parece estar errado
domingo, fevereiro 23, 2014
Não dar um passo maior que a perna
Mais uma vez há “chapeiros” em greve na cidade de Maputo. Desta vez na rota do Museu. Sobre a matéria, o “Notícias” da passada quinta-feira (página 3) titula: “Chapeiros”resistem. E, logo a seguir, escreve que Os utentes dos transportes públicos voltaram a ser confrontados com a paralisação de alguns “chapeiros” que exigem que seja reabilitada com urgência a Avenida do Trabalho, na cidade de Maputo. Ainda segundo a matutino, Com efeito, os “chapeiros” concentraram-se na zona de Bagamoyo, na Avenida de Moçambique, d onde não arredaram o pé alegando que é insuficiente a resposta dada pelo município, na passada terça-feira. E mais: Nas primeiras horas de ontem, os “chapeiros” para além de paralisar as suas actividades, impediram que os seus colegas transportassem passageiros, inclusive carrinhas de caixa aberta que transportavam pessoas e bens. O município, na pessoa de Vidigal Rodrigues, revelou que na prática as obras já iniciaram, porque o empreiteiro está na fase de mobilização, e realçou que município não trabalha em função das paralisações, mas através de um plano de actividades, sendo que para o tapamento de buracos é preciso fazer a drenagem das águas e permitir a durabilidade das obras. Queremos acreditar que assim seja e fazemos votos para que assim continue a acontecer. Os factos parecem que deixam transparecer uma outra realidade. Ou seja obras com má qualidade prazos de execução largamente ultrapassados e por ai em diante. Para já fica o benefício da dúvida que a actual situação possa ser diferente.
Um outro conflito que está por aí a rebentar é entre a Polícia e entre os “fumadores” de vidros de viaturas. O referido matutino, mesmo dia e na mesma página titula Sanções para oficinas que “fumam” vidros. Logo a seguir escreve que A Polícia diz que vai sancionar os proprietários de oficinas que se à colagem de películas nos vidros de veículos, considerando que são promotores da alteração das características das viaturas. O Oficial de Imprensa no Comando provincial de Maputo, garante que a corporação já tem dados preliminares sobre a localização de tais oficinas e que o próximo passo será a interpelação e penalização dos estabelecimentos que exerçam actividades sem estarem licenciadas. Acrescenta a local que Neste momento estamos a fazer o levantamento das oficinas que fazem a colagem de membranas escuras acreditamos que até que até amanhã já teremos reunidos todos os dados. Feito isso, a Polícia Municipal vai actuar nos casos de exercício de actividade não licenciada e desmantelar os estabelecimentos sem licença. Aqui chegados, deparamos com uma aparente confusão. É que não se percebe muito bem o motivo de aplicação das referidas sanções. Se é por actividade ilegal ou não. Para já, importa ter presente que há aspectos legais que precisam ser acautelados. Depois, foge à nossa compreensão os motivos os chamados “fumadores” são punidos e não o são quem manda “fumar” os vidros da sua viatura. A prudência aconselha a não dar um passo maior que a perna.
domingo, fevereiro 16, 2014
Em nome do Soberano
Por motivos de doença, e consequente internamento numa clínica d cidade de Maputo, não me foi possível escrever a minha habitual crónica na semana que passou. Os homens são. São como s nações. De quando em quando adoecem. E, como todos sabemos. Neste momento a não moçambicana está doente. Parte dos seus filhos está desavinda. Estão divididos. Estão com dificuldades em que se unirem e em se entenderem no que respeita à manutenção da paz. Apesar dos vários e muitos apelos nesse sentido. Vindos dos mais diversos quadrantes. E, também e sobretudo vindos do povo. Do Soberano. E, o Soberano é sempre Soberano. É preciso saber respeitar os seus desejos, a sua vontade. Mesmo quando ou possa ser necessário rever os métodos e os critérios de divisão do espólio de guerra. E, aqui não há médico que possa curar a doença da nação moçambicana. Não estamos perante um caso de medicina.
Doentes estão também as cidades da Matola e de Maputo devido ao mau estado de muitas das suas artérias. De que se ressentem e que afecta muitos automobilistas. Principalmente “Chapeiros”. De uma e de outra cidade, não com rara frequência, surgem notícias de paralisação da circulação. Como aconteceu na passada terça – feira (“Notícias do dia 5, página 3) que titula “Chapas param na Costa do Sol”. E que logo a seguir escreve: Os “chapas” que ligam Costa do Sol e Baixa ou bairro do Jardim, na cidade de Maputo suspenderam a circulação ao meio da manhã de ontem, exigindo o tapamento de buracos na zona do Game, na avenida da Marginal. Ainda segundo o matutino, Contrariamente aos das outras rotas da capital e/ou da Matola, aqueles transportadores tentaram minimizar a degradação da via com meios próprios, num exercício de desespero. De facto, por volta das 7 horas os “chapeiros” começaram a concentrar-se nas imediações daquele supermercado, por sinal a zona mais degradada, e a partir das cerca das 9 horas com pás, carrinhos de mão ou mesmo só com as mãos ensaiaram o tapamento dos buracos com areia e pedras retiradas da berma da via. As consequências imediatas desta paralisação foram prejuízos para centenas ou milhares de pessoas. Vejamos o que escreve o “Notícias”: Enquanto isso, centenas de cidadãos que pretendiam entrar no centro d cidade ou sair para a zona da praia aguardavam nas paragens ou viam-se obrigados a caminhar, o que gerou constrangimentos de vária ordem. Por tantas vezes se repetiram, este género de paralisações correm o risco de se banalizarem. É preciso saber evitar que isso venha a acontecer. Em nome do Soberano.
domingo, fevereiro 09, 2014
É a crise que nos fará avançar
Quase todos os dias recebo, por correio electrónico, um variado número de textos. De diferentes origens. Enviados, normalmente, por pessoas amigas. Uns podem ser considerados excelentes. Outros, nem tanto. Outros não passam daquilo que, normalmente, classificamos como “lixo”. E o lixo, como todos sabemos e mandam as regras, é para ser deitado na lixeira. Dos textos que recebi nos últimos dias e que considero poder integrar-se na primeira das referidas categorias, existe um que entendo merecer ser transcrito. É pequeno, é curto e, na minha opinião, não é “chato”. Não sei, ignoro por completo há quantos anos foi escrito. Tem por título A crise segundo Einstein. Façam o favor de ler o que se lhe segue (sem a pontuação do original) Não pretendemos que as coisas mudem se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor bênção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar “superado”. Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais os problemas do que as soluções. A verdadeira crise é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar em crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la.
Espero que tenham lido calma e atentamente e que tenham gostado. E que cada um dos leitores, sejam muitos ou sejam poucos, tenha tirado as suas ilações e as suas conclusões. Cá por mim, não posso deixar de dizer que gostei, francamente, da afirmação de que A verdadeira crise é a crise da incompetência. Penso, assim, que, afinal, a incompetência é já bem anterior a nós. Há nossa existência terrena. Mas que tem passado de geração em geração. E que para nosso mal ou para nosso bem, parece querer perpetuar-se. Quer dizer, a incompetência não está em vias de extinção. Pode até ser hereditária. Em alguns casos, parece ser. Esta é apenas uma conclusão possível. Haverá, certamente, outras. Uma delas é a de haver necessidade de provocar a crise. Afinal, é a crise que nos fará avançar.
domingo, fevereiro 02, 2014
Querer e saber fazer também é virtudes
Temos de convir, temos de concordar que não é todos os dias que ouvimos um ministro criticar o trabalho de um funcionário do seu ministério, de um seu subordinado. Em público. Aconteceu em Tete. Há poucos dias. O “Notícias” da passada quinta-feira (página 4), referindo-se à área dos transportes e comunicações, titulava que Gabriel Muthisse reprova relato de prestação de contas. Logo a seguir escrevia que O Ministro dos Transportes e Comunicações de Moçambique, Gabriel Muthisse, reprovou o relatório apresentado pela direcção provincial do sector que dirige, em Tete, considerando que o informe não reflecte a actual realidade de desenvolvimento acelerado que se regista naquela parcela do país nos últimos anos, com a reactivação da indústria extractiva de minerais, com maior destaque para o carvão. Segundo o matutino de Maputo O titular da pasta dos Transportes e Comunicações afirmou que o relatório apresentado por ocasião da sua visita de trabalho a Tete, a qual decorre desde o passado dia 14 do mês em curso, não espelha a real situação da província em termos de funcionamento da área dos transportes rodoviários por parte dos operadores públicos, privados e associados. Segundo o ministro O relatório foi elaborado nos paradigmas dos finais da década de 20, é por isso que o seu estilo não permite uma reflexão da actual realidade da província. Ainda segundo o “Notícias”, Aquele dirigente apontou, por exemplo, que o relatório da direcção provincial dos Transportes e Comunicações não aponta, com exactidão quantos operadores nacionais estão envolvidos nos serviços de transporte rodoviário de carga pesada como o carvão e de outro tipo de mercadorias, encomendas postais, entre outras pequenas cargas de impacto socioeconómico dos transportadores. Ao que se pode ler, o relatório terá dito pouco mais do que nada. Ou seja, coisa nenhuma. Daí, o Ministro ter afirmado que Queremos um relatório actualizado, com todos os detalhe para, em pleno século 21, qualquer pessoa que tenha acesso a ele possa entender, sem grandes esforços, o nível de desenvolvimento da área dos transportes rodoviários na região.
Sem margem para dúvidas, a crítica, apontar onde está o erro e quem o cometeu, constitui um exercício pedagógico. Apesar de praticado poucas vezes e por poucos. Mas, sempre vale mais poucos do que nenhuns. O que não invalida o facto de ser salutar. Para todos. Para quem critica e para quem é criticado. Porque pode corrigir atitudes e acções erradas. Comportamentos errados. E, como todos sabemos há muito de errado a corrigir. Assim o saibamos e queiramos fazer. Até porque querer e saber fazer também são virtudes.
domingo, janeiro 26, 2014
Amanhã poderá ser tarde
De tempos a tempos mas com bastante frequência surgem notícias sobre conflitos de terras. Um pouco por todo o país mas especialmente na província de Tete. Entre camponeses e empresas estrangeiras, multinacionais. Especialmente mineiras. Muitos dos quais em Moatize. Onde acaba de surgir mais um. Semana que passou, quinta-feira, o “Notícias” (página 4) titulava: Governo e mineradora em concertação. E. logo a seguir escrevia que O Governo Distrital de Moatize vai, dentro dos próximos dias, manter um encontro formal com a direcção da mineradora Vale para analisar e encontrar soluções tendentes a satisfazer uma série de reclamações levantadas pelas comunidades reassentadas no bairro 25 de Setembro, no Município da Vila de Moatize depois da sua retirada das áreas operacionais daquela mineradora. Acrescenta a local que Desta vez, os reassentados estão a reclamar junto do Governo o acesso às suas áreas de produção agrícola localizadas no interior da concessão da Vale, cujo impedimento os leva a não conseguir produzir culturas alimentares para a sua sobrevivência. Mais se pode ler que A Administradora do Distrito de Moatize, Elsa da Barca, disse recentemente que todos os casos relacionados com os reassentados, quer pela Vale quer pela Rio Tinto, são tratados em fóruns apropriados, tendo acrescentado que as reivindicações são analisadas e atendidas dentro dos memorandos de entendimento entre o Governo, as comunidades e as direcções das mineradoras. Como é lógico, a Vale defende-se das acusações que lhe são feitas e através da sua Gerência de Comunicação, refuta as alegações dos reassentados, tendo afirmado que as machambas pertencentes à comunidade do bairro urbano 25 de Setembro não estão localizadas na área operacional da mineradora, mas sim em áreas que ainda não estão s ser utilizadas pela empresa dentro da sua concessão mineira. E mais: O documento indica que o acesso a estas machambas é livre e garantido pela Vale, podendo ser usado pela comunidade do bairro urbano 25 de Setembro, conforme acordado no Plano de Acção do Reassentamento. Para além da falta de entendimento, parece haver alguma, se não muita, falta de informação. Às comunidades.
Pelos contornos de todos estes conflitos de terras, estes conflitos de interesses, parece ser tempo de o Governo fazer proteger os interesses de todas as partes envolvidas. Especialmente dos camponeses, dos deserdados da sorte ou da fortuna. Moçambique não pode virar num Brasil dos “sem terra”. Seria mau de mais se isso estivesse a começar a acontecer. O Governo já tem conhecimentos e capacidade para evitar que estes conflitos de terras localizados se alastrem e se propaguem. Como queimada descontrolada. Aí não haverá bombeiro que nos salve. Até aqui, só temos visto bombeiros que apagam fogo aqui e fogo acolá. A ir atrás do fogo. O bom sendo aconselha a mudar de estratégia. Amanhã poderá ser tarde.
domingo, janeiro 19, 2014
A esperança é a última coisa a morrer
A quadra festiva porque acabámos de passar terá sido das mais tranquilas dos últimos muitos anos. Apesar de alguns incidentes e acidentes. Um pouco por várias cidades do país. Já nas vésperas da entrada em 2014, fortes chuvas provocaram danos assinaláveis nas cidades da Matola e de Maputo. Tanto na chamada zona de cimento como na suburbana. O jornal “Notícias” (edição de 31 de Dezembro, página 2), titulava que Chuvas relembram problemas de Maputo. Logo a seguir, o matutino escrevia que Crateras abertas em diferentes avenidas, ruas quase que intransitáveis, casas submersas, são alguns dos cenários que eram visíveis ontem em diferentes bairros das idades de Maputo e Matola. Mais nos informa o matutino que Esta situação é resultante da chuva que tem vindo a cair na cidade e província de Maputo desde a madrugada desta sexta-feira, que já está a alterar o curso normal da vida de muitas famílias, sobretudo dos bairros propensos a inundações. Mais somos informados que A fúria das águas das chuvas, por exemplo, abriu grandes crateras nas avenidas da OUA e Julius Nyerere, que ameaçam cortar a estrada e deste modo condicionar a circulação normal das viaturas. Mais adiante pode ler-se que Os problemáticos bairros do Chamanculo, Mafalala, Inhagóia, Laulane, Hulene, Mavalane Mahlazine, na cidade de Maputo, Matola 700, Liberdade e Machava-sede, no município da Matola, voltaram a ficar quase que completamente alagados, dificultando a circulação de pessoas e viaturas. E, a terminar com as transcrições, aqui fica a última: Já no centro da cidade de Maputo a chuva reeditou o crónico problema do deficiente escoamento das águas pluviais, facto agravado pela falta de limpeza das sarjetas e valas de drenagem. As fotos que acompanham o texto não podiam ser mais elucidativas. Dão a imagem a imagem da realidade.
Das situações relatadas, importa não deixar sem reparo duas questões. A primeira é de que as sarjetas de muitas das artérias são limpas com certa regularidade. Só que a terra e o lixo, retirados lá dos fundos, são deixados nas proximidades. E, invariavelmente, não são retirados. Logo, acabam por voltar aos locais donde foram retirados. O mesmo é dizer que estamos perante um trabalho incompleto. Não completamente realizado. Outra situação que não se compreende, é a da cratera aberta pela chuva no prolongamento da Avenida Julius Nyerere. Ainda em reabilitação. Uma reabilitação que parece eterna. Que já demora uma eternidade. De resto, fazer bem e mais depressa até nem custa dinheiro. Não é uma questão de custos financeiros. Oxalá ainda seja vivo quando for possível circular em toda a extensão da emblemática avenida. Cá por mim, acredito que a esperança é a última coisa a morrer.
domingo, janeiro 12, 2014
As LAM podem ser soberanas no ar mas não o são em terra
Menos de um mês depois da queda do avião das LAM que fazia a ligação Maputo – Luanda, foram conhecidos os resultados do relatório preliminar. Na sua edição do passado dia 23 (primeira página), o “Notícias” titulava haver Evidências de intenção humana. E, logo a seguir, escrevia que O relatório preliminar, quase concluído, mostra ter havido intenção humana na queda do avião das Linhas Aéreas de Moçambique, que vitimou 33 pessoas (27 passageiros e seis membros da tripulação). Mais adiante, o matutino de Maputo detalha: O presidente do Conselho de Administração (PCA) do INAM, João Abreu, que falava em conferência de imprensa na tarde de sábado, em Maputo, disse que o relatório preliminar, quase concluído, mostra ter havido o que chamou de clara intenção, sem no entanto explicar a essência da conclusão. A local mais nos diz. Diz que A comissão de investigação concluiu que todas as acções observadas nas gravações requerem um conhecimento dos sistemas automáticos do avião, uma vez que toda a descida foi executada em piloto automático ligado. Isto denota uma clara intenção. A razão para todas estas acções é desconhecida e a investigação prossegue, disse Abreu.
Quem parece não ter gostado muito destes resultados preliminares foi a própria LAM. Que, de imediato reagiu. Demonstrando uma clara falta de respeito pelos mortos. Pela forma como o fez, parece querer situar-se acima da verdade dos factos. Na sua edição do dia seguinte, o mesmo jornal (página 5) titula que Tese de suicídio lesa LAM. Logo a seguir pode ler-se que A companhia nacional de bandeira, Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), manifesta a sua profunda preocupação e choque com o conteúdo da declaração divulgada pelas autoridades de investigação em relação ao inquérito em curso sobre o acidente aéreo do voo TM 470, ocorrido a 29 de Setembro de 2013. Ao que parece, as LAM não aceitam, nem respeitam, nem reconhecem aquilo que se apresenta como claro para nós todos. E que é que o avião caiu porque o comandante assim quis que acontecesse. Tenham quais tenham sido os motivos. Mas, como o comandante era comandante de um avião das LAM, a queda do avião é da inteira responsabilidade das LAM. Quer as LAM queiram quer não, tem que assumir essa responsabilidade. Independentemente dos prejuízos financeiros que daí possam resultar para si. Mesmo e quando as LAM venham a ser, judicialmente, obrigadas a indemnizar as vítimas mortais do acidente com o seu avião. O problema da queda deste avião vai muito para além de um simples problema de cueca. Que até pode existir. E que se calhar até existe. A questão final é que a responsabilidade pelos danos morais, materiais e financeiros resultantes da queda do seu avião, são seus. As LAM podem ser soberanas no ar mas não o são em terra.
domingo, janeiro 05, 2014
Um diálogo de surdos
Mais um ano está prestes a chegar ao fim. Em termos de balanço, será difícil dizer se foi um ano bom ou um ano mau. Se teve mais coisas boas ou mais coisas más. Trata-se de uma questão de perspectiva. É uma questão subjectiva. Depende de que observa, de quem analisa. A nível da capital do país, houve coisas boas e coisas más. E, entre estas últimas, vejamos apenas duas. Uma, é o atraso que se verifica na reparação do prolongamento da avenida Nyerere. Que parece nunca mais ser concluída. Para além do facto de o troço recentemente aberto à circulação apresentar graves deficiências. Buracos aqui e além. Devido a um mau trabalho do empreiteiro ou à fraca qualidade do material empregue, é uma questão que deve ser esclarecida por quem sabe e pode. Trata-se de uma questão demasiado grave para ficar por esclarecer publicamente. Afinal, ainda temos o direito de saber como é empregue o dinheiro dos nossos impostos e das nossas contribuições. Ainda no campo das coisas más, o problema dos transportes públicos urbanos parece longe de ser resolvido. Apesar de muitas e repetidas afirmações que os “chapas” de caixa aberta deixariam de funcionar até final do ano, eles aí continuam. Agora com um inestético toldo de lona, suspensa por quatro madeiros. Mas sem as mesmas mínimas condições de segurança e de conforto para transportar seres humanos. Uma vergonha!
Sobre esta última matéria, o jornal “Notícias” na sua edição da passada quinta-feira (pagina 3) titulava Solução integrada para transportes. E, logo a seguir escrevia A solução para a crise dos transportes que afecta as cidades de Maputo e Matola, em particular, e o país em geral, passa pela coordenação de acções entre o Governo, os municípios, as associações de transportadores e os operadores privados. Afinal, ideias e propostas de solução para resolver a crise, existem. O que parece não existir é quem as queira ouvir. Mais escreve o referido matutino, que Esta posição foi apresentada esta semana, em Maputo pelos participantes de um debate público sobre “O futuro dos chapas na área metropolitana de Maputo”, sob moderação do investigador da Universidade (UEM), António Matos. Na mesma ocasião, o moderador do referido debate explicou que o país tem condições para solucionar a crise, mas, para tal, é preciso assumir que isso para pela inclusão de todas as partes envolvidas na instalação, gestão e operação do sistema de transporte. A terminar, a local diz que Os cidadãos presentes no debate apresentaram várias questões que continuam a preocupar os passageiros, com destaque para o encurtamento das rotas, o horário praticado pelos transportadores privados e ainda a circulação de “chapas” sem a necessária comodidade, entre outras. Como se pode verificar, ideias e sugestões para alterar a actual realidade existem. O que não existem são dirigentes para as escutar. Ainda na mesma edição (página 33), o “Notícias” faz publicar uma extensa carta de um leitor que, a determinada altura escreve que Contudo, transportar pessoas exige responsabilidade e segurança, acima de tudo. Algumas carrinhas de caixa aberta não oferecem o mínimo de segurança, não têm corrimão e os passageiros ficam expostos ao risco de cair devido a uma travagem, curva, enfim, algumas condições devem ser ciadas. Como se pode verificar, sugestões e alertas não faltam. Até são servidas em doses duplas diárias. E no mesmo jornal. O que falta é vontade e capacidade de as escutar. O que significa ter de dizer que estamos perante um diálogo de surdos.
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