Passadas que estão as eleições, o país terá retomada o seu ritmo normal de vida. Muito embora a paragem efectiva e global tenha sido de apenas um dia. Mas, um dia que para alguns terá parecido muito tempo. Tempo demasiado. Daí o não terem respeitado a tolerância de ponto decretada pelo Governo. Para que todos os trabalhadores pudessem votar. Um atitude que foi devidamente sancionada. Agora, é já tempo de olhar em frente. É tempo de futuro. E, este tempo de futuro é, inevitavelmente, um tempo de trabalho. Um tempo para prosseguir projectos iniciados. Para lançar e avançar com novos. Para enfrentar novos desafios. Tendo sempre presente que o objectivo final é o homem. O homem moçambicano. Como ser e como cidadão. A camada mais pobre da sociedade moçambicana. Que, no seu conjunto, ainda é a maioria. Para que tal aconteça, para que tal aconteça com sucesso, colocam-se algumas premissas. Algumas condições. Entre as quais estabilidade e aprofundamento da democracia parece serem fundamentais.
Logo após o início da divulgação dos primeiros resultados nas urnas, começaram as ameaças. Vinda da parte da RENAMO. Cujo líder terá dito que “vai incendiar o país” (Notícias, 31.10). E, para quem caso lhe sejam roubados os votos (...) a democracia vai acabar porque o seu partido vai tomar o poder à força. Mais diz, que ou não vamos governar porque vamos perder justamente e reconhecer ou alguém quer nos fazer perder. Acabou a paciência em Moçambique. Mais disse o pai da democracia que, ao que parece, está na disposição de matar a filha. Segundo ele, as eleições deverão ser repetidas na Ilha de Moçambique e caso isso não aconteça ele vai invalidar todos os resultados porque houve irregularidade (...). Dhlakama já decidiu, ou se repete ou serão invalidados todos os votos da Ilha de Moçambique. Ora, estamos de novo a assistir ao tradicional argumento da fraude. Por sinal sem novas roupagens. Que até já nem esconde a origem dos caciques que lhe deram forma. Tudo isto porque já não haver argumentos para justificar tanta derrota. Já são derrotas a mais.
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domingo, novembro 08, 2009
domingo, fevereiro 01, 2009
pagar para falar ou pagar para ficar calado
Começou já o processo de tomada de posse dos vencedores das últimas eleições autárquicas. No dia em que tal aconteceu, o presidente da RENAMO encontrava-se em Nacala. Em campanha de mobilização no único município onde poderá obter uma e a única vitória municipal. É que em Nacala haverá segunda volta eleitoral. Anteriormente, ele havia defendido que todos os candidatos derrotados do seu partido deveriam tomar posse ao mesmo tempo que os presidentes eleitos. O que, em primeira análise, constitui uma aberração. Uma monstruosidade. Um disparate. Em segunda, uma tal tomada de posse, a acontecer, não teria qualquer base legal. E, antes, nenhuma legitimidade. Digamos não ser mais do que um arremedo de política. Do que política do pontapé, de política do bota abaixo. Se assim o entendeu ou não, Eduardo Namburete, candidato à presidência da cidade de Maputo, veio a público (Notícias de 27.01.09 – pag. 3) dizer que será contra-senso tomar posse ao mesmo tempo que o presidente eleito. Acrescenta o matutino que, Assim, Eduardo Namburete poderá desobedecer o presidente do seu partido que revela pela segunda vez o empossamento paralelo dos “seus presidentes”.. Pode e deve recordar-se que o presidente da RENAMO fez questão de apresentar, publica e pessoalmente, o candidato do seu partido à presidência de Maputo. Também se deve dizer, que o putativo “pai da democracia” parece estar a ser pago. Uma vezes para ficar calado, outras para falar. Sendo que, quando não fala tem a seu favor a grande vantagem de não dizer disparates. Muito embora, e isso parece universal, quando se é líder, mesmo que não por mérito próprio mas por imposição externa, seja necessário, de quando em vez, falar. Sendo que, este falar ou falar disparatado possa implicar ter de vir a engolir alguns sapos vivos. Assim o exige quem paga. Quem está, calmamente, sentado na plateia a assistir ao filme. Um filme produzido no estrangeiro e que tem como actores marionetas moçambicanos.
Ao invés do que se passa com muitos e diversos produtos, que estão a merecer certificado de origem nacional, a RENAMO não o poderá merecer. A história assim o diz. Ela, tendo como base matéria prima nacional, foi criada a objectivada para servir interesses estrangeiros. Políticos e económicos. Primeiro, da Rodésia do Sul. Depois, da África do Sul racista. Por fim, de um Portugal à deriva. Quimérico e sebastianista, saudosista. De um Portugal que já não tinha caravelas para regressar carregadas de especiarias das Índias nem de madeiras, de ouro, de marfins e de aves raras de África. Mas, de um Portugal convicto de que, através da criação de dissidências internas, entre as elites internas, poderia permanecer. Continuar a dominar. Daí, o ter criado um novo mito. Numa tentativa de substituição de o desejado. Mas, Afonso, o nosso, o nativo, não é sinónimo de Sebastião. Nem a ele se pode comparar. Disso nos dá conta um general, reformado, da secreta militar portuguesa. Em livro com centenas de páginas. Um livro que vale a pena ler. E de cuja leitura se pode concluir que o Afonso foi um aposta errada. Ou que não. Que pode ser a quem se pode pagar para falar ou pagar para ficar calado.
Ao invés do que se passa com muitos e diversos produtos, que estão a merecer certificado de origem nacional, a RENAMO não o poderá merecer. A história assim o diz. Ela, tendo como base matéria prima nacional, foi criada a objectivada para servir interesses estrangeiros. Políticos e económicos. Primeiro, da Rodésia do Sul. Depois, da África do Sul racista. Por fim, de um Portugal à deriva. Quimérico e sebastianista, saudosista. De um Portugal que já não tinha caravelas para regressar carregadas de especiarias das Índias nem de madeiras, de ouro, de marfins e de aves raras de África. Mas, de um Portugal convicto de que, através da criação de dissidências internas, entre as elites internas, poderia permanecer. Continuar a dominar. Daí, o ter criado um novo mito. Numa tentativa de substituição de o desejado. Mas, Afonso, o nosso, o nativo, não é sinónimo de Sebastião. Nem a ele se pode comparar. Disso nos dá conta um general, reformado, da secreta militar portuguesa. Em livro com centenas de páginas. Um livro que vale a pena ler. E de cuja leitura se pode concluir que o Afonso foi um aposta errada. Ou que não. Que pode ser a quem se pode pagar para falar ou pagar para ficar calado.
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