domingo, abril 06, 2014
Precisamos que tragam soluções em vez de problemas.
Há acontecimentos que não deviam ser notícia. Que não deviam merecer espaço em órgãos de informação. Isto pelo simples facto de constituírem rotinas. Banalidades. Coisas normais em qualquer parte do mundo. Em qualquer cidade que se preze de garantir serviços mínimos aos munícipes. O que nem sempre acontece entre nós. Vejamos um primeiro exemplo. Na sua edição do passado dia 2 (página 3), o “Notícias titula: Município desentope colectores. E escreve que Colectores de águas residuais e pluviais das zonas de cimento da cidade de Maputo estão a ser desentupidos. A obstrução e danificação do sistema, que desde ontem está a ser reposto, foram causadas durante a instalação de novas infra-estruturas de abastecimento de água, electricidade, telefones e internet. E logo a seguir: Durante as escavações visando instalar condutas e cabos destes serviços, muita areia acabou obstruindo o sistema de drenagem e danificando os colectores. Quer isto dizer que uns estragam e outros reparam. É caso para dizer, até onde chega a impunidade. Mas, e sem sair do tema, pode perguntar-se qual o motivo que impede que também as sarjetas sejam desentupidas? Seria, também e igualmente, um bom serviço prestado ao cidadão.
Um segundo caso, que parece não justificar notícia, encontramos na página 5 do mesmo dia, do referido jornal. Abordando a questão do escoamento do tráfego automóvel, titula que Maputo e Matola buscam alternativas. Através da local, ficamos a saber que Técnicos do Departamento Nacional de Trânsito, Administração Nacional de Estradas, Instituto Nacional de Transportes Terrestres e das direcções dos transportes de Maputo e Matola estão a trabalhar na identificação de vias alternativas para o escoamento do tráfego nos dois municípios. E mais: Sobre esta nova iniciativa, o comandante nacional da Polícia de Trânsito, Francisco Chabane, disse que a mesma não vai interferir nos demais projectos desenhados para médio e longo prazo com o objectivo de aliviar o trânsito urbano. Segundo ele, a ideia é resolver um problema de momento e que se vai afigurando insustentável. Segundo a mesma fonte de informação, “A medida em estudo passa pelo alargamento do trânsito condicionado entre Maputo e Matola para as horas de ponta, introduzindo uma terceira faixa em zonas que neste momento não estão abrangidas mas que denotam engarrafamento. A circulação condicionada passará a ser de manhã e à tarde, tudo com vista a acelerar a fluidez na circulação. Também estamos a equacionar faixas exclusivas para os transportes públicos de passageiros, neste caso “chapas” e autocarros. O que se pretende de imediato é encontrar estratégias para aliviar a crónica situação de congestionamento”, explicou Chavane em entrevista concedida ao |”Notícias”. Naturalmente, na perspectiva do trabalhador, todas as medidas serão boas e úteis. Desde que passe a chegar a casa mais cedo e a sair mais tarde. Sem dúvida, precisamos que tragam soluções em vez de problemas.
domingo, março 30, 2014
Assim haja vontade
As mortes nas estradas já são uma constante na nossa vida. Já fazem parte da nossa realidade. Todos os dias, todas as semanas se registam acidentes de viação. Os números de mortos e de feridos são preocupantes. Assustadores. Estamos perante um flagelo. Uma calamidade. Que não escolhe idades nem sexos. Homens e mulheres, crianças, jovens e idosos, todos estão sujeitos à morte nas estradas do país. Eliminar, inverter a situação, parece longe de ser uma realidade. Na passada segunda-feira, em mais um acidente, na cidade de Maputo, envolvendo dois “chapas”, provocou a morte de 12 pessoas e ferimentos em outras 18. Na sua edição do passado dia 26, o “Notícias” escreve em primeira página que Doze pessoas morreram e 18 ficaram feridas em consequência de um acidente de viação ocorrido cerca das 5.00 horas da manhã de ontem na Avenida de Moçambique, no bairro do Zimpeto, cidade de Maputo. Inicialmente falava-se em sete mortos, número que viria a aumentar com a morte dos outros feridos graves. Ainda segundo a mesma local O aparatoso desastre envolveu duas viaturas de transporte semicolectivo de passageiros, vulgo “chapas” (...). Segundo os agentes que se ocuparam do sinistro, o excesso de velocidade e a falta de perícia por parte dos condutores das viaturas são prováveis causas do acidente, que ceifou cinco vidas humanas no local. Pronunciando-se sobre o assunto, Leonardo Cossa, presidente da Associação dos Transportadores Semicolectivos de Passageiros na província de Maputo disse que a má actuação da Polícia e a irresponsabilidade dos condutores são as principais causas dos acidentes frequentes envolvendo “chapas”. Para o mesmo entrevistado, uma acção coordenada entre o Instituto Nacional dos Transportes Terrestres (INNATER), escolas de condução, Polícia de Trânsito, associações dos transportadores e proprietários dos “chapa”pode reduzir os índices de acidentes de viação que têm estado a acontecer nas estradas nacionais. Quem não está de acordo com esta posição é Orlando Mudumane, porta-voz da Polícia na cidade de Maputo, que nega as acusações que pesam sobre a sua instituição, afirmando que os agentes da Polícia de Trânsito têm estado a actuar dentro das normas, mas o grande problema é o mau comportamento dos condutores dos “chapa”.
Convenhamos que esta questão dos acidentes de viação não seja fácil de resolver. E não o será, com toda a certeza, quando as partes interessadas extremam as suas posições. À partida, a posição dos transportadores tem lógica. E merece ser apreciada e debatida em sede própria. Porém, à partida, importa colocar e desde já algumas outras questões. Por exemplo, a obrigatoriedade de os motoristas terem de entregar, todos os dias um determinado valor monetário ao patrão pode ou não ser causa de acidentes. De altas velocidades, de cortes de prioridade e por aí em diante. Não menos importante seria saber se todos os motoristas estão habilitados com carta de condução. E se as viaturas estão em bom estado mecânico. Por fim, por hoje, e para não de ser exaustivo, se todas elas estão dotadas de seguro. Em caso de direito de indemnização por parte das vítimas ou de seus familiares, quem paga? O motorista ou o proprietário da viatura? Parece um vasto campo de discussão. De diálogo. Assim haja vontade.
domingo, março 23, 2014
É tempo de se acabar de brincar ao rato e ao gato
No Moçambique de hoje, já se pode ser criminoso. No caso concreto, raptor. E continuar a permanecer em liberdade. O mesmo é dizer que a Polícia prende, o criminoso confessa o crime de que é acusado e o Tribunal concede-lhe a liberdade. O mesmo é dizer que a Polícia investiga e prende. Depois o Tribunal caminha em sentido inverso e solta. Parece ser, é, o caso que o “Notícias” do passado dia 19 (página 3) nos apresenta. Sob o título Polícias raptores libertos sob fiança, escreve que Três agentes da Polícia que confessaram o seu envolvimento com quadrilhas de criminosos que se dedicavam aos raptos nas cidades de Maputo e Matola foram restituídos à liberdade pelo Tribunal Judicial da Cidade de Maputo. E mais: Tidos como agentes de elevada perigosidade por estarem associados aos principais grupos de sequestradores nas duas cidades, os três agentes da lei e ordem terão sido postos em liberdade mediante o pagamento de caução, num processo, segundo fontes da administração da Justiça, apresenta sombras de penumbra. Ainda segundo o matutino de Maputo, Esta situação está a cear um desconforto nos diferentes segmentos do aparelho da Justiça moçambicana, uma vez que para além de confessos, os agentes em causa detalharam como os sequestros eram protagonizados, até o seu envolvimento no fornecimento de armas para além de terem colaborado com os investigadores na descoberta de outros casos de sequestro. Pode ler-se, a seguir, que Outro facto questionável e que está a mexer com o sistema judicial é o de nunca, desde que a onda de raptos eclodiu no país, nenhum indiciado, sobretudo os confessos, ter-se beneficiado de liberdade condicional. Todos eles, segundo indicações em nossa posse, respondem os processos na condição de detidos. Vale a pena transcrever mais umas tantas linhas, para que melhor se entenda os contornos do caso: Embora se respeite a independência dos juízes, neste caso há muita coisa que não está esclarecida. Das mais de quatro dezenas de raptores, a maioria confesso, nenhum ousou beneficiar de liberdade mediante pagamento de caução. Por esta razão, diligências estão sendo tomadas pelo Ministério Público para que os mesmos recolham à cadeia. (...) Portando é simplesmente surpreendente esta decisão do tribunal, quando tudo joga a favor da manutenção dos mesmos na cadeia.
Este, ao que tudo indica, parece ser um caso de antologia. E digno de funcionar nos manuais como aquilo que não deve ser decidido por um juiz. Confiemos na intervenção no Ministério Público no sentido de ser feita ou reposta a Justiça. Para o efeito não falta matéria. Esperemos, também, e definitivamente, que se acabe com esta história do eu prendo e tu soltas. Já é tempo de se acabar de brincar ao rato e ao gato.
domingo, março 16, 2014
Um convite à fraude e ao roubo
É difícil apontar o número de empresas às quais foram adjudicadas obras do Estado e que não cumpriram com as suas obrigações. Um pouco por todo o país e ao longo dos tempos. Trata-se, na expressão mais simples e mais elementar de burla ou de roubo. E roubar ou burlar o Estado é crime grave. Ou devia ser. Merecedor de severa punição. O caso mais recente tornado público terá acontecido na província de Inhambane. Sobre o assunto, o jornal “Notícias” (edição de 11 do corrente mês, página 4) titulava: Governo Provincial processa empreiteiro. E, escrevia que O Governo da província de Inhambane está a intentar uma acção judicial contra uma empresa de construção civil que abandonou em 2011 um projecto de construção de sistemas de irrigação em cinco distritos depois de receber todo o dinheiro do contrato. Segundo o matutino de Maputo, Trata-se de New Nation Water Capital, que em 2011, depois de estabelecer um contrato de uma empreitada com o Governo da província de Inhambane para a construção de 32 pequenos sistemas de irrigação nos distritos de Massinga, Funhalouro, Mabote, Inhassoro e Govuro, num valor avaliado em 18 milhões de meticais desapareceu antes da conclusão do projecto. A seguir, pode ler-se que Goradas todas as possibilidades previstas no contrato para a resolução amigável do diferendo, o Governo de Inhambane, que se acha burlado pela empresa, que não cumpriu com as cláusulas contratuais, já depositou no Ministério Público o competente processo com o objectivo de reaver parte dos fundos nas mãos da empresa, já tida como fugitiva, bem como a responsabilização criminal pelos transtornos causados. Mais disse o Governador. (...) Que Não estamos de braços cruzados perante esta situação, o assunto já está nas mãos dos órgãos judiciais para os devidos efeitos, porque não podemos brincar com dinheiro do Estado porque é dinheiro do povo, disse Trinta.
Esta questão de certas empresas não cumprirem com as responsabilidades que assumiram para com o Estado, deve ser um negócio rentável. Se assim não fosse não teria tantos adeptos nem tantos praticantes. Basta ver que o presente caso data de 2011 e que só agora, em 2014, começa a avançar para a Justiça. O que justifica a necessidade de um maior rigor na contratação de empresas para executarem obras do Estado. E, também, talvez, a revisão e alteração dos actuais métodos e processos de contratação de obras públicas por parte do Estado. Como as coisas estão actualmente, parecem um convite à fraude e ao roubo.
domingo, março 09, 2014
Em defesa do consumidor
Já houve tempo em que parte significativa do que consumíamos ou que necessitávamos para desenvolver as mais diversas actividades era produzida localmente. Internamente. Depois, com o mudar dos tempos foram mudando as vontades. Hoje, dependemos do estrangeiro relativamente a grande parte do que consumimos. Do que comemos. Vejamos o que nos diz o jornal “Notícias” na sua edição do passado dia 20 (página 3). Sob o título Mercado grossista refém de importações, começa por escrever que Os principais produtos vendidos no Mercado Grossista do Zimpeto, nos arredores da cidade de Maputo, são maioritariamente importados, o que concorre para o agravamento de preços. Acrescenta o matutino Apurámos localmente que quase todo o tomate, bata e cebola vêm da África do Sul, por ter esgotado a produção nacional que há bem pouco tempo chegou a ser abundante naquele mercado de referência em termos de produtos frescos. A agravar a situação, ao que parece, Este facto, associado à não entrada de camiões durante o fim-de-semana, fez com que a caixa de 20 quilogramas de tomate, por exemplo, chegasse aos 550 meticais na manhã de ontem e o saco de cebola fosse vendido de 250 Mt. Moisés Covane, administrador do mercado do Zimpeto, disse ao “Notícias” que dos perto de 25 camiões de tomate que diariamente abastecem o mercado, menos de quatro é que vêm de Catuane, na província de Maputo. Os restantes provêm da África do Sul. A batata e a cebola são totalmente importadas.
Desde há décadas que a África do Sul possui uma modelar rede de meios de frio para conservação de produtos como a batata. Entre outros, certamente. Antes da Independência, grande parte da batata produzida em Moçambique e que não era consumida no imediato era enviada para o país vizinho. Via caminho-de-ferro. Onde era conservada. Certamente que mediante algum valor monetário. Depois, em época de carência local voltava e era colocada à venda estabilizando o mercado nacional. Nessa época, existia uma organização que dava pelo nome de Cooperativa dos Agricultores ao Sul do Save, que se encarregava da operação. Hoje, ao que se sabe, não possuímos nenhuma estrutura vocacionada para realizar este género de operações. Mas, pode muito bem pensar-se na sua criação. A bem da economia nacional e em defesa do cons
domingo, março 02, 2014
Algo parece estar errado
Há alguns anos atrás, foi abordada publicamente a questão de falta de espaço para enterros no cemitério de Lhanguene. Não propriamente por o espaço existente estar esgotado, ocupado na sua totalidade. Mas por parte do espaço destinado aos mortos estar ocupado por vivos. Ilegalmente. Decidiu o Conselho Municipal da cidade de Maputo (CMCM), nesse então, a favor dos vivos. E deixar que permanecessem no local que daria para algumas décadas de enterros. E lá estão e lá continuarão a estar. Quanto aos mortos passaram a ter como última morada lá para os lados de Marracuene.
Fenómeno idêntico está a acontecer na cidade da Matola. Onde o Conselho Municipal terá tomado uma posição ou uma decisão bem mais coerente. Bem mais de acordo com os interesses municipais e públicos. Vejamos. Na sua edição de quarta-feira, 5 do corrente (página 3), o “Notícias” titula que Terreno para cemitério ocupado em Ndlavela. E, logo a seguir escreve que Parte dos 60 hectares reservados para o cemitério de Ndavela, no município da Matola estão já a ser invadidos e ocupados por pessoas que alegam ter sido atribuídos parcelas para a construção de habitação. Acrescenta o matutino que A constatação foi feita ontem pelo presidente do município da Matola, Calisto Cossa, durante a visita que efectuou àquele bairro com a intenção de aproximar a gestão da autarquia aos munícipes. A seguir, pode ler-se que na Ocasião, Calisto Cossa, constatou que pelo menos dez hectares do total de 60 tinham sido já ocupados particularmente nas áreas reservadas para a construção do parque de estacionamento do cemitério. Mais adiante pode ler-se que Sobre esta situação, o vereador de Actividades Económicas e Serviços no municio da Matola, Edson Ussaca, explicou que este problema já foi encaminhado às autoridades do posto administrativo do Infulene, com vista a criarem condições para o reassentamento das famílias. Acrescenta o matutino que Esta é uma acção a ser efectuada nos próximos dias para que se possam avançar com os trabalhos de conclusão do projecto do Cemitério de Ndlavela, idealizado em 2008 para servir os municípios de Maputo e Matola” disse Ussaca. Ainda sobre esta questão, O vereador lembrou ainda que já existe um projecto concebido e aprovado daí não haver necessidade de se levar mais tempo com as obras senão executar. Resta saber quais os motivos ou que interesses levaram dirigentes que respondem pela governação de espaços tão próximos fisicamente a tomarem decisões tão díspares, tão diferentes. Em termos de lógica, a decisão da Matola apresenta-se como a mais correcta, a mais sensata. Mas, nestas coisas de governação municipal parece não haver lógica. O mesmo pode significar que algo parece estar errado
domingo, fevereiro 23, 2014
Não dar um passo maior que a perna
Mais uma vez há “chapeiros” em greve na cidade de Maputo. Desta vez na rota do Museu. Sobre a matéria, o “Notícias” da passada quinta-feira (página 3) titula: “Chapeiros”resistem. E, logo a seguir, escreve que Os utentes dos transportes públicos voltaram a ser confrontados com a paralisação de alguns “chapeiros” que exigem que seja reabilitada com urgência a Avenida do Trabalho, na cidade de Maputo. Ainda segundo a matutino, Com efeito, os “chapeiros” concentraram-se na zona de Bagamoyo, na Avenida de Moçambique, d onde não arredaram o pé alegando que é insuficiente a resposta dada pelo município, na passada terça-feira. E mais: Nas primeiras horas de ontem, os “chapeiros” para além de paralisar as suas actividades, impediram que os seus colegas transportassem passageiros, inclusive carrinhas de caixa aberta que transportavam pessoas e bens. O município, na pessoa de Vidigal Rodrigues, revelou que na prática as obras já iniciaram, porque o empreiteiro está na fase de mobilização, e realçou que município não trabalha em função das paralisações, mas através de um plano de actividades, sendo que para o tapamento de buracos é preciso fazer a drenagem das águas e permitir a durabilidade das obras. Queremos acreditar que assim seja e fazemos votos para que assim continue a acontecer. Os factos parecem que deixam transparecer uma outra realidade. Ou seja obras com má qualidade prazos de execução largamente ultrapassados e por ai em diante. Para já fica o benefício da dúvida que a actual situação possa ser diferente.
Um outro conflito que está por aí a rebentar é entre a Polícia e entre os “fumadores” de vidros de viaturas. O referido matutino, mesmo dia e na mesma página titula Sanções para oficinas que “fumam” vidros. Logo a seguir escreve que A Polícia diz que vai sancionar os proprietários de oficinas que se à colagem de películas nos vidros de veículos, considerando que são promotores da alteração das características das viaturas. O Oficial de Imprensa no Comando provincial de Maputo, garante que a corporação já tem dados preliminares sobre a localização de tais oficinas e que o próximo passo será a interpelação e penalização dos estabelecimentos que exerçam actividades sem estarem licenciadas. Acrescenta a local que Neste momento estamos a fazer o levantamento das oficinas que fazem a colagem de membranas escuras acreditamos que até que até amanhã já teremos reunidos todos os dados. Feito isso, a Polícia Municipal vai actuar nos casos de exercício de actividade não licenciada e desmantelar os estabelecimentos sem licença. Aqui chegados, deparamos com uma aparente confusão. É que não se percebe muito bem o motivo de aplicação das referidas sanções. Se é por actividade ilegal ou não. Para já, importa ter presente que há aspectos legais que precisam ser acautelados. Depois, foge à nossa compreensão os motivos os chamados “fumadores” são punidos e não o são quem manda “fumar” os vidros da sua viatura. A prudência aconselha a não dar um passo maior que a perna.
domingo, fevereiro 16, 2014
Em nome do Soberano
Por motivos de doença, e consequente internamento numa clínica d cidade de Maputo, não me foi possível escrever a minha habitual crónica na semana que passou. Os homens são. São como s nações. De quando em quando adoecem. E, como todos sabemos. Neste momento a não moçambicana está doente. Parte dos seus filhos está desavinda. Estão divididos. Estão com dificuldades em que se unirem e em se entenderem no que respeita à manutenção da paz. Apesar dos vários e muitos apelos nesse sentido. Vindos dos mais diversos quadrantes. E, também e sobretudo vindos do povo. Do Soberano. E, o Soberano é sempre Soberano. É preciso saber respeitar os seus desejos, a sua vontade. Mesmo quando ou possa ser necessário rever os métodos e os critérios de divisão do espólio de guerra. E, aqui não há médico que possa curar a doença da nação moçambicana. Não estamos perante um caso de medicina.
Doentes estão também as cidades da Matola e de Maputo devido ao mau estado de muitas das suas artérias. De que se ressentem e que afecta muitos automobilistas. Principalmente “Chapeiros”. De uma e de outra cidade, não com rara frequência, surgem notícias de paralisação da circulação. Como aconteceu na passada terça – feira (“Notícias do dia 5, página 3) que titula “Chapas param na Costa do Sol”. E que logo a seguir escreve: Os “chapas” que ligam Costa do Sol e Baixa ou bairro do Jardim, na cidade de Maputo suspenderam a circulação ao meio da manhã de ontem, exigindo o tapamento de buracos na zona do Game, na avenida da Marginal. Ainda segundo o matutino, Contrariamente aos das outras rotas da capital e/ou da Matola, aqueles transportadores tentaram minimizar a degradação da via com meios próprios, num exercício de desespero. De facto, por volta das 7 horas os “chapeiros” começaram a concentrar-se nas imediações daquele supermercado, por sinal a zona mais degradada, e a partir das cerca das 9 horas com pás, carrinhos de mão ou mesmo só com as mãos ensaiaram o tapamento dos buracos com areia e pedras retiradas da berma da via. As consequências imediatas desta paralisação foram prejuízos para centenas ou milhares de pessoas. Vejamos o que escreve o “Notícias”: Enquanto isso, centenas de cidadãos que pretendiam entrar no centro d cidade ou sair para a zona da praia aguardavam nas paragens ou viam-se obrigados a caminhar, o que gerou constrangimentos de vária ordem. Por tantas vezes se repetiram, este género de paralisações correm o risco de se banalizarem. É preciso saber evitar que isso venha a acontecer. Em nome do Soberano.
domingo, fevereiro 09, 2014
É a crise que nos fará avançar
Quase todos os dias recebo, por correio electrónico, um variado número de textos. De diferentes origens. Enviados, normalmente, por pessoas amigas. Uns podem ser considerados excelentes. Outros, nem tanto. Outros não passam daquilo que, normalmente, classificamos como “lixo”. E o lixo, como todos sabemos e mandam as regras, é para ser deitado na lixeira. Dos textos que recebi nos últimos dias e que considero poder integrar-se na primeira das referidas categorias, existe um que entendo merecer ser transcrito. É pequeno, é curto e, na minha opinião, não é “chato”. Não sei, ignoro por completo há quantos anos foi escrito. Tem por título A crise segundo Einstein. Façam o favor de ler o que se lhe segue (sem a pontuação do original) Não pretendemos que as coisas mudem se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor bênção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar “superado”. Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais os problemas do que as soluções. A verdadeira crise é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar em crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la.
Espero que tenham lido calma e atentamente e que tenham gostado. E que cada um dos leitores, sejam muitos ou sejam poucos, tenha tirado as suas ilações e as suas conclusões. Cá por mim, não posso deixar de dizer que gostei, francamente, da afirmação de que A verdadeira crise é a crise da incompetência. Penso, assim, que, afinal, a incompetência é já bem anterior a nós. Há nossa existência terrena. Mas que tem passado de geração em geração. E que para nosso mal ou para nosso bem, parece querer perpetuar-se. Quer dizer, a incompetência não está em vias de extinção. Pode até ser hereditária. Em alguns casos, parece ser. Esta é apenas uma conclusão possível. Haverá, certamente, outras. Uma delas é a de haver necessidade de provocar a crise. Afinal, é a crise que nos fará avançar.
domingo, fevereiro 02, 2014
Querer e saber fazer também é virtudes
Temos de convir, temos de concordar que não é todos os dias que ouvimos um ministro criticar o trabalho de um funcionário do seu ministério, de um seu subordinado. Em público. Aconteceu em Tete. Há poucos dias. O “Notícias” da passada quinta-feira (página 4), referindo-se à área dos transportes e comunicações, titulava que Gabriel Muthisse reprova relato de prestação de contas. Logo a seguir escrevia que O Ministro dos Transportes e Comunicações de Moçambique, Gabriel Muthisse, reprovou o relatório apresentado pela direcção provincial do sector que dirige, em Tete, considerando que o informe não reflecte a actual realidade de desenvolvimento acelerado que se regista naquela parcela do país nos últimos anos, com a reactivação da indústria extractiva de minerais, com maior destaque para o carvão. Segundo o matutino de Maputo O titular da pasta dos Transportes e Comunicações afirmou que o relatório apresentado por ocasião da sua visita de trabalho a Tete, a qual decorre desde o passado dia 14 do mês em curso, não espelha a real situação da província em termos de funcionamento da área dos transportes rodoviários por parte dos operadores públicos, privados e associados. Segundo o ministro O relatório foi elaborado nos paradigmas dos finais da década de 20, é por isso que o seu estilo não permite uma reflexão da actual realidade da província. Ainda segundo o “Notícias”, Aquele dirigente apontou, por exemplo, que o relatório da direcção provincial dos Transportes e Comunicações não aponta, com exactidão quantos operadores nacionais estão envolvidos nos serviços de transporte rodoviário de carga pesada como o carvão e de outro tipo de mercadorias, encomendas postais, entre outras pequenas cargas de impacto socioeconómico dos transportadores. Ao que se pode ler, o relatório terá dito pouco mais do que nada. Ou seja, coisa nenhuma. Daí, o Ministro ter afirmado que Queremos um relatório actualizado, com todos os detalhe para, em pleno século 21, qualquer pessoa que tenha acesso a ele possa entender, sem grandes esforços, o nível de desenvolvimento da área dos transportes rodoviários na região.
Sem margem para dúvidas, a crítica, apontar onde está o erro e quem o cometeu, constitui um exercício pedagógico. Apesar de praticado poucas vezes e por poucos. Mas, sempre vale mais poucos do que nenhuns. O que não invalida o facto de ser salutar. Para todos. Para quem critica e para quem é criticado. Porque pode corrigir atitudes e acções erradas. Comportamentos errados. E, como todos sabemos há muito de errado a corrigir. Assim o saibamos e queiramos fazer. Até porque querer e saber fazer também são virtudes.
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