domingo, abril 14, 2013

Prometer é fácil cumprir é bem mais difícil

Finalmente, soube-se alguma coisa. Apesar de ainda ser pouca. Isto em relação ao roubo no Ministério da Educação. Na sua edição do passado dia 10, o “Notícias” (página 5), titula que “GCCC adia revelação do valor total da fraude”. E, logo a seguir escreve que O Gabinete Central de Combate à Corrupção diz ser prematuro revelar o valor total da fraude em investigação no Ministério da Educação, uma vez que a cada passo da investigação às contas do sector têm sido reportados novos elementos do desfalque. Depois de mais alguns considerandos, a local acrescenta que Para além do montante envolvido na fraude, a instituição de investigação ligada à Procuradoria-Geral da República aponta que não pode avançar igualmente os nomes de todos os indiciados na fraude, confirmando apenas tratar-se de pessoal ligado ao Ministério da Educação e à Contabilidade Pública do Ministério das Finanças. De notar, aqui, ser curioso o facto de surgirem tantas referências a funcionários do Ministério das Finanças sempre que se fala sobre fraudes e roubos. Trata-se, no mínimo, de um fenómeno estranho. A menos que, por hipótese, tenham constituído, tenham criado, alguma associação para delinquir. Com outros iguais de outros sectores de governação. De outros ministérios. Talvez convictos de serem impunes à Justiça. O que se espera que não. Mas, voltando à questão do roubo no Ministério da Educação, apesar de a investigação ainda estar em segredo de justiça ficámos também a saber que A cada dia das investigações são novos dados anexados ao processo, daí que não é ainda possível avançar, com exactidão, o montante envolvido na fraude e os seus autores. Com base nesta retórica, a avaliar por esta falácia, pode muito bem estarmos a caminhar para mais um crime sem castigo. Vejamos o que escreve, mais adiante, o referido matutino: Enquanto o GCCC e a Inspecção-Geral das Finanças trabalham com o intuito de apurar o valor global da fraude, a Inspecção do Ministério conseguiu apurar que pelo menos em 2012 foram desviados cinco milhões de meticais. Curioso, não deixa de ser o facto de, sabendo-se ter sido roubado tão elevados montantes dos cofres do Estado não estar ninguém preso. Aparentemente, neste país, já não se prendem os ladrões. Os grandes ladrões. Prendem-se o esfomeado que roubou um pão, uma galinha, um pato. Como meio de sobreviver. Para estes, temos cadeias. Para os outros, não. De facto, as cadeias que temos devem ser muito más para os ricos. E, pensam eles, nunca lá irão dormir. Talvez até um dia. A História tende a não ser, eternamente a história contada pelos vencedores. Também poderá vir a ser contada pelos vencidos. Um dia. Enquanto isto, enquanto sobre esta situação já temos informação mínima, continuamos sem saber nada sobre outras. Sobre outras duas. Que estavam e, ao que parece, estão a ser investigadas, a ser investigadas ao mais alto nível. Uma, por parte do Ministério das Finanças. Relativa à venda de viaturas. Por processos menos claros e transparentes. Por parte ou com a conivência de seus altos funcionários. De funcionários do Ministério das Finanças. Mais uma vez. Os mesmos ou diferentes. A outra, sobre o funcionamento e gestão dos órgãos de Informação pública. No caso concreto, TVM, RM, AIM. Queremos saber se a inspecções, se as auditorias, detectaram ou não detectaram irregularidades. Trata-se de um direito nosso. Como cidadãos. E, de uma obrigação dos ministros que ainda nos governam. Até ver. Isto para concluir que não se deve prometer aquilo que não se quer ou não pode realizar. Tenhamos sempre presente que prometer é fácil cumprir é bem mais difícil.

domingo, abril 07, 2013

Correr não é chegar

Passa já algum tempo que vieram a público vários casos de má gestão, de corrupção ou de roubos em instituições do Estado. Um desses casos, talvez o primeiro dos três últimos, foi investigado e divulgado por este semanário. Tratou-se do caso da venda de carros do ou no Ministério das Finanças. Depois, tivemos a visita do primeiro-ministro a vários órgãos de Informação. Entre os quais os do Estado. Ou do sector público. Como lhes queiram chamar. Abreviadamente, TVM, RM e AIM. Onde o referido governante terá sido confrontado com várias queixas dos trabalhadores. Daí o ter ordenado a investigação a métodos e processos de gestão dos respectivos gestores. Por fim, até ao momento, foi divulgado o roubo de elevado montante em dinheiro de salários no Ministério da Educação. Algumas destas investigações, destas auditorias, ou lá o que lhe queiram chamar, tinham prazos. De início e de fim. Definidos por quem tinha poderes para o fazer. Só que, até ao momento, publicamente, sabe-se nada sobre o que foi investigado. Menos ainda sobre os resultados das investigações. O que, em si próprio parece e é mau. Péssimo. Para a imagem do Estado. E dos seus representantes. Esta questão que parece simples e banal, entre nós, de ordenar auditorias e sindicâncias, por tudo e por nada, não o é tanto assim. Ou não deveria ser. Por poder transformar-se em banalidade. É, pelo contrário, assunto demasiado sério. Temos dificuldade, temos relutância, como cidadãos, em admitir e em aceitar que os resultados das investigações não sejam tornados públicos em tempo útil. Investigações mandadas realizar por dirigentes do Estado. Ao mais alto nível. Digamos que este silêncio, este secretismo, por si só, dá uma má imagem do Estado. E dos seus dirigentes. E, que em nada abona a favor da transparência e da boa governação. Que hoje não passam de slogans. Ou de capa e de cobertura para que cada um e cada qual se permitam pensar que pode gerir os negócios públicos pelo mesmo método que aplica na sua machamba. Não. Não pode. Gerir os dinheiros públicos, governar com os dinheiros dos impostos dos cidadãos é coisa outra e diferente. Muito diferente. Precisamos de aprender a falar menos e a trabalhar mais. Muito mais. Como todos sabemos, por ser da sabedoria popular, correr não é chegar.

domingo, março 31, 2013

Exigem uma resposta convincente

Nos últimos tempos, nos últimos tempos recentes, foram apreendidas na cidade e província de Maputo elevadas quantidades de droga. Uma, a primeira, no Porto de Maputo, A outra, a segunda, na lixeira de Mavoco, em Boanae. Referindo-se à droga apreendida no Porto de Maputo, o jornal “Notícias” titulava em primeira página (edição da passada quarta-feira), que “Confirmado o facto falta a quantidade”. Para além da ambiguidade do título, fica a certeza de que, afinal, o que foi apreendido era mesmo droga. A abrir a referida local, o matutino esclarecia que Deverão ser conhecidos próxima semana os resultados definitivos das investigações em curso sobre a droga contentorizada descoberta e apreendida no Porto de Maputo sexta-feira última. Fontes que trabalham no caso garantiram ao “Notícias” que as diligências até aqui efectuadas permitiram concluir que se trata, efectivamente, de droga, faltando, porém, saber determinar as quantidades e a sua tipicidade. Depois de outros considerandos, o matutino escreve ser de referir que desde o primeiro momento da descoberta da droga um certo clima de divergência de posições se sobrepõe à pertinência de divulgar ou não a ocorrência entre algumas entidades que intervêm nas diversas fases de manuseamento da carga a nível do recinto ferro-portuário. Acrescenta o “Notícias” que Este caso é anterior ao das cinco toneladas de haxixe encontradas na noite do último domingo aparentemente abandonadas próximo da lixeira de Mavoco, no distrito de Boane, província de Maputo. Pelo que se pode ler, isto é droga quanto baste para fartar e para alimentar barrigas e bolsos de muita gente. Daí, muito provavelmente, o aparente conflito de interesses entre o divulgar e o não divulgar. O que, num caso como este, em que estão em jogo muitos milhões de dólares norte-americanos pode não ser de decisão fácil. Mas, para além de todos os considerandos que podem e devem ser feitos, importa elogiar o trabalho das autoridades moçambicanas. Pela apreensão de tão elavas quantidades de droga. E, ao que tudo indica, de drogas pesadas. Neste, como em muitos outros casos do género, sobram sempre algumas dúvidas. Talvez incómodas. Talvez dúvidas metódicas. Mas que a procura da verdade exige repetir. Repetir sempre. Então, será que ninguém sabe donde vinha e a quem se destinava a droga apreendida no Porto de Maputo? Ninguém sabe quem expediu e quem deveria receber o contentor que transportou a droga. Parece não ser possível. Sabe-se, no mínimo, donde veio e para onde ia o contentor com droga. Alguém pagou para ele chegar a Maputo. As empresas marítimas não são instituições beneméritas. Não lucrativas. São empresas com fins lucrativos para prestarem os serviços que prestam. E, ao que se sabe, não são sociedades secretas. A menos que tenham virado associações mafiosas. Queremos acreditar que ainda não. Então, sem medo, investiguem. Estes casos de drogas descobertas em terras moçambicanas exigem outra a diferente resposta. Exigem uma resposta convincente.

domingo, março 24, 2013

Trata-se de uma questão de vontade

O Conselho de Ministros acaba de aprovar legislação relacionada com a gestão dos condomínios. Ainda não conhecemos o texto aprovado. Esperamos e desejamos que esteja, finalmente, adequado à realidade moçambicana. O que não acontecia com o anterior. Que não passava de uma cópia, com poucas ou nenhumas alterações da legislação então em vigor em Portugal. De legislação destinada a produzir efeitos numa outra realidade. E com poucas possibilidades de poder vir a ser aplicada com sucesso em Moçambique. Com um mínimo de sucesso. De êxito. O que foi tentado mostrar ao Ministro das Obras Públicas e Habitação (MOPH) da época. Esforço inútil. Resistiu, teimosamente, aceitar todas e quaisquer sugestões que lhe foram feitas. As muitas sugestões que lhe foram feitas. Em várias reuniões com membros das comissões de moradores da época. Como a realidade viria a provar, foi tempo gasto inutilmente. Triunfou a “política da avestruz”, a burrice, a incompetência. Também a desfaçatez por parte de quem se pensava “senhor do mundo”. Por estes e talvez por outros motivos, muitos dos membros das comissões de moradores deixaram de lutar por uma causa que consideravam justa. Outros, infelizmente, já não estão entre nós. É que, nessa legislação de então, a figura das comissões de moradores acabou por ter espaço como um penduricalho. Sem atribuições, sem poderes, sem deveres. Como um favor feito à plebe pela burguesia, pelos senhores do mando. Pelos todos poderosos. Tudo passou a centrar-se na figura de um administrador. O único personagem com poderes legais. Para fazer e para desfazer. Mais desfazer do que fazer. Como o mostrou a prática. Desses, tempos de voluntariado, de confrontos de ideias em torno de como melhor gerir os condomínios, terá ficado pouco mais do que uma pessoa. De uma sobrevivente. Teimosa, no bom sentido do termo. Persistente, sempre. Na luta pela sua dama. Hoje, é caso para se poder afirmar que a luta de Carolina Menezes valeu a pena. Parece começar a dar resultados. Nós desistimos e você teve a força e a coragem para continuar. As flores vão para si, a glória é toda sua. Muitos anos depois dessas lutas, surgiu uma luz ao fundo do túnel. O actual Ministro das Obras Públicas e Habitação, na sequência da nova legislação aprovada pelo Conselho de Ministros, veio a público reconhecer a utilidade e a necessidade das comissões de moradores. Segundo o jornal “Notícias”, edição de 20 do corrente (primeira página), reportando declarações do titular da pasta, escreve que (...) Cadmiel Mutemba explicou que o novo Regulamento do Regime Jurídico do Condomínio vai melhorar os processos de gestão e conferir maior autoridade aos órgãos dos condomínios, nomeadamente as comissões de moradores. Mais terá dito o ministro moçambicano, a determinado passo, que (...) Aliás a questão da falta de um instrumento jurídico que obrigasse a comparticipação dos condóminos é uma matéria que vem sendo levantada há vários anos pela associação da comissão de Moradores de Maputo. Digamos que, finalmente, temos o reconhecimento público por parte do ministro da área pelos esforços desenvolvidos pelas comissões de moradores. Pelo seu trabalho em prol de uma melhor gestão dos condomínios. Talvez dizer que estes necessitam de um Órgão, de um Gabinete de apoio. Constituído por técnicos especializados em várias áreas. O tempo passado não se recupera. Mas o tempo passado pode não ser tempo perdido. Trata-se de uma questão de vontade.

domingo, março 17, 2013

Até lá

Aquando da liberalização da economia, a área dos transportes não podia ficar alheia às mudanças. Foi então que, na capital do país mas não só, surgiram os chamados “chapas”. Nesse então, na sua grande maioria eram viaturas de caixa aberta. Não possuíam um mínimo de condições para transportar pessoas. Não possuíam condições nem de conforto nem de segurança. Como certamente muitos de nós estão recordados. Tratava-se de viaturas de caixa aberta, sem cobertura. Eventualmente, poderiam ter cobertura de lona ou de outro material, bancos de madeira a todo o comprimento da caixa e uma escada metálica de acesso. Para subir e para descer. Com o avançar dos anos, este tipo de viaturas foi sendo ultrapassado e posto fora de uso. Substituído por viaturas de caixa fechada. Com condições de conforto universais e as desejadas de segurança rodoviária. Em todo este longo processo, os agora já extintos TPM ficaram parados no tempo. Recentemente, alguém teve a ideia peregrina de lhes ministrar algumas pastilhas de coramina. Com a finalidade de os tentar reanimar e trazer à vida. Mas, ao que se vê, tudo não terá passado de promessas. Feitas em actos, em cerimónias públicas, com muita poupa e circunstância. E com direito a transmissão em diferentes canais televisivos. Promessas de aquisição de centenas de autocarros, para os TPM e para privados. Com o objectivo de resolver o problema dos transportes para os citadinos de Maputo e da Matola. A ideia era, sem dúvida, boa. Ao que parece, o projecto terá falhado. No meio ou como resultado deste falhanço, os chamados “chapas” de caixa aberta voltaram a ganhar espaço. E, aí estão eles, de novo, como “donos e senhores” das nossas artérias, das nossas estradas. Transportando pessoas sem um mínimo de condições de conforto nem de segurança. Transportando pessoas como se as pessoas fossem animais. Gado bovino ou caprino. Perguntar-se-á o porquê de as pessoas, os citadinos, aceitarem o desconforto e os riscos destas condições de transporte. De casa para o serviço e do serviço para casa. A resposta é simples e mais do que elementar. Não possuem qualquer alternativa de deslocação. De premeio com este processo, sucede algo de estranho. Ou muito de estranho. Mesmo de incompreensível. É que não sabemos, desconhecemos, como é possível o Conselho Municipal da Cidade de Maputo (CMCM) permitir e tolerar a circulação de “chapas” de caixa aberta. Em elevado número. Sem licença de circulação, sem pagarem impostos e, certamente, sem possuírem seguro. Mais, sem fazerem a inspecção mecânica das suas viaturas. Requisitos mínimos para circular que são exigidos ao comum dos cidadãos. A realidade, é que na cidade de Maputo existem dois tipos de citadinos, de cidadãos. Os que estão condenados a pagar taxas e impostos logo que saiam à rua e os outros. Os que nada são obrigados a pagar, aqueles a quem nada é exigido. Ou seja, uns são “filhos e outros enteados”. Sendo mais claro e objectivo, o que os munícipes querem saber dos gestores municipais não é só o quando resolver a anarquia que reina nos transportes públicos. Uma anarquia, ao que tudo indica, premeditada, consentida. É bem mais. É muito mais. É, também, saber quando pensam ter condições para fazer uma eficiente recolha dos lixos domésticos. E, para mudarem a actual lixeira para outro local. Para criarem condições de funcionamento do novo cemitério. Para taparem os buracos, as crateras, de muitas das artérias da cidade capital. Para acabarem com os constantes cortes de energia. Ainda temos paciência para esperar mais algum tempo. Vamos esperar para ver. Até lá.

domingo, março 10, 2013

Não votar é um direito

Quem possa ter tido o privilégio de ver na internet as imagens sobre o que virá a ser a ponte Maputo - Catembe terá fica maravilhado. Aquilo é tudo beleza, tudo harmonia. Segundo as imagens, serão muitos quilómetros de alcatrão enquadrados em paradisíacos espaços verdes. Arborizados e arrelvados. Ou seja, o ideal a sobrepor-se ao real. Um trabalho perfeito “made in China”. A começar, em termos de imagens. De propaganda para nativo ver e embasbacar. Agora, a realidade, o real, parece apontar em sentido diverso. Parece apontar para um conflito de grandes proporções e de consequências imprevisíveis. Escrevendo sobre o que se está a passar no “Distrito Municipal de Katembe”, o “Notícias” titulava (página 2, edição de 5 do corrente) que Há barulha por causa da construção da ponte. E, logo a seguir, escrevia que Não há dúvida que o distrito municipal da Katembe está a ser foco das atenções dos vários residentes da cidade de Maputo e Matola, e também de investidores nacionais e estrangeiros. Ao que tudo indica, a corrida para a ocupação de espaços é frenética. Espaços, aqui, significam terra. A terra que a FRELIMO libertou mas que, hoje, é propriedade de apenas alguns. Poucos. Como se pode ler a seguir. Acrescenta a local que O início das obras de construção de novas infra-estruturas, nomeadamente a ponte Maputo – Katembe e as estradas que ligam aquele ponto aos postos administrativos de Ponta d’Ouro e da Bela Vista no distrito de Matutuíne e de Boane, na província de Maputo está a criar conflitos sem procedentes entre a edilidade e os nativos. (Sublinhado meu). Uma das moradoras na zona, terá dito ao matutino que adquiriu o seu espaço há alguns anos e numa manhã destas quando saía para o serviço deparei-me com um “X” numa das minhas casas e ninguém me explicou o seu significado. Foi quando soube que a minha casa iria ser removida para dar lugar às obras de construção da estrada (...). Outro morador na zona, terá explicado que não houve nenhum encontro entre os moradores e a edilidade para esclarecer os projectos que estão a ser implementados e que oportunidades existem para eles. Aparentemente, na sua visão, serão poucas. Ou nenhumas. Mas é necessário perceber, também, que eles, moradores, são incómodos. São inconvenientes. Estão no local errado. Nunca deveriam ter estado onde estão. Depois, ao que se diz resistem, às mudanças. Quer dizer, são reaccionários. Como se dizia quando a terra era do povo. Agora não. Estamos no tempo do vale tudo. Vejamos só mais este naco de prosa, esta explicação do referido matutino, dada por um vereador municipal, sobre o que se está a passar: O problema é que os nativos querem continuar a vender terrenos de forma ilegal mesmo depois do início das demarcações de espaços, alegadamente porque pertenciam aos seus antepassados e que são deles, por direito. Se leio bem o que se está a passar, estamos mais uma vez perante uma solução adiada para um conflito real e actual. Uma das muitas questões que se podem colocar relativamente à construção da polémica ponte, é se o Conselho Municipal da Cidade de Maputo (CMCM) está em condições de gerir os muitos conflitos de terras que se adivinham. Que já se avizinham. Que já começaram a surgir. Em grande parte, fruto e produto da sua ignorância, da sua incompetência administrativa, do seu desejo e gosto por dinheiro fácil. Resultado e consequência da construção de obras de fachada. Ou de obras mal adjudicadas. Como parece ser caso paradigmático a construção do prolongamento da Avenida Nyerere. Será que já ninguém vê o que está a acontecer na capital do país? Será que já ninguém olha por nós, simples munícipes pagantes de impostos e de taxas? Condenados a viver e a conviver com o lixo, os buracos, as águas estagnadas, a falta de água, os cortes constantes de energia eléctrica? Sem direitos a nada nem a coisa nenhuma. Nesta cidade de Maputo, o nosso único acto libertador é o de não ter de votar em próximas eleições. E poder afirmar que não votar é um direito.

domingo, março 03, 2013

A bem da transparência governativa

Mais um roubo de dinheiros do Estado aconteceu. No Ministério da Educação. O qual terá sido conhecido publicamente a partir de informações divulgadas por funcionários da referida instituição roubada. Em finais do ano passado. Depois do habitual informa, desinforma, a “montanha pode bem vir a parir um rato”. Ou um “ratinho”. É que para não alimentarmos muitas ilusões para conhecer a forma como o crime foi sendo praticado, como a fraude no Ministério da Educação foi sendo feita, durante vários e muitos anos, o “Notícias” de 23 de Fevereiro findo titulava (página 1) que “Fuga do financeiro dificulta investigações”. E, logo a seguir escrevia que A fuga do financeiro -pagador do Ministério da Educação é apontada pelas equipas de peritos do Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) e da Inspecção da Educação e das Finanças como estando a dificultar o esclarecimento cabal do rombo financeiro em investigação. A expectativa reinante é que ele colaborasse, dando a sua versão dos factos. O que a não se verificar, condicionará, de certa forma, o curso das investigações já iniciadas. Logo a seguir, o matutino escreve que Dados fornecidos por fontes autorizadas indicam que a presença do financeiro – pagador é determinante não só para ajudar a esclarecer os mecanismos e os montantes envolvidos na fraude, como também para apurar o grau de envolvimento ou participação de outros funcionários do MINED e não só, naquele que é considerado um dos maiores rombos financeiros no sector. Poderá perguntar-se, porquê rombos e não roubos. Porquê esta tentativa de atenuar, de minimizar o crime. Neste caso organizado. Quanto aos argumentos dos investigadores, naturalmente trata-se de aspectos, de questões que dizem respeito, pura a simplesmente, à investigação. Ao cidadão, pagador de impostos, apenas importa saber quem roubou e quanto roubou. Por extensão, quem irá pagar o valor roubado. De resto, esta aparente tentativa de apresentar dificuldades investigativas não serve a ninguém. Muito menos aos próprios investigadores. Salvo outra leitura ou melhor entendimento, parece ser esta a posição do ministro das Finanças. Sobre a fraude, sobre o roubo no MINED. Na sua edição de 26 de Fevereiro findo titulava o “Notícias”, em primeira página, que “Manuel Chang defende esclarecimento rápido”. Logo a seguir, o matutino de Maputo escrevia que O Ministro das Finanças, Manuel Chang, defende um esclarecimento rápido e responsabilização de todos os implicados na fraude financeira havida no Ministério da Educação. Falando à Imprensa, sexta-feira passada, Chang reconheceu que, pelos procedimentos financeiros estabelecidos ao nível do Estado, no que tange ao pagamento de salários, em que para além do envolvimento de pessoal do MINED se exige o confirmativo dos quadros da Contabilidade Pública, o rombo não contou apenas com funcionários da Educação, mas também com alguns funcionários do seu sector. Mais terá dito o referido ministro, que parece relevante para a apreciação deste caso: Não tenho dúvidas que hajam mais funcionários implicados. Para tudo o que aconteceu, não pode ter sido apenas um funcionário. Queremos que o caso seja rapidamente esclarecido e as pessoas responsabilizadas pelo sucedido – sublinhou. Como tal, e se é correcta esta leitura do posicionamento do ministro, a ausência ou a fuga do financeiro – pagador, não constitui factor impeditivo ou inibidor a uma investigação rápida e séria sobre o roubo. É caso para dizer, com natural expectativa, siga em frente senhor ministro. Haja de acordo com as suas convicções e os seus conhecimentos. Esperamos por novos passos. Em frente. A bem da transparência governativa.

domingo, fevereiro 17, 2013

O nosso destino é ser gerido por incompetentes

Afinal, ao que se verifica, “nem tudo são rosas”.Como costuma dizer-se. Isto, em relação ao novo e tão badalado cemitério da cidade de Maputo. Localizado em Michafutene. O jornal “Notícias” (edição de 18 do corrente mês, página 3), titulava que “Novo cemitério com problemas básicos”. E, logo a seguir escrevia que O cemitério de Michafutene, aberto para acolher funerais em Novembro último, encontra-se mergulhado num mar de problemas, que vão desde a falta de transporte, água para a realização das cerimónias fúnebres e outras infra-estruturas. Digamos, desde já, que estamos perante mais um caso de gritante incompetência municipal. Acrescenta a local, que Localizado a pouco mais de 20 quilómetros da cidade de Maputo, o cemitério conta com 17 talhões para a área cristã e seis para a área muçulmana. Cada um destes talhões tem capacidade para a realização de 180 enterros, numa área de 50 hectares. Seria importante que alguém nos informasse sobre para quantos anos foi perspectivado este cemitério. Em relação ao de Lhanguene, todos sabemos que, segundo o projecto inicial, tem capacidade para receber corpos por um período de, menos, mais 20 anos. Mas, os vivos assim não querem. Os vivos terão dito e repetido que se lixem os mortos. Primeiro nós, os vivos. Depois vós. Morram onde morrerem, que sejam enterrados longe. Lá longe. Onde os terrenos ainda valem pouco. Ou nada. Pois não é que estes terrenos, que nós estamos a ocupar ilegalmente, valem muito. Depois, os mortos sequer votam. Simplesmente, não votam. Então que passem a ser enterrados bem longe. Lá para as bandas de Michafutene. Mesmo quando zona sem transportes, sem água, sem sombras. Sem nada. Nós, os vivos, sim. Merecemos bem mais. E bem podemos trocar, vender o nosso voto pelos terrenos que ocupámos. Ilegalmente. Mesmo quando e se nos vierem dizer que tudo isto é ilegal. Que é uma ilegalidade. Para nós, pouco importa tudo isso. Apenas queremos que nos facultem um terreno em outro local. Como reassentados. É assim que é bonito dizer. Mesmo quando nada se está a dizer. Depois, como todos os compatriotas sabem, vendemos esse novo terreno e voltamos ao antigo espaço. Nesse então, já esse espaço destinado aos mortos, terá sido “oferecido” a uma imobiliária. Para construi um condomínio. Fechado. Aonde só os ricos terão acesso. Para nós, condenados à pobreza, “Condenados da Terra”, tudo isto é um bem. Mesmo quando não seja processo digno. E não é. Está a circular na internet um vídeo produzido por chineses. Ou na China. Excelente e de excelente qualidade. Durante cerca de dez minutos, podemos ficar a conhecer o que será e como será a ponte entre Maputo e a Catembe. E a estrada entre s capital do país e Marracuene. Obras que tal como nos são apresentadas só podem ser classificadas como excelentes. Façamos, desde já, votos para que a realidade venha a corresponder à publicidade e à propaganda. Vamos esperar para ver. Estranho, em si, não é o facto de serem os chineses a divulgar aquilo que se propõem realizar em Moçambique. Estranho é não serem os moçambicanos a fazê-lo. Estranho é não ser o Conselho Municipal da Cidade de Maputo (CMCM) a divulgar a construção das majestosas e majestáticas construções. Construídas, edificadas por chineses mas pagas, sem dúvida, por nós. Com nosso dinheiro. Mas, tanto quanto sabemos, nós também temos por aqui descendentes de chineses com capacidade de governação. Até temos um que disse, com rara coragem, que o lixo não se tira com a boca. Talvez seja tempo, já mais do que tempo, para substituir a imbecilidade e a incompetência pela competência. Os munícipes agradecem. Já sabemos que até às próximas eleições, este é o nosso destino. E o nosso destino é ser gerido por incompetentes.

domingo, fevereiro 10, 2013

Silêncio a mais

Parece ter voltado à normalidade o abastecimento de energia à cidade de Maputo. Interrompido devido a explosão na Central Térmica e que causou a morte de um técnico da EDM. Sobre as causas da referida explosão, até ao momento sabemos pouco mais do que nada. Recorde-se que não passa muito tempo, caso semelhante registou-se no posto de transformação da UEM. Também aqui pouco ou nada se soube sobre as verdadeiras causas do acidente. Aliás, os gestores da EDM parecem que pautam a sua actuação pelo secretismo, pelo mutismo. Durante todo o tempo que durou o “apagão” não lemos nem ouvimos explicação sobre o que se estava a passar. Muito menos por quanto tempo iríamos estar privados de energia. Só sabíamos que tínhamos energia quando tínhamos. E que não tínhamos quando não tínhamos. Quando era cortada. Sem qualquer informação ou aviso. Entende, pelos vistos, a EDM que não merecemos tanto os seus clientes. Que não é direito dos seus clientes saber o que se estava a passar. Mas, definitivamente, é. Uma “ponta do véu” que cobria o mistério, o segredo, já começou a ser levantada. Na sua edição quarta-feira (página 3), o “Notícias” titulava: “Reposto fornecimento de energia à capital”. E escrevia que A Electricidade de Moçambique garantiu ontem ter conseguido repor o fornecimento de energia eléctrica à capital do país depois de sucessivos cortes que deixaram a cidade às escuras durante todo o fim-de-semana. Ainda segundo a local, O administrador executivo da empresa, Adriano Jonas, explicou que o restabelecimento só foi possível na manhã de ontem quando se concluiu a correcção de um erro detectado no ensaio efectuado na linha que estava para voltar a electrificar Maputo. Mais disse o gestor da EDM, reconhecendo o erro de palmatória cometido que Montámos duas linhas e durante os ensaios descobrimos que uma delas tinha os motores a funcionar numa rotação contrária à prevista. Tivemos que corrigir o erro para evitar eventuais irregularidades e conseguimos estabelecer a corrente na cidade. É caso para comentar bem dita incompetência. Bem dita a incompetência dos técnicos da EDM. E que podem fazer tudo o que querem e como querem. Pela simples razão de que a incompetência não paga imposto. Menos ainda é punida como crime público. Até ver. Já na sua edição do dia seguinte, quinta-feira, o matutino de Maputo titulava em primeira página que ‘Reparação da subestação deverá durar 12 meses”. E escrevia que A Electricidade de Moçambique (EDM) vai precisar de 12 meses para reparar os danos provocados pela explosão na Subestação da Central Térmica de Maputo, ocorrida na madrugada do último sábado, vitimando igualmente um técnico da empresa. Seguem-se um conjunto de explicações técnicas fornecidas pelo PCA de EDM em conferência d Imprensa. Quanto aos motivos da explosão, o silêncio continua a valer ouro. O mesmo é dizer nada. Ou apenas que não é normal com este tipo de equipamentos que são normalmente fiáveis. Infelizmente, para nós, tal não se apresenta assim. Se o problema é dos equipamentos ou é nosso, é questão que merece o sacrifício de investigar. E, convenhamos, pensar nem custa muito. É, em primeiro lugar, um acto de soberania. E uma atitude que deveria ser constante e permanente da chamada “geração da mudança”. Deixemos os dramas. Ou deixemo-nos de dramas. Falemos da realidade. O “apagão” terá provocado prejuízos em diferentes sectores, em diferentes ramos de actividade. Mais ou menos elevados. Esta a EDM consciente desta realidade? Dos prejuízos que causou aos seus clientes? Embora involuntariamente. E está disposta a fazer a reposição dos danos que provocou. Ou, como parece ser sua marca de funcionamento vai refugiar-se no silêncio? Recordar que nem o segredo nem o silêncio são sempre a chamada “alma do negócio”. E, aqui, parece que também não. A verdade, é que parece haver silêncio a mais.

domingo, fevereiro 03, 2013

Querer não é poder

Há notícias, há posicionamentos públicos que nos animam, que nos encorajam. A querer e desejar continuar estar vivos. Nós, cidadãos comuns. Homens sem mando. Porque em muitos e vários casos, somos levados a pensar que possa estar a haver falta de atenção, falta de conhecimento dos governantes. Sobre o que se possa estar a passar na sua área. Mas, parece que não. Com o correr do tempo, dos tempos, temos vindo a verificar que não é assim. O último exemplo que nos chega vem da parte do Procurador-Geral da República. Vejamos: Na edição do passado dia 4 (página 6), o jornal “Notícias” titulava que PGR denuncia magistrados “serviçais do crime organizado”. Escrevia, a seguir, que O Procurador-Geral da República, Augusto Paulino, denunciou a existência de magistrados ao serviço do crime organizado que fazem “despistes dos elementos de provas”, mas avisou que será implacável contra os Agentes infiltrados no sistema judicial. De acordo com a notícia, Augusto Paulino falava na posse de novos magistrados do Ministério Público para as procuradorias distritais, ocasião que terá reconhecido que “há sumiço de processos com conivência de juízes, procuradores, advogados e funcionários dos cartórios. Depois de divulgar outras irregularidades, o PGR disse que “ contra o crime organizado não pode haver meio-termo: ou ele acaba com o modelo social de organização do Estado que estamos a edificar ou o Estado acaba com ele” Por ser assim, a PGR continuará a “ser implacável, intolerante e absolutamente resoluto para combater este tipo de manobras de agentes infiltrados no nosso seio ao serviço do inimigo, custe o que custar. Concluamos, que fala assim, quem fala desta forma não é gago. Que sabe donde vem a para onde quer ir. Perante um tão apurado conhecimento da realidade, é de desejar que o PGR vá mais além, mais longe. Digamos que ficamos à espera que apresente publicamente casos concretos do que apresentou como generalidades. Que fundamente, devidamente, as suas afirmações. Que nos diga quem é quem. Ou, como diz o povo, que “ponha o gizo ao gato”. Se assim não acontecer, poderá ter o mesmo efeito que “chuva em cima de pato”. Não molha nem molesta. Ou que tudo isto não passar de uma manobra de diversão e de ter, apenas, “força d soda”. Mudar, em si, é um processo violento. Duro e, talvez, dramático. Mudar, exige sacrifícios. Mártires. Sem heróis. Mudar é, sobretudo, um acto de coragem. Mudar está, apenas, ao alcance de quem pode e quer. Apenas uma advertência para dizer que querer não é poder.