domingo, fevereiro 17, 2013

O nosso destino é ser gerido por incompetentes

Afinal, ao que se verifica, “nem tudo são rosas”.Como costuma dizer-se. Isto, em relação ao novo e tão badalado cemitério da cidade de Maputo. Localizado em Michafutene. O jornal “Notícias” (edição de 18 do corrente mês, página 3), titulava que “Novo cemitério com problemas básicos”. E, logo a seguir escrevia que O cemitério de Michafutene, aberto para acolher funerais em Novembro último, encontra-se mergulhado num mar de problemas, que vão desde a falta de transporte, água para a realização das cerimónias fúnebres e outras infra-estruturas. Digamos, desde já, que estamos perante mais um caso de gritante incompetência municipal. Acrescenta a local, que Localizado a pouco mais de 20 quilómetros da cidade de Maputo, o cemitério conta com 17 talhões para a área cristã e seis para a área muçulmana. Cada um destes talhões tem capacidade para a realização de 180 enterros, numa área de 50 hectares. Seria importante que alguém nos informasse sobre para quantos anos foi perspectivado este cemitério. Em relação ao de Lhanguene, todos sabemos que, segundo o projecto inicial, tem capacidade para receber corpos por um período de, menos, mais 20 anos. Mas, os vivos assim não querem. Os vivos terão dito e repetido que se lixem os mortos. Primeiro nós, os vivos. Depois vós. Morram onde morrerem, que sejam enterrados longe. Lá longe. Onde os terrenos ainda valem pouco. Ou nada. Pois não é que estes terrenos, que nós estamos a ocupar ilegalmente, valem muito. Depois, os mortos sequer votam. Simplesmente, não votam. Então que passem a ser enterrados bem longe. Lá para as bandas de Michafutene. Mesmo quando zona sem transportes, sem água, sem sombras. Sem nada. Nós, os vivos, sim. Merecemos bem mais. E bem podemos trocar, vender o nosso voto pelos terrenos que ocupámos. Ilegalmente. Mesmo quando e se nos vierem dizer que tudo isto é ilegal. Que é uma ilegalidade. Para nós, pouco importa tudo isso. Apenas queremos que nos facultem um terreno em outro local. Como reassentados. É assim que é bonito dizer. Mesmo quando nada se está a dizer. Depois, como todos os compatriotas sabem, vendemos esse novo terreno e voltamos ao antigo espaço. Nesse então, já esse espaço destinado aos mortos, terá sido “oferecido” a uma imobiliária. Para construi um condomínio. Fechado. Aonde só os ricos terão acesso. Para nós, condenados à pobreza, “Condenados da Terra”, tudo isto é um bem. Mesmo quando não seja processo digno. E não é. Está a circular na internet um vídeo produzido por chineses. Ou na China. Excelente e de excelente qualidade. Durante cerca de dez minutos, podemos ficar a conhecer o que será e como será a ponte entre Maputo e a Catembe. E a estrada entre s capital do país e Marracuene. Obras que tal como nos são apresentadas só podem ser classificadas como excelentes. Façamos, desde já, votos para que a realidade venha a corresponder à publicidade e à propaganda. Vamos esperar para ver. Estranho, em si, não é o facto de serem os chineses a divulgar aquilo que se propõem realizar em Moçambique. Estranho é não serem os moçambicanos a fazê-lo. Estranho é não ser o Conselho Municipal da Cidade de Maputo (CMCM) a divulgar a construção das majestosas e majestáticas construções. Construídas, edificadas por chineses mas pagas, sem dúvida, por nós. Com nosso dinheiro. Mas, tanto quanto sabemos, nós também temos por aqui descendentes de chineses com capacidade de governação. Até temos um que disse, com rara coragem, que o lixo não se tira com a boca. Talvez seja tempo, já mais do que tempo, para substituir a imbecilidade e a incompetência pela competência. Os munícipes agradecem. Já sabemos que até às próximas eleições, este é o nosso destino. E o nosso destino é ser gerido por incompetentes.

domingo, fevereiro 10, 2013

Silêncio a mais

Parece ter voltado à normalidade o abastecimento de energia à cidade de Maputo. Interrompido devido a explosão na Central Térmica e que causou a morte de um técnico da EDM. Sobre as causas da referida explosão, até ao momento sabemos pouco mais do que nada. Recorde-se que não passa muito tempo, caso semelhante registou-se no posto de transformação da UEM. Também aqui pouco ou nada se soube sobre as verdadeiras causas do acidente. Aliás, os gestores da EDM parecem que pautam a sua actuação pelo secretismo, pelo mutismo. Durante todo o tempo que durou o “apagão” não lemos nem ouvimos explicação sobre o que se estava a passar. Muito menos por quanto tempo iríamos estar privados de energia. Só sabíamos que tínhamos energia quando tínhamos. E que não tínhamos quando não tínhamos. Quando era cortada. Sem qualquer informação ou aviso. Entende, pelos vistos, a EDM que não merecemos tanto os seus clientes. Que não é direito dos seus clientes saber o que se estava a passar. Mas, definitivamente, é. Uma “ponta do véu” que cobria o mistério, o segredo, já começou a ser levantada. Na sua edição quarta-feira (página 3), o “Notícias” titulava: “Reposto fornecimento de energia à capital”. E escrevia que A Electricidade de Moçambique garantiu ontem ter conseguido repor o fornecimento de energia eléctrica à capital do país depois de sucessivos cortes que deixaram a cidade às escuras durante todo o fim-de-semana. Ainda segundo a local, O administrador executivo da empresa, Adriano Jonas, explicou que o restabelecimento só foi possível na manhã de ontem quando se concluiu a correcção de um erro detectado no ensaio efectuado na linha que estava para voltar a electrificar Maputo. Mais disse o gestor da EDM, reconhecendo o erro de palmatória cometido que Montámos duas linhas e durante os ensaios descobrimos que uma delas tinha os motores a funcionar numa rotação contrária à prevista. Tivemos que corrigir o erro para evitar eventuais irregularidades e conseguimos estabelecer a corrente na cidade. É caso para comentar bem dita incompetência. Bem dita a incompetência dos técnicos da EDM. E que podem fazer tudo o que querem e como querem. Pela simples razão de que a incompetência não paga imposto. Menos ainda é punida como crime público. Até ver. Já na sua edição do dia seguinte, quinta-feira, o matutino de Maputo titulava em primeira página que ‘Reparação da subestação deverá durar 12 meses”. E escrevia que A Electricidade de Moçambique (EDM) vai precisar de 12 meses para reparar os danos provocados pela explosão na Subestação da Central Térmica de Maputo, ocorrida na madrugada do último sábado, vitimando igualmente um técnico da empresa. Seguem-se um conjunto de explicações técnicas fornecidas pelo PCA de EDM em conferência d Imprensa. Quanto aos motivos da explosão, o silêncio continua a valer ouro. O mesmo é dizer nada. Ou apenas que não é normal com este tipo de equipamentos que são normalmente fiáveis. Infelizmente, para nós, tal não se apresenta assim. Se o problema é dos equipamentos ou é nosso, é questão que merece o sacrifício de investigar. E, convenhamos, pensar nem custa muito. É, em primeiro lugar, um acto de soberania. E uma atitude que deveria ser constante e permanente da chamada “geração da mudança”. Deixemos os dramas. Ou deixemo-nos de dramas. Falemos da realidade. O “apagão” terá provocado prejuízos em diferentes sectores, em diferentes ramos de actividade. Mais ou menos elevados. Esta a EDM consciente desta realidade? Dos prejuízos que causou aos seus clientes? Embora involuntariamente. E está disposta a fazer a reposição dos danos que provocou. Ou, como parece ser sua marca de funcionamento vai refugiar-se no silêncio? Recordar que nem o segredo nem o silêncio são sempre a chamada “alma do negócio”. E, aqui, parece que também não. A verdade, é que parece haver silêncio a mais.

domingo, fevereiro 03, 2013

Querer não é poder

Há notícias, há posicionamentos públicos que nos animam, que nos encorajam. A querer e desejar continuar estar vivos. Nós, cidadãos comuns. Homens sem mando. Porque em muitos e vários casos, somos levados a pensar que possa estar a haver falta de atenção, falta de conhecimento dos governantes. Sobre o que se possa estar a passar na sua área. Mas, parece que não. Com o correr do tempo, dos tempos, temos vindo a verificar que não é assim. O último exemplo que nos chega vem da parte do Procurador-Geral da República. Vejamos: Na edição do passado dia 4 (página 6), o jornal “Notícias” titulava que PGR denuncia magistrados “serviçais do crime organizado”. Escrevia, a seguir, que O Procurador-Geral da República, Augusto Paulino, denunciou a existência de magistrados ao serviço do crime organizado que fazem “despistes dos elementos de provas”, mas avisou que será implacável contra os Agentes infiltrados no sistema judicial. De acordo com a notícia, Augusto Paulino falava na posse de novos magistrados do Ministério Público para as procuradorias distritais, ocasião que terá reconhecido que “há sumiço de processos com conivência de juízes, procuradores, advogados e funcionários dos cartórios. Depois de divulgar outras irregularidades, o PGR disse que “ contra o crime organizado não pode haver meio-termo: ou ele acaba com o modelo social de organização do Estado que estamos a edificar ou o Estado acaba com ele” Por ser assim, a PGR continuará a “ser implacável, intolerante e absolutamente resoluto para combater este tipo de manobras de agentes infiltrados no nosso seio ao serviço do inimigo, custe o que custar. Concluamos, que fala assim, quem fala desta forma não é gago. Que sabe donde vem a para onde quer ir. Perante um tão apurado conhecimento da realidade, é de desejar que o PGR vá mais além, mais longe. Digamos que ficamos à espera que apresente publicamente casos concretos do que apresentou como generalidades. Que fundamente, devidamente, as suas afirmações. Que nos diga quem é quem. Ou, como diz o povo, que “ponha o gizo ao gato”. Se assim não acontecer, poderá ter o mesmo efeito que “chuva em cima de pato”. Não molha nem molesta. Ou que tudo isto não passar de uma manobra de diversão e de ter, apenas, “força d soda”. Mudar, em si, é um processo violento. Duro e, talvez, dramático. Mudar, exige sacrifícios. Mártires. Sem heróis. Mudar é, sobretudo, um acto de coragem. Mudar está, apenas, ao alcance de quem pode e quer. Apenas uma advertência para dizer que querer não é poder.

domingo, janeiro 27, 2013

Querer aprender com quem sabe mais é um acto de humildade

Moçambique continua a ser fustigado por chuvas intensas. Um pouco por todo o país. Em diferentes locais das diversas províncias. Os prejuízos causados pelas águas são elevados. Em bens pessoais perdidos, incluindo culturas e habitações, e em infra-estruturas sociais. Também em vidas humanas. Em mortes. Até à passada quarta-feira, haviam sido registados 44 óbitos, em todo o país. Diga-se, em abono da verdade, que a situação no campo não é igual à registada nas cidades. Principalmente Maputo e Matola. Lá no campo, quando o caudal dos rios engrossa e o leito deixa de respeitar as margens, a solução, ao que parece única, é retirar as pessoas em risco de vida. Para locais onde fiquem em segurança. Nas cidades, principalmente na capital do país e na cidade da Matola, a origem do problema parece residir e resultar de erros humanos. Ou na falta de poder por parte de quem o devia exercer. De falta de vontade para exercer o poder. Sobre o assunto, na sua edição da passada quarta-feira (página 7), o jornal “Notícias” titulava que “Teodato Hunguana critica falta de exercício do poder”. E, escrevia que A ocupação desordenada de espaços em zonas urbanas, um problema que conta com a conivência de titulares de órgãos de governação, está na origem do agravamento das inundações que ciclicamente afecta algumas cidades moçambicanas. Logo a seguir, pode ler-se na local que Segundo o membro do Comité Central da Frelimo, Todato Hunguana, nos últimos anos nota-se que há parcelamentos e atribuição de terrenos pelas autoridades municipais em zonas de grande risco. Logo a seguir, a notícia esclarece que Hunguana deu o exemplo do município da Matola, onde se assiste à ocupação de zonas destinadas à evacuação das águas das chuvas, como é o caso da zona localizada entre o terminal de carga (FRIGO) e a empresa CMC, actualmente ocupada por uma série de armazéns, impedindo o escoamento rápido das águas. Agora, acrescentemos, por nossa conta e risco, que quem fala com tanta clareza e tanta objectividade não é gago. Nem tem, como alguém disse, “rabos-de-palha”. Ou seja, compromissos. O bom do cidadão, que falava segunda-feira durante a entrega formal de um donativo para as vítimas das enxurradas na Matola, as águas das chuvas acumulam-se em zonas residenciais, inundando casas e outras propriedades. E, para não deixar dúvidas sobre a sua posição e o seu pensamento, terá dito que Algumas destas zonas nunca antes sofreram os efeitos das enxurradas, porque as águas fluíam facilmente para o mar. Ora, se tal já não acontece hoje, é por ter havido por ali mão humana. Talvez erro humano. Por hipótese ganância humana. Na melhor das hipóteses, municipal. Mas, passemos ao ponto que parece ser a questão principal. Vejamos. Na Matola estamos a criar condições para o agravamento da situação das calamidades. Temos de chamar a responsabilidade de quem autoriza a construção em zonas impróprias. Isto é uma urbanização selvagem. E, para não deixar dúvidas sobre o seu pensamento e o seu posicionamento, o orador, que é residente na cidade da Matola, disse em alguns casos nota-se falta de exercício da autoridade, porque a governação não está sendo efectiva ao ponto de as pessoas desafiarem as ordens, construindo ou permanecendo em zonas impróprias. E, ao que parece, concluindo o seu pensamento terá dito que Temos de educar as populações para saírem das zonas de risco. Mas, sobretudo, deve-se fazer o uso do poder instituído para manter a disciplina e evitar que as pessoas estejam numa situação de risco. Ao que se pode constatar, estamos perante uma questão de poder. Ou de ausência de poder. Ou de vontade e de coragem para exercer o poder. Espero e só desejo que a mensagem e os recados, bens claros e em sinal aberto, tenham sido bem entendidos. Bem interpretados. Lá na capital da província de Maputo, como aqui na capital do país. Afinal, aprender, querer aprender com quem sabe mais é um acto de humildade.

domingo, janeiro 20, 2013

As eleições estão à porta.

Durante a passada semana, o Ministro do Interior efectuou uma visita de vários dias à cidade de Maputo. A diferentes bairros da capital do país. Onde e no decorrer da qual elementos da população colocaram vários e deferentes problemas. Que em muitos casos podem ser considerados como problemas gerais de toda a capital do país. Por exemplo, reportando sobre a visita ao bairro de George Dimitrov, o “Notícias” da passada quinta-feira (página 3), titulava que PRM e comunidade cercam crime. E, logo em seguida, escrevia que A Polícia da República de Moçambique (PRM) assumiu ontem o seu maior engajamento e partilha de acções com a comunidade de forma a deter e a responsabilizar todos os malfeitores que assaltam e protagonizam vários crimes da cidade de Maputo. Acrescenta a local, que o Ministro do Interior, falando no referido bairro garantiu que a sua corporação não descansará enquanto não prender todos os indivíduos que se apoderam de bens dos cidadãos ou que protagonizam outros tipos de crimes. Mais adiante, o matutino escreve que Na ocasião o governante foi confrontado com várias denúncias feitas pelos moradores (...) dentre as quais alguns “excessos” da Polícia no processo de manutenção da ordem, tranquilidade e segurança públicas. Acrescenta que uma moradora terá pedido ao Ministro do Interior para dialogar com os seus elementos para que sejam mais ponderados na repressão de cidadãos que no exercício do seu negócio violam a lei. Mais adiante, pode ler-se que A questão de cobranças ilícitas e certa “arrogância” protagonizada por alguns elementos da corporação foram apontados pelos moradores como outros problemas da actualidade. O que, acrescento eu, pode ser entendido como problema geral. Problema de toda a cidade. Posição que eu assino por baixo. Pode ler-se, também, que para o governante, para quem os seus efectivos estão de parabéns O crime não vai crescer mais no país pois a Polícia está melhor organizada agora. Pensamos que faz bem o Ministro do Interior em efectuar estas visitas. Para ouvir, de viva voz os problemas que afectam os cidadãos residentes nos diferentes bairros e ficar mais sensibilizado para a procura de soluções. Por isso, saudamos a sua iniciativa e o seu método de trabalho. Transparente e frontal. Assim possa ensinar colegas, transmitir a sua experiência e o seu saber fazer a colegas. E, pelo que estamos a assistir, há vários que precisam de aprender com sigo. Por exemplo, aquele que andou por aí a comprar barcos com dinheiro público. E que acabaram por ficar parados por a população não ter dinheiro suficiente para pagar o valor exigido pelos bilhetes. Ou a comprar autocarros que ninguém sabe para que servem ou onde circulam. Há quem diga e escreva que circulam lá pelas bandas do Zambeze. Lá por Tete. Será? Um outro, um outro seu colega, afadigou-se em conseguir favores de jornais, rádios e televisões para tentar mostrar que estava a trabalhar muito. E lá foi fazendo umas tantas aparatosas reuniões. Para nos tentar tranquilizar, para nos dizer que durante a quadra festiva não iria faltar nem de comer nem de beber. E mais, que não iria haver especulação nos preços. Não terá havido nesse então. Só que não sei nem percebo como é que um ministro, mesmo sendo formado em economia, pode controlar as leis do mercado. A questão primária é que não pode. E, como não pode, o resultado aí está. Agora. Aumentou o preço da batata, da cebola, dos ovos, do tomate. E por aí em diante. Tudo está mais caro. E em valores exponenciais. Ë caso para dizer, bem dita Pátria Amada que produzes e reproduzes tanta incompetência. Tanta sanidade mental. Alertar que as eleições estão a chegar. Que as eleições estão à porta.

domingo, janeiro 13, 2013

Evitar que as crises se repitam

Depois de cerca de uma semana de greve, os médicos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) já retomaram as suas actividades. Em todo o país. Acrescentemos que ainda bem. E façamos votos no sentido de que no balanço final não figurem mortes. Nem prejuízos graves para as populações eventualmente afectadas. Vejamos, em resumo, como foi possível atingir o desejado açodo. Na sua edição do passado dia 16 (Primeira página), o jornal “Notícias” informa que Os médicos moçambicanos, em greve desde o passado 7 de Janeiro, voltaram ontem aos seus postos de trabalho na sequência dos consensos alcançados entre a classe desavinda e o Governo sobre os pontos de discórdia. Esclarece o matutino que Três pontos constituíam o caderno reivindicativo dos profissionais filiados na Associação Médica de Moçambique (AMM), concretamente a questão das casas, estatuto médico e a necessidades de ajustamento dos salários. Os primeiros dois pontos, terão sido satisfeitos aquando da primeira ameaça de greve, em Dezembro passado. A questão dos salários transitou para a fase seguinte das negociações, cujo fracasso ditou o início da greve. Agora, uma vez atingido um acordo, o ajustamento salarial deverá entrar em vigor a partir de Abril próximo. Ainda segundo a local, as partes garantiram, em conferência de Imprensa, que as preocupações apresentadas pelos médicos foram cabalmente resolvidas nos encontros conjuntos que se vêm realizando desde a paralisação, pelo que aqueles profissionais voltaram ao trabalho. O “Notícias” cita também o presidente da Direcção da AMM a garantir que a questão do ajuste salarial era o último ponto que continuava pendente e foi resolvido nas conversações, que suspensas na madrugada de ontem foram retomadas de manhã, terminando com um acordo entre as duas partes. Comentemos que ainda bem que tudo já terminou e em bem. No rescaldo do conflito laboral, que opôs médicos e entidade patronal, e já com a “cabeça fria”, parece importante que o MISAU faça uma reflexão sobre o acontecido. Séria e honesta. Em primeiro lugar, para explicar, publicamente, o motivo a, ao que parece, não ter levado muito a sério as reivindicações dos médicos. Digamos, em resumo, que esta greve poderia, perfeitamente, ter sido evitada. Se, acaso, no momento de contar as armas o MISAU não tivesse feito um cálculo errado. Uma contagem errada. Agora, que a crise e o conflito já são passado, importa saber olhar em frente. Tendo presente que, independentemente do acordo alcançado entre as partes, de quem fez mais ou menos cedências, parece haver um aspecto que é líquido e indesmentível. O MISAU saiu desgastado na sua imagem e os médicos terão saído prestigiados. No mínimo de forma airosa no desafio e no repto que lançaram à sua entidade patronal. Deixemos, agora, que o tempo corra e que seja o melhor conselheiro. Para já, fica a lição ou a ilação de que esta equipa da MISAU não é capaz nem tem capacidade para lidar e resolver situações de crise. De crises laborais. Sobretudo, que apresenta um elevado défice de respeito para com a classe médica. Que deveria ser o primeiro a respeitar e a acarinhar. Infelizmente, não é isso que está a acontecer. Não foi isso que aconteceu. Quem manda, quem tem o poder do mando, sabe perfeitamente como proceder em casos como este. Tendo em vista evitar que as crises se repitam.

domingo, janeiro 06, 2013

Quando mar bate na rocha quem se lixa é o mexilhão

A polémica parece estar instalada. Parece ter vindo para continuar. Isto no que se refere à greve dos médicos. Ao que se sabe, ao que tem vindo a público, a questão é por demais controversa. O que se pode concluir, em primeiro lugar, é que estão perante ideias e concepções completamente diferentes de remunerar o trabalho. E, tenhamos sempre presente que trabalho é sempre trabalho. Que pode haver trabalho sem haver emprego. Que emprego é coisa bem diferente de trabalho. Para além das questões de ética, de deontologia ou de moral que a greve, em si própria, possam suscitar, há outras que não podem ser perdidas de vista. Diz o provérbio popular que “casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”. Pode não ser exactamente o caso. O que acontece, o que pode estar a acontecer, para quem lê jornais e recebe mensagens por correio electrónico, é que existe pão. Pode ser pouco mas há pão. Só que não estará a ser distribuído com justiça. Com justiça social. O que pode ser visto à luz do verso do cantor quando canta que “Eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada”. De resto, neste ano de 2013 vir falar e pedir sacrifícios a uns tantos, não ocorreria nem a Belzebu. Porque não passa de argumento falacioso. Demagógico. De recordar que o tempo do trabalho voluntário e dos sacrifícios individuais e colectivos terminou há muitos anos. Terminou quando acabou a I República. Terminou com a morte de Samora Machel. E nada adianta, hoje, tentar transformar uma questão laboral em questão ideológica. Seguir por estes caminhos não passa de tentativa para atirar poeira para os olhos do cidadão. Sem perceberem, certamente, que os olhos do cidadão começam a ficar imunes à poeira. Que conseguem ver o que se passa para além dela. Para além da poeira. O que é bom para todos, para a sociedade. Resumir que o conflito entre os médicos e o Estado não é um problema conjuntural e nem temporal. É um problema estrutural. Que deve merecer a devida atenção e análise do governo, do Conselho de Ministros. A questão é demasiado grave, demasiado profunda, demasiado complexa para que possa continuar a ser tratada com a ligeireza, a leviandade e a infantilidade com que tem vindo a ser tratada. Isto, em nome e em defesa dos direitos constitucionais dos cidadãos e dos doentes que recorrem aos hospitais públicos. Na sua edição da passada quinta-feira (página 1), o “Notícias” titulava que “Numa medida mais abrangente”, “Estuda-se ajuste salarial na Saúde”. E, logo a seguir escreveu que O Governo está a equacionar um aumento salarial para o pessoal da Saúde, incluindo os médicos, em greve geral desde segunda-feira convocada pela respectiva associação, não se sabendo em que moldes será, nem quando vai se materializar. O matutino cita, a seguir, um porta-voz do Ministério da Saúde a dizer a jornalistas que mais dados serão revelados oportunamente, sendo que aquela instituição com outras entidades do Executivo está a discutir um incremento de honorários daqueles profissionais. Ainda segundo o “Notícias”, o referido porta-voz Ressalvou, porém, que esta análise já estava em curso antes da eclosão da greve. O que sendo, sendo, sem dúvida, uma boa notícia, uma boa informação, não chega, não é suficiente para acalmar os espíritos. Muito pelo contrário. Revela incompetência e burrice. Quer dizer, os burróides a quem foi entregue a gestão da Saúde no nosso país conheciam e estavam a par dos problemas que existem na sua área. Mas preferiram esperar para ver. O resultado desse vosso “deixa andar” foi a greve. Muito provavelmente e pelo que se está a ver, o Ministério da Saúde está infiltrado por agentes de serviços secretos estrangeiros. Será, nesta eventualidade, um pólo de conflito. Entre secretas. E como acontece nestes casos, quando mar bate na rocha quem se lixa é o mexilhão.

domingo, dezembro 30, 2012

Arquive-o na gaveta do esquecimento

Do Brasil também nos chegam notícias boas. Pelo menos duas, nos últimos dias do ano de 2012. Uma (“Domingo”, edição anterior, página 34), diz que “Dilma promete mais em 2013”. Começa por informar o semanário que A Presidente da República Federativa do Brasil, Dilma Roussef, promete que o ano de 2013 será melhor para os brasileiros, mercê dos pacotes de intervenção e de investimentos em urso que poderá melhorar a vida das populações e incrementar o crescimento económico daquele país sul-americano. Acrescenta a local que Falando, semana passada, num discurso de onze minutos a toda a nação federal por ocasião do natal e do fim do ano, Dilma Roussef fez uma avaliação positiva de ano de 2012 tendo listado entre os principais aspectos positivos desencadeados pelo seu executivo a continuidade do programa nacional de expansão do emprego para os brasileiros Logo a seguir, a local esclarece que Com efeito, até ao passado mês de Outubro o executivo liderado pela Presidente Dilma Roussef tinha conseguido criar 1.77 novos postos de emprego – 4 milhões desde 2011 – a compra de casa própria para um milhão de famílias (...), e o que mais se pode ler por aí em diante. Afinal, está tudo a melhorar. Está tudo bem. Lá como cá. A outra, a segunda boa notícia, estando fora de Maputo, ouvia através da RM. Segundo esta estação radiofónica, a Presidente brasileira decidiu prorrogar o prazo para a entrada em vigor do novo Acordo Ortográfico (AO) até 2016. Uma decisão tomada, ao que percebi, depois de ouvidos, os mais competentes e os mais sábios do seu país nesta matéria. Esta, para mim, uma das melhores notícias de 2912. Dizer e repetir, que sempre fui contra o Acordo Ortográfico na versão imposta pelo Brasil. Que resulta mais de negociatas por debaixo da mesa do que de uma discussão transparente. Séria e honesta. Com base científica. Dizer também, repetir, que uma língua não tem proprietários. Não tem donos. Tem utentes, tem utilizadores. E que é direito legítimo dos utentes e dos utilizadores, dos falantes, utilizarem e adaptarem a língua às suas realidades e às suas necessidades. E às sua conveniência. Moçambique adoptou a língua portuguesa mo língua oficial. E como instrumento de unidade nacional. O Acordo Ortográfico, tal como se apresenta, é produto de complexo de inferioridade. É mais uma imposição do que um acordo. De recordar e também repetir, para os menos atentos, que as independências de todas as colónias do sul das Américas, à excepção do Haiti, foram declaradas por descendentes de colonos. Por filhos de colonos, herdeiros da mentalidade e dos métodos opressivos e repressivos de seus progenitores. De que Luta da Silva não passa de um exemplar. Certamente que não único. E que por aqui, nestas terras do Índico, alguém já chamou, e muito bem, de “saloios”. Em África, e parece necessário perceber e entender isso, a realidade é diferente. As independências foram declaradas ou assumidas pelas elites nativas. Independentemente do seu pensamento, da sua ideologia, da sua forma de ser e de estar. Da sua forma de governar. A actual Presidente do Brasil parece ter entendido e percebido, com relativa facilidade. Ou esta diferença de realidades. Já suficientemente estudada por especialistas na matéria. Bem-haja senhora Presidente do Brasil pela sua decisão de ter prorrogado a entrada em vigor do Acordo Ortográfico até 2016. Um brinde pelo seu realismo e pela sua lucidez. Pela sua coragem de não se assumir como colonialista. E, já agora, em defesa da sua lucidez histórica envie, definitivamente o Acordo Ortográfico para onde ele deve repousar para a eternidade. Arquive-o na gaveta do esquecimento.

domingo, dezembro 23, 2012

É preciso querer ir em frente

Não todos os dias que ouvimos e vemos dirigentes do Estado virem a público reconhecer erros e desvios de comportamento. De subordinados seus, de homens e de mulheres. Mas, está a começar neste final de ano. Saudemos a iniciativa e o posicionamento correcto. E a coragem em criticar o que é incorrecto. Os desvios de comportamento. O que está errado e precisa de ser corrigido. Primeiro caso, primeiro posicionamento foi o do vice-ministro do Interior. Em Inhambane. Que criticou o comportamento, a forma de actuação errada de certos agentes da Polícia de Trânsito. Em relação aos quais prometeu medidas punitivas severas. Incluindo a expulsão. Agora, mais recentemente (“Notícias” de 24 de Dezembro, primeira página), foi o comandante - geral da Polícia a denunciar irregularidades no ingresso na Polícia. Com o título “Jorge Khalau denuncia venda de registo criminal”, o matutino esclarece que O comandante – geral da Polícia, Jorge Khalau, denunciou a existência de uma rede de funcionários da administração da justiça envolvidos em esquemas de falsificação de registo criminal para favorecer a entrada na corporação de cidadãos criminosos ou com alguma ligação a grupos de malfeitores. Mais escreve o diário, que Parte dos documentos a esse respeito têm sido falsificados, sendo que alguns funcionários são coniventes porque não estampam o que na verdade consta nos arquivos em relação ao cidadão. Por essa razão temos que reforçar o nosso sistema de arquivos centrais para que não continuemos a ter pessoas com documentos que os abone quando, na verdade já foram condenados por práticas criminais. São estes que ao entrarem na Polícia causam problemas, pois continuam aliados aos malfeitores. Há um trabalho intenso que está sendo feito com os Serviços de Registo Criminal para apurar a legalidade de alguns certificados de registo criminal que têm sido apresentados pelos candidatos, pois há muita falsificação – disse. Por outras palavras, sendo curto e breve, o bandido, o ladrão, descobriu que a melhor de poder actuar impunemente era conseguir entrar na Polícia. Foi isso que começou a fazer. Daí a dúvida, a suspeita do cidadão comum muitas das vezes quando é abordado por um agente da polícia, se está perante um seu defensor ou de um criminoso. Muitas das vezes a segunda hipótese por ser a mais correcta. Neste final de ano, a poucas horas do início de 2013, desejar a todos os pacientes leitores um Bom Ano Novo. E saudar e felicitar a posição dos responsáveis do Ministério do Interior. Por inédita e por corajosa. Desejar, também, que outros e em outros ministérios saibam e queiram seguir o exemplo. Mas, também, deixar, uma vez mais, a chamada de atenção para a actuação e o comportamento errados de muitos dos chamados “cinzentinhos”. Que constituem uma vergonha para a Corporação. Detectadas algumas causa do mal, é preciso limpar a casa. É preciso querer ir em frente.

domingo, dezembro 16, 2012

Um inimigo público a eliminar

Há assuntos, há afirmações, há pronunciamentos públicos de membros do governo, que encoraja ler. Que merecem ser lidos. Por reflectirem profundo conhecimento da realidade em que estamos inseridos. Por Mostrarem profunda sensibilidade na gestão da coisa pública. Tanto mais que não são muito frequentes os casos do género. São raros. Em que são reconhecidos erros e desvios de comportamentos. Estamos a referir-nos, neste caso concreto a afirmações feitas pelo vice-ministro do Interior. Em Inhambane (“Notícias” do passado dia 18, página 5). A propósito de comportamentos errados de alguns membros da Polícia. Em particular da Polícia de Trânsito. Escreveu o matutino de Maputo, sob o título “Não usem a nossa farda para roubar”,que aquele governante (...) repudiou ontem, em Inhambane aqueles que chamou de infiltrados na Polícia, que com recurso ao uniforme a armas da corporação intimidam, extorquem e maltratam os cidadãos nacionais e estrangeiros. Com efeito, Mandar deu ultimato a esses agentes para abandonarem a corporação porque, segundo prometeu, o lugar deles não é na Polícia, mas sim na cadeia, para onde serão encaminhados os desordeiros. Estas palavras terão sido proferidas em resposta a queixas apresentadas por operadores turísticos da citada província. Mais adiante, o “Notícias” cita o vice-ministro a dizer que Por favor não se escondam atrás de arbustos com máquinas de controlo de velocidade para ameaçar os automobilistas. Tomem emboscadas contra criminosos e não contra população, muito menos contra os nossos hóspedes. Essa farda e as armas que têm são para defender a população e não para se aproveitar delas para actividades ilícitas. Não serão ricos roubando. O governante terá anunciado, na ocasião, medidas severas contra os fora-da-lei. Só temos que nos congratular com a posição pública do governante. Em resposta a questões que, podendo parecer pontuais e locais, o não são. Trata-se, afinal, de questões que acontecem em diferentes locais e ao longo do tempo. Agora, uma vez bem conhecida a realidade, havendo, de facto, conhecimento do que se passa nas nossas estradas – na cidade de Maputo também é um pouco assim – importa questionar: Que fazer? Com o comportamento profundo que tem da realidade, confiamos que o Ministério do Interior saberá tomar as medidas adequadas para corrigir estes desvios de comportamento. E para alterar radicalmente a situação que se vive nas estradas nacionais. Para inverter a situação. Talvez se o senhor José Mandra, como simples cidadão, fizer uma viagem por terra entre Maputo e Xai-Xai ou Inhambane, possa perceber ainda melhor a razão de tantas queixas. Já agora, dizer, que esses agentes da Polícia que se fazem emboscar na EN 1, na maioria dos casos, não se fazem transportar em viaturas identificadas como sendo da Polícia. Eles deslocam-se em viaturas civis, com matrícula igual ao do comum dos cidadãos. Por fim, e já que voltámos a escrever sobre o mau comportamento de agentes policiais, queremos deixar um pedido. Um apelo. Por favor, mande acantonar, definitivamente, esses “cinzentinhos”. Esses boçais não têm nada a ver com a fiscalização automóvel. Nem esta é uma actividade que lhes esteja atribuída. Quem lhes manda fazer o que fazem, actuar como actuam, quem os comanda, não me compete averiguar, investigar. O que sei, de concreto, é que um inimigo. Um inimigo público a eliminar.