domingo, junho 08, 2014

Não pode ser aceite

Os números são deveras impressionantes. E não tivessem sido divulgados publicamente por uma entidade credível, poderia duvidar-se da sua veracidade. Na primeira página da sua edição do passado dia 4, o jornal “Notícias” titula: Duzentas empresas sancionadas no país. E começa por informar que Duzentas e trinta e seis empresas foram sancionadas durante o mês passado pela Inspecção-Geral do Trabalho por diversas irregularidades, incluindo maus-tratos aos trabalhadores e emprego ilegal de mão-de-obra estrangeira. Mais nos informa a notícia que As acções de fiscalização, segundo dados do Gabinete de Imprensa do Ministério do Trabalho, abrangeram 26.366 trabalhadores, entre os quais 5637 do sexo feminino e 448 de diversas nacionalidades. Dos estrangeiros alvo da acção inspectiva, 31 foram imediatamente suspensos das suas actividades, por se encontrarem ilegalmente no país. No total foram registadas 889 infracções laborais de diversos tipos, incluindo maus-tratos a trabalhadores. [...] Relativamente a cidadãos estrangeiros surpreendidos pela IGT nas empresas, a província de Nampula foi a que maior número registou com 13, seguindo-se Sofala cm 6, incluindo 36 infracções. Ainda segundo o que foi divulgado, Na perspectiva do Ministério do Trabalho, o estrangeiro não deve ser visto como aquele que vem tirar o emprego, mas sim como uma mais-valia do ponto de vista do saber fazer e do conhecimento. Com relativa frequência são divulgados dados e números semelhantes. Custa a acreditar que tais irregularidades sejam motivadas por desconhecimento da legislação. Que sejam motivadas apenas por falta de conhecimento da legislação. Os dados agora divulgados não nos permitem saber se tais violações foram praticadas por empresas nacionais ou estrangeiras. E em que percentagem. E este parece ser um dado importante para melhor se poder avaliar onde estamos e para onde vamos. Ou para onde queremos ir. Salvo melhor opinião, a avaliação dos dados tornados públicos parece apontar para sanções demasiado benevolentes. Face, em certos casos, à gravidade das infracções cometidas. Como é o caso de maus-tratos a trabalhadores. Que em caso algum pode ser aceite, que não pode ser aceite.

domingo, junho 01, 2014

Colocar o comboio a circular nos carris

Desde há muitos anos que o Conselho Municipal da Cidade de Maputo (CMCM) trava uma guerra inglória. E injustificada. Contra os vendedores a que chama de informais. Mas a quem cobra, diariamente, cobra taxa de ocupação do espaço. Trata-se, ao que a realidade mostra, de uma luta populista. Trata-se da procura de querer resolver um problema, que não é administrativo, administrativamente. Vejamos os factos. Na sua edição do passado dia 28 (página 3), o “Notícias” titula Praça da Juventude “tomada” por informais. E, logo a seguir escreve que Vendedores informais e provedores de vários serviços tomaram de assalto uma local cuja descaracterização cresce diariamente. E, logo a seguir diz que Trata-se de um lugar consagrado à juventude mas que, paulatinamente, vai “envelhecendo”, por dezenas de operadores clandestinos que dia-a-dia ali se juntam para vender um pouco de tudo. Vendem comida, areia, pedra de construção, combustível, lubrificantes, entre outros bens. E mais: Ainda na Praça da Juventude podem ser vistas mulheres a confeccionar refeições, jovens a fazer chapas de matrículas para viaturas, aluguer de camiões, mecânicos e electricistas prontos para reparar todo o tipo de viaturas. Segundo o matutino A ocupação de lugares para a prática de actividades que atentam contra a postura camarária e, muitas vezes, justificada pela falta de emprego. Utentes da Praça da Juventude não fogem à regra e apoiam-se nessa ideia. Conscientes do atropelo, dizem que viram no espaço uma oportunidade para desenvolver as suas actividades. Na lógica dos vendedores, o problema não é tão simples e tem outras vertentes. Defendem eles que Apesar de estarem a trabalhar num local considerado impróprio, os informais dizem que diariamente pagam uma taxa ao município referente à sua permanência naquele local, por isso não retiram do local sem nada em troca. Um vendedor no local considera que o facto de o município “legitimar a sua presença que se manifesta através da cobrança de uma taxa diária já por si sinal inequívoco da sua responsabilização no sentido de criar condições para acomodar os que na Praça trabalham colocando-os num outro lugar conveniente para a sua actividade. Como se pode verificar, há neste problema profundas contradições. De outra forma, não devia o CMCM estar a cobrar taxas diárias de ocupação de um espaço público. É que por razão que deseje ter, perdeu-a completamente. Neste caso, como certamente em muitos outros, quem tem razão e legitimidade para reclamar, é o munícipe, o cidadão. Com um pouco mais de seriedade e de honestidade, ainda é possível colocar o comboio a circular nos carris.

domingo, maio 25, 2014

Nem sempre o que parece é

Há coisas pequenas, pequeninas que, a alguns parecem grandes. Enormes. É o caso do que se passa nos EMTPM. Que quando recupera umas poucas dezenas de viaturas da sua enorme frota parecem cantar vitória. Que quando vence uma batalha uma batalha parecem convencidos de terem ganho a guerra. Vejamos o que escreve o “Notícias” do passado dia 22 (página 3). Sob o título EMTPM recupera autocarros, o matutino de Maputo escreve que Quarenta e cinco autocarros dos inúmeros dos inúmeros já paralisados na Empresa Municipal de Transportes Públicos (EMTPM) estão a ser recondicionados para, ainda este ano, reforçarem a frota daquela companhia. Logo a seguir diz que A recuperação enquadra-se no plano de manutenção e reabilitação desenhado pela Direcção da firma com o objectivo de garantir a circulação normal de viaturas e a recuperação daqueles carros tidos como descontinuados. Segundo a PCA da empresa, durante o ano passado foi possível recuperar 20 autocarros com idade avançada mas com potencialidade para circular, que durante muito tempo eram dados por descontinuados e consequentemente paralisados. Ainda de acordo com a referida PCA, A recuperação dos 45 machimbombos é uma mais-valia para a sua instituição uma vez que vão reforçar a frota. Com um universo de 353 autocarros, a transportadora coloca às primeiras horas de cada dia na estrada mas de 130 viaturas, algumas invariavelmente recolhidas a meio da manhã por várias razões. Convenhamos que a diferença entre o número de autocarros existentes e o dos operacionais, é deveras abismal. Deve até, provavelmente, constituir recorde mundial. Pela negativa. O que bem pode significar falta de capacidade de gestão da empresa. Por outro lado, parece bem mais importante do que recuperar autocarros avariados seria assegurar uma eficiente manutenção. Para tanto seria preciso dispor dos necessários sobressalentes. O que parece não acontecer. No mínimo, estamos em presença de um mau negócio. Ou de um negócio mal feito. O que podendo parecer a mesma coisa, não é. De verdade, nem sempre o que parece é.

domingo, maio 18, 2014

Cumprir a lei

Desde a morte de um seu colega, há poucos dias, barbaramente assassinado a tiro, na via pública, os magistrados ficaram mais preocupados com a sua segurança pessoal. Uma questão que não é nova. Mas que nunca teve solução. Apesar de colocada a quem de direito – o Governo. E de estar consagrada na lei. Sob o título Magistrados pedem segurança, o jornal “Notícias”, edição do passado dia 15 (página 5), escreve que Magistrados judiciais e do Ministério Público reúnem-se hoje para discutir questões relacionadas com a sua segurança no exercício das suas funções. A local acrescenta que A reunião, com carácter de emergência, foi convocada pela Associação Moçambicana de Juízes e surge uma semana depois do assassinato bárbaro do juiz Dinis Francisco Sílica, por razões ainda desconhecidas. Diz a notícia que O entendimento dos Magistrados é que o seu colega foi assassinado por falta de segurança, e para evitar que casos do género se repitam, pretendem elaborar um documento a ser submetido ao Governo, solicitando protecção policial. Na opinião da Presidente da Associação Moçambicana dos Juízes, Face à actividade que desempenham e a responsabilidade que carregam a referida Presidente considera imperioso prover alguma segurança aos juízes. Por seu turno, a Presidente da Associação Moçambicana dos Magistrados do Ministério Público disse que os procuradores estão solidários com os juízes tanto é que os problemas são os mesmos, daí que decidiram participar no encontro de hoje. Esclareceu que Não pretendemos competir com ninguém, nem queremos reclamar algo abstracto. Apenas queremos reivindicar o que a lei nos confere. Temos direitos consagrados na lei que não estamos a beneficiar deles. Sempre que reclamamos pela implementação do estabelecido na lei, de nos beneficiarmos de segurança, recebemos a resposta de que não há orçamento capaz de cobrir esta reclamação. Muito recentemente a Assembleia da República aprovou uma série de regalias para os deputados que não correm perigo de vida nenhum, comparativamente aos juízes e procuradores. Como disse, não queremos nos comparar com ninguém, mas é preciso definir prioridades e proteger os que mais riscos correm no desempenho das suas actividades”. Temos de aceitar que se trata de uma reclamação inteiramente justa. E correcta. A questão que se pode colocar é se é viável. Exequível. Caso não, a culpa não pode ser dos reclamantes. Eles apenas estão a pedir que seja aplicada a lei. Que o Governo não está a respeitar. Um caso estranho, e, certamente sem paralelo. Apenas dizer, a concluir, que cada um deve cumprir com as suas responsabilidades. E cumprir a le

domingo, maio 11, 2014

Há quem ande a navegar por águas turvas

Casos como o presente não são novos. Para nosso mal, para mal de todos nós, pagadores de impostos. Repetem-se. Com demasiada frequência. Com uma frequência assustadora. Um pouco por todo o país. Vejamos. Referindo-se à construção da Hidroeléctrica de Tandara, o “Notícia” (edição do passado dia 7, página 4), titula: Nem água vem nem água vai. E escreve que As obras de construção da micro - barragem da hidroeléctrica de Tandara, no distrito de Sussundenga, em Manica, continuam paralisadas, com sinais de jamais virem a ser retomadas. Receia-se que os fundos injectados, 2.23 milhões de euros, tenham sumido, inviabilizando o prosseguimento do projecto. O articulista acrescenta que As autoridades responsáveis iniciaram há cerca de quatro anos a trocar acusações sobre o falhanço do projecto, sendo que os governos distrital do posto administrativo e a Direcção Provincial dos Recursos Minerais e Energia, acusam o Fundo Nacional de Energia (FUNAE) da situação. Segundo o matutino, O chefe do Posto Administrativo, Lucas Taunde, voltou à carga e diz estar espantado pelo que está a acontecer, pois ninguém explica ao certo o que é que imperou (sic) o projecto. “Não sabemos o que está a acontecer. Dizia-se que o problema estava com o fabricante dos tubos, mas até agora nem água vem nem água vai” – disse Taunde. Ficamos também a saber que As obras de construção da nova barragem hidroeléctrica, conhecida por míni – hídrica, que está em construção numa nascente localizada na região montanhosa de Tandara, arrancaram em Agosto de 2010, com financiamento do Estado, através do FUNAE que, para o efeito, desembolsou pouco mais de 2.23 milhões de euros. Para quem interessar saber, O empreendimento, o segundo do género a ser erguido na província de Manica depois de Honde, no distrito de Báruè está a cargo da Brono Lopes Moçambique (BLM), uma empresa portuguesa de construção civil que, para o efeito subcontratou a TAVEL. Os referidos em peiteiros nunca mais lograram concluir o projecto. Ficamos também a saber, que no meio de tanta água que, afinal não vem nem vai, (...) No global, segundo Lucas Taunde, o trabalho foi realizado em 70 por cento, mas ficou paralisado dês Abril de 2011 alegadamente devido à falta de desembolso de fundos do empreiteiro BLM para a empresa subcontratada TAVEL. Casos de desvio de fundos de obras públicas parecem ter vindo para ficar. Por estranho que isso pareça. Perante uma visível passividade em casos semelhante, ocorre perguntar a quem aproveita tal situação. E se o Estado, como pessoa de bem e como dono do dinheiro que deveria ser utilizado em obras de interesse público, se sente bem, se sente confortável com a situação e com o papel que está a desempenhar. Ou não está. Perante tanta impunidade, ocorre perguntar se não haverá matéria para a actuação da Inspecção do Estado. Ou do Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC). Até pode ser que sim. Do que parece não restarem dúvidas é que há quem ande a navegar por águas tu

domingo, maio 04, 2014

Colocar o dedo na ferida dói

Não com muita frequência, não com a frequência que desejaríamos, ainda nos vão chegando notícias boas. Que nos animam. Que nos dão satisfação. É o caso da que se refere à reparação da Avenida Nyerere, no troço que vai da Praça do Destacamento Feminino até ao Nó do Palmar, que está completamente esburacado. Que se encontra aberto há bastante tempo mas ainda não inaugurado. Vejamos o que nos informa o jornal “Notícias” (edição do dia 26 de Abril findo, página 3). Sob o título Empreiteiro obrigado a repor “Julius Nyerere”, escreve que O troço da avenida Julius Nyerere entre a Praça do Destacamento Feminino e o Nó do Palmar, já reaberto ao Trânsito, será novamente reconstruído, por apresentar péssima qualidade. Acrescenta o matutino que A correcção daquela rodovia, quer liga o centro da cidade, e os bairros a norte de Maputo, inicia a 10 de Maio próximo e consistirá da remoção do as falto e da base da estrada que tinham sido colocados às quais se seguirão a sua reconstrução. Ficamos também a saber que A degradação do troço aberto em Maio de 2013 acontece numa altura em que decorrem ainda as obras de reabilitação da restante parte da avenida Julius Nyerere, prevista no acordo entre o município e a Britalar Ar-Lindo, concretamente entre o Nó do Palmar e a Praça dos Combatentes. Segundo o vereador de Infra-estruturas no Município de Maputo, (...) o empreiteiro Britalar Ar-Lindo foi orientado a reconstruir aquele troço com fundos e meios próprios, obedecendo a qualidade prevista no contrato. Parece oportuno recordar que as obras de reabilitação da referida artéria foram iniciadas em 2011 e deveriam ter sido concluídas em 2012, mas devido à ocorrência de vários factores acabaram sendo prolongadas até Outubro próximo, depois de sucessivos adiamentos. São numerosas, sucedem-se as notícias sobre obras do Estado realizadas sem um mínimo de qualidade. Ou cujos empreiteiros contratados depois de receberem o dinheiro o dinheiro do trabalho contratado “fogem” com os bolsos cheiros para não mais serem vistos. E sem que nada lhes aconteça. No caso concreto da referida artéria de Maputo, seria importante saber se a referida empresa tem capacidade técnica e financeira para realizar os trabalhos para que foi contratada. E quem fez essa avaliação e em que momento do processo. É bem possível que não tenha. E que tenha sido um negócio pouco transparente. Vale a pena aprofundar a questão e levar a investigação até às últimas consequências. Para ficarmos a saber para que servem os concursos públicos e a quem servem. Ou quem se serve deles nos moldes em que são feitos. Mas, cuidado. Como todos sabemos, colocar o dedo na ferida dói.

domingo, abril 27, 2014

Trata-se de bom senso

De quando em quando, o Acordo Ortográfico é tema de notícia. Pelas mais diversas e diferentes razões. Moçambique e Angola ainda não rectificaram o documento. Ao que se sabe, não se sentem confortáveis com o seu conteúdo. Referindo-se ao caso destes dois países, o “Notícias” do passado dia 21 (página 39) titula Acordo Ortográfico com especificidades. E logo a seguir escreve que Os Ministros da Educação de Moçambique e de Angola defenderam que o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa incorpore as “especificidades” linguísticas de cada um dos Estados-membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). Segundo o matutino Esta posição foi apresentada no final do encontro dos Ministros da Educação da CPLP e, na ocasião, o titular da pasta no país, Augusto Jone, afirmou que o acordo que ainda não foi ratificado por Moçambique e Angola, deve contemplar as particularidades linguísticas de cada um dos país da comunidade. Ainda segundo o ministro moçambicano, ”Encontramos palavras que só têm sentido para os falantes de um determinado país” e temos um vocabulário de cada país, além daquele que nos é comum. Acrescenta o matutino que “Penso que as reflexões que fizemos englobaram as preocupações de todos os países que falam a Língua Portuguesa, em termos do enriquecimento desta língua e das nacionais que são faladas em cada um dos países”, disse o ministro da Educação angolano, Pinda Simão, salientando que Angola não está contra o Acordo Ortográfico. [...] Moçambique e Angola são os únicos países, de entre os oito da CPLP, que ainda não ratificaram o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Comecemos por recordar que o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa é algo controverso, de inspiração do Brasil, o Acordo parece pouco ter a ver com os interesses de alguns dos países falantes de português. Casos de Moçambique e de Angola. Como está, como foi elaborado, os fins que pretende atingir, parece obedecer a objectivos e a lógicas colonialistas. A pouco tempo de uma possível e provável ratificação, pelo Parlamento moçambicano, a situação aconselha calma e ponderação. Por exemplo, seria importante saber-se quando custa a sua aplicação efectiva e quantos anos de prevê necessários para a conclusão do processo. Naturalmente nunca menos de dez. De qualquer forma, parece bom para todos que não nos venham a obrigar a falar brasileiro. Não faz sentido. Como muitos já se terão apercebido. O português do Brasil, é brasileiro. Uma língua híbrida. O português é português. Gostem ou não gostem os brasileiros. No fundo ou no final da questão, podemos dizer que trata-se de bom senso.

domingo, abril 20, 2014

Para que todos fiquemos a ganhar

Neste nosso país, sucedem situações que parecem cenas de um filme surrealista. E que se não tivessem honra de notícia impressa seriam difíceis de acreditar. Nas, acontecem e em Moçambique. Referindo-se a caso recente registado no distrito de Magude, o “Notícias” (edição da passada quarta-feira, página 5) titula que Agentes da FIR comandam assaltos. E, escreve que Dois agentes da Força de Intervenção Rápida (FIR) estão detidos indiciados de liderar uma quadrilha de assaltantes à mão armada que realizava incursões em diferentes pontos do distrito de Magude, na província de Maputo. Acrescenta o matutino que Com os dois agentes da FIR foram apreendidas duas pistolas. Segundo apurámos, os agentes em causa saíam do quartel da FIR na cidade de Maputo, para se juntar a outros três comparsas, no caso um ex-agente da Polícia de Protecção que desertou em 2011; um antigo motorista de “chapa” que se encarregava de conduzir a viatura usada nos assaltos e um quinto indivíduo residente na região, habitualmente encarregue de fazer reconhecimento e identificar as potenciais vítimas da acção do grupo. Somos também informados que Nos últimos assaltos havidos na semana passada, o grupo escalou duas residências, uma das quais pertencentes a um curandeiro na zona de Mapulanguene, onde a quadrilha roubou 110 mil meticais. Sem necessidade de fazer mais transcrições para a compreensão do caso, importa colocar algumas questões. A primeira relaciona-se com o saber-se como é feito o recrutamento das pessoas para ingressarem na PRM, no geral. Quais os critérios. Uma vez que a sua formação custa dinheiro ao Estado. Dinheiro dos nossos impostos. E que acaba por ser dinheiro gasto sem qualquer benefício. Quer dizer, pagamos para formar pessoas que nos possam defender e são essas pessoas que com fardas e armas pagas pelo Estado nos assaltam e nos roubam. Ficamos sem saber quem protege, quem defende o cidadão e a sua propriedade, os seus bens. Questão não menos importante é que parece demasiado fácil sair do quartel ou da esquadra com farda e arma. Perante esta realidade que, certamente, a ninguém interessa nem tranquiliza parece que deve ser colocada, mais uma vez, a questão da necessidade de purificação das fileiras das diferentes polícias. Queremos poder acreditar que assim irá acontecer. Para que todos fiquemos a ganhar

domingo, abril 13, 2014

Surpreendidos se não amedrontados

É deveras impressionante o número de notícias que nos chegam, que são divulgadas, sobre casos de roubos. Todas as semanas. Em mais de um dia em cada semana. Tanto a nível do aparelho do Estado como de empresas públicas. As últimas foram divulgadas pelo jornal “Notícias da passada quarta – feira (página 5). Sob o título “Funcionários da EDM deviam 526 mil meticais”, o matutino escreve que Dois funcionários seniores da Electricidade de Moçambique (EDM, Área Operacional de Nampula, são acusados de estarem envolvidos no saque de 526 mil meticais da empresa, usando artimanhas fraudulentas. Acrescenta a notícia que O Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) diz que o acto configura o crime de participação económica ilícita. Segundo a notícia Trata-se do director da Área Operacional de Nampula e do chefe do Departamento Financeiro, cujas identidades não foram reveladas. Os indiciados terão criado uma empresa com um terceiro indivíduo alheio à instituição com a única intenção de favorecê-la nos concursos públicos de prestação de serviços à EDM. Trata-se, ao que a realidade nos mostra, de um processo pouco original. Mas que ainda tem os seus adeptos e os seus seguidores. Resta saber até quando. A mesma notícia fala de um outro caso. Este sim, inédito e original. Sob o entretítulo Agentes de trânsito extorquem na Manhiça, a local diz que O porta-voz do GCCC sublinhou que no distrito da Manhiça, província de Maputo, dois agentes da Polícia de Trânsito afectos no Comando da Cidade de Maputo foram apanhados em flagrante delito a extorquir dinheiro a automobilistas naquele ponto do país. Sem nenhuma autorização, os dois agentes em causa viajaram da capital do país até ao distrito da Manhiça, a cerca de 70 quilómetros da cidade, onde montaram um posto de controlo ilegal, para mandar parar viaturas e extorquir os seus condutores usando as mais complexas artimanhas. Ainda sobre este caso, somos também informados que Os agentes foram surpreendidos por um magistrado do Ministério Público daquele distrito que se apercebeu daquela actividade ilegal. Convenhamos que se trata de um processo original. Seria interessante sabermos também se os agentes policiais se fizeram à estrada para percorrerem os 70 quilómetros utilizando viatura pessoal ou da própria corporação. Talvez a segunda hipótese constitua agravante para a infracção cometida. Para o comum dos automobilistas, não deixa de ser incómodo ser mandado parar, sem motivo aparente. Pior ainda quando os agentes de trânsito são acompanhados pelos chamados “cinzentinhos”. Fortemente armados e nos tratam como criminosos. Os exemplos de actuação irregular destes “cinzentinhos” são muitos. Vão desde a situação no posto do Zimpeto até ao que se passa nas avenidas Mao Tsé tung, Nyerere ou 25 de Setembro. Em muitos dias da semana. Passem por lá e confirmem. Seria interessante ficarmos a saber se esses agentes agem por ordem superior ou por iniciativa pessoal. É natural que fiquem surpreendidos se não amedrontados.

domingo, abril 06, 2014

Precisamos que tragam soluções em vez de problemas.

Há acontecimentos que não deviam ser notícia. Que não deviam merecer espaço em órgãos de informação. Isto pelo simples facto de constituírem rotinas. Banalidades. Coisas normais em qualquer parte do mundo. Em qualquer cidade que se preze de garantir serviços mínimos aos munícipes. O que nem sempre acontece entre nós. Vejamos um primeiro exemplo. Na sua edição do passado dia 2 (página 3), o “Notícias titula: Município desentope colectores. E escreve que Colectores de águas residuais e pluviais das zonas de cimento da cidade de Maputo estão a ser desentupidos. A obstrução e danificação do sistema, que desde ontem está a ser reposto, foram causadas durante a instalação de novas infra-estruturas de abastecimento de água, electricidade, telefones e internet. E logo a seguir: Durante as escavações visando instalar condutas e cabos destes serviços, muita areia acabou obstruindo o sistema de drenagem e danificando os colectores. Quer isto dizer que uns estragam e outros reparam. É caso para dizer, até onde chega a impunidade. Mas, e sem sair do tema, pode perguntar-se qual o motivo que impede que também as sarjetas sejam desentupidas? Seria, também e igualmente, um bom serviço prestado ao cidadão. Um segundo caso, que parece não justificar notícia, encontramos na página 5 do mesmo dia, do referido jornal. Abordando a questão do escoamento do tráfego automóvel, titula que Maputo e Matola buscam alternativas. Através da local, ficamos a saber que Técnicos do Departamento Nacional de Trânsito, Administração Nacional de Estradas, Instituto Nacional de Transportes Terrestres e das direcções dos transportes de Maputo e Matola estão a trabalhar na identificação de vias alternativas para o escoamento do tráfego nos dois municípios. E mais: Sobre esta nova iniciativa, o comandante nacional da Polícia de Trânsito, Francisco Chabane, disse que a mesma não vai interferir nos demais projectos desenhados para médio e longo prazo com o objectivo de aliviar o trânsito urbano. Segundo ele, a ideia é resolver um problema de momento e que se vai afigurando insustentável. Segundo a mesma fonte de informação, “A medida em estudo passa pelo alargamento do trânsito condicionado entre Maputo e Matola para as horas de ponta, introduzindo uma terceira faixa em zonas que neste momento não estão abrangidas mas que denotam engarrafamento. A circulação condicionada passará a ser de manhã e à tarde, tudo com vista a acelerar a fluidez na circulação. Também estamos a equacionar faixas exclusivas para os transportes públicos de passageiros, neste caso “chapas” e autocarros. O que se pretende de imediato é encontrar estratégias para aliviar a crónica situação de congestionamento”, explicou Chavane em entrevista concedida ao |”Notícias”. Naturalmente, na perspectiva do trabalhador, todas as medidas serão boas e úteis. Desde que passe a chegar a casa mais cedo e a sair mais tarde. Sem dúvida, precisamos que tragam soluções em vez de problemas.